• Nenhum resultado encontrado

6 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

6.1 CARACTERIZAÇÃO DOS ELEMENTOS DA SITUAÇÃO EDUCATIVA

6.6.1 Elemento da situação educativa: educando(a)

Os aspectos socioeconômicos do(a)s 12 educando(a)s que participaram do movimento ensino-aprendizagem no curso de habilitação profissional de técnico em enfermagem para educando(a)s em contexto de vulnerabilidade social, estão sintetizados no Quadro 1:

Quadro 1- Caracterização socioeconômica do(a)s educando(a)s do curso de habilitação profissional de técnico em enfermagem para educando(a)s em contexto de vulnerabilidade social. Salvador, 2016.

Educando Gênero Idade Estado

civil

Filho Renda

familiar (Salário mínimo)

Trabalho anterior Trabalho

atual

EDC -1 F 23 Casada Não 1 Serviços gerais e atendente

Não EDC -2 F 38 Casada Não 1 Cuidadora de idosos Não

EDC -3 F 36 Casada 2 1,5 Caixa de

supermercado, promotora de vendas, como auxiliar de serviços gerais, balconista. Não

EDC -4 M 25 Casado Não 3 à 4 Balconista farmácia Balconista farmácia

EDC -5 F 36 Casada 1 4 Babá Babá

EDC -6 F 32 Casada 1 1 Educadora em escola primária

Não

EDC -7 F 25 Casada 1 2 call center Não

EDC -8 F 42 Casada 1 1 call center call center EDC -9 F 27 Casada 1 2 call center e vendedora

de cosméticos em domicílio

Não

EDC -10 F 26 Casada 0 1 Manicure Manicure

EDC -11 F 20 Casada 1 1 call center Não

EDC -12 F 28 Casada 1 2,5 Doméstica e vendedora de loja de roupas

Não Fonte: Própria autora.

Identificamos a predominância do gênero feminino, por haver um único educando.

Nas pesquisas realizadas por Dias et al. (2013) e Costa et al. (2013), respectivamente nos estados do Paraná e Minas Gerais, o sexo feminino em uma escola técnica também predominou, com 97% e 87%. A predominância do sexo feminino da amostra reproduz a característica histórica da enfermagem, ou seja, profissão exercida, organizada e estruturada quase que exclusivamente por mulheres (LOPES; LEAL, 2005).

A idade média do(a)s educando(a)s foi de 29,8 anos, semelhante ao estudo de Dias et al (2013), de 31,5 anos. Quanto ao estado civil, todo(a)s declararam-se casado(a)s e oito d(o)s participantes possuíam filhos. Este é o retrato de educando adulto, com família constituída e que somada às demandas desse contexto realizam um curso presencial, no horário matutino, de segunda a sexta-feira. São frequentes as dificuldades enfrentadas para a conciliação das atividades – família, estudo -, que foram compreendidas pelas educadoras e coordenação pedagógica do curso ao permitirem, ocasionalmente, a presença de filhos na sala de aula com

as mães, com o intuito de minimizar a evasão e possibilitar a assiduidade nas aulas. A exemplo do recorte da fala a seguir da educanda:

[...] no 2º semestre eu tive que trazer meu filho pra escola [...] ele tava na escolinha e não se adaptou nessa escola e a partir do segundo semestre a coordenação autorizou que eu trouxesse meu filho pra escola, me ajudou muito nisso [...] mais pra mim era difícil [...] porque me concentrar, você sabe que não é um ambiente pra criança. Não é. Então você querer que uma criança fique quieta, pra você assistir à aula. Não é, praticamente impossível. Então eu tive esse tipo de dificuldade entendeu?! De tá com meu filho na sala de aula e tá prestando atenção, estudar pra prova, tudo isso aí é difícil [...] (EDC 6)

A presença de filhos é um dado associado às questões de gênero, pois a predominância de mulheres nos cursos de graduação e técnico em enfermagem é uma realidade, visto que, por tradição, a mulher é responsável pelo cuidado e educação dos filhos e, por vezes, poderá estar ausente ou necessitará abandonar as aulas (COSTA et al., 2013).

Observamos o desconforto da educanda-mãe nos momentos em que precisou se ausentar da sala de aula para dar assistência ao filho e o incômodo causado pela criança em alguns educandos por atrapalhar na concentração e condução das discussões na aula. Porém, essas situações foram contornadas pelas educadoras e principalmente pela coordenadora pedagógica, de modo a não causar maior desconforto para a educanda-mãe, e não permitir que essa situação se tornasse impeditiva para a frequência no curso.

Em relação à renda familiar do(a)s educando(a)s, variou em torno de um a quatro salários mínimos, cuja fonte de renda muitas vezes foi proveniente do benefício da aposentadoria recebido pela genitora ou sogra e do Bolsa Família. Essa condição financeira fez com que os educandos buscassem emprego em turno oposto ao curso, a fim de compatibilizar com as aulas que ocorriam diariamente pelas manhãs.

No momento da entrevista, somente uma educanda estava empregada como operadora de telemarketing (call center); as demais educandas referiram atuação em atividades informais e esporádicas, como manicure e babá. Quanto às ocupações exercidas anteriormente ao curso, as mais citadas foram: vendedora/balconista e call center. Semelhante à pesquisa de Costa et al. (2013), as entrevistadas deste curso não tiveram contato com outras profissões técnicas da área da saúde.

Vale ressaltar que a EFTS- Jorge Novis subsidiou o(a)s educando(a)s com vale transporte, material didático e fardamento; porém, foi referenciado pelas educandas a

necessidade de uma ajuda de custo, devido à situação de subemprego ou baixa renda que se encontravam, como apresentado nos recortes abaixo.

[...] outra coisa que eu reforço, eu acho que esse curso deveria dar uma ajuda de custo pra gente [...] é muito difícil, eu não tenho casa [...] moro de aluguel em uma casa emprestada” (EDC 1) / [...] no meu caso a minha renda, eu tenho o bolsa família” (EDC 3)

A caracterização do(a)s educando(a)s nos possibilitou compreender que eles/elas enquadram-se àquela inerente ao alunado da educação profissional em contexto de vulnerabilidade social, tendo em vista os dados econômicos e sociais coletados, os quais confirmam essa fragilidade.

Ao lado da caracterização do(a) educando(a) como elemento da situação educativa, o levantamento bibliográfico dos dados de caracterização em pesquisas similares nos permitiram concluir que o contexto de vulnerabilidade social interfere no movimento de ensino- aprendizagem.

Caracterizar o(a)s educando(a)s nos possibilitou estabelecer conexões entre o seu contexto de vida e processo formativo, de modo a entendê-los como seres em busca de Ser- Mais.

Deste modo, consideramos que é condição sine qua non conhecer o contexto sócio- histórico-econômico-cultural dos sujeitos em aprendizagem de modo a possibilitar o planejamento e a implementação de ações e projetos educativos coerentes e viáveis com o contexto de vida e expectativas dos educandos de modo a fornecer subsídios para avaliação, formulação e implementação de políticas públicas, entre gestores, executores e formadores no âmbito da educação profissional principalmente em enfermagem.