• Nenhum resultado encontrado

4.1 Apresentação e análise do material empírico

4.1.2 Análise do material empírico

4.1.2.1 Experimento e matematização: teses do empirismo

4.1.2.1.4 Efeitos de diferentes tipos de treinamento sobre a intensidade e o

O tema da pesquisa Efeitos de diferentes tipos de treinamento sobre a intensidade e o tempo de exaustão a 100% do VO2max foi a comparação das possíveis diferenças de adaptação que os tipos de treinamento (força pura, explosiva e treinamento intervalado intenso) podem determinar sobre as respostas fisiológicas e sobre a performance aeróbia.

A literatura aponta, segundo Guglielmo (2005), que os atletas de alto nível em endurance, com bastante tempo de treinamento nesta modalidade, atingem um ápice do consumo máximo de oxigênio (VO2max) que não pode ser alterado, muito embora a performance possa melhorar. Mesmo que o VO2max não se modifique, o treinamento

intervalado de alta intensidade ou de força/velocidade parece resultar na melhora de economia de movimento e performance aeróbia dos atletas de endurance. Os objetivos do estudo foram:

1) Determinar e comparar os efeitos de três diferentes programas de treinamento (força pura ou máxima, força explosiva ou potência e treinamento intervalado intenso) sobre as seguintes variáveis: VO2max,

IVO2max 119

, LAn120, EC121, Tlim122 e o tempo para atingir (TAVO2max)

e sustentar VO2max (Tlim VO2max) em intensidade correspondente a

100% I VO2max de corredores treinados; 2)Determinar e comparar os

efeitos destes três diferentes programas de treinamento sobre a força isotônica máxima (1RM) e força explosiva (salto vertical). 3) Determinar e comparar os efeitos desses três diferentes programas de treinamento sobre a performance nas distâncias de 1,5Km e 5 Km de corrida (GUGLIELMO, 2005, p. 32)

Os seguintes capítulos constituíram essa tese: Introdução, Revisão de literatura, Justificativa, Objetivos, Material e métodos, Resultados, Discussão e Conclusão.

A revisão de literatura indicou, segundo Guglielmo (2005, p.27), que “a integração de todos estes mecanismos pode explicar o desenvolvimento de força após o treinamento, em indivíduos sedentários e atletas, sugerindo que os fatores neurais parecem ser mais importantes no início do treinamento (de curta duração)” e, ainda, que o resultado do treinamento prolongado nos fatores musculares torna-se evidente somente a longo prazo. Sugere que o estudo Häkkinen, Komi e Alen (1985a), que encontrou aumento de força no grupo que realizou treinamento de força máxima, pode ser explicado em função da hipertrofia, caracterizando assim uma adaptação muscular. (GUGLIELMO, 2005, p. 29)

A amostra foi constituída de vinte e seis corredores voluntários, que foram aleatoriamente distribuídos em três grupos: o primeiro grupo realizou treinamento de força pura (TFP, N = 7), o segundo realizou treinamento de força explosiva (TFE, N = 9) e o terceiro o treinamento intervalado intenso (TII, N = 10). O treinamento dos dois primeiros grupos consistiu-se de três a cinco séries com 6RM (TFP) para o primeiro e 12RM (TFE) para o segundo, com intervalo de 180s entre cada série. O terceiro grupo realizou um treinamento de duas sessões por semana a 100% do IVO2max, associado a um treinamento aeróbio contínuo, de caráter submáximo, durante quatro vezes na semana.

119

Intensidade associada ao VO2max. 120

Limiar anaeróbio. 121

Economia de corrida 122

O pesquisador realizou uma bateria de testes antes e após um programa de treinamento que teve a duração de quatro semanas. Para determinar o VO2max e as velocidades referentes ao LAn (3,5mM), o pesquisador aplicou o teste incremental em esteira rolante com inclinação de 1%, cuja carga inicial foi de 14km/h com incrementos de 1km/h a cada 3 minutos até a exaustão voluntária. O segundo teste foi uma repetição do primeiro, mas com intensidade máxima de corrida, alterando os dias e as distâncias (1,5Km e 5Km), no qual o tempo foi registrado por meio de cronometro manual. O terceiro foi o teste de economia de corrida a 14km/h e o tempo de exaustão a 100% da IVO2max. O quarto e último foi o teste de força isotônica máxima e de força explosiva de membros inferiores, realizados respectivamente no leg-press 45° e no jump test. Passa então a descrever seu procedimento experimental.123

Segundo o pesquisador, “os dados foram expressos como média ± DP. Para comparar os efeitos dos diferentes programas de treinamento (TII, TFE e TFP) em todas as variáveis mensuradas” (GUGLIELMO, 2005, p. 42) eles receberam tratamento estatístico mediante o uso da análise de variância Two-way, seguida pelo teste LSD. O pesquisador adotou o nível de significância de p≤ 0,05.

Os resultados apontam melhora significante na performance dos atletas nas distâncias de 1,5Km para o grupo TII (pré = 263,5 ± 11,49s e pós = 257,4 ± 7,90s) e 5Km para os grupos TFP (pré 1068,14 ± 75,66s e pós = 1051,14 ± 70,67s) e TFE (pré = 1066,3 ± 56,94s e pós = 1047,6 ± 55,95s).

Após a realização do treinamento, o autor indica que houve aumento significativo na EC para o grupo TFP e aumento significante na força explosiva dos indivíduos do grupo TFE. Em ambos os grupos houve aumento da força isotônica máxima. Nos três grupos não houve mudança da cinética do consumo de oxigênio.

O autor conclui que

1) os treinamentos de força pura e explosiva, associados ao treino aeróbio de intensidade submáxima, realizados por indivíduos treinados, melhoram o rendimento em provas (5Km) que dependem mais da capacidade aeróbia, sugerindo o fenômeno da transferência dos treinos de força pura e explosiva para melhora da performance aeróbia. 2) a melhora da performance aeróbia em provas (5Km) que são realizadas em intensidades submáximas (< 100% IVO2max) pode ser explicada, em parte, pelo aumento do LAn (grupos TFE

e TFP) e/ou da EC (TFP). 3) o treinamento intervalado intenso associado ao treino aeróbio de intensidade submáxima, realizado por indivíduos treinados, parece melhorar a performance obtida em eventos realizados em uma

123

Consideramos que já apresentamos esse processo nas teses anteriores, não necessitando detalhar mais um procedimento experimental que se sustenta nas mesmas noções de conhecimento e ciência.

intensidade próxima e/ou superior a IVO2max (1,5Km). 4) a melhora da performance aeróbia em provas (1,5Km) de intensidade supramáxima (>

100% IVO2max), sem modificação do VO2max, parece poder ser explicada

em função do aumento da IVO2max. (GUGLIELMO, 2005, p. 71)