SUMÁRIO
Eixo 1 Eixo 2 Alt Silt Alt 0,968 0,077
Silt 0,702 -0,064 0,686 - iv -0,422 0,815 -0,369 -0,219
Onde: Alt = altitude; Silt = silte e iv = índice de vermelho.
A variável ambiental altitude foi altamente correlacionada com o eixo 1, com valor de correlação próximo de 1, seguida pela variável silte que também foi bem correlacionada com o eixo 1, e a variável índice de vermelho foi altamente correlacionada com o eixo 2 (Tabela 21). As correlações entre as variáveis somente foi alta entre altitude e silte, sendo que as variáveis altitude e índice de vermelho não são correlacionadas, assim como silte e iv.
A ACC está representada pelos diagramas de ordenação das espécies e parcelas separadas em relação às variáveis ambientais (Figuras 26 e 27).
As variáveis ambientais são representadas nos diagramas por setas, notando-se que a variável silte possui uma seta menor por ser menos correlacionada com o eixo 1 e está próxima da seta da altitude por ser correlacionada com esta, como mostram as figuras 26 e 27.
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A figura 26 mostra o diagrama de ordenação da ACC com o padrão de distribuição das parcelas, identificadas pelo número da parcela e abreviatura dos tipos de solo, representados por diferentes símbolos, em função das variáveis ambientais altitude (alt), silte (silt) e índice de vermelho (iv). -1.0 1.5 -0 .8 1 .0 alt silt iv 1.RL 2.RL 3.RL-RR 4.CX 5.RL 6.RL 7.RL 8.RL 9.PV
Figura 26 – Diagrama de ordenação das parcelas nos eixos 1 e 2 produzido pela Análise de Correspondência Canônica da Capoeira
O diagrama da figura 26 mostra a distribuição das parcelas separadas em três grupos com parcelas mais próximas entre si. Um grupo de três parcelas aparece na parte superior do diagrama associado positivamente ao índice de vermelho, sendo que duas parcelas desse grupo também estão associadas às menores altitudes. No lado direito do diagrama aparece outro grupo com três parcelas de Neossolo Litólico associadas às maiores altitudes e quantidades de silte. E ainda um terceiro grupo aparece na parte inferior do diagrama, constituído por três parcelas com diferentes tipos de solo, Cambissolo Háplico, Neossolo Litólico e Neossolo Regolítico, associados às menores altitudes e menores índices de vermelho. Nota-se que os tipos de solo mais profundos aparecem no lado esquerdo do
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diagrama associados às altitudes menores, devido às áreas mais baixas representarem ambientes deposicionais que permitem a formação de solos com maior profundidade (MENEZES, 2008).
A figura 27 mostra o padrão de distribuição das espécies em função das variáveis ambientais altitude (alt), silte (silt) e índice de vermelho (iv) no diagrama de ordenação da ACC. As espécies abreviadas no diagrama da figura 27 estão listadas com o nome completo no apêndice A. -1.0 1.5 -1 .0 1.0 Albiniop Casesylv Chomobtu Chrymarg Dalbfrut Dasyspin Erytdeci Eugeunif Gochpoly Heliapic Ilexbrev Luehdiva Machpara Mataelae Myrscori Myrsumbe Ocotpulc Quilbras Schimoll Strybras Sympunif Vitemega Zantrhoi alt silt iv
Figura 27 – Diagrama de ordenação das espécies nos eixos 1 e 2 produzido pela Análise de Correspondência Canônica da Capoeira
O diagrama de ordenação das espécies da figura 27 mostra um grupo de espécies com maior abundância de indivíduos arbóreos nas maiores altitudes e em locais com mais silte no lado direito do diagrama. Dentre elas, destacam-se as espécies Dalbergia frutescens, Vitex
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mais associadas positivamente com solos com maior índice de vermelho, como Quillaja
brasiliensis, Zanthoxylum rhoifolium, Matayba elaeagnoides e Ilex brevicuspis, que também
está associada a menores altitudes. Nos locais de menores altitudes também aparecem
Machaerium paraguariense, Ocotea pulchella, Dasyphyllum spnescens e Erythroxylum deciduum como espécies associadas. E as espécies Strychnos brasiliensis, Eugenia uniflora, Myrsine coriacea e Schinus molle aparecem distribuídas em locais com menores valores de
índice de vermelho.
5.3.4.3 Análise comparativa entre Floresta Secundária e Capoeira
Através das correlações entre as espécies e variáveis ambientais para cada fragmento, observou-se que a variável índice de vermelho influencia a ordenação das espécies na floresta secundária e na capoeira. Essa variável pode estar associada à drenagem e a quantidade de matéria orgânica no solo, que, por conseguinte, influenciam as condições do solo quanto a sua fertilidade.
Nos locais com maiores índices de vermelho ocorre maior abundância das espécies
Vitex megapotamica e Eugenia involucrata, associadas também aos solos mais profundos, na
floresta secundária, e maior abundância das espécies Quillaja brasiliensis, Zanthoxylum rhoifolium e Ilex brevicuspis, na capoeira. Sugere-se, assim, que essas espécies
têm preferências por solos mais vermelhos, sendo esses provavelmente mais bem drenados, com menor quantidade de matéria orgânica e nutrientes, e com maior acidez, como confirmado pelas análises anteriores. Dentre as espécies citadas, Floss (2011) indica a espécie
Ilex brevicuspis como indicadora de solos ácidos e a espécie Zanthoxylum rhoifolium como
generalista, sem possuir preferências por condição de substrato, em um trabalho realizado em nascentes de diferentes formações florestais no oeste de Santa Catarina.
Em locais com os menores índices de vermelho aparecem como mais abundantes as espécies Blepharocalyx salicifolius e Chomelia obtusa, associadas também com solos rasos, na floresta secundária, e as espécies Strychnos brasiliensis, Eugenia uniflora,
Myrsine coriacea e Schinus molle, na capoeira. Essas espécies têm preferências por locais
menos vermelhos, o que indica locais mais ricos em matéria orgânica e nutrientes, bem como menos ácidos. A espécie Strychnos brasiliensis também foi encontrada por Machado et al.
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(2008) em maior abundância em solos de status nutricional mais elevado e com maior disponibilidade de água em um fragmento florestal em Minas Gerais.
5.4 CONCLUSÃO
Os solos dos fragmentos florestais em diferentes idades de regeneração apresentaram gradientes pedológicos que refletiram no padrão de distribuição das espécies arbóreas, e que, por conseguinte, exibiram características fisionômicas diferentes entre e dentro dos fragmentos.
Os métodos de análise de gradientes facilitaram e mostraram coerência nos aspectos da distribuição das parcelas e espécies associadas às variáveis pedológicas, em que a relação melhor explicada entre a vegetação e o substrato foi indicada por variações físicas do solo, de profundidade e textura, e as condições do local quanto a acidez e a cor ao longo do gradiente topográfico.
Contudo, houve significativa variância da distribuição de espécies não explicada na análise de gradiente, que pode ser explicada por outras variáveis ambientais não avaliadas ou combinações mais complexas entre elas, que nem sempre são perceptíveis e/ou mensuráveis.
Destarte, padrões de distribuição das espécies só podem se tornar verdadeiras após repetições do mesmo padrão em diversas áreas.
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