Foram eleitos para participar do estudo os pacientes que preencheram os seguintes critérios:

a) Ser portador de aids, segundo os critérios de definição de casos de aids estabelecidos pelo Ministério da Saúde [42];

b) Ser internado no hospital Eduardo de Menezes (HEM) durante o ano 2005;

c) Ter como motivo da internação o tratamento de uma doença relacionada à aids;

d) Ser esta a sua primeira internação para tratar aids. Se acaso o paciente esteve inter- nado para tratar doença relacionada à aids em outro hospital anteriormente, foram aceitos os que foram encaminhados deste hospital para dar continuidade ao trata- mento no HEM e também aqueles cuja alta desta primeira internação e a internação no HEM ocorreu em período máximo de 30 dias;

e) Constar no seu prontuário a informação de data de diagnóstico do HIV (pelo menos o ano).

Foram excluídos os pacientes que se enquadraram nas seguintes situações:

a) Ser internado por suspeita de aids em 2005 no HEM, mas o diagnóstico do HIV não foi confirmado durante a internação;

b) Ser portador de HIV, mas não ter informação suficiente para concluir que já desenvolveu aids, segundo os critérios de definição de casos de aids estabelecidos pelo Ministério da Saúde [42];

c) Ter sido internado para tratar aids no HEM em anos anteriores;

Ter sido internado para tratar aids em outro hospital que não o HEM e ter tido alta em um período de tempo superior a 30 dias desta internação no HEM;

d) Ser internado pela primeira vez em 2005 no HEM, mas para tratar uma intercorrência clínica ou cirúrgica não relacionada à aids (motivo da internação não é tratamento de aids);

e) Não ter informação no seu prontuário do HEM de pelo menos o ano de diagnóstico do HIV ou com informação de diferentes datas ou ainda a data registrada no prontuário não é consistente com as informações do paciente registradas nos outros sistemas de informação utilizados.

As internações de pacientes realizadas na modalidade de hospital-dia não foram consideradas neste estudo.

5.3 Local de coleta dos dados

As informações foram colhidas no Hospital Eduardo de Menezes (HEM), que per- tence à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais. Este hospital público estadual é reconhecido como o maior complexo do Estado para tratamento de aids e outras doenças infecto-contagiosas. Dispõe de ambulatório especializado (Serviço de Atendimento Es- pecializado - SAE); Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), Assistência Domiciliar Terapêutica (ADT), hospital-dia, 38 leitos para internação hospitalar de pacientes com aids e unidade de terapia intensiva com 10 leitos. O prontuário de cada paciente contém a sua

história clínica completa, desde seu primeiro contacto com o serviço até a última internação realizada, o que viabilizou realizar esta pesquisa.

O hospital não dispõe de serviço de pronto atendimento. Os pacientes que internam vêm referidos de outros serviços de pronto atendimento ou do ambulatório, hospital-dia ou ADT do HEM.

Para a coleta de dados foi desenvolvido um formulário que se encontra disponível no Apêndice A. Esta coleta foi realizada por profissionais de nível superior da Coordenação Estadual de DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Foi também desenvolvido um documento com as principais orientações para as participantes e estas foram orientadas quanto aos procedimentos necessários à realização da coleta.

Foi realizada uma primeira coleta de dados (piloto) em 10 prontuários e o instru- mento final foi revisto e devidamente adequado.

5.4 Fonte de dados

Para selecionar os prontuários a revisar, foram utilizadas as informações de AIH do hospital disponíveis em arquivo eletrônico, onde se identificou as possíveis primeiras internações realizadas no HEM a partir do número do primeiro prontuário aberto no hospital em 01/01/2005 ao último, aberto em 31/12/2005.

Caso faltasse alguma informação no prontuário e para conferir se a informação de diagnóstico recente era consistente, foi feita busca dos pacientes na base de dados dos cinco seguintes sistemas de informação do Ministério da Saúde: Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM), Sistema de Informação Hospitalar (SIH), Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e Sistema Informatizado de Controle de Exames Laboratoriais (SISCEL). Esta base de dados foi disponibilizada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.

No SICLOM cada paciente é cadastrado quando inicia o uso de ARV. As infor- mações deste sistema são utilizadas para o controle de estoques e de distribuição dos diferentes ARV. Na pesquisa, o sistema foi útil para confirmar a consistência da informação de não ter usado ARV antes de esta primeira internação. Também serviu para validar a informação de data de diagnóstico. Naturalmente, não poderia ser aceita uma informação de diagnóstico de HIV que fosse posterior ao registro de um paciente neste sistema.

O SIH fornece dados sobre as internações ocorridas no SUS. O uso do SIH nesta pesquisa permitiu o acompanhamento dos pacientes durante o período estabelecido. O próprio HEM forneceu os relatórios do SIH referentes às AIH faturadas de abril de 2004 a fevereiro de 2007. Através destes relatórios, foram obtidas as informações de óbitos utilizando a variável motivo de cobrança, os dias de internação e re-internações dos pa- cientes. Tendo em vista a codificação de AIH para tratamento de aids, o procedimento realizado em cada paciente foi analisado, assim como a Classificação Internacional de Doenças (CID 10).

O SIM foi criado em 1976, a partir da implantação do modelo padronizado de declaração de óbito no Brasil. Tem como objetivo fornecer subsídios para traçar o per- fil de mortalidade do país [13]. Na pesquisa, este sistema foi utilizado para completar a informação de falecimento, obtida no SIH do HEM através da variável motivo de cobrança, com os óbitos não ocorridos no HEM no período de seguimento.

O SINAN registra casos de aids, e não casos de portadores de HIV. Como a va- riável data de evidência laboratorial do HIV só foi incluída nas fichas de notificações que alimentam este sistema a partir de janeiro de 2004, o mesmo não foi utilizado para obter a informação de data de realização do HIV destes pacientes. Entretanto, foi utilizado para confirmar a consistência de datas de diagnóstico de HIV, que podem até ser coincidentes com o diagnóstico de aids, mas não podem ser posteriores a este diagnóstico.

O SISCEL tem os registros dos exames de monitoramento da infecção pelo HIV (contagem de LT CD4+ e quantificação de carga viral) realizados nos laboratórios ofici- ais do Estado de Minas Gerais desde julho de 2001 a maio de 2006. Foi utilizado para conferir a informação de ter sido acompanhado em serviço antes da internação e também para confirmar a exatidão da data do diagnóstico do HIV. Isto porque os exames são re- alizados após o diagnóstico da infecção e não antes. Serviu também para averiguar os exames realizados durante a internação e mesmo após a alta do paciente. Infelizmente, por problemas técnicos, segundo informação da Secretaria de Estado da Saúde, o SISCEL não esteve disponível de junho a dezembro de 2006, para que fosse verificado o uso de serviços após a alta de todos os pacientes que não falecem durante a internação neste período.

No documento O diagnóstico tardio e óbito por aids de pacientes internados em 2005 em um hospital de referência para doenças infecciosas em Belo Horizonte, Minas Gerais. (páginas 36-40)