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Contratos na comercialização de tabaco

3. Mecanismos de comercialização

3.2 Mercado a termo

3.2.1 Contratos na comercialização de tabaco

Na produção de tabaco no Sul do Brasil, o produtor e a empresa integradora formalizam seus compromissos recíprocos e definem as atribuições individuais por meio de um contrato de compra e venda, que é firmado antes do início do ano-safra (BUAINAIN et al., 2009). Para a empresa, o contrato de compra e venda é o ins-trumento chave para reduzir incertezas e planejar o suprimento da matéria-pri-ma, controlar a qualidade, quantidade e requisitos necessários ao atendimento das demandas dos clientes finais, que são empresas produtoras de cigarros

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localizadas em todo o mundo. Procuram assegurar um fluxo de suprimento de

tabaco em folha, e para isto obrigam-se a prestar serviços, prover informação tecnológica, viabilizar recursos para custeio da produção e investimentos em infra-estrutura e equipamentos. Para o produtor, o contrato de compra e venda, ao garantir a compra da produção contratada a preço previamente acordado, e garantir assistência técnica, provisão de insumos e acesso a crédito, também reduz o risco econômico e viabiliza a produção para agricultores familiares que, de outra forma, teriam dificuldades para empreender o negócio. Além disso, o produtor integrado tem acesso a instrumentos de redução de parte do risco cli-mático, por meio de contrato de seguro contra granizo, gerido pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), e incorporado ao próprio contrato de compra e venda assinado com a empresa que se responsabiliza pela cobrança do valor do seguro quando o produtor realiza a venda. Os principais elementos formali-zados nos contratos de compra e venda de tabaco são:

A empresa se compromete a adquirir a totalidade da produção de tabaco

em folha contratada com o produtor, por preço pré-estabelecido para todos os tipos de tabaco classificados em conformidade com as normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura. A estimativa da quantidade contratada, que toma como base a produtividade média do produtor e da localidade, é revisada ao longo da safra pelo orientador da empre-sa em comum acordo com o produtor. Os contratos em geral admitem variações de 5%, para mais ou para menos, em relação à estimativa original estabelecida no contrato. O tipo de fumo (Virginia e/ou Burley) e a variedade da semente são especificados no contrato;

Definição do local de entrega da produção contratada, em geral na

pró-•

pria indústria ou entreposto comercial (unidade de recepção) mantido pela empresa. Empresas que possuem mais de uma unidade industrial ou unidades de recepção, especificam mais de uma opção de local de entrega. O transporte do tabaco, das instalações do produtor até a uni-dade de recepção, é pago pela empresa;

Os produtores se obrigam a adotar o pacote técnico recomendado pela

empresa, cujo detalhamento varia entre as empresas. A empresa se outorga do direito de vender a totalidade ou parte dos insumos agrícolas utilizados. A maioria das empresas fornece pelo menos as sementes e adubos; algumas adotam um pacote mínimo e os produtores adquirem, no mercado, insumos e implementos de uso genérico; outras adotam um pacote completo, e fornecem todos os insumos utilizados no processo produtivo, da semente à lenha para os fornos de cura. Estabelece-se a obrigação de utilizar apenas insumos aprovados e adequados para

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o cultivo do fumo especificado no contrato. A aquisição desses insu-mos são, em geral, financiados pelo crédito rural oficial, intermediado pela empresa e concedido por bancos comerciais com aval da própria empresa;

A empresa se compromete a fornecer orientação técnica, em geral

rea-•

lizada por meio de visitas individuais e reuniões com grupos de produ-tores. Várias empresas distribuem boletins técnicos e publicações para disseminação de práticas de cultivo, inovações tecnológicas, práticas e técnicas de proteção ambiental, campanhas contra o uso do trabalho infantil;

Os produtores se comprometem a fornecer o produto de acordo com

as especificações estabelecidas no contrato. Também se comprometem em utilizar insumos nos volumes e especificações recomendados pela empresa. A empresa se reserva do direito de não adquirir fumo que apresentar resíduos de insumos não recomendados ou acima da quan-tidade recomendada;

Os produtores também se comprometem a utilizar lenha de fonte

re-•

gular e autorizada pelas autoridades ambientais, a atender regras de proteção de saúde, do meio ambiente e não utilizar mão de obra infan-til. Cláusulas relativas a esses temas foram incorporadas aos contratos em função das crescentes exigências dos fabricantes de cigarro, que por sua vez sofrem pressões de governos e movimentos antitabagismo.

São frequentes as auditorias externas, demandadas por clientes, para identificar cumprimento de regras internacionais relativas às condições de trabalho tanto nas unidades de processamento quanto nas pro-priedades. Em especial, tem-se coibido o uso de trabalho infantil nas propriedades, tema que ainda hoje gera grande polêmica e é fonte de propaganda adversa para o setor como um todo.

O custo de montagem e gestão de um sistema de aquisição de supri-mentos baseado em contratos a termo, como do tabaco, do frango, de suínos e outros, não é baixo, principalmente quanto comparado com aquisições reali-zadas em mercado spot. No caso do tabaco, estima-se que o custo de manter o sistema pode alcançar de 10% a 12% do faturamento de algumas empresas processadoras. Nesse total, estão incluídos: contratação de técnicos orientado-res; gastos com combustível e automóvel para deslocamentos de orientadores no campo; contratação de técnicos qualificados para desenvolvimento de pes-quisas agronômicas; análise laboratorial de solo das propriedades dos integra-dos; funcionários de escritório para realizar todas as tarefas relacionadas com emissão e controle de contratos de compra e venda, contratos bancários dos

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produtores, pagamento, compra e venda de insumos para produtores, etc. Em

que pese estes custos, os ganhos de eficiência nas unidades de processamento e no campo, na qualidade do produto e na competitividade geral da cadeia pro-dutiva são maiores do que o uso do mercado spot como forma de aquisição de matéria-prima.

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