O decreto nº 129, de 22 de maio de 1991, o qual Promulga a Convenção nº 159, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre Reabilitação Profissional e Emprego de Pessoas Deficientes, em seu artigo 4, garante que :
Essa política deverá ter como base o princípio de igualdade de opor-tunidades entre os trabalhadores deficientes e os trabalhadores em ge-ral. Dever-se-á respeitar a igualdade de oportunidades e de tratamento para as trabalhadoras deficientes. As medidas positivas especiais com a finalidade de atingir a igualdade efetiva de oportunidades e de tra-tamento entre trabalhadores deficientes e os demais trabalhadores não devem ser vistas como discriminatórias em relação a estes último (BRASIL, 2006 p.143)
Ainda, para a Organização Internacional do Trabalho, ao se tratar a questão do emprego para o deficiente, devemos buscar uma atividade economicamente rentável, que corresponda não tanto às deficiências do candidato, mas as suas aptidões e ao seu potencial.
Segundo Tomazini (apud BATISTA, 1998),
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todo homem é em potencial um trabalhador. O trabalho se constitui na atividade vital do homem (...) o trabalho define a condição huma-na e situa a pessoa no complexo conjunto das representações sociais, definindo a posição do homem nas relações de produção, nas relações sociais e na sociedade como um todo (p.11).
Entretanto, o que percebemos é que nem sempre a sociedade tem oferecido à pessoa deficiente condições para o exercício do direito ao trabalho. De acordo com os registros históricos, observamos que, durante séculos, a sociedade não pensou em trabalho para pessoas com deficiência, principalmente para as que apresentavam a deficiência intelectual. A noção de incompetência generalizada, ou a associação da deficiência com doença mental, inviabilizou qualquer atividade produtiva ou vínculo empregatício, devido às exigências de habilidades técni-cas e sociais, além das responsabilidades requeridas pela atividade profissional.
Para as pessoas com deficiências, o processo e o significado do trabalhar e do estar desempregado não são diferentes daqueles que ocorrem para qualquer outra pessoa, porém, como afirma Batista (1998), existem agravantes para sua inser-ção no mercado de trabalho. Eles necessitam romper mitos, como o mito social que o vê como alguém improdutivo, o mito familiar que o vê como eterno bebê, dependente, necessitando sempre de cuidados especiais e estando sem condições de desenvolver um trabalho que represente realização ou satisfação do desejo.
Os sistemas educacionais tiveram papel relevante em relação à preparação para o trabalho da pessoa com deficiência, particularmente ao deficiente inte-lectual, iniciando os programas de trabalho destinados a adolescentes e adultos.
Assim, entendemos que o trabalho vai possibilitar que apareça um sujeito adulto, criativo, produtivo e responsável. Resgatará sua dignidade perante a sociedade e sua família.
Segundo Batista (1998), a educação profissional e a colocação da pessoa defi-ciente no mercado de trabalho têm sido realizadas, em maior ou menor grau, ao longo dos últimos 30 anos, diante das tendências mundiais, torna-se inadi-ável que as escolas assumam uma postura mais decisiva em relação à formação e preparação do aluno deficiente, para que ele tenha condições de ser inserido no mercado de trabalho.
As instituições de educação especial, ao longo dos anos, tiveram papel rele-vante na preparação e inclusão do aluno no mercado de trabalho, no entanto a
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educação inclusiva vem revendo sua prática e buscando as adequações necessá-rias para atender o aluno e ofertar um ensino de qualidade, conforme pregam as políticas públicas. Com isso, as escolas de Educação Especial no Estado do Paraná, a partir da resolução 3600/2011 passam a se constituirem como Escola de Educação Básica na Modalidade de Educação Especial e passam a ofertar a Educação de Jovens e Adultos (EJA), preparando academicamente seus alunos (LEONEL, 2014).
Entretanto, apesar de muitas experiências com os alunos terem tido sucesso profissional, muitos não conseguem alcançar o objetivo de ir e permanecer no mercado de trabalho, constituindo-se como um grande desafio, tanto para as esco-las de educação básica na modalidade especial quanto para as escoesco-las regulares.
O mercado de trabalho também, como a própria deficiência, passou pelas fases de exclusão, segregação e integração, conforme mostra Sassaki (2006).
Na fase de exclusão, as pessoas com deficiência não tinham acesso nenhum ao mercado de trabalho, a sociedade considerava crueldade o deficiente trabalhar e empregar deficientes era visto como exploração. Essas crenças eram mantidas pela ideologia protecionista da época e por falta dos avanços na medicina, tec-nologia e ciências sociais.
Na fase de segregação, as empresas ofereciam trabalhos para serem execu-tados no interior das instituições filantrópicas, entre elas, as oficinas protegidas de trabalho e também no próprio domicílio. Essa prática era embasada em sen-timentos paternalistas e, também, de lucro fácil, visto que não tinham vínculo empregatício.
Os deficientes, na fase de integração, eram contratados, desde que tivessem qualificação profissional e não necessitasse modificações no ambiente de traba-lho. Surge, na fase da inclusão, a figura da empresa inclusiva enfrentando, juntos, o desafio da produtividade e competitividade.
Assim, Sassaki (2006) define uma empresa inclusiva como aquela que:
acredita no valor da diversidade humana, contempla as diferenças in-dividuais, efetua mudanças fundamentais nas práticas administrativas, implementa adaptações aos ambiente físico, adapta procedimentos e instrumentos de trabalho, treina todos os recursos humanos na
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tão da inclusão etc. uma empresa pode tornar-se inclusiva por iniciati-va e empenho dos próprios empregadores, que para tanto buscam in-formações pertinentes ao princípio da inclusão, e/ou com a consultoria de profissionais inclusivistas que atuam em entidades sociais (p.63).
Clemente (2004) revela que, de acordo com os dados do IBGE, o desemprego é maior entre as pessoas com deficiência. Das 24,5 milhões pessoas com deficiên-cia existentes no Brasil, 15,22 milhões têm entre 15 e 59 anos, ou seja, estão em idade de atuar no mercado de trabalho formal. Desse total, 51% (7,8 milhões) estão desempregadas. Para as pessoas sem deficiências, o índice de ocupação é superior. Das 88.922.097 pessoas nessa faixa etária, 53.130.215 estão emprega-das, o que representa uma taxa de ocupação de 59%.
Para o autor, a baixa escolaridade é um dos principais argumentos usados pelos empregadores na hora de fechar as portas do mercado de trabalho para as pessoas com deficiência. A maioria das empresas exige formação mínima de ensino médio para oferecer uma oportunidade de trabalho, independente da função. Segundo o IBGE, apenas 9,3% das pessoas com algum tipo de deficiên-cia alcançaram até agora.
Assim, segundo Clemente (2006), independente de ser barreira para inclu-são no mercado de trabalho, a defasagem educacional precisa ser combatida. De acordo com a opinião do professor Helvécio Siqueira, diretor da escola SENAI Ítalo Bologna, na cidade de Itu, em São Paulo, citado por Clemente, a saída para o problema é a recuperação da defasagem escolar e o investimento no ensino profissionalizante.
Assim, a realização de supletivos e de qualificação profissional para suprir a defasagem escolar seria uma das formas de resolver o problema de pessoas com necessidades especiais adultas, que não frequentaram a escola, independente dos motivos, capacitando-as para o mercado de trabalho.
Para o professor, um dos principais desafios das pessoas com deficiência, além de reivindicar a abertura de vagas para essa parcela da população, é desenvolver mecanismos para permanecerem no emprego. Também, reforça a ideia de que, para aos adultos, a formação escolar aconteça junto com a profissionalizante.
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Com a educação inclusiva ganhando força, acredita-se que as relações do mercado de trabalho também mudem. No entanto, é importante dizer que, muitas vezes, as barreiras enfrentadas, não estão apenas no âmbito escolar e profissio-nal, mas também em outras questões, como cita Sassaki (2003, p. 38):
as barreiras à empregabilidade e à capacitação profissional podem es-tar na própria pessoa com deficiência e seus familiares, bem como nos empregadores, nos potenciais colegas de trabalho, nos professores es-colares e nos instrutores profissionalizantes. E podem estar no espaço urbano, nas edificações, nos transportes, bem como nas metodologias, nos instrumentos, na comunicação e nos programas e políticas dispo-níveis na sociedade.
Assim, podemos dizer que o movimento para a inclusão não se restringe apenas no âmbito escolar, vemos que a inclusão da pessoa com necessidades especiais está se fazendo presente em vários aspectos da sociedade, surgindo o conceito de sociedade inclusiva.
Dessa maneira, nessa proposta inclusiva, Sassaki (1997, p. 168) afirma que:
Uma sociedade inclusiva garante seus espaços a todas as pessoas, sem prejudicar aquelas que conseguem ocupá-los só por méritos próprios .(...) ela fortalece as atitudes de aceitação das diferenças individuais e de valorização da diversidade humana e enfatiza a importância do per-tencer, da convivência, da cooperação e da contribuição que todas as pessoas podem dar para construírem vidas comunitárias mais justas, mais saudáveis e mais satisfatórias.
Vemos que existem muitas dificuldades quando o assunto é a inclusão, desde o âmbito escolar até a vida profissional. Refletindo sobre as palavras do autor, per-cebe-se que existe uma grande expectativa para êxito do aspecto social, em que todos se empenham para acolher as diferenças, que implica no fato de a socie-dade mudar os padrões de comportamentos e que passem a adaptá-la para as pessoas, e não esperar que as pessoas se adaptem a ela.
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