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2. Silagem de milho na alimentação da vaca leiteira

2.7. Efeito do inoculante na estabilidade da silagem

Os inoculantes são uma ferramenta que pode ser usada para ajudar no processo de fermentação da silagem de milho. A sua aplicação tornou-se uma prática comum, no entanto, nem sempre é bem sucedida (Darby & Bosworth).

Os inoculantes para silagem de milho contêm bactérias anaeróbias que produzem ácido láctico. Em produtos comerciais normalmente existem bactérias com uma ou mais das seguintes espécies: Lactobacillus plantarum ou outras espécies de Lactobacillus, várias espécies de

Pediococcus e Enterococcus faecium. Estas bactérias foram seleccionadas para proliferarem

rapidamente e de forma eficiente resultando num aumento da taxa de fermentação. Além disso, os produtos de fermentação incluem os níveis mais elevados de ácido láctico e os níveis mais baixos de ácido acético (Darby & Bosworth).

A forragem contém muitos tipos de bactérias prejudiciais. O fundamento para a utilização de um inoculante microbiano para silagem foi adicionar bactérias lácticas homofermentativas de crescimento rápido (hoLAB) a fim de dominar a fermentação resultando numa melhor qualidade da silagem. Algumas das bactérias homoláticas mais comuns utilizadas em

43 inoculantes de silagem de milho incluem Lactobacillus plantarum, L. acidophilus, Pediococcus

acidilactici, P. pentosaceus, e Enterococcus faecium.

Os inoculantes microbianos contêm uma ou mais destas bactérias, que foram selecionadas pela sua capacidade de dominar a fermentação. A justificação para a utilização de organismos vem de potenciais ações sinérgicas que estabelecem com outros microrganismos. Por exemplo, a taxa de crescimento é mais rápida em Enterococcus > Pediococcus > Lactobacillus. Algumas

Pediococcus são mais tolerantes a condições de MS elevadas do que os Lactobacillus e têm

uma ampla gama de temperatura e pH para o crescimento ideal (que crescem melhor no final do outono e início da primavera). Na tabela 6 estão descritas algumas das bactérias mais comuns usadas nos inoculantes para silagem de milho e algumas razões para a sua utilização.

Tabela 6: Algumas das bactérias mais comuns usadas como inoculantes para silagem e algumas das razões para a sua utilização (Kung & D., 2000)

Organismo Tipo de

organismo

Razões gerais de adição Produtos finais

primários Lactobacillus plantarum Bactéria de ácido lático, homolática

Produção rápida de ácido láctico Ácido lático

Pediococcus acidilactici,

Levedura de ácido lático, homolática

- Rápida produção de ácido láctico - Crescimento mais rápido do Lactobacillus

- Algumas colónias mostram um bom crescimento em temperaturas mais frias

- Algumas estirpes têm boa osmotolerância Ácido lático Enterococcus faecium Bactéria de ácido lático, homolática

- Rápida produção de ácido láctico - Crescimento mais rápido do Lactobacillus

Ácido lático

Propionibacterium shermanii, jensenii

Propionibactéria - Produção de compostos anti- fúngicos Ácido propiónico e acético, CO2 Lactobacillus buchneri Bactéria de ácido lático, heterolática

- Produção de compostos anti- fúngicos

Ácidos lático e acético,

propanodiol, CO2

Os inoculantes podem ser usados para:

 Corrigir problemas históricos dos silos como o aquecimento da silagem, quer porque o silo foi mal dimensionado, quer porque a taxa de remoção da silagem é reduzida, ou até porque ocorreu um mau enchimento e fecho do silo (Kung L. J., 2010).

44  A silagem de milho que será armazenada por longos períodos de tempo (mais de 6- 9 meses) ou que será fornecida aos animais durante o tempo quente são também boas razões para a inoculação da silagem (Kung L. J., 2010).

 Silagem movida de um silo para outro e que é exposta ao ar durante vários dias antes da alimentação deve ser considerada para tratamento (Kung L. J., 2010).

Estas bactérias não podem mover-se; elas crescem onde são colocadas e, portanto, a distribuição uniforme do inoculante na cobertura é essencial para a eficácia máxima. Um líquido pulverizado sobre a cultura no silo ou na máquina de colheita é a melhor oportunidade para distribuir e misturar o inoculante o mais uniformemente com a silagem (Darby & Bosworth).

Existem muitas outras maneiras de aplicar o inoculante, no entanto, isso não acontece com a utilização do inoculante seco uma vez que a sua distribuição não é tão uniforme. É importante usar a dose recomendada para a aplicação uma vez que não é útil uma quantidade deficiente ou em excesso e torna-se um desperdício de dinheiro. Ultrapassando 24 horas a partir do momento de mistura, o líquido não deve ser utilizado mas sim descartado, uma vez que a população microbiana entra em declínio (Darby & Bosworth).

Os benefícios económicos primários da utilização de um inoculante incluem a melhoria da redução de perdas (2 -3%) de matéria seca e desempenho animal num silo com um bom maneio. A mudança de produtos de fermentação (com mais quantidade de ácido láctico e menos quantidade de ácido acético) deve aumentar a eficiência alimentar dos animais uma vez que os animais podem utilizar ácido láctico de forma mais eficiente do que ácido acético (Kung L. J., 2010).

A inoculação microbiana reduziu o pH, melhorou a relação ácido lático: ácido acético, e baixou o conteúdo de azoto amoniacal em mais de 60% dos estudos (Kung & D., 2000). A recuperação da matéria seca foi melhorada em 35% dos estudos e a digestibilidade da matéria seca também foi melhorada em cerca de um terço dos casos. O inoculante microbiano geralmente tem pouco ou nenhum efeito sobre o teor de fibra de silagens porque a maioria das bactérias láticas contêm pouca ou nenhuma capacidade de degradar paredes celulares de plantas. As diminuições do teor de fibra podem ser devidas a uma hidrólise ácida parcial de hemicelulose. Alguns dados sugerem que certos inoculantes microbianos podem aumentar a digestibilidade de fibra (Rice et al., 1990). A estabilidade aeróbica foi melhorada em apenas 33% dos estudos e, de facto, a inoculação com hoLAB tem, em muitos casos, agravado a

45 estabilidade aeróbica. Isto é provavelmente devido a um menor teor de ácido acético e outros produtos finais antifúngicos potenciais (Kung & D., 2000).

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Parte experimental

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