As histórias em quadrinhos apresentam uma linguagem singular que ao decorrer dos dois séculos passados foi apresentada ao mundo e aperfeiçoada de modo que a resposta do público foi extremamente positiva, devido a sua praticidade ao ser decodificada “As histórias em quadrinhos comunicam numa “linguagem” que se vale da experiência visual comum ao criador e ao público. Pode-se esperar dos leitores modernos uma compreensão fácil da mistura imagem-palavra e da tradicional decodificação de texto.” (EISNER, 1985, p.7). Essencialmente os quadrinhos usam o recurso visual e o recurso textual, combinados para narrarem uma determinada história.
Palavras, imagens e outros ícones são vocabulário da linguagem chamada história em quadrinhos! Uma linguagem simples e unificada merece um vocabulário simples e
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unificado. Sem isso os quadrinhos continuarão a ser taxados de o “o filho bastardo” das palavras e imagens. (MCCLOUD, 1995, p. 47)
A parte textual dos quadrinhos sempre se apresenta com pouco texto, em um balão de fala ou pensamento, seguido de uma fonte san serif em caixa alta, mas esta parte não se restringe a isso, as onomatopeias, também textuais, representam através de palavras e de design chamativo com cores gritantes o som de um determinado evento, como por exemplo, o barulho de uma explosão, o som de tiros. Ela também pode ser usada como parte da linguagem visual, Eisner (1985) afirma que é possível através de fontes diversas dispostas em um layout serem uma extensão das imagens, a fim de fornecer um determinado clima emocional, uma ponte narrativa (figura 30).
Figura 30. Cena de The Spirit
Em relação ao visual, os quadrinhos apresentam vários recursos que auxiliam no desenvolvimento narrativo das imagens, como a sarjeta que nada mais é do que o espaço em branco entre os quadros, “Apesar da denominação grosseira, a sarjeta é responsável por grande parte da magia e mistério que existe nos quadrinhos! É aqui no limbo da sarjeta, que a imaginação humana capta duas imagens distintas e as transforma em uma única ideia.” (MCCLOUD, 1995, p 66) Isso permite que o leitor venha a usar a conclusão que McCloud (1995) a conceitua como a conexão entre os quadros que os leitores realizam mentalmente concluir uma realidade continua e unificada.
Esse elemento e proporcionado graças a outro elemento o quadro “Os quadros das histórias fragmentam o tempo e o espaço, oferecendo um ritmo recortado de momentos dissociados.” (MCCLOUD, 1995, p.67)
O ato de enquadrar ou emoldurar a ação não só define seu perímetro, mas estabelece a posição do leitor em relação à cena e indica a duração do evento. Na verdade, ele “comunica” o tempo. A imposição das imagem dentro do requadro dos quadrinhos atua como catalizador. [...] Nas modernas tiras ou revistas de quadrinhos, o recuso fundamental para a transmissão do timing é o quadrinho. As linhas desenhadas em torno as representação de uma cena, que atuam como um dispositivo de contenção da ação ou de um segmento de ação, têm entre as suas função a tarefa se soprar ou decompor o enunciado total. (EISNER, 1985, p. 28)
Eisner define também define como “Além da sua função principal de moldura da qual de colocam objetos e ações, o requadro do quadrinho em si pode ser usado como parte da linguagem “não verbal” da arte sequencial” (1985, p.44). O requadro pode apresentar mais de um design, com o fim de expressar algum momento, por exemplo: requadros retangulares com traçado reto podem comumente apontar ações no quadrinho que estão no tempo presente, o flashback é apontado por mio do traçado do requadro, traçado sinuoso ou ondulado é forma mais comum de retratar o passado.
O formato (ou ausência) dor requadro pode se tornar parte da história em si. Ele pode expressar algo sobre a dimensão do som e do clima emocional em que ocorre a ação, assim como contribuir para a atmosfera as página como um todo. O propósito do requadro não é tanto estabelecer um paco, mas antes aumentar o envolvimento do leitor com a narrativa. (EISNER, 1985, p 46)
O termo Timing ao qual o autor se refere e o recurso de expressar o tempo através de elementos que venham apresentar uma mensagem ou emoção específica, Eisner (1985). Assim
54 esse elemento é essencial para a construção da narrativa visual e verbal da história o próprio Eisner afirma que “Uma história em quadrinhos torna-se “real” quando o tempo ei timing tornam-se componentes ativos da criação.” (1995, p.26).
Na parte verbal tem se os balões além de que guardarem as falas dos personagens tem a função de captar e tornar visível o som, para tal é necessário que estes sejam dispostos em uma sequência a fim de saber quem está falando primeiro, Eisner (1985).
À medida que o uso dos balões foi se ampliando, seu contorno passou a ter uma função maior do que de simples cercado para a fala. Logo lhe foi atribuído a tarefa de acrescentar significado e de comunicar a característica do som a narrativa. Dentro do balão, o letreiro reflete a natureza e a emoção da fala. (EISNER, 1985, p. 27)
Um elemento opcional que Will Eisner comumente utilizava em suas obras, principalmente em The Spirit era as páginas de apresentação. Onde o autor colocava um breve resumo da história juntamente com o título da obra.
A primeira página de uma história funciona como uma introdução. O que e quanto entra nela depende do número de páginas que vêm a seguir. Ela é um trampolim para a narrativa, e, para a maior parte das histórias, estabelece um quadro de referência. Se bem utilizado, ela prende a atenção do leitor e prepara a sua atitude para com os eventos que se seguem. Ela estabelece um “clima”. Ela se trona uma página de apresentação, mais do que uma simples primeira página, quando o artista planeja como uma unidade decorativa. (EISNER, 1985, p 63)