• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 2 ANATOMIA PATOLÓGICA

3.3 Elaboração do Mapa de Risco

Para melhor compreensão das condições ambientais no interior dos laboratórios, procedemos à elaboração do mapa de riscos. O objetivo de um mapa de risco é melhorar as condições de trabalho, ao fornecer aos trabalhadores informações sobre os riscos aos quais estão sendo expostos, de modo que possam consciente e ativamente participar da prevenção

de acidentes. Particularmente em laboratórios de serviços de saúde, o mapa de risco auxilia na

conscientização da adoção de Boas Práticas em Laboratório, tema importante da

Biossegurança, cujo objetivo é a prevenção de acidentes e exposição a riscos, evitando o desenvolvimento de doenças ocupacionais. Foi neste contexto que Mattos & Santos (In Mastroeni, 2004) escreveram o capítulo “Mapa de Risco” no livro “Biossegurança Aplicada a Laboratórios e Serviços de Saúde” organizado por Mastroeni (2004).

O item 5.16 alínea “a”, da NR 5, aprovada pela Portaria 3.214/78, atribui à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA de uma empresa, a elaboração do mapa de risco: “Identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver” (Moraes, 2005). A redação atual da NR 5 não estabelece metodologia, porém a redação anterior trazia uma metodologia que pode ainda ser empregada.

Os objetivos do mapa de riscos explicitados na NR 5 são: reunir informações para se diagnosticar as situações de segurança e saúde no trabalho, e estimular entre os trabalhadores a troca e a divulgação de informações durante a sua elaboração, envolvendo-os na prevenção de acidentes.

São seis as etapas de elaboração: (1) estudo do processo de trabalho; (2) identificação dos riscos no ambiente avaliado; (3) levantamento de medidas preventivas existentes e sua eficácia; (4) identificação dos indicadores de saúde; (5) resgate de levantamentos prévios e (6) elaboração do Mapa de Riscos. Após sua aprovação, este mapa é afixado de modo acessível aos trabalhadores, em cada ambiente estudado.

A metodologia desenvolvida por Mattos & Santos (In Mastroeni, 2004) merece destaque. Segundo os autores, o mapa de risco serve para identificação e análise dos riscos no local de trabalho. Esta metodologia busca viabilizar a implantação do PPRA e do PCMSO, e a integração entre estes dois programas.

Para Mattos & Santos (In Mastroeni, 2004), “os riscos podem ser caracterizados segundo a natureza da fonte, a área de alcance ou ação, a relação com o exercício ou atividade e a relação com o tipo de lesão (crônica ou aguda)”. Há dois conceitos nos quais pode-se basear o estudo dos fatores que causam acidentes ou doenças no trabalho: riscos ocupacionais e cargas de trabalho. A metodologia empregada pode ser retrospectiva (lista de atos e condições inseguras e árvore de causas) ou prospectiva (como o mapa de riscos), conforme se baseie em fatos já ocorridos, ou na antecipação dos fatos, respectivamente. Atualmente, o mapa de riscos é a metodologia prospectiva mais utilizada em todo o mundo. A Portaria 5 de 18/06/92, Ministério do Trabalho e Emprego define mapa de riscos como: “uma representação gráfica do reconhecimento dos riscos existentes nos diversos locais de trabalho...” (Brasil, 92,

apud Mattos e Santos (2004).

Apesar da supressão do Anexo IV da NR 5, onde se delineava uma metodologia, a tarefa de rastrear riscos e propor recomendações factíveis com vistas à eliminação ou controle dos riscos, depende de uma sistematização, visto que se trata de uma pesquisa muitas vezes complexa. Apresenta-se abaixo a metodologia desenvolvida por Mattos & Santos (In Mastroeni, 2004), que leva em consideração a metodologia do antigo Anexo IV da NR 5: Levantamento e sistematização do processo de trabalho

Fluxograma de produção: é necessária a descrição para entender cada passo do processo de trabalho, de modo a identificar os riscos.

Descrição dos equipamentos e instalações com vistas a relacioná-los com as etapas do processo de trabalho. Apresentam-se as características funcionais de cada equipamento e instalação, o tipo de energia que consome, a capacidade produtiva, e outras informações relevantes, como a sua importância para o setor e as habilidades necessárias para utilizá-los.

Descrição dos produtos finais do processo, materiais e resíduos. Devem-se listar os materiais de consumo e permanentes (seu descarte, lavagem, esterilização, reaproveitamento, matérias-prima) e resíduos, que devem ser identificados como infectante, de acordo com a legislação de biossegurança. Com respeito ao estoque, estão entre as informações que se deve colher: a quantidade estocada, a toxicidade dos produtos e tempo de permanência.

Descrição de equipes de trabalho: este item relaciona-se com o grau de organização do trabalho, que é um fator ergonômico. É importante conhecer o perfil da mão-de-obra, como quantidade, sexo, faixa etária, grau de escolaridade, vínculo empregatício, tempo de trabalho no setor e faixa salarial, além do número de jornadas de trabalho exercidas por trabalhador.

Descrição das atividades dos trabalhadores: saber as atividades, a freqüência de realização das tarefas e locais onde cada trabalhador exerce sua função, o nível de atenção e responsabilidade de cada tarefa durante a jornada de trabalho, os turnos e revezamento de turnos.

Preenchimento da tabela contendo grupos de riscos; local / atividade; sintomas / sinais; acidentes / doenças; recomendações: deverá ser preenchida com auxílio dos profissionais envolvidos no processo. O item “local” pode ser constituído por posto de trabalho ou fonte de geração de risco Mattos & Santos (In Mastroeni, 2004).

Adotamos a convenção de riscos definidos pelo Anexo IV, que foi suprimido na atual redação da NR 5, a qual segue abaixo:

Quadro 2: Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acordo com sua natureza e a padronização das cores correspondentes.

GRUPO 1 VERDE GRUPO 2 VERMELHO GRUPO 3 MARROM GRUPO 4 AMARELO GRUPO 5 AZUL Riscos Físicos Riscos Químicos

Riscos Biológicos Riscos

Ergonômicos

Riscos de Acidentes

Ruídos Poeira Vírus Esforço físico

intenso

Arranjo físico inadequado

Vibrações Fumos Bactérias Levantamento e

transporte manual de peso Máquinas e equipamentos sem proteção Radiações não ionizantes

Neblinas Fungos Controle rígido de

produtividade

Iluminação inadequada

Frio Gases Parasitas Imposição de

ritmos excessivos

Eletricidade

Calor Vapores Bacilos Trabalho em

turno e noturno Probabilidade de incêndio ou explosão Pressões anormais Substâncias compostas ou produtos químicos em geral Jornadas de trabalho prolongadas Armazenamento inadequado Umidade Monotonia e repetitividade Animais peçonhentos Outras situações causadoras de

stress físico e/ou psíquico Outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes Fonte: Moraes (2005): Normas Regulamentadoras Comentadas: Legislação de Segurança e Saúde no Trabalho, p. 222.

A partir da tabela obtida, pode-se confeccionar mais facilmente o mapa de riscos propriamente dito. Mattos & Santos (In Mastroeni, 2004), empregam as seguintes convenções para a sua elaboração: “Os riscos devem ser indicados, de acordo com a sua gravidade, na forma de círculos coloridos, segundo o seu grupo, e em três diferentes tamanhos”. Os três tamanhos devem ser proporcionais a 1, 2 e 4, respectivamente, para as gravidades pequena, média e grande. As outras convenções mencionadas são: círculos únicos, divididos em cores, para riscos diferentes com mesma gravidade, correspondentes a um mesmo local ou fonte; indicar fora do mapa os riscos correspondentes a todo o ambiente, e não apenas a um posto de trabalho ou fonte específicos; por último, criar uma legenda explicativa relacionando cada círculo numerado com os riscos.

Além dos critérios mencionados acima, o referido Anexo IV determinava também que deveria ser indicado no Mapa de Riscos o número de trabalhadores expostos ao risco e a especificação do agente, ambos dentro do círculo.