5. MODELO DE PLANEJAMENTO E GESTÃO DE TERRITÓRIOS
5.2 DESENHO DA PROPOSTA
5.2.2. Elementos de Apresentação da Proposta
5.2.2.1. Descrição e Objetivos
Primeiramente, será detalhado cada processo, atendo-se particularmente aos seus objetivos, as entradas e saídas e as suas escalas de abrangência. Cada processo terá um objetivo principal claro, que a todos deverá ser participado a finalidade do processo desencadeado. As entradas são pressões de qualquer natureza (político-
cultural, ecológica e econômica) que desencadearam o processo, enquanto na saída tem-se o resultado do processo desenvolvido.
Enfim, o processo foi focado em si e em suas entradas e saídas. Deu-se destaque para as escalas que cada processo atuará, tendo em vista que se constituem em um processo territorial de planejamento e gestão, e por fim foram apresentados os objetivos que se pretende alcançar.
5.2.2.2.
Os Agentes
Na visão por processo em territórios turísticos, o usuário do espaço, quer seja turista ou residente, está incluído no processo de planejamento, pois está na mesma situação de clientes em um processo de produção industrial ou de serviços. Desta forma, pode-se conceber que o princípio da perspectiva processual não muda, independente das suas finalidades.
O modelo que vem sendo apresentado tem como um de seus princípios a participação dos usuários no processo. Os novos territórios não podem deixar de ser territórios reais, produzidos pelos agentes que usam este espaço. Num mundo onde se pensa cada vez mais nos fluxos, relegando a um segundo plano a tradição da ciência moderna de pensar nos fixos, pensar em território, soa quase como um trabalho do passado, pois as redes representam a nova era. Os processos cada vez mais intensos de globalização criam espaços que pouco tem de produção dos grupos humanos locais. O discurso do não-lugar toma vulto na década de noventa do século passado, tendo espaços turísticos como principais exemplos. No entanto, há muitas críticas a estes espaços que retratavam ao máximo os efeitos perversos
do sistema e particularmente perigosos para o próprio sistema econômico mundial. O turismo se caracterizou como um destruidor de territórios humanos. Esse turismo massivo, por contradição, toma maior vulto nas últimas décadas do século passado, fase em que o próprio sistema começa a mudar sua base estandartizada, para um modelo flexível e personalizado.
O turismo tem no território, sua principal material prima. Se os territórios deixarem de ser uma produção de seus usuários, compromete o próprio processo de produção de capital no turismo. Os agentes de todos os tipos, organizados ou não, precisam fazer parte da produção destes novos territórios, talvez muito mais fluídos do que concretos. O processo de planejamento e gestão do território precisa ser mediado, por grupos que integram seus próprios sistemas. Esses agentes mediadores são responsáveis diretamente pela realização do processo, se posicionando como articuladores entre os demais agentes e funcionando como garantia de que o processo tenha continuidade. Além do agente mediador, os demais agentes integrantes, também são co-responsáveis pela efetividade e pela eficácia de cada processo. O agente mediador necessariamente não precisa ser o poder público, como tradicionalmente é percebido nos modelos de planejamento. As novas funções que o Estado vem tomando ao longo dos últimos anos no Brasil e no mundo, além de desobrigar o Estado da função de mediador, possibilita a ascensão de novos grupos como mediadores do processo, garantindo o comprometimento de um número cada vez mais expressivo da sociedade.
Uma participação equânime dos agentes não se garante apenas pela participação efetiva dos membros da sociedade ou de igualdade de representações. O princípio da autonomia, resgatado por Souza (2001) a partir de Castoriades, se apresenta como uma possibilidade mais adequada ao momento atual. Não se deve apenas dar
o direito de todos participarem das decisões, mas todos precisam ser instrumentalizados. Em suma, ao admitir que o planejamento é ação política, antes de técnica, admite-se que a instrumentalização política, no mínimo, é tão importante quanto a técnica.
5.2.2.3. Os Indicadores
Os indicadores são parte do desenvolvimento, do monitoramento e da avaliação e foram detalhados em cada processo. Entende-se que para o pleno desenvolvimento dos processos é necessária a constituição de indicadores adequados aos objetivos de cada processo. Os indicadores tem a função de avaliar o alcance dos objetivos propostos (referência esperada para cada um dos processos). A referência medida pelos indicadores a ser alcançada em cada processo tem três características:
a) Medição qualitativa e quantitativa – tendo em vista que a natureza do processo é basicamente social, as medidas qualitativas são prioritárias com relação às quantitativas, em vista da complexidade inerente aos sistemas sociais, e dos modelos quantitativos, notadamente reducionistas, considerados, portanto inoperantes em sistemas abertos.
b) Relação direta entre entrada e saída - a verificação precisará refletir sempre uma relação entre entrada e saída, pois se trata de um processo sempre mutável. A saída estará altamente relacionada com a entrada, tendo em vista que estes dois momentos se configuram como ambientes externos ao sistema.
c) Padrão de referência definido pelos próprios agentes – a definição das referências as quais são comparadas aos resultados levantados pelos indicadores precisam se manter entre o técnico e o político. Assim, o padrão nunca será o ideal técnico e nem a vantagem política, mas um ponto de referência entre estes dois pólos, resultado de um processo de negociação entre todos os grupos envolvidos.
Os indicadores precisam ter valores de referências, que precisam ser determinados a partir de procedimentos distintos, mas não excludentes. Assim, a definição de tais referências precisa se atentar para ações de diversas ordens, que devem ter um caráter integrado, onde a preocupação com uma delas, não pode, desconsiderar as demais. A definição dos valores de referência dos indicadores deve atender a princípios de objetividade, escala, territorialidade e legitimidade.
• Objetividade: os valores devem ter caráter científico, e desta forma, claros, objetivos e focados;
• Escala de referência: os valores precisam estar numa escala de referência a partir de uma tendência desejada;
• Territorialidade: os indicadores devem ser espacializáveis, passíveis, portanto de comparações com outros territórios e com o próprio territorios em escalas temporais e espaciais diferentes;
• Legitimidade: a referência além de ser facilmente lida por todos os grupos envolvidos, devem ter seus valores legitimados pelos próprios grupos sociais. Desta forma, garante-se um comprometimento mais intenso com as ações bem como aproximar da objetividade questões subjetivas como qualidade de
vida, bem estar da população, capacidade de suporte psicológico, entre outras.
Os indicadores procuraram garantir a eficiência, a eficácia e a efetividade dos processos através do feedback interno de cada processo. A perspectiva sistêmica e processual desenvolvida nesta proposta indica que o efetivo monitoramento de cada processo traz vantagens significativas tanto nas questões técnicas como políticas do planejamento e da gestão, por apresentarem resultados mais rápidos e próximos da realidade dos agentes envolvidos. Salienta-se, no entanto que tais ciclos de monitoramento e avaliação em cada processo não substitui o monitoramento do processo como um todo, exigindo, portanto, indicadores globais do macro-processo.
Enfim, os indicadores exigidos por um processo de desenvolvimento com bases sustentáveis devem ter caráter integral e multidimensional, próprios de processos sociais com alto grau de complexidade.