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4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS (MATERIAIS E MÉTODOS)

4.2 ELABORAÇÃO DO BANCO DE DADOS GEOGRÁFICOS (DATABASE)

A elaboração do Banco de Dados Geográficos (database) dos processos ora avaliados para Pernambuco passou pelas fases detalhadas a seguir. Inicialmente, realizou-se o levantamento e a captura de dados relacionados a processos erosivos pluviais e escorregamentos disponíveis para o território continental de Pernambuco na série temporal 1988-2019 para os escorregamentos. Para os processos de erosão não foi possível definir uma série temporal, visto que muitos registros de ocorrências do processo não continham informação de data (o processo tem como característica o seu desenvolvimento ao longo do tempo, dificultando a determinação de uma data para o mesmo). Esta fase seguiu os pressupostos teóricos relacionados a inventários do tipo arquivo, considerando-se a escala da área de estudo (de menor detalhe).

Os dados secundários utilizados para a elaboração do banco de dados foram:

a) Trabalhos acadêmicos (anais de congressos, artigos de periódicos, livros, dissertações e teses) relacionadas à temática de processos no estado pesquisados on-line nas plataformas

Google Scholar e Periódicos CAPES, sem restrições a datas de publicação;

b) Relatórios técnicos de instituições públicas, disponibilizados gratuitamente, acerca da temática de erosões e de escorregamentos, tais como Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD), Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), entre outros;

c) Banco de Dados de ocorrência disponibilizados gratuitamente pelas Defesas Civis Municipais (Figura 44);

d) Notícias jornalísticas disponibilizadas/divulgadas em jornais e revistas do estado e nacionais com ocorrências pretéritas e;

e) Ida ao Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN) em São José do Campos/SP por meio de estágio supervisionado (parceria entre o Grupo de Pesquisa em Geotecnologias Aplicadas a Geomorfologia de Encostas e Planícies- ENPLAGEO e CEMADEN), que concedeu acesso a sua sede por 15 dias em Janeiro de 2019 (Figura 45). No período supracitado ocorreu o acompanhamento de emissões de alertas e acesso ao setor não público da plataforma DesInventar; atividades essenciais para a elaboração do banco de dados.

Figura 44 - Exemplo de Banco de Dados (tabelas) disponibilizadas por DCs Municipais.

Fonte: Defesa Civil/ Prefeitura do Recife (2018).

Figura 45 - Sala de situação do CEMADEN em São José dos Campos (SP).

Foto: CEMADEN.

Os dados primários (obtidos nesta pesquisa) para integrar o banco de dados foram obtidos por meio de trabalhos de campo (Figura 46) e pela interpretação de imagens de satélite e fotos

aéreas. Dessa forma, foram realizados9 trabalhos de campo (Tabela 8) entre a segunda metade

de 2017 e a primeira metade de 2019 nas seguintes localidades: Quipapá, Buíque, Petrolina, Triunfo, Belém do São Francisco, Garanhuns, Ipojuca, Exu e Aliança.

Figura 46 - Campo exploratório para reconhecimento de erosões no município de Exu, PE.

Foto: Fabrizio Listo (2018).

Tabela 8 - Detalhamento dos trabalhos de campo.

PROCESSO

AVALIADO LOCALIDADE PERÍODO

Escorregamento Quipapá 14/09/2017

Erosão Buíque/ Petrolina 02/10/2017 - 06/10/2017

Erosão Triunfo/ Belém do São Francisco 07/05/2018 - 10/05/2018

Erosão Garanhuns 04/07/2018 - 06/07/2018

Escorregamento Ipojuca 10/07/2018

Erosão Triunfo/ Belém do São Francisco 07/08/2018 - 10/08/2018

Erosão/ Escorregamento Exu 05/11/2018 - 09/11/2018

Erosão Aliança 01/04/2019

Erosão Aliança 07/06/2019

Fonte: O autor.

As imagens de satélite e fotos aéreas para interpretação foram disponibilizadas/obtidas pelo Software Google Earth Pro. Como a escala do trabalho inviabiliza a utilização desta metodologia, foram selecionadas algumas localidades para verificação por interpretação de imagens de satélite, os critérios para a seleção foram: (i) localidades em que não haviam registros de ocorrências, mas que apresentavam características suscetíveis a processos como Exu e Ibimirim; (ii) Localidades em que já haviam registros de algumas ocorrências, mas que

potencialmente poderiam ser registradas mais, como Garanhuns. As cicatrizes de escorregamentos e as incisões erosivas foram identificadas por meio dos seguintes critérios: (i) geometria dos processos, (ii) aspecto alongado, (iii) diferença de cores e de texturas, (iv) ausência de vegetação e (v) posição na encosta (Figura 47). Ressalta-se que os processos foram identificados por meio de fotointerpretação devido a quantidade de erros gerados em classificações automáticas para este caso (ex. confusão com solo exposto).

Figura 47 – Fotointerpretação no Software Google Earth Pro de escorregamento Translacional na escarpa sul da chapada do Araripe, Município de Exu – PE.

Fonte: O Autor.

Os dados capturados precisavam conter ao menos a localização em um par de coordenadas latitudinais e longitudinais ou informações de localização que fossem passíveis de

serem georreferenciadas (ex. endereço ou localização aproximada) (Tabela 9). Para o

Georreferenciamento (transformação das ocorrências em pares de coordenadas), foi utilizado o

Software Google Earth Pro, para a geolocalização das ocorrências utilizando o endereço

informado pela fonte secundária na ferramenta de busca do software (estas ocorrências foram registradas como pontos em arquivo “.KML”). Posteriormente, foi utilizado a ferramenta

conversion tools do software ArcGIS 10.5, que converteu o arquivo “.KML” em um arquivo

Tabela 9 - Planos de informações contidos nas ocorrências dos processos que compuseram o Banco de Dados Geográficos.

Informação Obrigatoriedade Fonte Exemplo

Código* Obrigatório Resultado da pesquisa

Erosão: ER0273 Escorregamento: ES0875 Coordenadas Obrigatório Bibliografia, interpretação de imagens ou trabalho de campo

08° 03′ 14″ S; 34° 52′ 51″ W.

Município Obrigatório Bibliografia ou IBGE (2018b) Recife

Processo Obrigatório Bibliografia Escorregamento

Classificação

do processo Não obrigatório Bibliografia Translacional

Unidade de

Paisagem Obrigatório Resultado da pesquisa UP 1.1.1.

Data da ocorrência Obrigatório (apenas para escorregamento) Bibliografia 13/06/2019

Elevação Obrigatório Bibliografia, SRTM ou PE3d 80 metros

Declividade Obrigatório Bibliografia, SRTM ou PE3d 11,8°

Geologia Obrigatório Bibliografia ou CPRM (2001) Grupo barreiras

Solos Obrigatório Bibliografia ou Silva et al. (2001) Argissolos

Uso e ocupação

da terra Obrigatório Bibliografia ou IBGE (2018d) Residencial

Danos Não obrigatório Bibliografia óbito

Fonte da

informação Obrigatório

Bibliografia, interpretação de imagens ou trabalho de campo

Notícia do portal G1 (2019)

Fonte: O autor. *O Código atribuído a cada ocorrência tem como estrutura: As duas primeiras letras são as iniciais do processo (ex: Erosão, ER) e a numeração representa a sequência da catalogação (Ex: a primeira erosão foi catalogada como ER0001, o milésimo escorregamento foi catalogado como ES1000).

Em ambiente SIG, as ocorrências foram codificadas (Tabela 10) e representadas por vetores do tipo ponto, considerando a escala do Banco de Dados (estadual), que impossibilitou a representação por vetores do tipo polígono. O uso do SIG permitiu a elaboração dos mapas de ocorrências de erosão pluvial e de escorregamentos para o estado de Pernambuco com legenda compatível aos planos de informação do BDG. Quanto a escala temporal, o banco de

dados registrou as ocorrências a partir da data mais antiga passível de georreferenciamento (1988 para os escorregamentos) até o primeiro semestre de 2019, conforme supracitado.

Por fim, para a complementação do Banco de Dados, foram levantados dados de caráter temático/planos de informação (ex. geomorfologia, vegetação, clima, geologia, etc.) conforme a Tabela 10 e que possuem relevância quando associados aos mapas de ocorrências. Por serem de fontes diferentes, tais dados foram modificados em SIG na tentativa de padronização (ex: padronização do limite da área de estudo).

Tabela 10 - Dados utilizados na pesquisa e suas funções. (continua)

DADO IMPORTÂNCIA

Domínio geomorfológico, escala 1:250.000 (FERREIRA; DANTAS; SHINZATO, 2014).

Informações sobre geomorfologia da área de estudo.

Vegetação Natural, escala 1:250.000 (IBGE, 2018c).

Informações sobre a Vegetação Original da área de estudo.

Clima, escala 1:5.000.000 (IBGE, 2002). Fonte de informações sobre precipitação (APAC, 2018) e localização de postos pluviométricos (ANA, 2009).

Municípios(IBGE, 2018b). Delimitação oficial do limite do estado de

Pernambuco e seus municípios. Geologia, escala 1:250.000 (CPRM,

2001).

Fonte de informações sobre o tipo de rocha.

Solos, escala 1:100.000 (SILVA et al., 2001).

Fonte de informações sobre o tipo de solo predominante.

Uso e ocupação da terra ano de 2016, escala 1:250.00 (IBGE, 2018d).

Fonte de informações sobre as atividades humanas na superfície do solo.

Modelo digital de terreno

– PE3d, 1 metro de precisão (RMR). – SRTM, 30 metros de precisão (FARR

et al., 2007) (exceto RMR).

Extração de informações sobre altitude, declividade e outros dados de terreno.

Clima, escala 1:5.000.000 (IBGE, 2002).

Fonte de informações sobre precipitação (APAC, 2018) e localização de postos pluviométricos (ANA, 2009).

Tabela 10 - Dados utilizados na pesquisa e suas funções. (Conclusão)

DADO IMPORTÂNCIA

Municípios (IBGE, 2018b). Delimitação oficial do limite do estado de

Pernambuco e seus municípios. Geologia, escala 1:250.000 (CPRM,

2001).

Fonte de informações sobre o tipo de rocha.

Solos, escala 1:100.000 (SILVA et al., 2001).

Fonte de informações sobre o tipo de solo predominante.

Modelo digital de terreno

– PE3d, 1 metro de precisão (RMR). – SRTM, 30 metros de precisão (FARR

et al., 2007) (exceto RMR).

Extração de informações sobre altitude, declividade e outros dados de terreno.

Uso e ocupação da terra ano de 2016, escala 1:250.00 (IBGE, 2018d).

Fonte de informações sobre as atividades humanas na superfície do solo.

Fonte: O Autor.

O BDG teve por finalidade o armazenamento de informações relevantes para análise dos processos de erosão pluvial e dos escorregamentos para Pernambuco, produzido pela união

na íntegra dos dados temáticos mencionados na Tabela 11 (representados na forma de

polígonos) e a localização dos processos em mapas de ocorrências(representados na forma de pontos). Desse modo, os dados foram armazenados em SIG com o software ArcGIS 10.5 (tabelas de atributos). Ao fim deste processo, concluiu-se o Banco de Dados Geográficos com as informações do inventário de processos e os dados temáticos.

4.3. CORRELAÇÃO UNIDADES DE PAISAGEM/FATORES CONDICIONANTES E