• Nenhum resultado encontrado

Efeito da distˆ ancia e tempo de espera na mortalidade

3.4 Conclus˜ oes

4.3.2 An´ alise das intera¸c˜ oes n´ umero de aves mortas como vari´ avel resposta

4.3.2.3 Efeito da distˆ ancia e tempo de espera na mortalidade

A Figura 31 mostra os efeitos da distˆancia em conjunto com diferentes intervalos de tempo adotados durante a pesquisa. Os comportamentos das faixas longe e m´edio foram semelhantes quanto `a varia¸c˜ao da mortalidade ao longo do tempo de espera, por´em, foram distintos das distˆancias curtas, que apresentaram comportamento inverso aos demais.

5 10 15 20 Tempo de Espera Número de Mortes ● ● ● ●

Curto Moderado Médio Alto

Distância

Longe

Perto Médio

Figura 31 - Valores m´edios da intera¸c˜ao entre a distˆancia granja-abatedouro e os diferentes intervalos de tempo de espera, em rela¸c˜ao ao n´umero de aves mortas, sendo in- tervalos de tempo de espera: Curto: menor que 1 hora, Moderado: 1 - 2 horas, M´edio: 2 - 3 horas, Alto: acima de 3 horas e faixas de distˆancia: Longe: acima de 51 km; M´edio: 25 - 50 km; Perto: abaixo de 24 km

Nas distˆancias abaixo de 24 km, foram registrados os valores mais elevados de mortali- dade em rela¸c˜ao `as outras faixas, quando as aves foram submetidas ao tempo de espera curto, o que correspondeu ao n´umero de aves mortas, por volta de 23 por caminh˜ao. Para a mesma faixa de distˆancia, quando se aumentou o tempo de espera, houve um decr´escimo acentuado na mortalidade, mantendo um patamar entre o tempo moderado e m´edio, seguido de um novo decr´escimo da mortalidade a partir de 2 horas de espera. J´a em distˆancias intermedi´arias (en- tre 25 e 50 km), a situa¸c˜ao se inverteu, aumentando gradativamente a mortalidade `a medida que se aumentou o tempo de espera, atingindo um patamar elevado de perdas ap´os 2 horas de espera. Todavia, quando comparada com as demais faixas, foi a que apresentou a menor mor- talidade no geral. Quanto `as distˆancias longas (acima de 51 km), a mortalidade foi constante at´e 1 hora de espera, a partir da qual a mortalidade aumentou acentuadamente at´e o tempo

m´edio, mantendo-se constante nos intervalos maiores de tempo, em rela¸c˜ao `a mortalidade. Tais resultados concordam com Bressan e Beraquet (2002), os quais relataram decr´escimo na qualidade de carne relacionado com o tempo de espera no abatedouro e com a distˆancia percorrida pelos caminh˜oes. Os autores descreveram que as aves apresentam um desgaste acentuado das reservas energ´eticas nos primeiros 30 minutos de exposi¸c˜ao ao estresse, tamb´em considerado como primeira fase de estresse. Neste momento, a ave possui uma re- serva que ´e rapidamente consumida neste intervalo, culminando logo ap´os numa adapta¸c˜ao ao estresse. Todavia, tal efeito adaptativo n˜ao acontece nas primeiras horas, portanto as aves s˜ao encaminhadas ao abate bastante debilitadas quanto aos parˆametros qualitativos. Vale considerar que, em muitos abatedouros, assim como a empresa considerada neste presente es- tudo, a rotina entre a espera e o descarregamento das caixas na linha de abate ainda demanda um certo tempo, agravado por poss´ıveis problemas na linha de abate ou devido ao excesso de caminh˜oes a serem abatidos. Desta forma, boa parte das aves pode chegar `a mortali- dade antes da pendura, em face da debilidade apresentada anteriormente. J´a em distˆancias maiores, as aves j´a passaram pelo per´ıodo mais cr´ıtico de estresse e o organismo ativa os mecanismos de adapta¸c˜ao, o que retarda a implanta¸c˜ao de um processo irrevers´ıvel. Todavia, a reposi¸c˜ao das reservas energ´eticas n˜ao ocorre com o prolongamento do tempo de espera, e com este intervalo, aumentam-se as chances de mortalidade elevada no lote. Em termos de perdas qualitativas, os autores encontraram redu¸c˜ao na qualidade da carne em distˆancias mais longas do que em distˆancias mais curtas. No presente estudo, as perdas quantitati- vas (mortalidade) foram concordantes com os resultados anteriores, sendo que nas distˆancias longas, a mortalidade foi semelhantemente alta em rela¸c˜ao ao percurso curto.

Vecerek et al. (2006) afirmaram que longas distˆancias resultam em aumento do n´umero de aves mortas, na ordem de 0,86% de mortalidade, significativamente maior em rela¸c˜ao `

as distˆancias mais curtas (0,15%). Ainda relataram que a condi¸c˜ao de estresse dada pelo transporte se agrava ainda mais quando se aumenta a distˆancia entre as granjas e o abate- douro. Tais resultados concordaram com Warriss et al. (1992), os quais afirmaram que a mortalidade encontrada foi 80% maior em percursos mais longos. Este aumento nas perdas relacionado com o aumento da distˆancia se deve `a redu¸c˜ao significativa da habilidade por parte do animal em manter o equil´ıbrio biol´ogico necess´ario para a sua adapta¸c˜ao ao trans-

porte (COCKRAM, 2007). Neste contexto, Voslarova et al. (2007) encontraram resultados de mortalidade elevados em distˆancias acima de 100 km, sendo que a menor propor¸c˜ao de aves mortas (0,6%) foi registrada em distˆancias abaixo de 50 km. Os autores conclu´ıram que a recomenda¸c˜ao mais desej´avel para a redu¸c˜ao de DOA’s ´e a redu¸c˜ao da distˆancia percorrida pelos caminh˜oes. Ainda afirmou a importˆancia de outros fatores pr´e-abate, como a espera nos abatedouros, por exemplo. No entanto, dada a dificuldade em se manter uma unifor- midade quanto `a localiza¸c˜ao das granjas, para muitas empresas torna-se invi´avel a restri¸c˜ao da distˆancia granja-abatedouro. Para isto, o tempo de espera torna-se fundamental para se amenizar os efeitos decorrentes do transporte, desde que o intervalo de tempo seja adequado para cada condi¸c˜ao e que a climatiza¸c˜ao na espera promova o arrefecimento do lote de forma controlada.

De posse destes resultados, a Tabela 14 indica os melhores intervalos de tempo de espera para cada faixa de distˆancia. Para distˆancias longas, o intervalo de tempo entre 1 e 2 horas de espera ´e adequado para se reduzir parte da carga t´ermica do lote trasportado, sem contudo prolongar o desgaste energ´etico das aves. J´a na distˆancia m´edia, o intervalo curto ´e o mais apropriado devido ao menor prolongamento do estresse em rela¸c˜ao `as distˆancias longas. Na faixa perto de distˆancia, o intervalo alto de espera ´e o mais apropriado, visando `a manuten¸c˜ao do equil´ıbrio t´ermico das aves.

Tabela 14 - Valores recomendados do tempo de espera em distˆancia granja-abatedouro e suas respectivas taxas de mortalidade esperadas

Distˆancia Tempo de espera (faixas) % mortalidade esperada Longe (acima de 51 km) Moderado (entre 1 e 2 horas) 0,41

M´edio (entre 25 e 50 km) Curto (abaixo de 1 hora) 0,12

4.3.3 An´alise das intera¸c˜oes - diferen¸ca da temperatura retal como vari´avel res-