DESENVOLVIMENTO E NA NUTRIÇÃO MINERAL EM PLANTAS DE COPO-DE-LEITE
3.3 Efeito das doses de silício na produção de inflorescências de copo-de-leite
Verificou-se que o silício, nas concentrações utilizadas neste experimento, não influenciou, de forma significativa, a produção e a qualidade das inflorescências de copo-de-leite emitidas. As plantas de copo-de-leite produziram, em média, durante o período experimental de 6 meses, 3 inflorescências, as quais apresentaram em média hastes com 25,19 cm de comprimento, 0,88 cm de diâmetro, espata de 8,17 cm de largura e 8,27 cm de comprimento e massa seca de 1,38 g (Tabela 8).
TABELA 8. Número de inflorescências produzidas (NI), comprimento da haste (CH), diâmetro da haste (DH), largura da espata (LE), comprimento da espata (CE) e massa seca das inflorescências de copo-de-leite (MSI) em diferentes doses de silício. UFLA, Lavras, MG, 2007. Doses Si mg dm3 NI CH (cm) DH (cm) LE (cm) CE (cm) MSI (g) 0 2,50 23,42 0,83 8,06 8,27 1,27 25 3,09 24,19 0,82 7,93 7,88 1,34 50 3,08 24,36 0,83 8,14 7,93 1,37 75 2,56 23,67 0,88 8,52 8,75 1,47 100 2,67 25,33 0,86 8,22 8,51 1,43 Média 2,78 24,19 0,84 8,17 8,27 1,38
Observou-se que as crescentes doses de silício utilizadas não influenciaram no teor de silício das inflorescências, o qual apresentou-se semelhante ao da testemunha, cujo valor médio foi de 2,50 g kg-1 (Tabela 9). O silício é transportado pelo xilema e depositado na parede celular das células epidérmicas das folhas. Dependendo da forma em que é depositado, torna-se imóvel e não mais se redistribui na planta. Segundo Korndörfer (2006), vários experimentos confirmam a baixa mobilidade do silício, pois, a partir de análises químicas em plantas cultivadas com fornecimento de silício, foi possível observar que elas apresentam maior concentração desse elemento nas folhas mais velhas. Como a redistribuição do silício nas plantas é bastante reduzida, possivelmente não ocorreu translocação desse elemento para as inflorescências. Assim, pode-se inferir que os baixos teores de silício nas inflorescências de copo-de-leite, mesmo com o aumento do teor desse elemento nas folhas, foram decorrentes da sua baixa mobilidade nas plantas.
TABELA 9. Teores médios de silício nas inflorescências de copo-de-leite, em função de diferentes doses de silício. UFLA, Lavras, MG, 2007.
Doses Si mg dm3 Si inflorescência g kg-1 0 2,53 25 2,90 50 2,40 75 2,40 100 2,28 Média 2,50
Para o teor de macronutrientes avaliados nas inflorescências de copo-de- leite, não se verificaram diferenças significativas entre os tratamentos (Tabela 10).
TABELA 10. Teores médios de macronutrientes nas inflorescências de copo-de- leite, em função de diferentes doses de silício. UFLA, Lavras, MG, 2007. Doses Si (mg dm-3) N (g kg-1) P (g kg-1) K (g kg-1) Ca (g kg-1) Mg (g kg-1) S (g kg-1) 0 37,34 4.42 28,20 9,85 1,69 3,05 25 36,80 4,68 26,40 9,95 1,64 2,83 50 38,62 4.84 27,15 9,83 1,64 2,77 75 38,72 4,81 27,45 9,97 1,72 2,89 100 37,88 4,51 27,00 10,29 1,73 2,78 Média 37,87 4,65 27,24 9,99 1,68 2,86
Não houve diferença significativa entre as plantas cultivadas em diferentes concentrações de silício e a testemunha, para a concentração de micronutrientes nas inflorescências de copo-de-leite (Tabela 11).
Tabela 11. Teores médios de micronutrientes nas inflorescências de copo-de- leite, em função de diferentes doses de silício. UFLA, Lavras, MG, 2007. Doses Si mg dm-3 B mg kg-1 Fe mg kg-1 Mn mg kg-1 Zn mg kg-1 0 57,35 89,30 35,72 91,97 25 51,90 92,04 35,86 94,56 50 53,52 64,11 30,74 85,36 75 49,40 84,17 35,93 87,72 100 57,63 86,01 38,76 83,91 Média 53,96 83,13 35,40 88,70
Assim como foi observado em plantas de arroz cultivadas com aplicação de silício (Silva & Bohnen, 2001), a utilização de diferentes doses desse elemento para a cultura do copo-de-leite não proporcionou o efeito esperado e relatado em literatura. O silício não foi eficiente na produção e na qualidade das inflorescências, como descrito para outras culturas (Barbosa Filho, 2001; Rodrigues, 2006). Segundo Silva & Bohnen (2001), tal comportamento poderia estar relacionado com as condições em que o experimento foi conduzido, ou seja, sem a ocorrência de algum estresse de ordem nutricional ou ambiental significativo, os quais ocorrem normalmente no campo. Além disso, a concentração de silício utilizada pode ter sido baixa para interferir no comportamento das plantas, sendo necessários novos estudos com doses mais elevadas e maior freqüência de adubação.
CONCLUSÕES
• As plantas de copo-de-leite não são acumuladoras de silício, entretanto o teor desse elemento nas folhas foi aumentado com as doses de silicato de potássio fornecidas.
• A utilização de silicato de potássio aumenta o pH do solo e a absorção de enxofre.
• A adubação silicatada não influenciou no desenvolvimento e na produção de inflorescências de copo-de-leite.
• Muitos dos resultados obtidos foram explicados pela equação linear, indicando que as doses de silício utilizadas foram baixas.
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