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3.2 Estados antigos do Sudão: Egito, Kush , Axum

3.2.1 Egito antigo

Conforme mencionado anteriormente, o Egito Antigo foi tema de debates acalorados na historiografia pan-africana. Situada no noroeste africano, essa antiga civilização é reconhecida e valorizada mundialmente. Apresentaremos aqui brevemente suas características, uma vez que será novamente tema de estudos na disciplina História Antiga.

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Para começar, o Egito Antigo representa o primeiro reino unificado conhecido da história e também a mais longa experiência humana documentada de continuidade política e cultural. Foram cerca de 3000 anos de dinastias faraônicas – não descartando, vale ressaltar, os períodos de descentralização e domínio estrangeiro.

A história do vale do Nilo começa ainda no período pré-histórico, quando grupos sedentários encontraram às margens do rio terreno fértil para a agricultura. Ali se estabeleceram formando comunidades (nomos) que só seriam unificadas entre 3300 e 3100 a.C. Como se deu tal unificação? Algumas teorias foram elaboradas por egiptólogos para explicar os fatores que teriam levado à unificação. Uma delas é a teoria que vê nos trabalhos hidráulicos (construção de diques, represas e canais) a principal causa. Assim, a unificação seria uma resposta à necessidade de uma administração centralizada dessas obras. Contudo, tal explicação, apesar de amplamente aceita durante tempos, acabou sendo questionada e diversos historiadores, como o maior especialista brasileiro em estudos sobre Antiguidade Oriental, Ciro Flamarion Cardoso:

A que atribuir, então, a unificação do Egito? Existem muitas te-orias a respeito, difíceis de avaliar em virtude da escassez de da-dos e fontes. Muitas das tentativas contemporâneas de explica-ção (L. Kraeder, B.Trigger, R. Carneiro) enfatizam fatores ligados à guerra, à conquista, ao militarismo. Seja como for, tudo indica que o processo de formação do Egito como reino centralizado dependeu de numerosos fatores – demográficos, ecológicos, políticos, etc. – entre os quais a irrigação, pelo menos indireta-mente, foi elemento de peso (CARDOSO, 1982, p. 25).

Apesar das divergências e das diversas teorias que se apresentam para tentar explicar o processo, é importante salientar que foi por meio da unificação que se marcou o início da época histórica dos faraós. A história do Egito, a partir da unificação, é comumente dividida em em sete grandes períodos, para facilitar os estudos. O quadro a seguir resume esta divisão baseado no texto do professor Arnoldo Walter Doberstein. Vale ressaltar que para simplificação, muitos dividem somente em Reino Antigo, Reino Médio e Reino Novo.

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ANOS (a.C) DENOMINAÇÃO PRINCIPAIS OCORRÊNCIAS 3100-2695 Dinástico Primitivo Unificação com o faraó Menés.

Utilização de barro e pedra nas construções e nos artefatos.

2695-2160 Reino Antigo Construção das pirâmides, cuja principal função era abrigar as múmias, as estátuas e os pertences dos mortos, mas também pesquisadores que res-saltem sua função militar e astronômica.

2160-1991 1° Período Intermediário Nesse período, o Estado se encontrava mais frag-mentado que poderia ser explicado pelo exces-so de autonomia dado aos sacerdotes, pelo des-preparo dos governantes e mesmo por crises na agricultura decorrente de períodos de seca mais prolongado.

1991-1785 Reino Médio No Reino Médio, o Egito voltou a ser um Estado unificado.

1785-1540 2° Período Intermediário Invasão dos hicsos – povos de diversas e contro-versas origens étnicas.

1540-1070 Reino Novo Expansão militar. Expulsão dos hicsos. Considera-do por muitos como o momento mais glorioso da civilização egípcia. É nesse período também que as mulheres governantes são mais lembradas:

Hatseptsut, Nefertite e Nefertari.

1070-712 3° Período Intermediário Dinastia dos faraós negros – período do domínio núbio.

Fonte : (DOBERSTEIN, 2010) Ao longo de todos esses séculos, o Egito teve cerca de 30 dinastias. A sociedade, de maneira geral, era hierarquicamente organizada, com um rei, considerado um deus, a família real, os sacerdotes e funcionários de alta hierarquia. Na parte intermediária tinha-se diversos escribas, outros funcionários e sacerdotes de menor hierarquia, além dos artesãos e artistas especializados. Por fim, na larga base da pirâmide social, formando a maior parte da população, estavam os trabalhadores braçais.

Em termos econômicos, a base da sociedade era a agricultura que dependia inteiramente das cheias do rio Nilo. As tumbas mostram um pequeno comércio local e o pagamento de serviços. No período faraônico, conforme ressalta Ciro Flamarion Cardoso, a quase totalidade da vida econômica passava pelo rei e seus funcionários (CARDOSO, 1982, p. 38).

O pensamento egípcio, por sua vez, aparece marcado por um esforço de preservar a estrutura vigente e ordem cósmica. O mito explicava o mundo descrevendo o fato como se deu pela primeira vez. Para eles, o tempo tinha uma conotação cíclica, ou seja, o tempo e o universo faziam com que uma dada ocorrência continuasse a ter vigência e atualidade.

O universo era visto como o domínio de forças que podiam se manifestar de maneiras diversas (CARDOSO, Ciro, 1982, p. 85). Vale ressaltar, contudo, que as informações do pensamento egípcio foram obtidas a partir dos escritos de uma minoria de letrados, uma vez que grande parte da população era analfabeta. Dessa forma, qualquer generalização

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para todos os âmbitos da sociedade pode incorrer em erros.

O pensamento egípcio, por sua vez, aparece marcado por um esforço de preservar a estrutura vigente e ordem cósmica. O mito explicava o mundo descrevendo o fato como se deu pela primeira vez. Para eles, o tempo tinha uma conotação cíclica, ou seja, o tempo e o universo faziam com que uma dada ocorrência continuasse a ter vigência e atualidade.

O universo era visto como o domínio de forças que podiam se manifestar de maneiras diversas (CARDOSO, Ciro, 1982, p. 85). Vale ressaltar, contudo, que as informações do pensamento egípcio foram obtidas a partir dos escritos de uma minoria de letrados, uma vez que grande parte da população era analfabeta. Dessa forma, qualquer generalização para todos os âmbitos da sociedade pode incorrer em erros.