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3.3 FILHOS DA PEDRA: MATERNIDADE SEM MATERNAGEM

3.3.2 Efeitos nos Organismos da Mulher e do Feto

Essas mulheres que fazem uso de cocaína/crack podem ter seus

metabolismos alterados e provocar a ausência da menstruação (amenorréia) ou modificar seu ciclo menstrual e disfunção na fase lútea, prejudicar a produção de

leite materno (galactorréia), além de causar infertilidade. Ademais,

independentemente da dose utilizada, ter aumento nos níveis sanguíneos do

hormônio luteinizante21 e estão vulneráveis as doenças sexualmente transmissíveis,

como a AIDS e a hepatite.

Segundo pesquisa realizada por Morimura et. al (2006), estima-se que 50% da população vivendo com HIV / AIDS em todo mundo sejam mulheres. O baixo nível de instrução, os costumes e as normas sexuais impostas às mulheres, assim como a falta de oportunidades econômicas e de controle nos relacionamentos colaboram com a vulnerabilidade feminina para a infecção. Continua a pesquisadora afirmando que a América Latina ocupa o quarto lugar em adultos contaminados, onde existe uma predominância da transmissão sexual (90% dos casos novos) nas populações de comportamento de risco (usuários de drogas injetáveis e homem que faz sexo com homem) e 1,4 milhões de indivíduos vivem com HIV/AIDS, dos quais 30% são mulheres. O Brasil se situa entre os quatro países do mundo com o maior número de casos de AIDS notificados.

A transmissão materno-infantil do HIV durante a gravidez e, sobretudo durante o parto pode provocar danos vultosos para o bebê por ocorrer num momento de maturação do sistema imunológico. Atualmente, estima-se que a prevalência de infecção entre as gestantes no Brasil esteja entre 0,5% e 1%. Em

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Substância diretamente responsável pela ovulação. Mesmo assim, há estudos com animais que, além de corroborarem esses dados, também demonstram diferenças entre os sexos no que se refere à resposta à cocaína no eixo hipotálamo-hipofisário-adrenal. Essa instância hormonal tem função primordial nas respostas aos estressores socioculturais (externos) e psicológicos (internos) e aparece alterada com grande frequência em pessoas com transtornos psiquiátricos.

relação à prevenção da transmissão materno-infantil do HIV, é sabido que fazer o diagnóstico da infecção, neste período, possibilita a utilização de medidas preventivas que, quando bem aplicadas podem reduzir drasticamente as taxas de transmissão. (MORIMURA, 2006)

Geralmente, a usuária de crack dedica a sua vida na busca e uso desta

substância, negligenciando a saúde e a vida, especialmente a fase pré-natal. A realização do pré-natal representa papel fundamental em termos de prevenção e/ou detecção precoce de patologias tanto maternas como fetais, permitindo um desenvolvimento saudável do bebê e reduzindo os riscos da gestante.

Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as mulheres e os profissionais de saúde. Essa possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos é considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação. Permite identificar doenças que já estavam presentes no organismo, porém, evoluindo de forma silenciosa, como a hipertensão arterial, diabetes, doenças do coração, anemias, doenças transmissíveis pelo sangue de mãe para filho, como a AIDS e a sífilis.

Esses problemas podem causar o parto precoce, o aborto e até trazer consequências mais sérias para a mãe ou para o seu bebê. Seu diagnóstico permite medidas de tratamento que evitam maior prejuízo à mulher, não só durante a gestação, mas por toda sua vida; detecta problemas fetais, como más formações. Quando em fases iniciais permitem o tratamento intraútero que proporciona ao recém-nascido uma vida normal. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2000)

É imperioso observar que, nos três primeiros dias, após o nascimento existe um fator complicador que deve ser olhado com cautela, a chamada síndrome da

abstinência22. Os sintomas principais são: sucção deficiente, problema na

amamentação, irritabilidade, hipertonia, bocejos e espirros. Além disso, para a criança crescer saudável é importante ser introduzida amamentação, até porque irá trabalhar a área afetiva da criança, sendo desejável, e as mães devem ser estimuladas a fazê-la. No entanto, teremos que observar, pois há exceções, nos

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A síndrome de abstinência pode ser definida como um conjunto de sinais e sintomas de desconforto físico e psíquico que aparecem quando o consumo de substância psicoativa é reduzido ou interrompido. No caso da cocaína, quadro de abstinência é composto eminentemente por sintomas psíquicos, entre os quais se destacam a disforia, anedonia e a fissura pela droga.

casos das mulheres contaminadas por alguma doença que possam impossibilitar essa prática, como a AIDS. (MOREIRA, 2012).

Faz-se necessário ressaltar que o consumo de cocaína/crack no período

perinatal, intervalo que vai da vigésima segunda semana de gestação ao sétimo dia de nascimento, está associado a maior risco de complicações, como deslocamento prematuro da placenta, sofrimento fetal com presença de mecônio, ruptura precoce da bolsa amniótica, baixa estatura e baixo peso ao nascer, além de anormalidade geniturinária e da parede abdominal. Esses efeitos ocorrem independentemente do

uso de outras substâncias psicoativas e ainda, as crianças exposta a cocaína/crack

no período intrauterino apresentam chances duas vezes maior de se situar abaixo

do percentil23 10 da curva de crescimento, quando chegarem aos sete anos de

idade. (MOREIRA, 2012)

Visando reduzir a mortalidade infantil e melhorar a saúde materna, em setembro de 2000, foi realizada em Nova York uma reunião com líderes de 191 países membros das Nações Unidas, estabelecendo Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) com uma série de compromissos. Conforme o Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Uma pesquisa realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (HCFMRP), pela farmacêutica Marcela Nogueira Rabelo Alves, resultou em um método capaz de detectar a presença de

crack e cocaína nas primeiras fezes (mecônio) após o nascimento do bebê que se acumula no organismo da criança a partir da décima segunda semana de gestação. A escolha pelo mecônio foi à busca de uma alternativa menos invasiva do que a extração de sangue ou líquido amniótico.

Pôde constatar por meio da comparação entre o questionário feito e a conclusão de análise das amostras que, a maioria das usuárias quando grávidas não deixam de utilizar drogas e dificilmente informam ao médico sobre o uso de quaisquer tipos destas substâncias. Segundo a pesquisadora, houve questionários

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As curvas de percentis são médias de medições rigorosas de milhares de crianças, em várias idades.

em que a mãe negava o uso, mas análise mostrava um resultado positivo para o uso de crack ou cocaína (ALVES, 2009).