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ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RESPONSABILIDADE CIVIL

2.1 Noções Gerais:

Há muita divergência doutrinária a respeito dos elementos que caracterizam a responsabilidade civil. Afirmam alguns doutrinadores que necessário se faz para

caracterizar a responsabilidade civil o fato danoso, o prejuízo e o liame entre esses elementos, enquanto outros juristas apresentam como pressupostos da responsabilidade civil a culpa e a imputabilidade; ainda há aqueles que asseguram que o dano, o fato danoso, a antijuridicidade ou a culpabilidade são os verdadeiros pressupostos da responsabilidade civil.

Assevera Rodrigues (2002) que são pressupostos da responsabilidade civil a ação ou omissão, a culpa do agente, a relação de causalidade e o dano experimentado pela vítima.

Para Diniz (2002) a ação, o dano e o nexo de causalidade entre dano e ação são os pressupostos necessários à configuração da responsabilidade civil.

Assim, em meio a tanta divergência, apresenta-se como melhor entendimento a respeito dos pressupostos da responsabilidade civil aquele apresentado pela doutrinadora Maria Helena Diniz.

Nesse sentido, pode-se afirmar que são elementos caracterizadores da responsabilidade civil a ação (comissiva ou omissiva), o dano (patrimonial ou moral) e a relação de causalidade entre a ação e o dano. Tais pressupostos serão vistos a seguir.

2.2 Ação

Assevera Diniz (2002) que a ação enquanto pressuposto da responsabilidade civil pode ser entendida como a conduta ou ato, seja comissivo ou omissivo, lícito ou ilícito, praticado voluntariamente e que pode ser imputável ao próprio agente ou por terceiro, ou por fato de coisa inanimada ou de animal, que acarrete prejuízo (dano) a outrem, originando a obrigação de reparação do prejuízo suportado pela vítima.

Regra geral, a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo agente causador do dano baseia-se na culpa enquanto que a responsabilidade sem culpa fundamenta-se no risco. A responsabilidade por ato lícito deve ser entendida num sentido positivo, isto é, no sentido de cumprimento das obrigações decorrentes da relação jurídica constituída. Tal hipótese está desvinculada da idéia de culpa, entretanto, está atrelada ao risco. Pode-se citar como exemplos de responsabilidade decorrente de ato lícito as hipóteses previstas no parágrafo único do art. 927, art.

931 e 933 do Código Civil Brasileiro.

Observa-se ademais que o comportamento do ofensor pode ser comissivo ou omissivo. O ato comissivo compreende-se como aquele que não deveria se concretizar, enquanto o ato omissivo pode ser entendido como aquele em que o agente causador do dano deveria agir ou ainda praticar determinado ato, mas o deixa de fazer.

Há de se observar ainda que necessário se faz que a ação seja voluntária, ou seja, que o ato do agente não decorra de coação, pois o ato voluntário, como afirma Venosa (2006), é também pressuposto da responsabilidade civil.

A seguir serão vistas algumas características referentes à conduta do agente causador do dano importantes para a determinação da responsabilidade civil.

2.2.1 Culpa como Fundamento da Responsabilidade Civil

Em princípio, é necessário definir a culpa para então abordar os demais aspectos inerentes a esse tema.

Diniz (2002, p. 40) explica como deve ser compreendida a culpa em sentido amplo, vejamos:

A culpa em sentido amplo, como violação de um dever jurídico, imputável a alguém, em decorrência de fato intencional ou de omissão de diligência ou cautela, compreende: o dolo, que é a violação intencional do dever jurídico, e a culpa em sentido estrito, caracterizada pela imperícia, imprudência ou negligência, sem qualquer deliberação de violar um dever.

Assim, verifica-se que a culpa em sentido amplo aborda tanto a vontade do agente em praticar determinado ato como também a falta de cuidado ou atenção do lesante, isto é, em sentido amplo a culpa abrange tanto o dolo quanto a culpa em sentido estrito.

O dolo pode ser entendido como a vontade livre e consciente de cometer o ato ilícito, já a culpa em sentido estrito compreende a imprudência, negligência e imperícia. A imprudência é a falta de cuidado ou a falta de precaução na pratica do ato; A negligência é inobservância de regras que determinam agir com atenção, discernimento e capacidade; e a imperícia é a falta de habilidade para a pratica de determinado ato.

Nas palavras de Francisco dos Santos Neto, citado por Diniz, havendo culpa na prática do ato, a obrigação de reparar o dano é mesma, haja dolo ou culpa em

sentido estrito. Contudo, há hipóteses em que somente o dolo ou somente a culpa geram o dever de indenizar.

Observa Diniz (2002) que é necessário ainda verificar se o lesante é imputável, isto é, se o agente causador do dano tem consciência de seus atos, pois se não tiver não existirá o dever de ressarcimento, tendo em vista que é imprescindível para o surgimento de tal dever que o agente tenha praticado ato controlável por sua vontade.

Quando da ocorrência de ato ilícito, a culpa é fundamental para determinar se houve ou não responsabilidade, tendo em vista que no ordenamento jurídico brasileiro, em regra, o dever de ressarcimento pela prática de atos ilícitos se origina na culpa, o que significa dizer que se não houver culpa, não haverá responsabilidade.

Há um vinculo entre o ato ilícito e a culpa, uma vez que o ato ilícito é praticado culposamente em violação à norma jurídica. Tal vínculo pode ser observado inclusive no art. 186 do Código Civil quando este estabelece que quando alguém pratica ato ilícito, seja por ação comissiva ou omissiva voluntária, negligência ou imprudência, viola direito ou casa prejuízo a outrem, obriga-se a reparar o prejuízo experimentado pela vítima.

Assim, percebe-se que a culpa, quando da prática de um ato ilícito, é essencial para definir se A ou B é responsável e se está obrigado, portanto, a reparar o dano causado.

2.2.1.1 Espécies de Culpa

Consoante dispõe a doutrina pátria a culpa pode ser classificada da seguinte maneira:

a) em função da natureza do dever violado, caso em que ela poderá ser contratual ou extracontratual.

A culpa poderá ser contratual se o dever violado se originar de um contrato e haverá culpa extracontratual ou aquiliana se o dever violado for oriundo de violação de preceito geral de direito, isto é, da violação do dever de abster-se de praticar ato lesivo a outrem e que é contrário ao estabelecido na norma jurídica.

b) Quanto à sua graduação, a culpa poderá ser grave, leve e levíssima. A estabelece diferentes procedimentos quando da analise da gravidade da culpa na reparação da lesão sofrida pela vítima. Tais hipóteses podem ser observadas com a simples leitura do descrito no art. 944 do CC/2002.

c) Quanto aos modos de sua apreciação, pode-se ter culpa in concreto e in abstracto. A culpa in concreto, conforme ensina Diniz (2002), pode ser entendida como aquela que, no caso sub judice, o que se analisa para determinar a responsabilidade do agente é se ele agiu com negligência ou com imprudência, isto é, haverá culpa in concreto sempre que o juízo levar em consideração e se detiver apenas a analise da negligência e da imprudência do agente.

Considerar-se-á culpa in abstracto quando se fizer uma analise comparativa entre a ação do agente e do homem médio ou da pessoa normal, ou seja, na culpa in abstracto afere-se o comportamento do agente pelo padrão admitido.

Segundo Alvim, citado por Diniz (2002), no ordenamento jurídico brasileiro aprecia-se a culpa, em regra, abstratamente, uma vez que apesar de haver disposições no Código Civil que dizem respeito à análise in concreto da culpa, estas disposições, em verdade, visam majorar a responsabilidade do agente e não apreciá-la concretamente.

d) Quanto ao conteúdo da conduta culposa, têm-se culpa in faciendo, in omittendo, in eligendo, in vigilando, in custodiendo.

A culpa poderá ser in faciendo quando a conduta do agente for positiva, ou seja, quando o agente agir com imprudência (conduta positiva) ter-se-á culpa in faciendo. Se o comportamento do agente for omissivo, isto é, quando o agente for negligente sua culpa será in omittendo. Observa Diniz (2002) que a omissão só

poderia ser considerada como causa jurídica de dano quando existia o dever de praticar o ato pelo o agente que o deixou de praticar ou ainda na hipótese de o ato omitido ter impedido o evento danoso. Haverá culpa in eligendo quando aquele a quem se confia a prática de determinado ato ou o adimplemento de uma obrigação e com isso acaba gerando dano a alguém.

Ensina Diniz (2002, p. 43) que “a culpa in vigilando decorre da falta de atenção com o procedimento de outrem, cujo ato ilícito o responsável deve pagar”, isto significa dizer que se determinada pessoa atua como responsável por outrem e este causa com seu comportamento lesão a outrem, a responsabilidade pela reparação do dano será atribuída ao responsável pelos terceiros, mesmo que não tenha havido culpa de sua parte.

Por fim, tem-se a culpa in custodiendo que decorre da falta de cuidado ou de atenção em relação a um animal ou uma coisa que estão sob a guarda do agente.

Afirma Diniz (2002) que se admite a culpa in custodiendo a fim de facilitar a prova do ilícito, pois nesta hipótese há presunção de culpa, além de caber ao lesante o ônus da prova.

2.2.1.2 Imputabilidade

Como se falou anteriormente a imputabilidade é um elemento importante para a determinação da responsabilidade civil, tendo em vista que se o agente não tiver consciência de seus atos, prejudicado fica o dever de reparação do dano.

Afirma a doutrina pátria que a imputabilidade é um elemento essencial da culpa e está relacionada à consciência e vontade de quem praticou o ato lesivo, o que significa dizer que se pode imputar a uma pessoa apenas aqueles atos praticados livre e conscientemente por ela.

Nesse sentido ensina Diniz (2002, p. 44) que “ter-se-á imputabilidade, quando o ato advier de uma vontade livre e capaz”; assim, observa-se que haverá imputabilidade quando o agente tiver discernimento e seus atos decorrerem de vontade livre e consciente sua, sem influências alheias.

Contudo, existem algumas circunstâncias que fogem a essa regra, ou seja, que se constituem em exceções à imputabilidade, vejamos:

a) Menoridade: são considerados inimputáveis apenas os menores de 18 anos, no entanto, o Código Civil em seu art. 933 determina que sendo cometido algum ato ilícito por um menor imputável ou não, surgirá o dever de reparação do dano causado, não a eles (menores inimputáveis), mas a seus pais ou tutor a quem cabia a sua vigilância e guarda. Nesta hipótese aplica-se a responsabilidade objetiva pelos fundamentos já esclarecidos.

b) Anuência da Vítima: se o lesado concordou livre e conscientemente na prática da lesão ao seu próprio direito, não existirá o dever de indenizar, visto que a ação do agente não estava constituída de ilicitude, pois praticou ato lesivo com a quando a pessoa lesada assumir os riscos de uma determinada atividade. Pode-se citar como exemplo de consentimento direto a aceitação de determinado indivíduo que está enfermo e consente, depois de esclarecido, em ser medicado com medicamento ainda em experimento, cujos efeitos ainda não são conhecidos, objetivando encontrar. Exemplo claro de anuência indireta é o do indivíduo que se aventura numa luta de boxe.

c) Demência ou estado grave de desequilíbrio mental: é necessário que o lesante não seja capaz de controlar seus atos. Os estados de que trata este tópico podem ser causados pelo uso de droga, álcool e debilidade mental. Afirma a doutrina que as pessoas que causarem dano estando em estado de demência ou de grave desequilíbrio mental não responderão pelos prejuízos que causaram, pois tal responsabilidade passará a pessoa que detém a sua guarda, entretanto, provando esta que não houve negligência de sua parte, poderá a vítima não ter o seu prejuízo reparado. Contudo, está expressamente previsto no art. 928 do Código Civil de 2002

que o incapaz estará obrigado a reparar o dano por ele causado quando as pessoas que forem responsáveis por sua guarda não tiverem obrigação de efetuar tal reparar ou quando não dispuserem de recursos para tanto. Há que se observar a esse respeito ainda que não tendo, igualmente, o incapaz condições suficientes para garantir tal reparação de maneira que não seja privado do necessário para seu sustento o lesado ficará sem a reparação do dano.

d) Exercício normal de um direito: ocorrendo lesão a direito de outrem por ato praticado no exercício regular de um direito, não haverá dever de reparação em razão do comportamento do agente não ser contrário ao direito.

Ensina Diniz (2002) que só haverá imputabilidade na presente hipótese quando houver abuso de direito ou o exercício do direito for irregular ou anormal.

Assim, pode-se afirmar que não existe imputabilidade no caso de o agente praticar ato no exercício regular de um direito, desde que ele não cometa excesso ou seu direito não seja regular.

e) Legítima defesa: exclui-se o dever de reparação do autor de ato lesivo quando este para proteger-se ou para proteger terceiro de agressão injusta, iminente e atual, causa dano ao ofensor; deste modo, o ato lesivo praticado em legitima defesa exclui a imputabilidade do agente causador do dano.

f) Estado de necessidade: nas palavras de Diniz (2002, p. 46) consiste o estado de necessidade “na ofensa do direito alheio para remover perigo iminente, quando circunstâncias o tornarem absolutamente necessário e quando não exceder os limites do indispensável para a remoção do perigo, exclui, em regra, a responsabilidade”.

Entretanto, pode-se observa que nem sempre o ato praticado em estado de necessidade exclui a responsabilidade do agente de reparar o prejuízo a não ser que o dono da coisa destruída ou deteriorada tenha culpa pela ocorrência do evento.

É essencial para a configuração do estado de necessidade que a vítima não tenha contribuído para a ocorrência de seu próprio dano.

São hipóteses citadas pela doutrina que configuram o estado de necessidade, por exemplo, o sacrifício de um automóvel alheio para salvar vida

humana; destruição de prédio alheio para evitar que um incêndio se propague pelo quarteirão, entre outros.

2.2.2 Responsabilidade Sem Culpa

Com a revolução industrial e com avanço tecnológico surgiu um novo contexto social, qual seja as atividades perigosas, se tornando insuficiente, em certos casos, a responsabilidade fundamentada na culpa (teoria da culpa), assim, originou-se a corrente doutrinária objetivista desvinculada da culpa.

Preconiza a teoria objetivista que o prejuízo será reparado pelo agente independente de prova de culpa, tendo em vista que tal responsabilidade baseia-se na atividade perigosa desenvolvida pelo agente e definida em lei, pois as hipóteses de ressarcimento fundadas no risco estão delimitadas em lei.

Faz-se necessário ainda observar que o fato lesivo não precisa ser ilícito, bastando que ele cause perigo de dano à vida, à saúde ou ao patrimônio de alguém para que surja a responsabilidade de reparação do dano.

Nesse sentido afirma Lopes, citado por Diniz (2002, p. 48), que “o perigo deve resultar do exercício de atividade e não do comportamento do agente”. Deste modo, o importante na responsabilidade sem culpa é a atividade desenvolvida pelo agente, pois se ela gerar perigo a outrem, mesmo sendo lícita, ele deverá responder pelo risco, sendo dispensável a prova da culpa pela vítima que deverá apenas demonstrar o nexo de causalidade entre dano e conduta.

Comparando a responsabilidade subjetiva com a objetiva é possível se verificar que o diferencial entre elas é que enquanto na primeira o fato gerador é o ato ilícito na segunda o ato poderá ser licito, mas se acarretou perigo a terceiros ensejará o direito à reparação.

São hipóteses de responsabilidade sem culpa, fundadas no risco, prevista no ordenamento jurídico brasileiro:

a) Acidente de trabalho: anteriormente à Constituição Federal de 1988 se o empregado sofresse algum acidente de trabalho o patrão respondia independentemente de culpa, isto é, o patrão por ser beneficiário do serviço do empregado e das máquinas respondia mesmo que não tivesse contribuído para o evento danoso, pois se adotava a teoria do risco.

Contudo, com advento da Constituição Federal de 1988 e do Decreto n.

3.048/99 a responsabilidade atribuída ao empregador em decorrência do acidente de trabalho passou a ser subjetiva. Diante disso, o direito brasileiro passou a exigir que o empregador pague um seguro a fim de cobrir os danos ocorridos em virtude do acidente de trabalho.

b) Acidentes resultantes do exercício de atividades perigosas: estão inclusas neste item a utilização de veículos terrestres, marítimos ou aéreos. A esse respeito cabe destacar algumas informações. Em se tratando de acidentes em estradas de ferro afirma a doutrina pátria que a responsabilidade das estradas de ferro será objetiva quanto aos danos causados ao proprietário das marginais da linha, ainda que referidos danos sejam decorrentes de casos fortuitos ou força maior. Entretanto, se o dano contribuiu de alguma forma para a ocorrência do dano (violação de disposição legal/regulamentar) cessará a responsabilidade da estrada de ferro. Cabe ainda destacar que a responsabilidade das estradas de ferro no que se refere ao transporte de pessoas ou animais será contratual, isto é, se o viajante sofrer algum dano decorrente do transporte ou a mercadoria sofrer avarias, ter-se-á a responsabilidade contratual das estradas de ferro, contudo, se ficar provado que a vítima contribuiu para a ocorrência do evento danoso ou que as avarias das mercadorias se deram em razão de caso fortuito ou força maior a responsabilidade das estradas de ferro será excluída.

Em nosso ordenamento jurídico, por força do que dispõe o Código Brasileiro de Aeronáutica, os danos causados por aeronaves à pessoa ou a bens são todos reparados pela empresa proprietária e causadora do prejuízo, no entanto, poderá haver diminuição ou exclusão do dano se ficar provado que o lesado contribuiu para a ocorrência do dano.

Quanto aos danos causados a passageiros transportados em automóvel, ônibus, bonde, e outros, aplicam-se, por analogia, a presunção de culpa daquele que conduz o trem, assim, verifica-se que a responsabilidade desses só poderá ser elidida em caso de força maior ou caso fortuito ou ainda se provada a culpa do lesado.

Em caso de danos causados por barcos vigora no ordenamento jurídico brasileiro que cabe aos proprietários das embarcações a reparação do prejuízo sofrido pela vítima.

Assevera Diniz (2002) que por força do que dispõe o art. 734 e 927 do Código Civil, atribui-se ao transportador a responsabilidade objetiva.

Desta maneira, pode-se afirmar que por intermédio da responsabilidade objetiva criou-se um risco sobre as atividades desenvolvidas pelos meios de transportes existentes, cabendo, em regra, aos seus proprietários ou condutores o dever de indenizar.

c) Furto de valores praticados por empregados de hotéis contra hospedes e atuação culposa de preposto ou serviçal, no exercício de seu trabalho: caso o empregado do hotel furte valores do hospede caberá ao proprietário do hotel a responsabilidade de reparação do prejuízo sofrido pela vítima. Quanto a atuação culposa de preposto ou serviçal no exercício do trabalho vigora o entendimento de que o empregador deverá responder pelos equívocos do empregado, não lhe cabendo produzir prova para isentar-se de culpa.

d) Queda de coisas de uma casa ou seu lançamento em lugar indevido: a responsabilidade de reparar o dano decorrente da queda ou lançamento de um objeto que acarrete prejuízo a outrem será do proprietário ou habitante do imóvel, ainda que o fato em si não lhe seja imputável.

e) Atos praticados no exercício de certos direitos: apesar da Lei autorizar em algumas hipóteses que uma pessoa construa uma servidão de passagem, por exemplo, sobre o prédio vizinho, haverá obrigação daquele que construiu de reparar o prejuízo sofrido.

f) Comportamentos administrativos prejudiciais a direito de particular:

segundo dispõe o art. 37, § 6º da Constituição Federal, para que o Estado responda civilmente basta que haja evento danoso, nexo de causalidade entre o ato do funcionário e o serviço, ou seja, que o ato tenha sido praticado durante o serviço. O dispositivo legal acima referido adota a teoria objetiva para a responsabilização do Estado. Há que se observar ainda que cabe ao Estado o direito de regresso contra o agente público para reaver o que pagou. Ver-se-á a seguir alguns detalhes a respeito da ação do Estado.

2.2.3 Ato e Responsabilidade Civil do Estado

O Estado na qualidade de pessoa jurídica que é, usufrui de uma realidade jurídica própria, e por esse motivo só pode agir através de seus representantes, agentes públicos ou prepostos.

O Estado na qualidade de pessoa jurídica que é, usufrui de uma realidade jurídica própria, e por esse motivo só pode agir através de seus representantes, agentes públicos ou prepostos.

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