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1. Serviço Nacional de Saúde

1.4. Eficiência, Equidade e Qualidade em Saúde

A importância das questões da eficiência, equidade e qualidade na saúde resulta de mudanças políticas e económicas dos últimos tempos: economias de planeamento central reorientadas para o mercado, e consequente redução da intervenção estatal nas economias nacionais, menor controlo governamental, mais descentralização. Há mais restrições ao que os governos podem fazer e mais expectativas dos cidadãos, todos querem beneficiar dos avanços científicos (Word Health Organization, 2000).

A eficiência pode-se considerar a relação entre os benefícios obtidos e os recursos despendidos.

Eficiência em economia tem várias interpretações, sendo usual definir três noções de eficiência:

eficiência tecnológica, eficiência na utilização de recursos e eficiência económica (Barros, 1999).

A eficiência na utilização dos recursos segue um critério de minimização de custos, sendo a eficiência tecnológica condição necessária mas não suficiente para que se obtenha a eficiência na utilização dos recursos. Através da eficiência económica pretende-se a obtenção do máximo bem-estar para todos os indivíduos (Barros, 1999).

Para Gertzen (1997) se a eficiência tecnológica e de afectação de recursos tem aplicação em qualquer setor da economia, a eficiência económica, dada a escassez de recursos existente no setor, torna-se um aspecto fundamental da economia da saúde. As avaliações económicas da utilização dos recursos surgem com um papel importantíssimo a desempenhar (Gertzen, 1997).

Em conclusão, e em relação à eficiência, existe nos últimos anos, uma preocupação do Serviço Nacional de Saúde em aumentar a eficiência da prestação de cuidados, utilizando todos os recursos disponíveis, através de alterações dos métodos de pagamento a prestadores, introdução de incentivos à produção e cultura de resultados.

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Quanto à equidade podemos dizer que é dos mais importantes objectivos seguidos pelos sistemas de saúde modernos. Assim, a equidade em saúde pode ser definida como a ausência de diferenças sistemáticas, e potencialmente evitáveis, em um ou mais aspectos da saúde, entre grupos populacionais caracterizados social, geográfica ou demograficamente. Neste contexto, um aspecto fundamental é o acesso a cuidados de saúde de qualidade em função das necessidades clínicas dos cidadãos (Lei nº 48 ,1990).

A promoção da equidade é um dos objectivos centrais da política de saúde em Portugal, tal como num conjunto generalizado de países, nomeadamente, os países da União Europeia. O reconhecimento político da equidade como um objectivo no domínio da saúde pode ser considerado relativamente tardio no nosso país pois é apenas com a Constituição da República Portuguesa, em 1976, que as questões do direito à saúde e do acesso universal aos cuidados de saúde emergem pela primeira vez como uma meta a atingir e numa época conturbada da sociedade portuguesa (Ministério das Finanças e Administração Pública, 2010).

Mais tarde, em 1979, a criação do Serviço Nacional de Saúde vem reforçar esta intenção de colocar a equidade entre os objectivos primordiais da política de saúde. Posteriormente, a Lei de Bases da Saúde reitera a relevância que havia sido atribuída à equidade, podendo ler-se neste documento que “É objectivo fundamental obter a igualdade dos cidadãos no acesso aos cuidados de saúde, seja qual for a sua condição económica e onde quer que vivam, bem como garantir a equidade na distribuição de recursos e na utilização de serviços” – Lei nº 48/90 de 24 de Agosto, na Base II, 1-a). Estabelece, ainda, a equidade como princípio geral do sistema de saúde, entendida como a garantia de que o acesso à prestação de cuidados de saúde se realize em condições de igualdade efetiva. Confere, por último, especial relevância ao facto de que os meios e as atuações do sistema de saúde estejam, prioritariamente, orientados para a promoção da saúde e para a prevenção das doenças. Tal facto, implica uma concepção integral da saúde e impõe o desafio, aos serviços prestadores de cuidados de saúde, de incorporarem, num quadro de melhoria contínua da qualidade, as ações de promoção da saúde e de prevenção das doenças, da mesma forma que incorporam a prestação de cuidados curativos, reabilitadores ou de cuidados paliativos (Despacho nº 14223, 2009).

Equidade não implica contudo igual acesso para todos os cidadãos, dado que há uns que têm

O conceito de equidade pode, por outro lado, centrar-se na ideia de que se deve prover um mínimo decente de cuidados de saúde para que o sistema seja equitativo, o que pode gerar dúvidas quanto ao que será um mínimo decente. Existem ainda conceitos que apontam para a maximização da utilidade esperada dos indivíduos, o que, por sua vez, apresenta alguns problemas ao nível da sua

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valorização. Outro dos conceitos possíveis para a definição de equidade é a regra do maximin1, que define como equitativo um sistema no qual se maximiza o bem-estar do indivíduo que se encontra em piores condições (Simões, Paquete, & Araújo, 2006).

Em relação à qualidade em saúde, para o Ministério da Saúde (1998 como citado em Barros, 1998, p. 2 ) qualidade na saúde: é satisfazer e diminuir as necessidades e não responder à procura, oferecendo mais; é ser proactivo para prevenir e dar resposta e não para a procura de novas oportunidades de mercado; é reunir integradamente como atributo a efetividade, eficiência, aceitabilidade e a equidade e não a exigência única de aceitabilidade.

Barros (1999) referiu que a preocupação com a “qualidade” é crescente. Diversos fatores estão na origem dessa preocupação: a problemática da contenção de custos, maior atenção da população aos aspetos de qualidade, sendo esta cada vez mais um fator de escolha. A alteração dos mecanismos de financiamento, na sua componente de pagamento aos prestadores, com a introdução de risco financeiro para os prestadores tem gerado receios de que estes reajam com uma diminuição da qualidade (Barros,1999). O Plano Nacional de Saúde 2004-2010 na identificação que faz da situação atual quanto à qualidade em saúde, refere uma escassa cultura de qualidade associada a um défice organizacional dos serviços de saúde, assim como a falta de indicadores de desempenho e de apoio à decisão, e refere ainda insuficiente apoio estruturado às áreas de diagnóstico e decisão terapêutica (Despacho nº 14223, 2009).

Considerando que vivemos uma época de enormes desafios para os gestores dos sistemas de saúde e para os profissionais que neles trabalham, é necessário implementar uma cultura de gestão eficiente dos recursos disponíveis, cada vez mais escassos para dar resposta a um volume crescente da procura de cuidados de saúde, a escassez de recursos não obsta a que se exija um nível da qualidade da prestação de cuidados de saúde.

1Significa “Maximizar o Mínimo”. Escolhe a alternativa que tem o melhor resultado quando o pior acontece. É uma regra de decisão extremamente pessimista.

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