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4. Imagem

4.3 Elementos participantes decisões envolvidas

4.3.1 Funções da imagem

A imagem enquanto função tem se efetivado de forma expansiva. Dentro de uma sociedade em processo de evolução e vivendo a era da civilização imagética, tem se expressado e se posicionado a imagem como ferramenta de diversas interpretações.

Esta vem sendo, então, trabalhada de forma autônoma até auxiliar, seja de forma informativa, representativa ou de complementação junto ao texto. A imagem é considerada polissêmica. Segundo a infopédia, a imagem pode ser

identificada através de 10 funções: (1) função informativa ou representativa; (2) função explicativa ou descritiva; (3) função argumentativa; (4) função crítica; (5) função estética; (6) função simbólica; (7) função narrativa; (8) função expressiva; 9) A função lúdica; e (10) função metalinguística.

A função informativa ou representativa tem por finalidade passar informações verdadeiras e reais através da imagem. Como exemplo se destacam os retratos, as fotos de reportagem, os desenhos que retratam informações reais com traços próximos da realidade (figura 24).

Figura 24: Exemplo de imagem com função informativa ou representativa

Fonte: http://3.bp.blogspot.com.

A função explicativa ou descritiva ocorre quando a imagem vem como auxílio a conteúdos textuais, ajudando em sua explicação. Como exemplo, se observam as ilustrações que descrevem textos, infográficos, entre outros (figura 25).

Figura 25: Exemplo de imagem com função explicativa ou descritiva

Fonte: http://www.megacorretora.com.br.

A função argumentativa também chamada de função conativa ou apelativa tem como objetivo convencer, persuadir, promover. Busca também influenciar e causar estímulos no receptor. Essa função é bastante explorada na área publicitária, como exemplificado na figura 26.

Figura 26: Exemplo de imagem com função argumentativa ou conativa ou apelativa

Fonte: http://www.criatividadevisual.com.

A imagem que procura, por meio da ação de informar, trazer o ato da denúncia é característica da função crítica. Como exemplo, podemos apresentar a caricatura (figura 27).

Figura 27: Exemplo de imagem com função crítica.

Fonte: http://www.revistaarcadia.com/agenda/articulo/el-humor-como-critica- dictaduras/32080.

A função estética valoriza e ressalta o belo, determina o prazer pessoal através da composição e exaltação dos elementos visuais que a compõe a imagem (figura 28).

Figura 28: Exemplo de imagem com função estética

Fonte: http://www.infoescola.com

A função simbólica acontece através de imagens referenciais representando significados particulares acima do seu contexto/ significado real. Como exemplo bastante conhecido é a cruz como sinal de fé, a bandeira como representação do estado, a pomba como símbolo de paz (figura 29).

Figura 29: Exemplo de imagem com função simbólica

A função narrativa ocorre quando a imagem conta e descreve ações e histórias. Esta funcionalidade acontece em filmes animados, HQs e Sequências Pictóricas de Procedimentos (SPPs), por exemplo. Como observado na figura 30, é visualizado a ação do personagem em imagens sequenciadas através de uma narrativa.

Figura 30: Exemplo de imagem com função narrativa.

Fonte: http://www.aprancheta.com.

Já com a função expressiva a imagem desvenda e expõe sentimentos, expressões, valores daquele que a produz ou no que tem intenção de representar. Acontece com desenhos artísticos que expressam movimentos e posturas dos corpos, trazendo ilustrações em perspectivas por meio de enquadramentos e etc (figura 31).

Figura 31: Exemplo de imagem com função expressiva

Fonte: http://novotempo.com.

A função lúdica se caracteriza pela imagem despretensiosa para o entretenimento, com humor (figura 32).

Figura 32: exemplo de imagem com função lúdica.

Fonte: http://marcelodalla.blogspot.com.

E por último a função metalinguística trata-se de um código visual de auto-representação que ocorre por meio da imagem. Como principal exemplo se destaca o autorretrato reproduzido através da pintura (figura 33).

Figura 33: Exemplo de imagem com função linguística

Fonte: http://www.naomesmo.com.

Essas funções apresentadas concretizam a aplicação da imagem como linguagem, demonstrando assim sua importância para o meio de comunicação. Diante delas, esta pesquisa trabalhará para a montagem do livro de imagem principalmente as funções informativas e narrativas. O estudo para a formação deste tipo de livro, caracterizado só por imagem, trará uma abordagem de ilustração auto-representativa do espaço turístico e seu funcionamento, nesse caso aplicando a função linguística como pretensão de retratar o conteúdo de forma mais realística. Também usada a função narrativa, as imagens são adequadas no livro imagem de forma que a sua apresentação sequenciada descreve e orienta a ação do leitor nesse espaço turístico referente ao funcionamento (circulação), assim como fornecerá informações sobre curiosidades do ponto histórico.

4.3.2 Grau de iconicidade

Villafañe (1988) explica a imagem como Fixa ou Dinâmica. A Fixa é a imagem que, apesar de aparentar uma dinamicidade, através da adaptação de elementos de composição e estratégias (técnicas) de produção na imagem estática, caracteriza-se por uma falsa percepção de dinamismo. Dessa forma, faz da imagem fixa proporcional aos movimentos da imagem dinâmica, que são

aquelas vistas na televisão que ocorrem através dos frames. Sendo assim, a imagem fixa, que é propriamente o foco dessa pesquisa, apropria-se de elementos e técnicas de desenvolvimento colaborando para a narração visual de uma representação estática.

Villafañe (1988) ainda acrescenta que, de acordo com a materialização da imagem, elas podem ser classificadas em: imagens mentais, imagens naturais, imagens criadas e imagens registradas.

As imagens naturais (Figura 34) se referem as imagens que habitam o mundo; aquelas que vemos registradas pelo nosso sistema visual ótico. As imagens criadas (Figura 35) são aquelas idealizadas através da definições de ícones, índices, símbolos. As imagens registradas (Figura 36) como aquelas obtidas por dispositivos da fotografia, do cinema, do vídeo e até mesmo das tecnologias digitais. E, por último, as imagens lembradas que habitam nossa memória, tratam-se das imagens mentais. Entretanto, estas por serem retratadas por meio da natureza psíquica, dispensam sua representação através de um suporte físico.

Figura 34: Exemplo de imagem natural.

Figura 35: Exemplo de imagem criada.

Fonte: https://www.pinterest.com/pin/524950900291798180/

Figura 36: Exemplo de imagem registrada

Fonte: https://www.pinterest.com/pin/50243352068326994/

A imagem até então, por se apropriar da diversidade na expressão, vem a ser representada de acordo com a classificação do grau de iconicidade de acordo como é exibida. Villafañe (1988) distingue a imagem conforme seu nível de realidade através da escala dos graus de iconicidade apresentada na tabela abaixo. Sendo assim, quanto mais icônica for uma imagem, mais fácil será identificada e aceita pelas pessoas que a observam.

Quadro 1: Grau de Iconicidade.

Grau Nível de Realidade Critério Função Exemplo

1 Imagem natural Restabelece todas as

propriedades do objeto. Identidade. Reconhecimento Qualquer percepção “natural” da realidade. 2 Modelo tridimensional à escala Restabelece todas as propriedades do objeto. Identificação mas não identidade Descrição Estatuária naturalista. “Kits” 3 Imagem estereoscópica Restabelece as formas e dimensões dos objetos emissores de radiações presentes no espaço.

Descrição Hologramas

4 Fotografia colorida O grau de definição da imagem está equiparado ao poder de resolução de um olho médio. Descrição Fotografia de Reportagem 5 Fotografia a preto e branco O grau de definição da imagem está equiparado ao poder de resolução de um olho médio.

Descrição Fotografia de

Reportagem

6 Pintura realista Restabelece razoavelmente as relações espaciais num espaço bidimensiona

Artística Las Meninas de

Velasquez

7 Representação

figurativa não realista

Ainda se produz identificação mas as relações espaciais estão alteradas

Artística Guernica de

Picasso Caricaturas

8 Pictogramas Todas as características

sensíveis, exceto a forma estão alteradas

9 Esquemas motivados Abstração de todas as características sensíveis. Apenas se restabelecem as relações orgânicas. Informação Organigramas. Planos

10 Sinais arbitrários Não representam

características sensíveis. As relações de dependência entre os elementos não seguem nenhum critério “natural”

Informação Sinais de trânsito

11 Representação não

figurativa

Fazem abstração de todas as qualidades sensíveis e relacionais

Especulação Uma obra de Miró

Fonte: baseado em Villafañe (1988) e Souza (2001)

No caso do livro imagem, baseado na tabela de iconicidade, este projeto poderá ser apresentado através de fotografia colorida, pintura realista ou mesmo representação figurativa não realista. Quanto mais próximo da realidade, mais precisa ficarão as informações. Também pode ser possível propor imagens por meio de ilustração figurativa não realista como forma de estilizar, tornando esteticamente mais atrativo o livro de imagem, mas sem que haja a interferência no reconhecimento visual dessa representação.

4.3.3 Elementos base

Dada a composição da imagem, os elementos que constituem a imagem para Villafañe (1988) são distribuídos em 3 categorias: os elementos morfológicos (ponto, linha, plano, textura, cor e forma), os elementos dinâmicos (movimento, tensão e ritmo) e os elementos escalares (dimensão, formato escala e proporção). Sabendo que os elementos morfológicos são os únicos representados materialmente, eles relacionados entre si expressam os elementos dinâmicos e escalares. Os elementos dinâmicos aparentam de forma abstrata, em que através das técnicas representadas pelos elementos

morfológicos expressam tensividade e dinamicidade. Já os elementos escalares se sobressaem nessa relação através dos tamanhos apresentados pelos elementos morfológicos. Essas três categorias correspondem aos elementos básicos do design já apresentados e discutidos anteriormente.

4.3.4 Teoria Ashwin (1979) – (ingredientes) Elementos de estilo na ilustração contemporânea

De acordo com Ashwin (1979) as ilustrações contemporâneas são caracterizadas através de sete variáveis: (1) consistência; (2) gama, (3) enquadramento; (4) posicionamento; (5); proximidade, (6) cinética e (7) naturalismo. Cada uma é caracterizada por dois extremos, denominados como polos. Essas variáveis categorizam as representações dos conteúdos vistos a cada imagem ou às decisões tomadas pelo seu construtor.

A Consistência se refere à variedades ou tipos do material, técnicas e/ou instrumentos utilizados na representação. É classificada como homogênea (figura 37), quando representada através apenas de um instrumento e modo de representação, ou heterogênea (figura 38) no qual predomina mais de uma técnica e/ou modo de representação.

Figura 37: Exemplo de Consistência homogênea.

Figura 38: Exemplo de Consistência heterogênea.

Fonte: http://3.bp.blogspot.com/-

biGaaZxj5f8/UZ8UGAuGD9I/AAAAAAAACC4/WTn3k2vm1u0/s1600/Gaikuo+-+Batman.jpg.

A Gama corresponde à variedade nas características dos elementos e efeitos gráficos empregados, como espessura, direção, sombra, luz, entre outros. Na gama expandida (figura 39) há variadas propriedades na imagem como acontece representação real do corpo humano feminino e masculino, na restrita (figura 40) há pouca variedade na característica do elemento.

Figura 39: Exemplo de Gama expandida e Figura 40: Exemplo de Gama restrita.

Fonte 39: http://conteudo.imasters.com.br/4698/rascunho.jpg. Fonte 40: http://conteudo.imasters.com.br/4698/rascunho.jpg.

O Enquadramento representa o arranjo entre o espaçamento da imagem e seu suporte/moldura. Para esse caso, a divisão acontece entre o disjuntivo (figura 41), com o foco voltado apenas para o conteúdo principal; e o conjuntivo (figura 42), quando no conteúdo da imagem há além do elemento principal, abrangendo toda a situação formada por essa mesma imagem.

Figura 41: exemplo de Enquadramento disjuntivo.

Fonte: http://operamundi.uol.com.br/media/images/Mona_Lisa_face_800x800px.jpg.

Figura 42: Exemplo de Enquadramento conjuntivo.

Fonte: http://www.cyberartes.com.br/fotos/390/artista01_g.jpg

O Posicionamento é a organização do conteúdo na composição da imagem. Sendo assim, o posicionamento se aplica a duas classificações, simétrico (figura 43), quando os elementos da imagem possuem um ordenamento arranjado com localizações precisas; e casual (figura 44), que são localizações aleatórias dos componentes da na imagem.

Figura 43: Exemplo de posicionamento simétrico

Fonte: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/05/27/152086-970x600-1.jpeg.

Figura 44: Exemplo de posicionamento casual

Fonte: http://noivinhaansiosa.com.br/wp-content/uploads/2014/01/Noivinha-Ansiosa- 174.jpg.

A Proximidade é a distância entre o leitor e o conteúdo ilustrado, sendo esse representado por meio da escala de informação e interação geralmente conhecida como “olho no olho” (é o caso de quando uma imagem de uma pessoa segue o leitor com o olho). Essa divisão ocorre entre o perto (figura 45), a imagem tem contato direto com o leitor, ou longe (figura 46), em que o contato entre a imagem e o leitor é mínimo, não havendo interação entre ambos.

Figura 45: Exemplo de proximidade perto

Fonte: http://www.alienado.net/fotos/2009/03/Quadros-de-Artistas-e-pintores-famosos- 1.jpg.

Figura 46: Exemplo de proximidade longe

Fonte: http://1.bp.blogspot.com/-pCEis4PAIZM/UOhD5KQK0jI/AAAAAAAACrQ/Hfup- gwnBxc/s400/morpheus.jpg.

A Cinética é a dinamicidade da imagem representada. Esta pode ser estática (figura 47), que é a ausência ou pouca representação de movimento, ou dinâmica (figura 48), quando há elementos ou técnicas que expressam forte sensação de movimento.

Figura 47: Exemplo de cinética estática

Fonte: http://i1.wp.com/movimento31.com.br/wp- content/uploads/2013/09/batdadsd.jpg?resize=1000%2C1000.

Figura 48: Exemplo de cinética dinâmica

Fonte: http://559pm.files.wordpress.com/2012/04/futebol.jpg?w=950&h=950.

O Naturalismo expressa as características de conteúdo como uma representação realista e com situações de ocorrência provável. O naturalismo pode ser não naturalista (figura 49), com as situações confrontando as leis da física, sendo improvável seu acontecimento, ou pode ser naturalista (figura 50), a representação acontece de forma provável no mundo real.

Figura 49: Exemplo de naturalismo não naturalista.

Fonte: http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/surrealismo2.JPG

Figura 50: Exemplo de naturalista natural.

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