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Prevê a Lei de Alimentos 5478/68 no seu artigo 19:O juiz poderá tomar todas as providencias necessárias para seu esclarecimento ou para cumprimento do julgado ou do acordo, inclusive a decretação de prisão do devedor até sessenta dias. ” Já o Código processual Civil no artigo 733 fixa o prazo de um a três meses de prisão, embora seja posterior a lei, fica prevalecida a lei especial, não poderá passar de sessenta dias. (LEI 5478/68, art. 19) (VENOSA, 2008, P. 388).

Existe controvérsia quanto a decretação da prisão civil, entendendo alguns juristas que a prisão pode ser decretada de oficio, caso o pagamento da dívida seja efetuado, a prisão deverá ser suspensa. O entendimento da jurisprudência do STJ, que “não deve a prisão ser decretada de oficio”. Se, contudo, a prisão civil do devedor for requerida pelo ministério público, não há de falar em prisão de oficio. ” (STJ 3ª T.) (DIDIER JR., 2011, pag. 703-704)

Segundo Pontes de Miranda: “A prisão civil é decretada pelo juiz cível, a requerimento do credor, ou de oficio. ” (MIRANDA, 2003, p. 346).

Terminando o prazo da prisão do devedor, deverá ser posto em liberdade, ultrapassando o prazo e o devedor mantido preso, caberá neste caso medida de Habeas corpus, por se tratar de ilegalidade, sendo este não poderá mais ser executado por pena de prisão, pelas mesmas parcelas que resultou em sua prisão anterior. (CAMARA, 2003, pag. 346-350).

5.MEIOS ALTERNATIVOS DE COBRANÇA DE ALIMENTOS

É certo que o objetivo da prisão civil do devedor de pensão alimentícia era garantir ao alimentando, a que iria receber os valores devidos necessários para sua sobrevivência. No entanto não é o que se tem de finalidade com a prisão civil, onde na maioria dos casos o alimentante fica preso e nada adianta para o alimentando.

Inspirado na lei 13.074/2003, da província de Buenos Aires, na Argentina, para resolver os litígios em casos específicos alguns tribunais brasileiros aplicam a nova medida coercitiva qual seja inserir o nome do devedor de prestação alimentícia em cadastro de proteção ao credito, porem a referida medida causa discussão no cenário jurídico brasileiro, uma vez que somente lei pode criar novas medidas.

No entanto, a referida medida se justifica devido às consequências que a negativação do nome do devedor poderá causar, quais sejam: restrições para abrir uma conta bancaria, obter cartões de credito, e até mesmo ser impedido de constituir uma sociedade empresaria, o que deverá levar ao devedor a refletir sobre a importância de cumprir a obrigação alimentar de forma espontânea. (TANNURI;

GAGLIATO,2012, p.22)

Baseado no direito argentino, atualmente no Brasil existe um projeto de Lei nº 799/2011, que acrescenta na Lei 5.478/68, que regulamenta a prestação de alimentos, para que inclua aquele que deixa de pagar a pensão alimentícia judicialmente fixada sem justo motivo, tenha seu nome cadastrado em instituição de proteção de crédito.

De acordo com o CC/02 art. 155, em regra os processos no Brasil devem ser públicos, salvo as ações com segredo de justiça, no entanto tal medida não fere a intimidade do devedor de pensão alimentícia, tendo em vista que a inserção de seu nome será de forma sucinta.

A finalidade do projeto de lei acima citado é aumentar as possibilidades de medidas coercitivas tomadas com o fim de satisfazer a obrigação alimentar devida.

5-1 MUDANÇAS DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

Quando entrou em vigor a lei 11.232/2005, foi revogado muitos artigos do Código de Processo Civil, e assim mudando a estrutura da execução, tanto que foi criada a nova lei de execução.

No novo CPC foi abolida as forma de execução em se tratando de titulo executivo judiciais. No antigo código a execução do devedor de alimentos seria feito através do titulo executivo judicial, ou seja teria que ser gerado novo processo, para garantir o cumprimento da sentença. No novo CPC, a execução passou a ser mera etapa do procedimento, não mais sujeita a novo processo, apenas uma simples requisição do credor, inicia-se a fase apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517.

(NOVO CPC, art. 528, parag. 1º)

Desta forma não cumprindo o devedor com o pagamento fixado na sentença, poderá antes mesmo na prisão o juiz protestar a sentença que fixou os alimentos, trazendo o novo CPC mais uma forma coercitiva para o cumprimento do pagamento da pensão alimentícia.

Visto que os artigos do código não sofreu alteração continua a vigência dos artigos 732 a 735, bem como a sumula 309 STJ: “O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores à citação e as que vencerem no curso do processo”.

Ficando assim a mesma forma do rito especial da execução de alimentos, com requerimento de prisão referente às prestações mais recentes.

5.2 Direito comparado

Para conhecer e visualizar novos institutos e formas para efetivar os direitos no Brasil, deve-se estudar o direito comparado, estudo esse que busca em outros países com ambiente jurídico, político e cultural parecido com o do Brasil, tais como:

Os doutrinadores Dhenis Cruz Madeira e Francisco Javier Godoy Camus, definem a obrigação de alimentícia: ” em relação à obrigação alimentícia de sustentar o menor, a pensão de alimentos é compartilhada aos pais da criança e de forma subsidiaria, aos demais familiares, tais como avós e tios”. (MADEIRA;

CAMUS, 2013, p.86).

Os autores citados acima, defendem que no Chile tal como no Brasil, para que seja concedido o direito de receber alimentos, deve se observar o binômio necessidade e possibilidade. (MADEIRA; CAMUS, 2013, p.87).

No que se refere as medidas coercitivas o Chile tem algumas parecidas com as adotadas no direito brasileiro, como a possibilidade do alimentante poder conceder usufruto ou direito de uso e habitação sobre um imóvel em favor do alimentando, como também a prisão civil, apesar das diferenças na sua decretação.

Por outro lado, no Chile é previsto medidas que no Brasil não existem como a possibilidade da retenção de imposto de renda – a restituir – em desfavor do alimentante e como forma de satisfação do alimentando. (MADEIRA; CAMUS, 2013, p.89). previstos en la ley, existiendo una o más pensiones insolutas, el juez adoptará, a petición de parte, las siguientes medidas: 1. Ordenará, en el mes de marzo de cada año, a la Tesorería General de la República, que retenga de la devolución anual de impuestos a la renta que corresponda percibir a deudores de pensiones alimenticias, los montos insolutos y las pensiones que se devenguen hasta la fecha en que debió haberse verificado la devolución. La Tesorería deberá comunicar al tribunal respectivo el hecho de la retención y el monto

de la misma. 2. Suspenderá la licencia para conducir vehículos motorizados por un plazo de hasta seis meses, prorrogables hasta por igual período, si el alimentante persiste en el incumplimiento de su obligación. Dicho término se contará desde que se ponga a disposición del administrador del Tribunal la licencia respectiva. En el evento de que la licencia de conducir sea necesaria para el ejercicio de la actividad o empleo que genera ingresos al alimentante, éste podrá solicitar la interrupción de este apremio, siempre que garantice el pago de lo adeudado y se obligue a solucionar, dentro de un plazo que 7 PATRICIO ULLOA VARGAS ABOGADO 8 no podrá exceder de quince días corridos, la cantidad que fije el juez, en relación con los ingresos mensuales ordinarios y extraordinarios que perciba el alimentante. Las medidas establecidas en este artículo procederán también respecto del alimentante que se encuentre en la situación prevista en el artículo anterior.

Dentre as medidas parecidas com as tomadas no Brasil, as medidas coercitivas tomadas no Chile, podem ser mais eficazes em certos casos do que a prisão civil.

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