8 ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO
9.5 EFLUENTES GERADOS NO PROCESSO E ESCOLHA DAS
METODOLOGIAS DE TRATAMENTO
Existe uma grande parte de resíduos gerados no processo que, por apresentarem valor de mercado, serão vendidos, fazendo com que seja necessário o tratamento do efluente contendo apenas os sais inorgânicos gerados nas colunas de troca iônica: cálcio, sódio, potássio, zinco e fósforo. A legislação vigente,
considerando como corpo receptor um rio de água doce classe I, especifica limites para três destes contaminantes, são: zinco 0,18mg/L, fósforo 0,02 mg/L e cloro (cloreto) 250 mg/L.
Tendo em vista as informações descritas anteriormente a empresa deverá preocupar-se com quatros contaminantes provenientes do processo de fabricação do ácido lático, bem como com a geração de efluente sanitário para elaborar o sistema de tratamento de efluente.
Os principais processos encontram-se listado a seguir:
Clarificação química (remoção da matéria orgânica coloidal, incluindo os coliformes);
Eletrocoagulação (remoção da matéria orgânica, inclusive dos compostos coloidais, corantes óleos/gorduras);
Precipitação de fosfatos e outros sais (remoção de nutrientes), pela adição de coagulantes químicos compostos de ferro e ou alumínio. No item 9.5.1 é apresentado o fluxograma do processo principal de tratamento adotado pela empresa, que é conhecido como “sistema australiano” e apresenta uma lagoa anaeróbia seguida por outra lagoa facultativa. Optou-se por este tipo de tratamento devido à taxa elevada de DBO do efluente gerado. A eficiência de remoção de DBO por uma lagoa anaeróbia é da ordem de 50% a 60%, porém como a DBO efluente é ainda elevada, existe a necessidade de outra unidade de tratamento, a lagoa facultativa.
Conforme Sperling (1996) disponível na Biblioteca Didática de Tecnologias Ambientais, as lagoas anaeróbias são normalmente profundas devido à necessidade de impedir que o oxigênio produzido pela camada superficial seja transmitido às camadas inferiores garantindo assim as condições de anaerobiose e favorecendo o consumo de oxigênio em relação ao reposto pelas camadas superficiais. As lagoas facultativas apresentam uma área menor devido ao pré-tratamento do esgoto na lagoa anaeróbia. O sistema lagoa anaeróbia mais lagoa facultativa representa uma economia de cerca de 1/3 da área ocupada por uma lagoa facultativa trabalhando como unidade única para tratar a mesma quantidade de esgoto.
A empresa pretende ainda realizar um projeto para o reaproveitamento das águas utilizadas na higienização dos equipamentos, sendo que parte do fluido
será encaminhada para uso onde não existe a necessidade de água potável e outra parte será tratada por flotação e com a devida desinfecção de modo a reutilizar na própria higienização dos equipamentos ou mesmo possibilitar o descarte sem que ocorra a mistura ao efluente de maior contaminação. Desta forma será possível evitar o consumo elevado de água potável, bem como reduzir os custos do tratamento de efluentes, porém será necessário um maior investimento inicial de modo a possibilitar a estruturação de todo o sistema de reaproveitamento.
Vale destacar aqui que existe a necessidade da realização de análises para caracterizar exatamente o efluente gerado e testes em escala reduzida antes do início das obras, desta forma será possível comprovar a eficiência do tratamento e ajustar o sistema em caso de necessidade.
No apêndice 8 apresenta uma estimativa para os gastos gerados com a compra dos equipamentos necessários para o sistema de tratamento.
9.5.1 Fluxograma do processo de tratamento
Figura 36: Fluxograma de equipamentos do sistema de tratamento de efluentes.
9.5.2 Destinação final dos resíduos sólidos
Para obter as licenças ambientais necessárias para a liberação da instalação e operação da empresa, todos os resíduos precisam ter um destino correto quanto ao ambiente que os receberá. Como os custos e a operacionalidade deste processo são um tanto limitadores para empresas de pequeno porte, existem empresas especializadas em receber esses resíduos segundo sua classificação e depositar em aterros sanitários certificados por órgãos ambientais. Sendo assim, a responsabilidade pelo passivo ambiental passa para essas empresas, que cobram por este serviço.
Alguns resíduos, por possuírem ainda algum valor comercial são recolhidos por outras empresas que o beneficiam com o objetivo agregar valor e obter uma matéria prima barata. Esse é o caso do Sulfato de Cálcio proveniente deste projeto industrial, que será recolhido por uma empresa fabricante de gesso. O Sulfato será recolhido mensalmente a um custo que cubra o frete e o manuseio do resíduo por empresas que tratam resíduos com esta característica como um subproduto do processo.
Os outros resíduos possuem um valor nutritivo, ou seja, podem ser agregados a rações.
Resíduos classificados como perigosos e não inertes segundo a NBR 10004, encontram mais dificuldade de ser aceitos por empresas que não possuem licença para tal, uma vez que não tem condições de armazená-los e nem dispô-los em aterros especiais. Entretanto existem empresas especializadas neste serviço, porém apenas no norte do estado de Santa Catarina – o mais próximo da unidade proposta. Em vista disso cabe ao administrador dos recursos de produção gerir de forma a produzir cada vez menos resíduos.
Abaixo está descrito o procedimento a ser adotado em relação a cada resíduo:
Sulfato de Cálcio: Será recebido pela empresa ARTEGESSU, localizada
na cidade de Blumenau e especializada na fabricação de gesso. O sulfato de cálcio é a principal matéria prima do gesso e para isto passará por um processo de limpeza na sede da empresa antes de ser comercializado.
Antes de ser enviada a empresa ARTEGESSU, o sulfato será disposto em um leito de secagem para perder umidade e diminuir o custo com o transporte.
Proteína coagulada: De grande valor nutritivo, este resíduo provém da
produção de queijo e é separado na entrada do processo de fabricação do ácido lático. Estuda-se inicialmente encontrar receptores para esta proteína nos arredores da unidade, que por ficar em uma região rica em pecuária pode ser facilmente diluída na alimentação animal com grande benefício para os produtos. Pode também ser absorvida pela indústria de balas e caramelos.
Gordura: Outro resíduo muito agressivo principalmente para cursos de
água, mas que também pode ser agregado à alimentação animal.
Graxas e óleos: Estopas e panos impregnados com óleos e graxas
oriundas da oficina e manutenções em geral também serão recolhidas pelas empresas especializadas em resíduos não inertes, uma vez que constituem num grande poluidor.