Os policiais militares, ouvidos em juízo, relatam que chegaram ao local quando o fato já havia ocorrido, tudo ainda estava envolto em fumaça, desmoronando o forro, os vidros estavam quebrados. Disseram que houve explosão, obtiveram informação que dois elementos teriam fugido do local de motocicleta, outros teriam fugido em um veículo em alta velocidade em uma caminhonete escura, preta. Neste caso o furto não chegou a se consumar, porque a explosão não afetou o local onde estava o dinheiro no caixa eletrônico.
Relataram que, segundo vizinhos que presenciaram o fato havia algumas pessoas dentro e outras fora da agência, sendo que houve disparos de tiros, mas não souberam dar maiores detalhes. Havia marcas de tiros nas paredes do banco. Relataram que um dos elementos ficou dando cobertura na rua e os demais entraram na agência.
O gerente da agência bancária confirmou o ocorrido, relatou que as máquinas foram danificadas, bem como o espaço físico, estimando o prejuízo em mais de R$ 100.000,00, já que foi trocado o piso,
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portas, janelas, estrutura física da agência e móveis, dentre outras coisas. Nesta data, 13/11/2011, por volta das 04:00 horas, os réus
Jonas Souza Gonçalves Júnior (Júnior ou Batman), Paulo Donizeti Cardinalli (seu Paulo), Israel Ferreira Almeida (Nenê), Julyender Batista Borges (Juju Rico), Joel José da Silva e Geovane Santos da Silva, tentaram subtrair dinheiro do caixa eletrônico instalado no banco
Bradesco daquela cidade.
Restou satisfatoriamente esclarecido que enquanto alguns arrombaram a frente do caixa eletrônico com uma alavanca e inseriram explosivo, provocando efetivamente a explosão, os demais ficaram do lado de fora, de atalaia, a fim de garantir que nenhuma pessoa atrapalhasse a ação.
Apesar da explosão, não foi possível concretizar o furto, já que as gavetas onde estavam depositadas as cédulas não foram abaladas.
Ante a frustração do intento criminoso, Israel Ferreira
Almeida (Nenê) e Julyender Batista Borges (Juju Rico) descarregaram
suas armas de fogo, efetuaram inúmeros disparos contra os vidros da agência e em direção a via pública.
Conversa interceptada com autorização deste juízo, do celular do acusado Geovane, que acabou gravando o som do ambiente em que estavam os ladrões, deixou claro que os autores dos disparos foram estes dois réus, inclusive porque os demais meliantes os orientam a não agirem dessa forma e somente atirar se houvesse intervenção policial.
Corroborando esta evidência, diálogo travado entre Suelen, esposa de Julyender, com Jennifer, esposa de Júnior Batman, naquela
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mesma data, indica que a mesma queria saber se os rapazes já haviam chegado. Este diálogo desmente a versão apresentada por Julyender no interrogatório, segundo a qual no dia e horário do delito estaria ele em companhia de sua esposa. Estava ele em companhia de Jonas e, portanto, estava praticando o delito em referência.
Há Laudo pericial que confirma indícios de disparos de arma de fogo, bem como fotografias (fls).
Contudo, em relação ao acusado Carru, Carlos Lemes de
Almeida, como bem aduziram as partes, não há evidências de que tenha
efetivamente praticado do furto, existindo apenas diálogo que comprova que ele sabia das ações criminosas dos demais.
Neste sentido, reporto-me à fundamentação já exposta quando da análise do fato anterior, para entender, em consonância com o que já manifestaram as partes, que não há provas suficientes para a condenação deste réu, motivo pelo qual será absolvido.
Está comprovada a participação de Jonas Souza Gonçalves Junior neste delito, tanto pelo fato de ser ele o líder do grupo, como pelo diálogo que Jeniffer trava com uma pessoa do sexo masculino, posteriormente à tentativa frustrada, naquela mesma data (13/11/2011, por volta de 15:46 horas, quando ela relata que “não conseguiram colocar “o trem”, certamente se referindo à dinamite.
Restou também claro que igualmente neste caso Paulo
Donizeti Cardinalli (seu Paulo) esteve na cena do crime, levando-os até
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provada por força do diálogo travado entre sua esposa e a ré Jeniffer, quando ambas se manifestam quanto ao retorno de seus maridos a Cuiabá.
Além disso, há registro da interceptação telefônica referente ao diálogo em que Paulo Donizeti relata a Mazinho outra ação criminosa, garantindo-lhe que o próximo crime seria cometido na “Barrinha”, referindo-se à cidade de Barra do Bugres.
O réu Joel Jose da Silva, policial militar, participou ativamente do ilícito. Esteve no local onde o crime ocorreu, concomitantemente aos demais acusados. Como medida de prevenção, determinou à sua esposa que desligasse o celular, para não ser localizado. No dia 12/11/2011, às 23:51h, entrou em contato com Júnior Batman para saber se estava tudo certo, tendo ainda restado comprovado que sua esposa ligou para Jeniffer no dia do crime, já por volta de 09:00 horas, querendo saber quando “eles” (Joel e Batman) iriam voltar.
Como bem aduziu o Ministério Público, a tese defensiva de Joel não merece qualquer crédito, eis que restou evidente que o mesmo praticou os delitos de livre e espontânea vontade e não sob coação, como quis fazer crer em seu interrogatório. Aliás, as alegações do interrogatório deste réu não guardam a mínima lógica e não foram capazes de elidir as provas colhidas mediante interceptações telefônicas judicialmente autorizadas, que comprovaram que Joel estava em Barra do Bugres no mesmo momento em que o crime era perpetrado, ou seja, comprovaram que Joel foi um dos autores do delito.
Ademais, documentos trazidos pelo Ministério Público ao final da instrução demonstram que no aparelho celular apreendido na casa
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de Julyender estavam registrados os números dos telefones de Joel e de Israel, o que vem corroborar que todos se conheciam e se comunicavam.
Portanto, em 13/11/2011, na Comarca de Barra do Bugres,
Jonas Souza Gonçalves Júnior (Júnior ou Batman), Paulo Donizeti Cardinalli (seu Paulo), Israel Ferreira Almeida (Nenê), Julyender Batista Borges (Juju Rico), Joel Jose da Silva e Geovane Santos da Silva, praticaram os delitos dos artigos 155, § 4º, incisos I e II c/c 14, II e
art. 251, caput e § 2º, ambos do Código Penal c/c art. 29 e 69, todos do Código Penal. Julyender e Israel praticaram, ainda, o crime do artigo 15 da Lei 10.826/2003.
Excluo desta imputação os demais acusados, porque restou claro que além de não terem efetuado disparos, na ocasião, não concorreram para a prática de tal ilícito, tanto que posteriormente criticaram a atuação dos autores do delito, conforme já expus. Assim, devem ser absolvidos quanto à imputação da prática do crime de disparo de arma de fogo. Carlos Lemes de Almeida deverá ser absolvido de todas as imputações relativas a este delito, com base no que dispõe o artigo 386, V do Código Penal.
4 - FURTO QUALIFICADO PELO CONCURSO DE