4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
4.2 Análise dos parâmetros cardiovasculares, respiratórios, de conforto e
4.2.1 Efeito do Teste de Banco com Cadência Livre
Nas tabelas seguintes pode-se verificar a repetibilidade do Teste de Banco com Cadência Livre, observada pelos valores de p (Teste F – ANOVA / Teste de Wilcoxon) e r (Correlação de Pearson). Os dados brutos podem ser verificados no Anexo X.
4.2.1.1 Freqüência Cardíaca
A freqüência cardíaca foi verificada a cada minuto, a partir do 3º minuto de teste, com o auxílio de um oxímetro de pulso portátil. Na Tabela 4 podem ser visualizados os dados referentes à avaliação da FC.
TABELA 4: Comportamento da freqüência cardíaca, durante o Teste de Banco com Cadência Livre.
FC (bpm)
Tempo B1 B2 Valor de p Valor de r
3º minuto 116,36 (18,30) 122,60 (18,76) 0,1064 0,81
4º minuto 120,23 (19,47) 123,87 (20,34) 0,3781 0,85 5º minuto 121,81 (19,29) 126,77 (18,42) 0,2058 0,84 6º minuto 122,00 (19,41) 126,83 (19,00) 0,2260 0,81
Os dados estão expressos como média (desvio padrão). Teste estatístico utilizado: Teste F; Correlação de Pearson. Nível de significância p ≤ 0,05.
Os valores de FC obtidos na segunda execução foram cerca de 4% maiores do que os valores da primeira execução em todos os momentos do teste. A FC aumentou do 3º ao 6º minutos, evidenciando esforço cardiovascular progressivo. Os valores de p mostram que não há diferença estatística significativa entre as médias comparadas, enquanto os valores de r expressam boa correlação entre as aplicações do teste.
4.2.1.2 Pressão Arterial
A pressão arterial foi mensurada no 6º minuto, ao final dos testes, pelo método auscultatório, com o auxílio de um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio e um estetoscópio. Para efeito de análise do comportamento da pressão arterial, foram obtidos os dados da pressão arterial sistólica e diastólica, e calculados os valores da pressão arterial média [(PAS +2PAD)/3]. Os valores referentes à pressão arterial são visualizados na Tabela 5.
TABELA 5: Comportamento da pressão arterial, ao final do Teste de Banco com Cadência Livre.
PA (mmHg)
B1 B2 Valor de p Valor de r
PAS 160,77 (26,89) 158,62 (26,18) 0,6956 0,86
PAD 78,47 (10,98) 78,06 (10,73) 0,8572 0,71
PAM 105,90 (13,54) 104,91 (13,61) 0,7254 0,82
Os dados estão expressos como média (desvio padrão). Teste estatístico utilizado: Teste F; Correlação de Pearson. Nível de significância p ≤ 0,05.
Os valores de p encontrados na avaliação da pressão arterial também evidenciam
homogeneidade das médias comparadas, enquanto os valores de r mostram de moderada (PAD) a boa correlação (PAS e PAM) entre as execuções do TBCL. Os valores de pressão arterial foram menores (cerca de 1%) na segunda aplicação do teste.
4.2.1.3 Saturação de Oxigênio
A saturação de oxigênio, a exemplo da freqüência cardíaca, foi verificada a cada minuto, a partir do 3º minuto de teste, com o auxílio de um oxímetro de pulso portátil. Os dados referentes à avaliação da SpO2 podem ser observados na Tabela 6.
TABELA 6: Comportamento da saturação de oxigênio, durante o Teste de Banco com Cadência Livre.
Os dados estão expressos como média (desvio padrão). Teste estatístico utilizado: Teste F; Correlação de Pearson. Nível de significância p ≤ 0,05.
A saturação arterial de oxigênio por oximetria de pulso mostrou-se estável durante o teste de banco com cadência livre, apresentando valores pouco maiores na primeira execução. Contudo, os valores de p evidenciam homogeneidade entre as médias comparadas, enquanto os valores de r, com exceção ao verificado no 3º minuto (fraca correlação), mostram boa correlação no 4º e 5º minutos e excelente correlação no 6º minuto.
4.2.1.4 Conforto
O conforto foi avaliado a partir de dois parâmetros: a Sensação Subjetiva de Esforço (SSE) que se relaciona com o “esforço cardiorrespiratório” ou sensação de “falta de ar” e a Sensação de Dor (DOR), ou “esforço localizado” nos membros inferiores. Os participantes foram questionados em relação a SSE e a DOR no quarto e no sexto minutos de cada teste. Os dados referentes à avaliação dos parâmetros de conforto estão expostos nas Tabelas 7 e 8.
SpO2
Tempo B1 B2 Valor de p Valor de r
3º minuto 96,30 (2,52) 96,23 (1,90) 0,8901 0,58
4º minuto 96,53 (2,17) 96,13 (2,06) 0,3562 0,82
5º minuto 96,66 (2,24) 96,51 (2,20) 0,7454 0,87
TABELA 7: Comportamento do parâmetro de conforto, Sensação Subjetiva de Esforço, no quarto e sexto minutos do Teste de Banco com Cadência Livre.
Conforto (Sensação Subjetiva de Esforço)
Tempo B1 B2 Valor de p Valor de r
Teste F Wilcoxon
4º minuto 2,34 (1,18) 2,23 (1,15) 0,6592 0,4711 0,65 6º minuto 3,07 (1,39) 2,85 (1,33) 0,4296 0,2565 0,45
Os dados estão expressos como média (desvio padrão). Teste estatístico utilizado: Teste F; Teste de Wilcoxon; Correlação de Pearson. Nível de significância p ≤ 0,05.
TABELA 8: Comportamento do parâmetro de conforto, Sensação de Dor, no quarto e sexto minutos do Teste de Banco com Cadência Livre.
Conforto (Sensação de Dor)
Tempo B1 B2 Valor de p Valor de r
Teste F Wilcoxon
4º minuto 1,37 (1,34) 1,14 (1,37) 0,4048 0,0613 0,81 6º minuto 1,31 (1,43) 1,19 (1,34) 0,6827 0,5329 0,70
Os dados estão expressos como média (desvio padrão). Teste estatístico utilizado: Teste F; Teste de Wilcoxon; Correlação de Pearson. Nível de significância p ≤ 0,05.
A SSE e a DOR apresentaram valores médios maiores na primeira aplicação do teste. Não houve, contudo, diferença estatística significativa entre a primeira e a segunda execuções do TBCL, independente do tratamento estatístico (paramétrico ou não- paramétrico) empregado. Os valores de r mostraram correlação melhor no 4º minuto do que no 6º minuto para ambos os parâmetros de conforto verificados. Entre os parâmetros, as melhores correlações foram observadas na DOR.
4.2.1.5 Capacidade Funcional
A capacidade funcional, neste teste, foi verificada pela contagem de passos de quatro tempos (sobe, sobe, desce, desce), completados no 3º, 4º, 5º e 6º minutos. Na Tabela 9 estão os dados referentes aos valores encontrados no TBCL; os valores médios (nº de passos/tempo) podem ser observados na Tabela 10.
TABELA 9: Capacidade funcional verificada no Teste de Banco com Cadência Livre.
QPC (passos)
Tempo B1 B2 Valor de p Valor de r
3º minuto 72,49 (15,00) 77,89 (13,78) 0,0723 0,81
4º minuto 95,45 (19,32) 102,45 (19,59) 0,0845 0,86
5º minuto 119,62 (24,61) 127,15 (25,40) 0,1477 0,86
6º minuto 144,06 (29,20) 152,04 (29,66) 0,1921 0,91
Os dados estão expressos como média (desvio padrão). Teste estatístico utilizado: Teste F; Correlação de Pearson. Nível de significância p ≤ 0,05.
TABELA 10: Capacidade funcional verificada em função do tempo, durante o Teste de Banco com Cadência Livre.
QPC (passos) – média
Tempo B1 B2 Valor de p Valor de r
3º minuto 24,16 (5,00) 25,96 (4,59) 0,0723 0,81
4º minuto 23,86 (4,83) 25,61 (4,90) 0,0845 0,86
5º minuto 23,92 (4,92) 25,43 (5,08) 0,1477 0,86
6º minuto 24,01 (4,87) 25,34 (4,94) 0,1921 0,91
Os dados estão expressos como média (desvio padrão). Teste estatístico utilizado: Teste F; Correlação de Pearson. Nível de significância p ≤ 0,05.
A capacidade funcional apresentou boa correlação do 3º ao 5º minutos e excelente correlação no 6º minuto (Tabelas 8 e 9).
As médias (nº de passos/tempo) observadas na Tabela 9 mostram comportamento distinto dos participantes nas duas execuções, sendo que na primeira as médias variaram pouco não estabelecendo uma tendência crescente ou decrescente. Já na segunda execução as médias variaram no sentido decrescente, sem que se estabelecesse diferença estatística significativa entre as médias comparadas (Tabelas 9 e 10). Entretanto, pode-se observar que o melhor desempenho médio foi obtido no terceiro minuto de cada execução.
Os valores de p (>0,05) e r apresentados em todos os parâmetros avaliados evidenciam que as médias são homogêneas e a correlação entre as repetições do teste é, em geral, boa. Com base nos dados apresentados e no tratamento estatístico empregado, pode- se inferir que o teste de banco com cadência livre apresenta repetibilidade, para a população estudada.