C APÍTULO I – C ENÁRIOS DA D EFESA A MBIENTAL NO R IO
B) A D EFESA DO M EIO A MBIENTE COMO UM “N OVO M OVIMENTO S OCIAL ”
A temática dos “movimentos sociais” é bastante antiga nas ciências sociais, chegando em alguns momentos a fazer parte dos manuais de “teoria social” dentro da problemática geral da “ação social” e mais especificamente da “ação coletiva”. A primeira tentativa de definição “científica” de tal conceito tem como referência o trabalho de Lorenz Von Stein, de 1840, o qual defendia a importância de uma ciência da sociedade que tomasse como objeto de estudo os “movimentos sociais” que, naquele trabalho e nos estudos que os sucederam, eram identificados às lutas do operariado (SPANOU, 1991). Um segundo momento importante na produção das ciências sociais sobre essa temática, foram os trabalhos vinculados ao interacionismo simbólico e à Escola de Chicago. Tal vertente chegou a ser denominada de “abordagem clássica”, estando centrada na problemática funcionalista que analisava sua emergência como um “fator de disfunção da ordem social” e que procurava compreender o comportamento coletivo dos grupos sociais por meio da análise de seus aspectos sócio-psicológicos e culturais. Durante os anos cinqüenta na Europa, a abordagem marxista deu ao conceito um sentido bastante amplo focalizando por meio dele períodos históricos longos como o nacionalista, fascista, etc., e inserindo-o na problemática da “mudança e da transformação social” e numa perspectiva teleológica de que a classe trabalhadora seria o sujeito de tais mudanças (GOHN, 1997).
É somente nos anos sessenta, tanto na Europa como nos Estados Unidos, que se observam algumas modificações consideráveis nessas abordagens. Elas foram motivadas, em parte, pelo surgimento de mobilizações diferentes das operárias e sindicais que tinham se fixado nas ciências sociais como uma espécie de “protótipo” para a maioria dos estudos (SPANOU, 1991).
Como salienta Passy (1998), o final dos anos sessenta constitui um marco do aparecimento de uma “nova família de movimentos sociais”, os chamados “Novos Movimentos Sociais” ou NMS. Mesmo que as temáticas por eles defendidas estivessem vinculadas a problemáticas e conflitos antigos, tais organizações se distinguiam das mobilizações até então existentes no que diz respeito à sua “arquitetura organizacional”, ao “quadro ideológico”, aos “repertórios de ação” e a sua “base social”: descentralização e democracia interna, valores pós-materialistas, repertórios de ação moderada, membros da nova classe média (p. 28-29). É o caso de “movimentos” como o dos direitos humanos, o das mulheres, o pela paz, o contra a guerra do Vietnã, o estudantil, o ambientalista, o antinuclear, etc. É justamente como uma forma de modificação do olhar das ciências sociais sobre as mobilizações coletivas que se torna relevante a literatura sobre os NMS surgida na Europa, pois trazia à tona reivindicações que resultavam na “politização” de esferas até então não definidas como políticas e que provocavam certa “extensão da política”, no sentido de que doravante esta deveria abarcar “tanto os aspectos da vida privada quando os da vida pública” (SPANOU, 1991, p. 32).
Neste contexto, as abordagens norte-americanas passaram a enfatizar as inovações culturais e as mudanças fomentadas pelas mobilizações coletivas em lugar da preocupação anterior com a “adaptação dos indivíduos às estruturas sociais” que resultava na definição de tais mobilizações dentro da problemática da “ordem” e da “anomia social”: nessas novas vertentes as mobilizações coletivas estavam respaldadas em uma série de fatores objetivos que era preciso apreender e analisar as influências para sua emergência e desenvolvimento. Na Europa, alguns avanços vão também ocorrer na medida em que surgem abordagens que vão desvincular a noção de “movimento social” das mobilizações operárias que passa a ser considerada como um tipo histórico de mobilização coletiva e não mais como o “movimento social” (SPANOU, 1991): critica-se, por um lado, as definições do operariado como categoria exclusivamente econômica e, por outro, a negligência quanto às mobilizações coletivas de outros atores sociais em função da excessiva preocupação com as lutas operárias e sindicais.
Essas renovações que surgiram nos anos sessenta e setenta e que ainda estavam muito confinadas às realidades nacionais da Europa e dos Estados Unidos vão tomar outros rumos nos anos noventa em decorrência do intenso debate e do maior intercâmbio que passa a ocorrer entre elas durante a década de oitenta. Essa maior internacionalização que se observa no âmbito da produção teórica, ocorreu também no plano das manifestações concretas das mobilizações coletivas, vinculadas, por um lado, à emergência e a imposição das chamadas Organizações Não-Governamentais (ONG’s) como forma de mobilização coletiva e, por outro, às respectivas mudanças nas agendas e nos programas de cooperação internacional (GOHN, 1997). Assim, os estudos passam a se concentrar em análises comparativas de uma multiplicidade de processos com o intuito de conseguir distinguir suas semelhanças e regularidades das diferenças e particularidades próprias das diversas realidades nacionais onde tais fenômenos podem ser observados. Por fim, esse percurso no plano das abordagens e no das mobilizações parece ter originado atualmente uma postura comum que perpassa o conjunto das orientações teóricas e que consiste em colocar-se como desafio principal o de articular e integrar os níveis macro e micro, rompendo com uma série de divisões e de oposições que conduziram os debates teóricos e as investigações produzidas nas ciências sociais nos últimos anos, tais como estrutura e ação, objetivismo e subjetivismo, estrutura e conjuntura, etc. Tal renovação do olhar sobre as teorias foi acompanhada também de uma mudança de atitude com relação à precedência das divisões disciplinares na orientação e na condução dos estudos empíricos, posto que se trata de articular as contribuições teóricas, metodológicas e empíricas de diferentes disciplinas vinculadas aos estudos das mobilizações coletivas.
Dentro desse quadro geral do surgimento e do desenvolvimento da produção teórica das ciências sociais sobre a temática dos “movimentos sociais”, a produção brasileira apresenta algumas particularidades que precisam ser consideradas com mais atenção, na medida em que isso influenciou a grande maioria dos estudos realizados no Brasil sobre as mobilizações ambientalistas. Um dos principais aspectos que chama a atenção
nesses estudos é a inexistência de formulações teórico-metodológicas próprias, elaboradas com base no exame das especificidades históricas, políticas e culturais da sociedade brasileira e das modalidades de “movimentos sociais” que emergiram em tais condições. Quanto a isso, vale a pena citar a observação de Gohn (1997, p. 13-14), quando ela salienta que nessa situação e na América Latina como um todo, “as posturas metodológicas foram híbridas, geraram muitas informações, mas o conhecimento produzido foi orientado basicamente pelas teorias criadas em outros contextos, diferente de suas realidades nacionais”. A autora destaca também que o paradigma que serviu de base para a análise dos “dados da realidade”, produzidos a partir de uma grande quantidade de estudos empíricos e descritivos pouco analíticos e “centrados nas falas dos agentes”, foram as diversas orientações teóricas e metodológicas européias, incorporadas aos estudos de modo “acrítico” na medida em que se tratava da utilização de “categorias que se opõem no debate teórico” e à margem do debate dos europeus com o paradigma norte- americano nos anos oitenta. Em decorrência disso, a literatura brasileira se caracteriza pela ausência de pontos de partidas teóricos e conceituais, constituindo-se como uma produção em que os estudos são empíricos e descritivos, utilizando-se de forma não crítica os paradigmas europeus, fundamentalmente o dos NMS. Por fim, um outro traço que caracteriza tal produção é a divisão dos estudos conforme as áreas acadêmicas, os programas de pós-graduação e as dimensões local, regional e nacional. No que diz respeito à antropologia os estudos estavam centrados nos movimentos indígenas, deixando os “movimentos sociais populares” para a sociologia, a política e o planejamento urbano, enquanto que os estudos das lutas pela terra e pela moradia cabiam ao direito e à arquitetura (GOHN, 1997, p. 10).
Diferente do que ocorreu nos Estados Unidos e na Europa onde a produção acadêmica sobre o fenômeno ambientalista emergiu num contexto muito próximo ao de surgimento do “movimento ecológico” e pelo confronto de diferentes abordagens analíticas próprias das ciências sociais, no caso brasileiro isso ocorreu quase uma década depois. Ao mesmo tempo, o interesse pela investigação da participação nesse tipo de causa não resultou
do confronto entre paradigmas e correntes analíticas concorrentes, sendo antes orientada pelo que foi produzido nestes outros contextos a partir do “comprometimento político” que tomou conta da cultura universitária e profissional na sociedade brasileira durante os anos oitenta (PÉCAUT, 1990). Tratava-se de um momento em que estava em jogo, também para as camadas escolarizadas e intelectuais, a afirmação e o exercício de seu papel de “ator político”: “participando integralmente das interações com outros atores políticos, sem ignorar as reivindicações corporativistas, mas inserindo-as no conjunto das manifestações da sociedade civil” através de estratégias voltadas para fora do meio intelectual “para os partidos políticos, os movimentos sociais e as classes populares” (Id., Ibid., p. 300). Por isso, as abordagens e os tipos de problemáticas dos estudos das ciências sociais brasileiras sobre o “movimento ambientalista” se encontram profundamente imbricadas com as preocupações, problemas e reivindicações levantadas pelas lideranças e organizações que fazem parte de tais “movimentos”.
É nesse contexto de forte imbricação das ciências sociais com a militância política que a importação do modelo dos “Novos Movimentos Sociais” tornou-se uma constante também nos estudos das mobilizações ambientalistas no Brasil. É o caso dos estudos sobre o “movimento ambientalista” brasileiro e gaúcho que começaram a se desenvolver somente na década de oitenta e foram levados a cabo por militantes de organizações ambientalistas ou por estudantes e professores universitários engajados na defesa ambiental, não diferindo do que ocorreu em outros tipos de “movimentos sociais”. A vinculação dos valores e das reivindicações defendidas pelas organizações ambientalistas ao pertencimento de classe dos seus membros tem sido uma das abordagens predominantes nos estudos sobre o movimento ambientalista gaúcho e brasileiro, os quais salientam que os militantes e simpatizantes das lutas ambientais são recrutados em sua grande maioria na chamada “classe média intelectualizada”, derivando disso a explicação de suas particularidades em termos de formulações identitárias, assim como de suas estruturas políticas e organizacionais (TORNQUIST, 1992; SCHMITT, 1995). É com base nesse posicionamento objetivo dos dirigentes que tais causas são caracterizadas
como portadoras de reivindicações “novas” e “pós-materialistas” dado que não estão mais relacionadas à esfera da produção e das necessidades materiais mais urgentes (PADUA, 1992); e que também se procura compreender as dificuldades de articulação e de alianças entre as principais associações ambientalistas, assim como as concepções e os valores que os dirigentes de organizações às mais variadas atribuem à participação na defesa das causas ambientais.
Nos últimos anos a literatura especificamente voltada para o “movimento ecológico” e para as organizações ambientalistas atuantes na defesa ambiental praticamente desapareceu. Ao invés disso tem ocorrido uma grande multiplicação dos estudos sobre os “impactos sócio-ambientais” do desenvolvimento econômico e político e as estratégias alternativas representadas pelas mobilizações em defesa de causas ambientais (LOUREIRO & PACHECO, 1995). A que se deve esse número reduzido de trabalhos especificamente voltados para as organizações ambientalistas? Sobre a composição social de seus dirigentes e as lógicas sociais que os conduzem à entrada e à permanência em associações ambientalistas? É que o estado atual da literatura brasileira sobre o “movimento ecológico” não é muito diferente do que se encontra em termos de registros e de dados sobre as organizações atuantes no Rio Grande do Sul: a inexistência de pontos de partida teóricos e conceituais próprios das ciências sociais, dada a proliferação de levantamento e estudos conforme a vinculação dos pesquisadores a determinadas problemáticas ambientais e grupos que as defendam. É em função disso que a categoria “movimento ecológico” praticamente foi abandonada, passando-se a privilegiar os estudos localizados dos “impactos ambientais” de uma série de questões. Assim, essa mudança de orientação foi algo que resultou menos do confronto teórico e conceitual entre os pesquisadores do que das mudanças que estavam ocorrendo na própria “realidade”, ou mais especificamente, das transformações que estavam em curso no próprio ambientalismo. No caso, a intensificação da imbricação entre formação escolar e universitária com engajamento político através da defesa do meio ambiente. Dessa forma, pode-se dizer que dando continuidade ao que
aconteceu nas análises do “movimento ecológico”, os estudos atuais da defesa do meio ambiente constituem uma das formas de articulação das “ciências sociais” com as organizações e os movimentos sociais existentes na “realidade”. Muito mais do que a configuração de um “campo” próprio de estudos, a defesa do meio ambiente se tornou uma esfera de articulação da formação universitária ou acadêmica com o engajamento e a militância política para os próprios “cientistas sociais”. Desse modo, a inserção da temática ambiental no espaço da academia constitui atualmente uma das formas de articulação da universidade e dos tipos diversificados de formação que ela oferece com a inserção de estudantes, professores e pesquisadores em redes de organização e “movimentos sociais”.
1.4–M
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MBIENTAISEm contraponto às caracterizações da defesa do meio ambiente como um NMS, bem como às que a definem como um “campo” ou “setor” de atividade específica, pode-se lançar mão de um conjunto de abordagens que salientam o caráter contextual e multifacetado das causas ambientais e a diversidade de condições e de lógicas sociais envolvidas em sua construção. Como salienta Hannigan (1995, p. 77), a respeito das modificações no conceito de “natureza”, a categoria “ambientalismo” que surgiu no início dos anos oitenta é uma “construção em si própria multifacetada que consolida um conjunto de filosofias, ideologias, especialidades científicas e iniciativas políticas”. Diante disso, nosso conhecimento do meio ambiente e dos “problemas” que o ameaçam se situa numa variedade de experiências negociadas, existindo múltiplas formas de definir a natureza e o ambiente, desde a científica à mítica. Ao mesmo tempo, ele expressa os processos recentes de difusão das preocupações ambientais para as mais diferentes camadas sociais, configurando-se mais como uma reunião de “redes de comunicação” entre grupos de diversas origens e características do que como “uma configuração
típica profissionalizada” (Id., Ibid., p. 165).
Do mesmo modo, os trabalhos de Lascoumes (1994, 1995) chamam a atenção para o caráter contextual e situacional da problemática ambiental. Ao sublinhar as formas tortuosas, as finalidades alheatórias, a pluralidade de representações, de projetos, de referentes e de empreendimentos coletivos vinculados aos movimentos coletivos de proteção ambiental, tanto em função das “categorias de atores concernidos, de sua socialização e de suas experiências concretas (agricultor, quadro do meio urbano, técnico de um grande grupo, dirigente de uma PME, operário num setor de alta tecnologia ou numa atividade semi-artesanal, etc.)” quanto da interferência de “elementos contextuais” a partir dos quais determinada situação é percebida como problemática:
Os mesmos sujeitos podem ter comportamentos bem diferentes, segundo se trate de seu meio de trabalho, de seu espaço de lazer, seu meio de transporte privilegiado, o quadro de vida imediato de sua família ou de um sítio simbólico a seus olhos. (LASCOUMES, 1994, p. 14-15).
Estamos diante de uma situação onde as atividades de interpretação e de mobilização feitas por diferentes categorias de atores tem um papel preponderante na "realização" do direito e das políticas ambientais, sendo muito fraco o grau de coerência em termos dos compromissos, dos objetivos e dos instrumentos de regulação implementados (LASCOUMES, 1995). Dentro disso, os processos de implementação de políticas ambientais estão relacionados a atividades de transcodificação, na medida em que se trata da existência de "empresas de reciclagem", enquanto atividades de reorganização e de tradução de informações esparsas e práticas existentes em um código diferente, não consistindo simplesmente na produção de definições como “projetos edificados sobre um terreno virgem": a emergência recente da noção de meio ambiente é um exemplo do quanto “as respostas pré-existem aos problemas objetos da ação pública”, posto que “recobre freqüentemente a reciclagem e a recomposição de embates mais antigos concernindo ao patrimônio cultural, o urbanismo ou a segurança pública” (LASCOUMES, 1994,
p. 14). Na medida em que os processos de produção das categorias de pensamento coletivo sobre os problemas ambientais se dão na interação e segundo estratégias de atores heterogêneos, procedimentos de negociação variáveis e processos de tradução, a análise das diferentes “atividades de transcodificação”, colocadas em prática tanto pela mídia quanto pelas administrações públicas e pela ação associativa, apresenta-se como uma alternativa conceitual distinta da noção de "mediação" e de “setorialização” das políticas públicas, tal como formuladas por Jobert & Muller (1987; 2000), dado o “caráter fortemente híbrido” que caracteriza as políticas públicas de meio ambiente: fronteiras bastante fluídas, os operadores e os campos de expertise são mais difusos, menos estruturados e de status profissional heterogêneo e cujas operações colocadas em prática são menos finalizadas e não estão diretamente voltadas para as tomadas de decisão (LASCOUMES, 1994, p. 22- 23).
Essa caracterização da dinâmica contextual e multifacetada da proteção ambiental conduz à investigação dos processos concretos de definição social de uma variedade de questões como “problemas ambientais”, bem como dos conflitos vinculados ao sistema diversificado e heterogêneo de atores sociais e respectivos interesses e objetivos que os conduzem à participação na defesa das causas ambientais. É nesse sentido que se podem considerar algumas formulações relativas à situação da defesa do meio ambiente no Brasil. Com base na utilização de uma perspectiva construcionista na investigação dos processos de definição social dos problemas ambientais, Fuks (2001) procura deslocar o foco de atenção da ênfase sobre a “condição objetiva” dos assuntos públicos para se concentrar na dinâmica argumentativa dos conflitos sociais entendida como espaço de elaboração e veiculação de versões alternativas a respeito dos assuntos públicos enfatizando o debate público enquanto arena argumentativa e a participação dos partidos políticos, da mídia, dos grupos organizados e do poder público num processo de constante debate a respeito da definição dos problemas ambientais legítimos. A dinâmica de incorporação da temática ambiental em arenas de ação e debate públicos evidencia a importância da dimensão local e conflituosa destes
processos de definição do meio ambiente como um problema social e sua relação com a ação de determinados setores da sociedade como o Estado e segmentos das classes médias e altas. Nesta perspectiva, é pela análise do sistema de arenas envolvendo atores heterogêneos que se pode estabelecer certos marcos na evolução do debate público e no reconhecimento público dos problemas ambientais. De maneira similar, ainda que com um referencial bastante diferenciado, Loureiro & Pacheco (1995) têm demonstrado que a defesa do meio ambiente no Brasil se caracteriza como uma problemática em torno da qual se movem diferentes atores na defesa de seus interesses específicos. Com base nessa análise pode-se perceber que a investigação da problemática ambiental implica a consideração da dinâmica de conflitos que perpassam tanto os espaços governamentais, “a formação e a implementação das políticas, a criação de agências do governo encarregadas da proteção ambiental, a evolução do aparato jurídico necessário para garantir as ações públicas de defesa do meio ambiente”, como também, “os processos inter- relacionados de desenvolvimento do chamado movimento ambientalista na sociedade civil e nos partidos políticos, a expansão dos estudos nos meios acadêmicos e universitários, e ainda a repercussão dos problemas ambientais na imprensa" (p. 139). Nesse sentido, a temática ambiental tem passado nos últimos anos por significativas modificações no sentido de sua inserção nos mais diferentes espaços sociais, no caso, o espaço das agências governamentais, o campo jurídico, o espaço acadêmico, o universo das organizações não-governamentais e o setor empresarial, entre outros.
Tais caracterizações parecem condizentes com a defesa do meio ambiente no tipo de cenário inicialmente encontrado: a imbricação da temática