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3 CONTEXTO E METODOLOGIA

4.6 Efetuar modelagem de preferências

“Um modelo corresponde a uma representação formal e simplificada da realidade” (De Almeida, 2013), para ser útil não pode ser tão simplificado de forma a erronear a situação sob análise, nem tão complexo de modo a não ser compreendido e adequado à dita situação.

Um modelo de decisão multicritério pretende ser uma representação formal e simplificada do problema de decisão, com a variedade de alternativas enfrentada pelo decisor.

Usualmente, esse modelo de decisão é desenvolvido com fulcro em algum método de apoio à decisão.

Segundo Almeida (2013) “os métodos MCDA são claramente necessários quando não se podem representar todos os objetivos de um problema através de uma única métrica, tal qual unidades monetárias. Um problema resolvido com a técnica de análise custo-benefício é tipicamente um problema multicritério”.

Os métodos podem ser classificados conforme a natureza do conjunto de alternativas, de forma que o método do presente problema é referente a “conjunto discreto”. Outra classificação conhecida, também mencionada pelo ilustre autor, indica que o presente problema se adequa à resolução pelo método de critério único de síntese, assim chamado por agregar os critérios em um único critério de síntese.

Feitas essas considerações gerais, consigne-se que, no caso em apreço, a nova metodologia empregada, aplicou, para resolver o problema MCDA proposto, o método multicritério de função única de síntese, através do Modelo Aditivo Determinístico em um primeiro momento, ou seja, quando do estabelecimento de valores e importância por critério.

Tudo realizado com o apoio do método FITradeoff (DE ALMEIDA et al., 2016).

Nesse mesmo diapasão, registre-se que, no presente problema, o método utilizado foi compensatório, visto que persiste a ideia de compensar um menor desempenho de uma alternativa em um dado critério por meio de um melhor desempenho em outro critério.

Pode ser dito, portanto, que nos métodos compensatórios a avaliação de uma alternativa considera os tradeoffs entre os critérios, como é o caso ora referenciado.

Em um segundo momento, de pose do resultado, por assim dizer, individual das operações especiais, foram os resultados individuais analisados através de um modelo de Portfólio para avaliação do valor do subconjunto mais pontuado, com maior sinergia e, por conseguinte, com o resultado ótimo.

De outro prisma, os menos pontuados ou indiferentes no tocante aos resultados, deveriam ser avaliados posteriormente para consolidação ou readequação do estatus de operação especial de tais investigações.

4.6.1 Análise das condições de independência

Para aplicação do modelo aditivo é preciso avaliar a condição de independência preferencial entre os critérios. A avaliação das condições de independência para os critérios no primeiro nível da hierarquia se mostra compatível com a condição de independência preferencial. Entretanto, na análise do critério C.1 - Avaliação da consequência danosa, observa-se que os subcritérios no nível mais baixo nível da hierarquia remetem a uma situação em desacordo com tal condição, consoante dmonstra a Figura 4.

Para o subcritério C.1.1 – Dano a pessoa humana, há que se considerar o tipo de dano (morte, integridade, honra), bem como a influência em termos da quantidade de pessoas atingidas (individuo, grupo). Para considerar tal situação, foi realizada uma avaliação global dessas situações, buscando quando possível, curvas de indiferença para combinações de consequências.

Para o subcritério C.1.1 – Dano a pessoa humana, há que se considerar o tipo de dano (morte, integridade, honra), bem como a influência em termos da quantidade de pessoas atingidas.

Figura 4 - Subcritérios da avaliação da consequência danosa à pessoa humana C1.1 – Dano à pessoa humana

Definicao de escala contruida, compreendendo os aspectos de dano a pessoa humada:

C1.1.1 – que atente contra a vida humana e a honra/ integridade mental e integridade física de um grupo de pessoas – extremamente alta;

C1.1.2 – que atente contra a vida de um grupo de pessoas – muito, muito alta;

C1.1.3 – que atente contra a vida humana e a honra/ integridade mental e integridade física de um individuo – muito alta;

C1.1.4 – que atente contra a vida de um individuo – alta;

C1.1.5 – que atente contra a honra/integridade mental e integridade física de um grupo – moderadamente alta;

C1.1.6 – que atente contra a honra/integridade mental e integridade física de um individuo – moderada;

C1.1.7 – que atente contra a honra/integridade mental ou integridade física de um grupo – moderadamente baixa;

C1.1.8 – que atente contra a honra/integridade mental ou integridade física de um individuo – baixa;

C1.1.9 – que não atente contra a vida, contra honra nem a integridade física ou mental – muito baixa;

Fonte: A autora (2019).

Para o subcritério C.1.5 - Origem e montante do recurso desviado, foi avaliado o dano em termos do montante desviado em combinação com a origem do recurso.

Para avaliação do montante, admite-se, como valor mais grave possível, um patamar de 30 milhões de reais para o valor desviado, a partir do qual, pelo volume, não importa a origem do recurso.

A origem do recurso implica em leve diferença entre as situações de devios de recurso, sendo dado uma preferência por desvios da área de saúde e educação em comparação com desvios da área de previdência e infra-estrutura, com fulcro no maior dano social das primeiras em relação às segundas até o limite do patamar tido por mais gravoso – 30 milhões e que geraria indiferença no tocante à origem.

Assim, observa-se que a origem do recurso pode agravar ou amenizar o dano em termos de desvio de recusos. A figura abaixo ilustra a situação de preferência para essas combinações.

Consequencia

Após avaliação das situações, em termos das consequências, para simplificar a modelagem, optou-se por usar a seguinte relação: Em caso de verba oriunda da “educação” ou

“saúde” o valor desviado será multiplicado 1, ao passo que, se a verba for da “infraestrutura”

ou “previdência”, o valor desviado será multiplicado por 0,85.

Figura 5 - Combinação de preferências de origem e montante de recurso desviado C1.5 - Origem e montante do recurso desviado

Escala natual do montante desviado ponderada pela origem do desvio.

Fonte: A autora (2019).