Santos e Bruns (2000) ressaltam que faltam possibilidades das crianças e adolescentes expressarem suas dúvidas, inquietações e anseios sobre sexualidade diante, muitas vezes, da omissão da família e, quando procuram esclarecimentos na escola, também encontram silêncio e repressão. Dessa
138 forma é necessário que essa discussão seja presente nos bancos escolares, partindo-se do princípio que essa seja apresentada aos adolescentes a partir da perspectiva dos direitos.
No âmbito da sexualidade, percebe-se que os instrumentos internacionais de direitos humanos têm evoluído para o reconhecimento da situação de vulnerabilidade das mulheres, tendo como ponto de partida a ideia de direitos reprodutivos (Cabal; Roa; Lemaitre, 2001). Com efeito, após as proclamações genéricas e abstratas relativas ao direito à vida, à saúde, à igualdade e não-discriminação, à integridade corporal e à proteção contra violência, ao trabalho e à educação (inscritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e na Convenção Americana de Direitos Humanos), sucederam-se documentos internacionais e conferências preocupadas especificamente com a legitimação desses direitos. Como questionamento basilar da nossa pesquisa, tentamos observar a partir das narrativas dos professores se os mesmo entendiam que a educação sexual nas escolas poderia contribuir para o fortalecimento dos direitos humanos e obtivemos as seguintes respostas:
O entrevistado P 2 acredita que:
"Essa discussão contribui para o fortalecimento dos
direitos humanos, sim. Porque a partir dessa discussão eles passam a entender seus direitos e deveres também, já que muitos não têm esse conhecimento, por exemplo, se eu trabalho a questão de ir ao posto de saúde pegar anticoncepcional ou camisinha, eu estou de alguma forma trabalhando a questão do direito à saúde, porque, na maioria das vezes, os alunos não sabem que é dever do Estado prover saúde aos cidadãos, pois a Constituição Federal garante".
O entrevistado P 3 defende:
" Acredito que sim, porque quando a gente tem conhecimento das coisas as nossas ações passam a ser diferentes, quando trabalho a questão do planejamento familiar, vários outros temas vem à tona, como a questão da condição econômica, da maturidade, as mudanças de vida, acho que essa é uma discussão dos direitos
139 humanos porque compromete toda a vida dos indivíduos. Se o estudante tem conhecimento sobre isso ele vive a sexualidade de forma diferente, com compromisso e responsabilidade".
Na fala desses entrevistados percebemos que os mesmos ressaltam a discussão dos direitos humanos relacionadas ao exercício dos direitos e deveres a que todos os cidadãos devem ser submetidos. Observa-se que na resposta do professor há uma relação explícita da relação dos direitos humanos com a questão da legalidade, o que nos remete a perceber que os mesmos devam trabalhar essas questões a partir da premissa dessa premissa.
Observamos pelas narrativas que discussão dos direitos humanos não é trabalhada como carro chefe em relação ao trato da educação sexual. Até porque os professores referem que nas capacitações a questão da educação sexual não é trabalhada pelos capacitadores a partir dessa premissa, mesmo alguns professores evidenciando de forma positiva essa relação.
As questões levantadas pelos professores no que diz respeito ao acesso à saúde devem ser elencadas formalmente como um direito humano voltado à preservação da vida e dignidade humana. Percebemos na fala dos entrevistados que quando há a relação das questões que compreendem os direitos sexuais e reprodutivos, como conteúdo trabalhado em sala de aula, existe relação do acesso à saúde como uma questão de direitos.
A ideia de direito à saúde aparece na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) em seu art. 25 quando afirma que “toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar, a si e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos...” O direito à saúde deveria ser garantido pelos Estados aos seus cidadãos, por meio de políticas e ações públicas que permitam o acesso de todos aos meios adequados para o seu bem-estar. Sua realização seria por meio de prestações positivas, incluindo a disponibilização de serviços e insumos de assistência à saúde, tendo, portanto, a natureza de um direito social, que comporta uma dimensão individual e outra coletiva em sua realização.
No que concerne a essa discussão sobre educação sexual é notório o avanço que essa discussão trouxe aos diferentes segmentos sociais, como os
140 adolescentes, contudo, ainda há uma grande lacuna referente as ações de promoção e prevenção no que se refere aos direitos sexuais e reprodutivos. Dessa forma percebe-se que é mister se investir nas questões da educação sexual, entendida como um direito de todo cidadão, desmistificando preconceitos e tabus existentes na educação das pessoas. Reforçando a narrativa dos professores trazemos para discussão aquilo que prega a Convenção da Criança ( 1997) que defende que o Estado deve proporcionar uma educação voltada para o desenvolvimento completo das potencialidades das crianças e adolescentes, de ambos os sexos, bem como para o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais (art. 29, 1, a e b, do referido documento).
Retomando a discussão dos direitos sexuais e reprodutivos, diversas recomendações do Comitê das Nações Unidas assinalam que cabe aos Estados-Partes a adoção de campanhas educativas relativas à saúde sexual e reprodutiva e que a educação sobre saúde sexual e reprodutiva devem constar de currículos nacionais escolares, e atingir indistintamente tanto meninas quanto meninos.
O Comitê dos Direitos da Criança ressalta, nesse sentido, a necessidade de se adotar políticas voltadas para a promoção de direitos humanos não apenas na educação formal, mas na sociedade como um todo, inclusive pelo uso da grande mídia. Os Comitês também assinalam que o acesso igual à educação é fundamental para reduzir a evasão escolar das meninas e adolescentes, processo freqüentemente associado à gravidez precoce.
No que se refere a medidas específicas, o Estado deve assegurar que a gravidez na adolescência não sirva de barreira à continuidade da educação, seja pela promoção da permanência na escola durante e após a gravidez, seja pela promoção de políticas de educação continuada que atendam a mães adolescentes.
Dessa forma, é importante destacar a conceituação de sexualidade como forma de compreensão dos direitos contidos nela. A sexualidade faz parte da identidade humana, se desenvolve no decorrer de toda a vida e é entendida como um fator intrínseco do ser humano que o motiva às diferentes formas de busca e vivência do prazer. É uma construção social e histórica, por isso ganha contornos diferenciados em diferentes espaços e tempos. Como
141 elemento fundamental da condição humana, seu exercício deve ser assegurado na dimensão dos Direitos Humanos, constituindo-se de uma gama de direitos sexuais e reprodutivos capazes de assegurá-la (AZEVEDO, 2002)
Tomando a escola por um espaço heterogêneo, ocupado por indivíduos com diversificadas crenças, etnias, gêneros e orientações sexuais, entende-se que, o respeito à tamanha complexidade, só se efetivará quando os discursos educacionais e de direitos sexuais humanos forem práxis social. Isso se constitui num dos maiores desafios da escola na atualidade, uma vez que, esta instituição apresenta dificuldade em efetivar uma educação para a igualdade de direitos.
Para Veltroni (2010), o direito à educação é fundamental e objetiva o pleno desenvolvimento da personalidade do ser humano, principalmente para a efetivação do respeito aos direitos humanos e das garantias àqueles direitos e liberdades individuais, promovendo a compreensão, a tolerância e a convivência harmoniosa entre os indivíduos.
A luta pelos direitos humanos obteve avanços significativos na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, com a DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Nela, o primeiro artigo afirma que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. No Brasil, marcos políticos como a Constituição Federal (BRASIL, 1988), Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB9394/96 – (BRASIL, 1996), Estatuto da Criança e adolescente (BRASIL, 1990), Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (BRASIL, 2006), Parâmetros Curriculares Nacionais (2000); Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil I (2001) dentre outros, afirmam que a educação é um direito de todos.
O Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos – (PNEDH, 2006) defende que a Educação em Direitos Humanos (EDH) é compreendida como um processo sistemático e multidimensional que orienta a formação do sujeito de direitos. Neste documento, a educação é compreendida como um direito fundamental, pois ela possibilita aos sujeitos o acesso a outros direitos.
É inegável que a assinatura de protocolos de intenções, declarações e acordos firmados internacionalmente, referentes à ampliação e a garantia do
142 direito à educação, representa um importante avanço na perspectiva de reafirmar o anúncio dos direitos da pessoa humana à educação. Todavia, não podemos esquecer que, no Brasil, a educação tem a marca histórica da exclusão, consubstanciada pela enorme desigualdade social que grassa no país, desde a época de sua colonização até os dias atuais.
Contemporaneamente, em função do chamado novo ordenamento econômico e social do capital internacional, o quadro de desigualdades sociais tem-se aprofundado, produzindo uma complexa rede de relações sociais e políticas, expressão do processo de dominação e exploração econômica vivenciados pelos brasileiros. Uma faceta do processo de acumulação do capital foi o enfraquecimento do poder do Estado enquanto regulador social. Assiste-se, cada vez mais, a um crescente processo de desresponsabilização do Estado para com o provimento das condições estruturais de garantia dos direitos sociais do homem, mediante processos de desregulamentação e de flexibilização o que não foge ao contexto da política educacional.
A política de educação deveria está direcionada ao pleno desenvolvimento humano e às suas potencialidades, valorizando o respeito aos grupos socialmente marginalizados. A escola deveria exigir uma educação que privilegie os processos educativos que tenham como objetivo formar cidadãos críticos e atuantes na sociedade, uma vez que, é um espaço de socialização da cultura, da construção da cidadania e da emancipação dos sujeitos.
É perceptível o avanço da defesa dos direitos humanos na Carta Constitucional de 1988, marco fundamental a partir do qual a sexualidade e a reprodução se instituem como campo legítimo de exercício de direitos no Brasil. Atualmente, é em torno dela que, da perspectiva da sociedade civil, são organizadas as demandas por reconhecimento de direitos e, da perspectiva do Estado, são geradas políticas públicas, instrumentos legais e decisões judiciais para responder a tais demandas.
É bem verdade que, no Brasil, conquanto tenhamos avançado na definição e regulamentação do direito à educação, sua efetividade em termos de garantia de acesso, permanência e qualidade de ensino ainda está por acontecer. É, pois, tarefa de todos os que trabalham em prol da promoção e
143 defesa dos direitos humanos, lutar pela efetividade do direito à educação ao tempo em que também nos compete denunciar sua violação
Ainda fazendo uma análise das narrativas dos entrevistados sobre a relação da educação sexual com a temática dos direitos humanos, percebe- que alguns deles conseguem perceber a relação a partir dos temas trabalhados, como exemplificamos nas suas falas:
O entrevistado P 4 explicita:
" O Travessia a partir do trabalho realizado no Projeto " Sexualidade prazer em conhecer " trabalha sim a questão dos direitos humanos, principalmente porque possibilita a informação, que acredito ser relevante a questão dos direitos humanos. Apesar de eu achar essa questão dos direitos humanos muito sutil, algo que a gente não tem nitidez da importância, nem nossos alunos. Essa questão é muito incipiente a nossa própria formação como educadores, porque nem sabemos nossos direitos".
O entrevistado P 7 indica:
"Acredito que a proposta do Travessia está muito mais voltada para a prevenção de doenças, uso dos métodos contraceptivos, violência, abuso, é claro que reflete nas questões dos direitos humanos, mas esse enfoque acaba sendo minimizado, num contexto geral deveria ter mais ênfase, até na própria formação dos professores.
Diante das falas dos entrevistados é notório que embora a garantia e o reconhecimento dos direitos humanos tenham ocorrido ao longo de um processo sócio-histórico e cultural, construído por meio de lutas e reivindicações, ainda hoje, em muitos lugares, esses direitos não são respeitados, ferindo, assim, a dignidade da pessoa. O entrevistado P4, faz referência a falta de uma discussão sobre os direitos humanos dentro da própria formação do professor analisando que tanto para alunos quanto para professores essa discussão acaba por não ter a real relevância na formação desses sujeitos.
No contexto da educação percebemos que diante das falas, que os sentidos e significados da educação em direitos humanos ainda não estão colocados como direitos emancipatórios para a maior parte dos sujeitos e grupos que com ela se relaciona, ou deveria relacionar. A educação sexual precisa estar relacionada com a proposta da educação em direitos humanos já
144 que este possibilita uma concretização de direitos sociais, civis e políticos, os quais permitem ao sujeito sua inserção na sociedade.
Analisando a narrativa dos professores sobre a discussão dos direitos humanos trazemos a reflexão de que em relação à formação de professores para/em direitos humanos, podemos constatar que ainda é recente e, num certo sentido, tímida a introdução desta temática ao conteúdo formativo dos docentes em geral.
É sabido que a lógica mercantilista há tempo trouxe suas concepções para o modelo de educação vigente em nosso país o que torna essa um produto que deixa de ser parte do campo social e político para ingressar no mercado e funcionar a sua semelhança. Dessa forma vem incentivando que a escola seja o espaço que vise apenas a formação de mão de trabalho qualificada, apta para a competição no mercado nacional e internacional, como também tornar a escola um meio de transmissão dos princípios doutrinários do neoliberalismo. O que está prática é a adequação da escola à ideologia dominante e nesse sentido preceitos que definem os direitos humanos não são de interessante a serem propagados na Política de Educação.
A garantia do direito à escola e a informação não devem ser as únicas premissas da discussão dos direitos humanos, já que na atual conjuntura é necessário reavaliar os fins da educação, seus objetivos e o papel social da instituição escola, para que essa possa responder às exigências que surgem na sociedade, entre essas a questão referente a educação sexual.
No que concerne a formação do educador, como é trazido pelo professor é notório que a temática dos direitos humanos não tem sido uma prioridade nas instituições escolares, mesmo ressaltando a importância do avanço que as legislações referentes à educação tiveram, como a LDB e a própria Política de Educação em Direitos Humanos.
É possível afirmar que diante das falas trazidas pelos entrevistados que a Política Educacional não tem conseguido propiciar aos profissionais na área de educação, em particular aos professores, no decorrer de sua formação, a base necessária para que estes lidem com as grandes diversidades de temas, assuntos e conceitos que irão encontrar em sala de aula. Os antigos conceitos empregados na academia para embasar essa formação, não se mostram condizentes e suficientes para responder às questões que afetam e preocupam
145 a sociedade de uma modo geral, principalmente nas últimas décadas já que estamos vivenciando a precariedade e sucateamentos dos sistemas de ensino, decorrentes de direcionamentos políticos- econômicos que coadunam com a lógica neoliberal das políticas públicas.
O entrevistado P7 avalia a proposta do Travessia direcionada para a questão dos direitos sexuais e reprodutivos, o que nos remete à inclusão dessas temáticas nas escolas de nível fundamental e médio, a partir da construção dos textos dos Parâmetros Curriculares Nacionais, uma intensificação dessas abordagens que datam da década de 1970, provavelmente em função das mudanças comportamentais dos jovens dos anos 60, do advento dos movimentos feministas e de grupos que defendiam o controle de natalidade e seus antagonistas (aqueles que passaram a militar em torno do planejamento familiar), traria uma proposta de reavaliação e reformulação do papel da Escola e dos conteúdos que por ela deveriam ser trabalhados.
Há na fala desse professor uma parca referência na implicação dos temas de direitos sexuais e reprodutivos com a questão dos direitos humanos. Ainda há uma reprodução nas escolas da discussão sobre sexualidade, ou melhor dizer, educação sexual baseada apenas no trato do aspecto biológico da sexualidade no que se restringe à reprodução humana (reforçando mais uma vez apenas o binarismo de gênero assistido pelos papéis restritivos do homem e da mulher na fecundação e reprodução humana, a heteronormatividade de famílias tradicionais e o sexismo, já que o papel da mulher estaria posto apenas no lugar da genitora) e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (a sexualidade estaria imbuída de uma aura de perigo e deveria ter o seu exercício controlado).
A discussão trazida pelas escolas, de uma forma geral, ainda traz uma visão reproduzida desde dos anos 30, do século passado, que remonta a uma educação sexual atrelada ao controle dos corpos. É necessário que essa discussão fuja desse único eixo, um caminho unilateral de ensinar e aprender conteúdos específicos de uma formação, sem perceber à necessidade de uma perspectiva de formação integral de professores e professoras que dialoguem os conteúdos de ordem pedagógica com aspectos sociais dos indivíduos.
146 A parca discussão dos direitos humanos nos currículo acadêmicos nos leva a perceber que as possibilidades de uma educação para o exercício da sexualidade de forma plena necessita ser amparado por uma abordagem de base teórica do ensino, que articule a sexualidade como parte do processo de construção do indivíduo e de sua identidade, não como algo estanque ou distante do processo educacional formal da Escola, mas como parte de seu processo de atuação.
Com efeito, desenvolver a ideia de direitos sexuais na perspectiva dos direitos humanos aponta para a possibilidade do livre exercício responsável da sexualidade, criando as bases para uma regulação jurídica que supere as tradicionais abordagens repressivas que caracterizam as intervenções jurídicas nesses domínios. Implica, por assim dizer, uma compreensão positiva dos direitos sexuais, na qual o conjunto de normas jurídicas e sua aplicação possam ir além de regulações restritivas, forjando condições para um direito da sexualidade (LOURO, 2005).
É importante salientar, que essa discussão dentro das salas de aula possibilita ao adolescente entender o exercício dos direitos de liberdade e de igualdade, pelos diversos sujeitos nas mais diversificadas situações, manifestações e expressões da sexualidade, em igual dignidade, requer a consideração da dimensão da responsabilidade. Afirmada em convenções internacionais sobre direitos reprodutivos e sexuais, a responsabilidade traduz o dever fundamental de cuidado, respeito e consideração aos direitos de terceiros (sejam estes indivíduos ou a comunidade) quando do exercício livre e em igualdade de condições da sexualidade. Não se trata, simplesmente da imposição do dever de reparar danos ou de preveni-los em face de bens jurídicos individuais e coletivos. Cuida-se, isso sim, da tentativa de conformar as relações sociais vivenciadas na esfera da sexualidade do modo mais livre, igualitário e respeitoso possível (RIOS, 2006).
A criança e o adolescente são concebidos como sujeitos de direito, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990). E, como todos os sujeitos de direitos, são reconhecidos como tal na medida em que lhes são assegurados e garantidos direitos fundamentais, como o direito à vida e à saúde; o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade;o direito à convivência
147 familiar e comunitária; o direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer; o direito à profissionalização e à proteção ao trabalho.
A escola tem um papel fundamental na construção de uma nova cultura, contribuindo na formação do sujeito de direito, por meio de práticas para o reconhecimento e vivência desses direitos. É por isso que essas devem tornar- se um lugar plural e dialógico, um lugar em que os estudantes não sejam levados apenas a ler textos, mas a entender contextos. Infelizmente as atividades escolares ainda giram em torno da necessidade de reproduzir aquilo que é ditado pelos grupos dominantes.
A realidade das escolas no que se refere a abordagem dessa temática revela a falta de políticas públicas que realmente sejam pensadas a partir da vivência das diferentes "adolescências" pelos quais os nossos jovens passam, levando em consideração não apenas o âmbito privada, que diz respeito a vivência familiar, mas também a questão das políticas públicas de saúde e educação, as quais não conseguem ter o alcance eficaz para essa parcela da população.
O acesso a saúde, como direito, muitas vezes pouco dialoga com a