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Elementos do Grupo “A” Biológico-Infeccioso:

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

4.1 – ELEMENTOS DE RISCO AMBIENTAL IDENTIFICADOS E PERFIL TÉCNICO DOS PROFISSIONAIS PARA REALIZAR AUDITORIA AMBIENTAL:

4.1.1 Elementos do Grupo “A” Biológico-Infeccioso:

Foram identificados elementos de classe e ordem diversas que caracterizam riscos ambientais de natureza biológica e infecciosa no HU e que se relacionam ao atendimento a pacientes com problemas de saúde e as atividades acadêmicas. Dentre os itens e atividades presentes estão: realização de procedimentos cirúrgicos de complexidades variadas, pesquisas com culturas de bactérias e microorganismos, uso eventual de animais para testes, condicionamento e descarte de tecidos e peças humanas e animais, coleta e análise de amostras de sangue e tecidos, consultas para especialidades médicas como pediatria, oftalmologia, oncologia e tratamentos infecciosos, dentre estes: viroses diversas, HIV, hanseníase, leishmanioseetc.

Figura 4.1 – Amostras de Sangue na Agência Transfuncional Fonte: Arquivo Pessoal

No HU são realizados exames para análise de sangue de pacientes e testes de tipo sanguíneo de amostras encaminhadas pela Secretária Estadual de Saúde, conforme Figura 4.1. Em outros prédios da instituição como o Hospital, destinado aos internamentos, o Bloco Odontológico, o Laboratório de Patologia, e o Prédio Ambulatorial desenvolvem atividades que produzem resíduos com potencial infectante, tais como: curativos, sobras e amostras de fluídos e tecidos corporais, materiais descartáveis utilizados nos atendimentos e nos tratamentos aos pacientes, resíduos de hemocomponentes, carcaças e peças anatômicas, dentre outros descritos no Plano de Gerenciamento de Resíduos de Saúde (HU, 2011), conforme orientação da ANVISA (2001).

Figura 4.2 – Recipientes para Resíduos Infectantes no Prédio de Internamento Fonte: Arquivo Pessoal

São procedimentos frequentes a coleta e análise de amostras de sangue, fezes, urina e tecidos dos pacientes externos e dos internados para realização de testes e cultura de microorganismos. Esses exames são feitos por funcionários do HU e por alunos cujas aulas práticas são realizadas em suas dependências e podem ser visualizadas nas Figuras 4.3 e 4.4 tiradas nas dependências do Laboratório de Análise Clínicas.

Figura 4.3 – Cultura de Microorganismos Laboratório de Análise Clinica Fonte: Arquivo Pessoal

Figura 4.4 – Equipamento para Realização de Exames Laboratório de Analise Clinica Fonte: Arquivo Pessoal

As Figuras 4.5 e 4.6 retratam o arquivo de amostras de lâminas contendo fluídos e tecidos humanos que constituem um acervo para pesquisa, utilizado pelos discentes e docentes nas atividades acadêmicas e ainda um histórico dos pacientes para eventuais usos futuros.

Figura 4.5 Arquivo de Lâminas com Amostras de Exames Prédio Ambulatorial Fonte: Arquivo Pessoal

Figura 4.6 – Arquivo de Lâminas Fonte: Arquivo Pessoal

No Laboratório de Análises Clínicas, no Hospital e no Laboratório de Patologia, existem amostras e arquivos de tecidos humanos, apresentados nas Figuras 4.7 a 4.10. Esse material é empregado nas atividades acadêmicas como fonte de pesquisa para os alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação.

Figura 4.7 – Amostras de Tecidos Humanos Prédio da Patologia Fonte: Arquivo Pessoal

Figura 4.8 – Amostras de Tecidos Humanos Prédio da Patologia Fonte: Arquivo Pessoal

Figura 4.9 – Amostras de Tecidos Humanos Lab. Análise Clínica Fonte: Arquivo Pessoal

Figura 4.10 – Amostras de Tecidos Humanos Lab. Análise Clínica Fonte: Arquivo Pessoal

Embora mantidas em substâncias conservantes e esterilizantes como o formol, essas amostras apresentam risco biológico por estarem em estágios diversos de decomposição e/ou terem sido objeto de infecções e contaminações.

Figura 4.11 - Estufas para cultura de bactérias – Prédio de Patologia Fonte: Arquivo Pessoal

No prédio da Patologia e no Laboratório de Análises Clínicas são feitas culturas de bactérias e microorganismos oriundos do material coletado com os pacientes. Há também culturas de agentes diversos, decorrentes das pesquisas desenvolvidas pelos alunos e professores da instituição, que demandam procedimentos específicos para seu manuseio, conservação e descarte.

Figura 4.12 – Depósito de Resíduos Infectantes e Comuns do HU Fonte: Arquivo Pessoal

Todo o material com risco infectante é destinado a um depósito identificado e fisicamente separado dos resíduos comuns que é coletado por uma empresa contratada e encaminhado ao destino final. A Figura 4.12 refere-se à área acima, que é acessível a pessoas

estranhas ao HU e a animais domésticos pela falta de barreiras físicas, bem como a ausência de trancas e cadeados em seus portões.

Existe no HU a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar – CCIH27. E essa coordenação é responsável por expedir as normas de controle e combate às infecções hospitalares, além de analisar e combater os casos ou situações onde se verifiquem fragilidades no controle da contaminação hospitalar (CONAMA, 2001; ANVISA, 2004).

Embora o Art. 8º do seu Regimento Interno lhe atribua algumas atividades que se espelham a auditoria, sua atuação prática é voltada para emissão do relatório anual acerca do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Saúde - PGRSS, dos níveis de contaminação hospitalar da Instituição, do atendimento a situações específicas quando requerido pelas unidades médicas ou em decorrência de Normativos do Ministério da Saúde que exijam sua notificação.

Sua atividade não se confunde com a de auditoria por não apresentar uma base periódica, amostral, fundamentada em testes previamente planejados e com objetivos definidos, com fins de constatar as condições de aderência dos setores e práticas cotidianas aos normativos e orientações ligadas a tal tema. O que pode ser verificado no tratamento aos medicamentos vencidos, apresentado mais adiante nas páginas 92 e 93 deste estudo e no condicionamento do lixo infectante. O PGRSS elaborado pela CCIH prevê em seu item 5.4 etapa IV:

Os resíduos transportados mediante a coleta interna devem permanecer armazenados em abrigo até que a coleta externa seja efetuada, dispostos em contêineres devidamente identificados. Após a coleta externa ou sempre que ocorrer derramamento de resíduos infectantes, o abrigo deve sofrer higienização (desinfecção e limpeza). O acesso ao abrigo de resíduos é restrito aos profissionais responsáveis pela coleta interna e externa.

 Os resíduos provenientes das salas de utilidades de todo o Hospital devem ser armazenados no ABRIGO DE RESÍDUOS. Sua estrutura física deve atender às especificações exigidas, com piso e parede revestida com material lavável, ter telas para evitar entrada de insetos, ponto de água e drenagem, e os contêineres devem possuir tampas e permanecer fechados. Após a coleta externa (fase extra- estabelecimento) o abrigo deve ser higienizado. A higienização também deve ocorrer sempre que há derramamento. (HU, 2011, p.26)

Mas, conforme pode ser observado na Figura 4.13, abaixo, isso não vinha sendo cumprido, estando o resíduo infectante, sacolas brancas, condicionado fora de

27Comissão de Controle de Infecção Hospitalar - CCIH: Órgão de assessoria à autoridade máxima dos EAS

contêineres e misturado ao resíduo comum, sacolas pretas. Verificava-se também a ausência de telas de proteção contra insetos (aparatos de ventilação no fundo do prédio, Figura 4.12) e portas sem trancas, com o material sendo mantido fora da área de confinamento. Observa-se ainda um veículo estacionado na lateral do depósito e também materiais de construção ali armazenados.

Figura 4.13: Foto do armazenamento externo dos resíduos Fonte: Lima (2011)

A Figura 4.13 demonstra uma situação ocorrida até o início do primeiro semestre de 2011. No início desse ano a Vigilância Sanitária Municipal notificou a unidade quando a inadequação de seu depósito de resíduos. Como medida saneadora a Instituição promoveu a reforma do depósito e introdução de contêineres de armazenamento com tampa o que pode ser visualizado na Figura 4.14 abaixo.

Fonte: Arquivo Pessoal

Em princípio, os aptos profissionais com formação médica seriam os primeiros cogitados para tal finalidade e a instituição dispõe de 118 (cento e dezoito) ocupando cargos técnicos. Todavia, esta especialidade volta-se primordialmente para as auditorias relacionadas aos atos e procedimentos (CFM, 2001), com foco na racionalização dos recursos financeiros, no combate a fraudes, desperdícios e erros médicos (PREGER ET AL, 2005). Nesse mesmo sentido, também Soares (2001) destaca que a atividade médica de auditoria vem se profissionalizando e se especializando no controle de custos e na instigação de erros procedimentais na área. Admite Antonini (2003, p.01) que “a auditoria em saúde, no nosso meio [médico], foi criada por uma necessidade urgente do sistema estatal de saúde. Sem controle, os prestadores de serviços médicos fraudavam o sistema de diversas maneiras”. Porém, não há impedimentos legais ou de formação para que atuem em auditorias ambientais com foco nos controles de risco biológico e infeccioso.

Frente aos elementos que compõem e influenciam os riscos biológicos e infecciosos, Adami & Maranhão (1995) sustentam que os profissionais da área de enfermagem possuem o conhecimento técnico necessário para realização de auditoria e emissão de pareceres, sendo esta categoria profissional a que é normalmente empregada nas avaliações de risco ambiental e salubridade em unidades de saúde.

A Instituição possui 62 servidores no cargo de enfermeiro atuando no HU. Sendo que, destes, 9 (nove) ocupam cargos técnicos, porém, possuem formação superior na área, logo, aptos a realizar atividades de auditoria. Esses servidores são concursados e efetivos, todavia em número inferior ao necessário para as atividades desenvolvidas no HU, motivo pelo qual existem funcionários terceirizados nessa área, embora sua maioria na categoria de técnico em enfermagem.