SEÇÃO 4: SURDEZ E CRIANÇA SURDA
5.1. As produções identificadas na CAPES
5.1.1 EIXO 1-Metodologia tradicional, Linguagem e Libras
Neste Eixo os autores selecionados se assemelham, as metodologias utilizadas em sala de aula são usadas de forma igualitária a todos alunos em sala de aula, os professores sentem dificuldades em trabalhar com a criança surda, assim também, como o uso da Libras como essencial para o aprendizado da criança.
Silva6 (2008) em sua tese, traz os estudos de Luria acerca da apropriação da escrita por crianças ouvintes como subsídio para sua investigação, com isso investiga o processo vivido por crianças surdas, usuárias da Língua Brasileira de Sinais (Libras), na conquista da escrita.
Em sua pesquisa buscou verificar se o trajeto para a aquisição da escrita, percorrido pela criança ouvinte usuária de língua oral, conforme preconiza Luria, coincide com o caminho trilhado pela criança surda, usuária de Libras.
A análise do material coletado permitiu a apreensão do estabelecimento, por parte de crianças surdas, de estratégias competentes de significação da escrita, marcadas por características fundamentais que explicitam as peculiaridades desse processo. Assim, em resposta a esse modo particular de significar a escrita, as crianças surdas definem procedimentos iniciais para a representação gráfica que se vinculam à forma pela qual recebem a linguagem, ou seja, à percepção visual da linguagem. Na pesquisa foram identificadas quatro características fundamentais presentes na escrita inicial de crianças surdas usuárias de língua de sinais: a rabiscação ou emprego de formas gráficas indefinidas; a escrita pictográfica ligada à representação do real; a representação de sinais próprios da Libras e, finalmente, a diferenciação entre a representação gráfica dos sons da fala e dos sinais que compõem a sua língua de sinais. E é justamente onde observo como esse processo ocorre e os resultados apresentados pela criança surda em seu aprendizado.
A maneira como os professores trabalham a escrita da criança surda que me chama atenção, de que forma esse professor promove os métodos ou técnicas em sala de aula para com que essa criança surda consigo compreender o signo e o significado, das palavras apreendidas ou aprendidas.
A dissertação de Franzoi7 (2016) objetiva analisar as interações da criança surda em escola comum, a fim de entender o papel das interações no contexto escolar, bem como sua importância para a constituição da linguagem e da aprendizagem. Essa pesquisa, caracterizada como estudo de caso, de cunho exploratório, tem como sujeito uma criança surda, com 10 anos de idade, filha de pais ouvintes, frequentadora do 3º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do Rio Grande do Sul. A definição por uma escola de ensino comum como lócus de investigação justifica-se pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, instituída em 2008, que pretende assegurar a inclusão de alunos com algum tipo de deficiência na rede regular de ensino. Para amparar teoricamente este estudo, é
6 SILVA, Tânia dos Santos Alvarez. A aquisição da escrita pela criança surda desde a educação infantil. Tese (Doutorado em Educação). Universidade Federal do Paraná. Curitiba. 213 p. 2008
7 FRANZOI, Elenara Borges Silveira. Interações da criança surda em escola comum. 2016, 99fl. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul,2016.
utilizado como norteador o paradigma histórico-cultural de Vigotsky. Os resultados evidenciam a necessidade de mudanças acerca da visibilidade da criança surda na escola comum. O entendimento da surdez como diferença linguística é imprescindível, pois é por meio desse entendimento que a comunicação e os processos de ensino e aprendizagem serão conduzidos. É possível constatar que a precariedade na comunicação entre a menina e seus interlocutores compromete a qualidade das interações entre eles, assim como interfere de forma prejudicial os processos de aprendizagem da estudante. Os resultados apontam ainda para a necessidade de transformação dos moldes da escola atual, bem como direcionam reflexões importantes quanto à importância da interação, do diálogo e do espaço para as diferenças.
Em sua tese, Araújo8 (2017) apresenta a criança surda dentro do contexto escolar como um ambiente de interação e diálogo, tem como objeto de estudo as interações da criança surda no ambiente escolar, a partir de um olhar micro sociológico sobre a sua chegada ao Ciclo I do Ensino Fundamental. O estudo teve por objetivo investigar a presença concreta da criança surda no ambiente escolar, analisando a interação, as escolhas e expectativas dos dois lados: da criança surda com o espaço escolar e do espaço escolar com a criança surda. A pesquisa de campo teve inspiração etnográfica proporcionando uma abordagem sobre o tema em perspectiva micro sociológica. As cenas registradas foram analisadas com o referencial teórico de Erving Goffman, com o qual foram identificados inventários de gestos e de estratégias de comunicação entre os protagonistas da pesquisa. A categoria deficiência não foi trabalhada com referenciais biológicos, fisiológicos e anatômicos, mas sim como categoria construída na trama dos próprios atores analisados, com o que se registrou a experiência de ser surdo diante do outro e de ser ouvinte diante do surdo.
A interprete está presente neste documento como pessoa fundamental para a professora por não conhecer ou dominar a Libras, e o percurso de comunicação se torna mais intensa, pois o gesto era geralmente usado na comunicação com a criança surda.
Dias9 (2006) em sua dissertação também apresenta essa interação e diálogo da criança com a escola, sua pesquisa trata do processo de inclusão de uma criança surda no ensino regular em uma escola particular do Rio de Janeiro. Para tanto, buscou-se: a) identificar a
8 ARAÚJO, Nina Rosa Silva de. Interações da Criança Surda no Ambiente Escolar: Um olhar microssociológico sobre a sua chegada ao Ciclo I do Ensino Fundamental. 2017, 178fl. Tese (Doutorado em Educação). Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Universidade Federal de São Paulo – UFSP.
São Paulo: 2017
9 DIAS, Vera Lúcia Lopes. Rompendo a barreira do silêncio: interações de uma aluna surda incluída em uma classe do ensino fundamental. 2006, 164fl. Dissertação (Mestrado em Educação). Faculdade de Educação – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
forma de como a comunicação era estabelecida entre a aluna surda, suas professoras, seus colegas ouvintes, e a comunidade escolar como um todo; b) verificar as maiores dificuldades encontradas pelas professoras para trabalhar com alunos surdos no contexto de sala de aula regular; c) obter informações da mãe da aluna surda sobre o grau de satisfação, credibilidade, desenvolvimento e aprendizagem atribuído à sua filha, estando ela num espaço educativo voltado para os alunos ouvintes. Seu objetivo foi de investigar o processo educacional de uma aluna surda incluída em uma classe regular, bem como a relação que se estabeleceu entre ela e suas duas professoras ouvintes, que não possuíam experiência anterior para lidar com alunos surdos.
Na dissertação de Araújo10 (2008) o mundo lúdico se transforma no dia a dia da criança surda através dos desenhos, que proporcionam um universo de imaginações repassadas para o papel, em sua pesquisa Araújo aborda o desenho, como uma das formas de representar, nomear e significar a realidade, visando ao desenvolvimento de linguagem da criança surda, como também a produção de novos conhecimentos e consequente atuação no cotidiano do trabalho fonoaudiológico.
Para tanto, em sua pesquisa foram destacados conceitos da teoria Histórico-Cultural que abordaram o funcionamento psíquico humano e sua constituição social, bem como o papel central da história e da cultura no desenvolvimento das funções psicológicas superiores, por meio da linguagem e da inserção da criança no circuito do simbólico. Os sujeitos da pesquisa foram duas crianças surdas bilíngues, em fase de aquisição tanto da língua de sinais, quanto da escrita da língua portuguesa, cursando a 2ª série do Ensino Fundamental. Ambas eram do sexo masculino, na faixa etária de 9 e 10 anos, e diagnóstico audiológico de surdez profunda bilateral.
Os resultados demonstraram os processos pelos quais as crianças, quando imersas no simbólico, principalmente na atividade do desenho, como recurso sígnico visual bastante utilizado, lançaram mão para demarcar seus modos de operar sobre, com e na linguagem.
Mais especificamente, o desenho, como representação da realidade, assegurou a objetividade e a significação que a língua de sinais, ainda por ser incipiente, não conseguia transmitir.
Ademais, o trabalho com o desenho, perpassado pelos processos interacionais e semióticos, possibilitou às crianças acessos iniciais à leitura e escrita da língua portuguesa, tão necessárias às práticas sociais cotidianas. Em suma, o desenho revelou-se como um instrumento
10 ARAÚJO, Claudia Campos Machado. Linguagem e desenho infantil: aspectos do desenvolvimento simbólico da criança surda e implicações terapêuticas. 2008, 115fl. Tese (Doutorado), Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Estadual de Campinas. Campinas/SP, 2008
facilitador e propulsor do desenvolvimento social, portanto, simbólico, significativo, interativo e cognoscitivo para a criança surda, constituindo-a como sujeito da/na/pela linguagem.
Lima11 (2014) apresenta uma discussão em sua dissertação sobre a escrita inicial de crianças surdas na fase da alfabetização, diante da complexidade que acerca a Língua Portuguesa para surdos, ele traz como objetivo analisar o processo de apropriação da escrita percorrido pela criança surda, inserida na escola regular, em fase inicial de escolarização.
Nesse contexto, foi necessário apurar o olhar para as ações praticadas em sala de aula/escola que permitem ao aluno surdo se apropriar da língua escrita, bem como as condições em que suas necessidades linguísticas são atendidas no contexto social e escolar. Esses alunos se encontram em classes/escolas especiais que atuam em uma perspectiva oralista, a qual pretende, em última análise, que os alunos surdos se comportem como ouvintes, decodificando nos lábios aquilo que não podem escutar, falando, lendo e escrevendo a Língua Portuguesa, ou se encontram, ainda, em escolas regulares, inseridos em classes de ouvintes nas quais, novamente, espera-se que se comportem como ouvintes, sem que qualquer condição especial seja propiciada para que tal aprendizagem aconteça. O autor constatou as dificuldades vivenciadas em sala de aula por crianças surdas, sobretudo pela falta de suporte teórico-metodológico que priorize a escolarização destes alunos em processo de alfabetização incluídos na escola regular. Mesmo diante da tentativa dos professores em ensiná-los, ainda existem barreiras que dificultam o apropriar-se da língua escrita, uma vez que todas as crianças, sem exceção das surdas, necessitam de conhecimento de mundo para que possam (re)contextualizar o escrito e, daí, derivar o sentido.
Lima12 (2014) traça como objetivo de sua pesquisa investigar as ações que acontecem em sala de aula que propicie a criança surda o apropriar-se da língua escrita, e levanta uma preocupação que ocorre na vida desta criança, na qual se encontra em sala de aula especiais que atuam numa perspectiva oralista em que se espera desses alunos um comportamento de ouvinte, levando-os a decodificar nos lábios o que não se pode escutar, falando, lendo e escrevendo a Língua Portuguesa, ou em escolas regulares e inseridos em salas de ouvintes em que se busca os mesmos comportamentos de pessoas ouvintes, sem que alguma outra proposta de aprendizagem possa lhes ser oportunizado.
11 LIMA, Ezer Wellington Gomes. Um estudo sobre a escrita inicial de crianças surdas em fase de alfabetização. 2014, 148fl. Dissertação (Mestre em Educação). Universidade Federal de Mato Grosso.
Rondonópolis, 2014.
12 LIMA, IBID,2014 – documento analisado