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Efeito de dietas de alto concentrado sobre os componentes não-integrantes da carcaça de bovinos

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.8 Efeito de dietas de alto concentrado sobre os componentes não-integrantes da carcaça de bovinos

O peso de corpo vazio é o índice mais preciso do conteúdo energético e de nutrientes no corpo do animal, com os animais submetidos previamente a jejum, pois a influência do conteúdo do trato gastrintestinal é eliminada (OWENS et al., 1995). Segundo o NRC (2000) os valores da relação peso de corpo vazio/peso de abate devem estar entre 85 e 95%. Portanto esse intervalo pode variar em função da genética, idade, sexo, teor de matéria seca e fibra detergente neutro digestível da dieta.

ROBELIN e GEAY (1984) mencionam que a concentração do conteúdo do trato gastrintestinal no peso vivo, logo após o nascimento, representa menos que 50 g/kg de peso vivo, aumentando rapidamente para 200g/kg de peso vivo em animais com peso entre 200 e 250 kg e, posteriormente, decresce para 120 g/kg em animais com peso vivo de 350 kg. O enchimento do trato gastrintestinal é maior quando os animais ingerem feno comparado a silagem de uma mesma forragem e dessa forma proporcional ao tamanho de partículas do volumoso (ROHR e DAENICKE, 1984). Por isso, a adição de concentrado na ração diminui o conteúdo gastrintestinal (ARC, 1980; ROHR e DAENICKE, 1984).

No entanto, Menezes et al. (2011) verificaram que o peso do corpo vazio não é influenciado pelo sistema de alimentação, mas sim pelo peso de abate. No estudo mencionado, as correlações entre essas variáveis foram de 0,97 (P<0,0001), 0,99 (P=0,0574) e 0,93 (P=0,0230) para os animais do confinamento, da pastagem temperada e da pastagem tropical, respectivamente. Informação também observada por Menezes et al. (2007) que obtiveram correlação de 0,93 entre o peso de corpo vazio e o peso de abate, em novilhos oriundos do cruzamento rotativo Charolês-Nelore terminados em confinamento.

Conforme Oliveira et al. (1994) o estudo das partes não-integrantes da carcaça é relevante, pois estas têm influência diretamente sobre o rendimento da carcaça. Lunt et al. (1986), avaliando novilhos (Angus Brahman x Angus e Brahman x Hereford), alimentados com forragens ou dietas à base de grãos, verificaram que a raça, a dieta e o ganho de peso diário afetaram a massa de órgãos internos e a relação entre seu peso e o peso vivo.

No entanto, as pesquisas existentes sobre o estudo do peso de corpo vazio se restringem a animais submetidos a dietas convencionais (volumoso: concentrado) e com alta participação de concentrado.

Missio et al. (2009) não observaram diferença no peso de corpo vazio (398,88 kg) de tourinhos Charolês - Nelore (14 - 16 meses), com o aumento no nível de concentrado de 22

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para 79%, obtendo relação peso de corpo vazio peso de abate de 89,61. Em contrapartida, Silva et al. (2002b), ao abaterem novilhos aos 450 kg de peso vivo, alimentados com 20, 40, 60 e 80% de concentrado na dieta, verificaram diminuição no peso de corpo vazio com o aumento no teor de concentrado, sendo associado ao aumento no conteúdo do trato gastrintestinal.

Ferreira et al. (2000) observaram diminuição linear no peso (absoluto e relativo) do conjunto do trato gastrintestinal com aumento no teor de concentrado na dieta. Os autores relacionaram o resultado ao menor teor de fibra detergente neutro nas dietas com menor percentagem de concentrado. Conforme os mesmos autores, rações com menores níveis de concentrado apresentam maiores teores de fibra e menor digestibilidade, aumentando, dessa forma, o tempo de retenção do conteúdo no rúmen.

Segundo Kozloski (2001), os tecidos viscerais compõem aproximadamente 6% do peso de corpo vazio, no entanto são responsáveis por 41% da energia utilizada, devido à maior atividade metabólica desses tecidos. Além disso, dietas à base de grãos resultam em órgãos viscerais com menor peso quando comparadas com as forragens, deixando mais energia para ganho de tecidos, fator que também contribui para o aumento do rendimento de carcaça devido à diminuição do volume das vísceras em relação à carcaça (PAULO e RIGO, 2012).

Todavia, resultados contrários já foram obtidos. Silva et al. (2002b) não observaram diferença no peso dos órgãos quando elevaram o teor de concentrado de 20 para 80%, com dois níveis de proteína (15 e 18%). Segundo esses autores, a ausência de resposta ao aumento da porcentagem de concentrado nas dietas deve-se ao bom valor nutritivo do volumoso utilizado, pois, mesmo na dieta com maior participação de volumoso, os nutrientes (energia) foram suficientes para o máximo desenvolvimento dos órgãos. Os mesmos pesquisadores observaram que o peso do rúmen-retículo diminuiu linearmente com o aumento da porcentagem de concentrado, devido ao menor teor de conteúdo gastrintestinal nos animais que receberam maior quantidade de concentrado. Véras et al. (2001); Ribeiro et al. (2001) também verificaram decréscimo no peso do omaso com o aumento da participação do concentrado na dieta. Van Soest (1994) comenta que dietas com alta inclusão de concentrado provocam involução do omaso.

Véras et al. (2001) não observaram diferença no peso dos órgãos internos (peso absoluto e relativo) de bovinos Nelore inteiros alimentados com diferentes níveis de concentrado (25; 37,5; 50; 62,5 e 75%). Por outro lado, o peso do conteúdo do trato gastrintestinal diminuiu linearmente com aumento nível de concentrado. Os pesos de

abomaso, intestino delgado e grosso, tanto em peso absoluto como relativo, não foram influenciados pelos níveis de concentrado, bem como, o peso absoluto do omaso (VÉRAS et al. 2001). Ribeiro et al. (2001) afirmam que a musculatura e o volume das vísceras crescem em proporção aproximada aos ganhos de peso do corpo, de maneira independente a dieta.

De acordo com Véras et al. (2001), o aumento no nível de concentrado aumenta linearmente a gordura interna, pois o aumento no consumo de energia geralmente leva ao aumento na deposiçãode gordura no corpo do animal (ROBELIN e GEAY 1984). Missio et al. (2009) comentam que existe correlação positiva entre o peso relativo de gordura interna com o ganho médio diário (r=0,76) e o consumo de energia (r=0,78). Conforme Owens et al. (1995), maior deposição de gordura cavitária acarreta em maior exigência para mantença, em função da maior atividade metabólica do tecido adiposo.

O sangue dos animais em geral tem como função principal oxigenar os tecidos e transportar os nutrientes absorvidos ou mobilizados para as diversas partes do corpo para que sejam depositados ou utilizados para manter as funções vitais do organismo (MISSIO et al., 2009). O nível de concentrado não interfere na percentagem de sangue, segundo Missio et al. (2009), isso é explicado pelo semelhante peso de abate e do conjunto dos órgãos vitais, pois esses estiveram correlacionados com o peso de sangue (0,64 e 0,84, respectivamente).

2.9 Efeito de dietas de alto concentrado sobre as características da carcaça e da carne de