4 MATERIAIS E MÉTODOS
4.2 Etapa II Coleta de imagens elastográficas
4.2.3 Elastogramas
As coletas das imagens elastográficas foram realizadas no Laboratório de Biomecânica em parceria com o Laboratório de Ultrassom - LUS, ambos pertencentes ao Programa de Engenharia Biomédica (PEB), do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da UFRJ. Na metodologia adotada no estudo (método do “asterisco”), primeiramente, os voluntários foram colocados em uma maca com a região selecionada com membro posicionado de forma relaxada e em posição neutra (angulação de 0°) cuja amplitude de movimento foi garantida por meio de um goniômetro analógico (CARCI-Ind. e Com. de Apar. Cirur.e Ortop. Ltda, São Paulo, Brasil) e com uma caneta dermatográfica (Texta, modelo 700 fine line) foram feitas marcações na pele destes voluntários como mostra a Figura 29.
Figura 29. Marcação na pele de um voluntário do sexo masculino na região do quadril direito pelo método do asterisco. As letras S, I, L, M correspondem ao lado corporal superior, inferior, lateral e medial, respectivamente. Cada marcação indica o posicionamento do transdutor nas direções: SI (direção súperoinferior); LM (posição láteromedial); SM (orientação súperomedial) e SL (direção súperolateral). A posição SM é similar a IL (inferolateral) e SL, a posição IM (inferomedial). SED e CED representam pele sem e com estria dérmica e EA, estria alba. Fonte: fotografia realizada pela autora.
Na descrição da organização do corpo humano, é necessário identificar uma posição arbitrária com um ponto de referência a partir do qual o movimento ou a localização das estruturas podem ser descritos. Esta terminologia descritiva é conhecida como posição anatômica. Assim, termos específicos são usados para descrever a localização de uma estrutura e sua posição em relação às outras, onde traça-se de forma imaginária uma linha mediana que corta o corpo humano, dividindo-o em lado medial e lateral ou anterior e posterior ou superior e inferior (PAULSEN e WASCHKE, 2018, LIPERT, 2018).
Baseado nesses conhecimentos anatômicos, após o participante ter sido posicionado devidamente na maca com a área de interesse (região com e sem estria)
exposta, o transdutor (T) foi posicionado em distintas orientações às LTPs (método do “asterisco”) como apresenta a Figura 30. As linhas demarcadas na pele foram organizadas em quatro subgrupos: A-posição súperoinferior (SI); B-láteromedial (LM); C-súpeomedial (SM) e D-súperolateral (SL).
Figura 30. Posicionamento do transdutor em distintas direções na pele de uma mulher na região do quadril direito pelo método do asterisco. S, I, L, M correspondem a posição superior, inferior, lateral e medial, respectivamente e SI, LM, SM e SL, as direções súperoinferior, láteromedial, súperomedial e súperolateral, nesta ordem. SEA e CEA representam pele sem e com estria estria alba. Fonte: fotografia realizada pela autora.
As marcações, SM é similar à posição IL (Transdutor na posição ínferolateral) e SL à posição IM (Transdutor colocado na direção ínferomedial). Dessa forma, o protocolo adotado nesta fase foi constituído por 10 mensurações do módulo de Young da derme de cada voluntário obtidos em distintas posições do transdutor (T) como explica a Figura 31:
Figura 31. Diagrama dos grupos de imagens obtidos em cada posição do transdutor (T) no tecido cutâneo normal e com estria de cada voluntário. Cada imagem obtida em uma orientação (subgrupos A, B, C e D) é composta por 10 mensurações do módulo de Young da camada dérmica. Sendo as orientações: A- súperoinferior, B- láteromedial, C- súperomedial e D- súperolateral.
Nestas orientações, com o ultrassom operando a frequência de 20 MHz, foram coletadas imagens das camadas cutâneas onde foram obtidos os valores do módulo de Young da derme. As orientações SI, LM, SM e SL correspondem às direções a 0°, 90°, 315° e 45° às LTPs como demonstra a Tabela 1. Um gel (Ultrex-gel, Farmativa Indústria e Comércio Ltda, Rio de Janeiro, Brasil) foi usado para o acoplamento acústico entre o transdutor e a pele do voluntário.
Tabela 1. Posição do transdutor (T) na superfície da pele normal e estriada pelo método do asterisco. LTP são linhas de tensão máxima da pele na região analisada e ED, estria dérmica. Fonte: tabela realizada pela autora.
Método do Asterisco (*)
Marcação Transdutor (T) Orientação a LTP Orientação a ED SI Súperoinferior Paralela (0°) Perpendicular (90°) LM Láteromedial Perpendicular (90°) Paralela (0°)
SM Súperomedial 315° -
SL Súperolateral 45° -
OBS: As marcações, SM é similar à posição IL (Transdutor na posição ínferolateral) e SL à posição IM (Transdutor colocado na direção ínferomedial).
A inspeção, palpação e avaliação do tecido dérmico com e sem EA assim como a aquisição e o processamento das imagens com US foi realizada por um único avaliador. O critério para escolha da superfície corporal e do lado do hemicorpo estudado foi o que apresentasse EA mais expressiva e em maior quantidade. Um segundo profissional auxiliou na gravação das imagens que foram identificadas e arquivadas no equipamento do ultrassom. Todos os indivíduos foram orientados a evitar o uso de produtos cosméticos (óleo, hidratantes, cremes e outros) na véspera do experimento e instruídos a permanecerem com a parte do corpo a ser analisada com o membro relaxado e na posição neutra, evitando, dessa forma, movimentos de flexão ou extensão da região.
Inicialmente, foram geradas imagens das camadas cutâneas em modo-B (Figura 32) com os dados dos voluntários. Após esse procedimento, o modo pushing foi acionado e foram obtidas as imagens com a elastografia dinâmica nas regiões sem e com ED do hemicorpo de cada voluntário. Em seguida, os dados foram identificados e arquivados pelo software do equipamento.
Figura 32. Imagem da camada da epiderme (EP), derme (DE) e hipoderme (H) com estria, em quadril direito, de uma mulher. 1) Informações sobre exame e identificação do indivíduo; 2) Preset, especificação do probe, hora e data do exame; 3) Imagem de US em modo-B; 4) ROI (área de 1cm2) mostrando mapa de elasticidade; 5) Escala de cores e dos valores do módulo elástico em kPa (variando de 0 a 300 kPa). Uma camada de gel (G) foi colocada entre o transdutor e a pele do voluntário. Fonte: imagem realizada pela autora.
As imagens foram exportadas nas extensões .dicom (Digital Imaging and Comunications in Medicine) e JPEG. Posteriormente, a análise quantitativa nas imagens elastográficas para mensuração do módulo de Young da região de interesse foi feita por uma rotina específica do software MATLAB® (MathWorks, Natick, MA, USA), desenvolvida pelo laboratório de Biomecânica do PEB/COPPE/UFRJ. A temperatura ambiente e umidade do ar foram monitoradas por um termômetro digital MTH-1362W (Minipa®, SP, Brasil)