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Em busca dos bebês de Rosemary

No documento Maurício Stegemann Dieter (páginas 103-110)

II. A Política Criminal Atuarial

2.2. Em busca dos bebês de Rosemary

A origem dos fundamentos criminológicos que sustentam a proposta de incapacitação seletiva remonta ao famoso estudo de Robert FIGLIO, Thorsten SELLIN e Marvin WOLFGANG sobre delinquência juvenil publicado em 1972, no qual adotaram uma aproximação longitudinal conforme o ano de nascimento conhecida como “birth cohort study”. A pesquisa consistia, essencialmente, em acompanhar a vida de todo um grupo de rapazes nascidos no mesmo ano e lugar, colhendo-se dados em diferentes idades ou em certos eventos sociais (alistamento militar e conclusão do ensino médio, por exemplo), o que permitia uma ampla e não focalizada coleta de dados, ao estilo dos modernos censos oficiais.289 Esta aproximação contrastava com as práticas de pesquisa até então

288 Dirigido por Roman POLANSKY, o filme Rosemary´s Baby – cujo roteiro é uma adaptação do livro homônimo de Ira LEVIN – narra a história de uma mulher que é constrangida, sem sabê-lo, a gestar e parir o Anticristo, fato com o qual acaba por se conformar depois de consumado.

289 Acerca dos estudos de grupo conforme nascimento, existem precedentes com o mesmo método anteriores à década de 50, especialmente – mas não exclusivamente – na Europa. Entre eles, a tese doutoral de Nils CHRISTIE nos anos 60, que teria motivado Thorsten SELLIN a percorrer caminho semelhante. Uma síntese destes estudos pode ser apreciada em FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency in a Birth Cohort, p. 8-13.

dominantes na busca das causas da criminalidade juvenil, que operavam a partir da reunião verticalizada e objetiva de dados dos infratores condenados ou da narrativa dos adolescentes de sua própria história. Aqui, ao contrário, todos os indivíduos eram pesquisados, sem prévia discriminação e com o mínimo de interferência subjetiva.290

Seguindo esta metodologia, os três teóricos acumularam dados sobre praticamente todos os jovens do sexo masculino nascidos em 1945 e que residiram na Filadélfia entre os 10 (dez) e 18 (dezoito) anos de idade, num total de quase 10.000 (dez mil) indivíduos.291

A partir deles tentaram identificar comparativamente as características dos delinquentes, entendendo-se como tais aqueles com algum tipo de passagem formal pela polícia. Em seguida, classificavam seus perfis (ou tipos) conforme a frequência e gravidade dos fatos registrados.292

O estudo constatou que aproximadamente 35% (trinta e cinco por cento) do total dos adolescentes esteve alguma vez envolvido em um incidente oficial com a polícia antes dos 18 (dezoito) anos – indicando a normalidade da relação entre juventude e delinquência – e que entre estes 54% (cinquenta e quatro por

290 A referência essencial aqui é o trabalho de Clifford SHAW. Os argumentos em favor desta opção metodológica estão em seus trabalhos desenvolvidos em torno da década de 30, particularmente em SHAW, Clifford R. The Jack-Roller, p. 1-23 e SHAW, Clifford R. Brothers in Crime, p. 1-42.

291 Mulheres foram excluídas da pesquisa por seu baixo índice de criminalidade e porque a idade limite dos homens podia ser definida com facilidade pela obrigatoriedade do serviço militar, como explicam FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency in a Birth Cohort, p.

5.

292 Os autores justificam a escolha do registro da polícia como indicador da criminalidade juvenil porque se trata do agente do sistema de justiça criminal mais próximo da sociedade, o que atenua a impossibilidade de ajustar com precisão a margem de erro da pesquisa à cifra negra da criminalidade.

Eram considerados graves os atos infracionais que resultavam em lesão à vítima e perda e/ou destruição de seu patrimônio. Mais em FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E.

Delinquency in a Birth Cohort, p. 13-24. Era grande a preocupação metodológica da pesquisa, cujas bases haviam sido desenvolvidas na década anterior, como se comprova em SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Measuring Delinquency, p. 1-10. Por isso, todos os crimes referidos estavam incluídos no índice de crimes “indexados” pelo “FBI” (“index crimes”). Crimes “indexados” são aqueles previstos para fins estatísticos no “Uniform Crime Report” do “FBI” e se dividem em duas categorias. A primeira é a de (a) crimes violentos (“violent crimes”), subdivididos em (a.1) homicídio (“homicide”), (a.2) estupro (“rape”), (a.3) roubo (“robbery”) e (a.4) ameaça armada (“aggravated assault”). A segunda de (b) crimes contra a propriedade, conceito que inclui (b.1) invasão de domicílio (“burglary”), (b.2) furto (“theft” e “larceny”) e (b.3) furto de veículo (“motor vehicle theft”). Definições oficiais em http://www.ucrdatatool.gov/offenses.cfm

cento) voltaram a registrar passagem pelo sistema de justiça criminal.293 Todavia, a mais importante descoberta foi a de que quase 52% (cinquenta e dois por cento) de toda a criminalidade juvenil podia ser atribuída exclusivamente a certos reincidentes crônicos (“chronic recidivists”), que por sua vez correspondiam a apenas 6,3% (seis vírgula três por cento) do total de investigados.294 Em outras palavras, cerca de 6% (seis por cento) dos jovens da Filadélfia – e 18% (dezoito por cento) do percentual definido como delinquente – era responsável por mais de 50% (cinquenta por cento) do total de infrações.295

Animados pelo resultado, FIGLIO, SELLIN e WOLFGANG perceberam que a descrição do perfil dos membros desta terrível minoria permitiria elaborar estratégias preventivas de enorme utilidade. Entretanto, sob o prisma etiológico-social original de seu enfoque, a identificação dos jovens que tendiam a se transformar em criminosos de carreira estava condicionada à prévia descoberta dos fatores que determinavam a formação de carreiras criminosas.296

A pesquisa indicou, neste sentido, que o risco de um garoto praticar um delito – chamado “fator k” – dependia essencialmente de três variáveis: (a) a idade em que teve o primeiro contato com a polícia, (b) a natureza da infração praticada e (c) a cor da pele (ou raça). O mais decisivo entre os fatores era o primeiro, que revelava que a chance de um jovem voltar a praticar um delito era diretamente proporcional ao tempo de associação com o sistema de justiça criminal. O efeito criminógeno do próprio sistema era tal que levou os autores a relativizarem a importância da última variável, tendo constatado empiricamente o

293 Sendo a maioria dos reincidentes jovens não-brancos (“nonwhites”), de classe baixa, sujeitos à frequente mudança de endereço e com escolaridade inferior à média. Os últimos três dados, aliás, eram sintetizados na baixa pontuação no teste de mensuração do nível de vida socioeconômico destes adolescentes, conforme o conhecido critério “Socio-Economic Status”, ou “SES”. Mais em FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency in a Birth Cohort, p. 65-66.

294 Por crônicos se entendiam os jovens reincidentes com 3 (três) ou mais registros policiais. Eles integralizavam 627 (seiscentos e vinte e sete) jovens do total de 9945 (nove mil novecentos e quarenta e cinco) pesquisados, sendo 210 (duzentos e dez) brancos e 417 (quatrocentos e dezessete) não. FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency in a Birth Cohort, p. 88-91.

295 FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency in a Birth Cohort, p. 247-248.

296 A afirmação é de BLUMSTEIN, Alfred; COHEN, Jacqueline; ROTH, Jeffrey A. e VISHER, Christy A. (Orgs.). Criminal Careers and “Career Criminals”, p. ix.

tratamento desigual dispensado aos adolescentes negros pela polícia como efeito do racismo incorporado às práticas punitivas.297

Reduzidos os fatores e à luz da enorme quantidade de dados coletada, descrita e avaliada – mas sem o auxílio de uma teoria criminológica mais complexa para suporte – os pesquisadores prescreveram medidas para o combate eficiente à delinquência juvenil na segunda metade do livro.

Primeiro, desaconselharam intervenções oficiais de qualquer natureza sobre menores infratores antes do terceiro registro policial, por dois motivos utilitários. Por um lado, porque a maior parte dos adolescentes não se envolveria em ilícitos futuros independentemente de qualquer esforço estatal: delinquência e juventude estavam profundamente conectadas e admitir até duas passagens pela polícia fazia parte de uma cota de tolerância que evitava gastos desnecessários.

Por outro, porque o próprio atuar do sistema de justiça criminal aparecia como fator criminógeno, recomendando-se sua economia para os casos em que fosse indispensável, sob pena de promover aquilo que pretendia evitar.

Segundo, sugeriram que o governo desistisse dos caros, amplos e tradicionais programas de reeducação voltados para os adolescentes recolhidos em unidades de internamento, pois a predisposição para o crime de uma minoria e o ciclo da criminalização tornavam a recuperação praticamente impossível.

Seria mais racional, enfim, privilegiar ações que simplesmente retirassem os menores reincidentes crônicos da sociedade pelo maior tempo possível, sem se preocupar com sua reinserção social.298

Em trabalho posterior, desta vez relativo a jovens de ambos os sexos nascidos em 1958, os autores chegaram a conclusões parecidas. Apontando para um aumento na quantidade de infrações – sobretudo da natureza violenta – e

297 Os adolescentes negros eram quase sempre encaminhados ao estágio seguinte do processo de criminalização secundária pela Polícia, enquanto os jovens brancos eram liberados após pequenas e informais sanções. A diferença era substancial: enquanto 77% (setenta e sete por cento) dos adolescentes brancos eram liberados, isso só se repetia para 56% (cinquenta e seis por cento) dos demais. Análise completa dos dados em FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency in a Birth Cohort, p. 174-243.

298 46% (quarenta e seis por cento) dos jovens não se envolveria em outro fato criminoso após o primeiro registro e 35% (trinta e cinco por cento) após o segundo. Ver síntese das conclusões do estudo em FIGLIO, Robert M., SELLIN, Thorsten e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency in a Birth Cohort, p.

244-255.

diminuição da importância do fator racial, confirmaram a existência dos tais reincidentes crônicos entre adolescentes e sua enorme participação nos índices gerais da criminalidade. Para a nova pesquisa, 985 (novecentos e oitenta e cinco) adolescentes – tão somente 7,5% (sete e meio por cento) do total – respondiam por 61% (sessenta e um por cento) de todos os delitos registrados, com destaque para sua frequência nas estatísticas relativas a homicídio (61%), estupro (75%), roubo (73%) e crimes praticados mediante lesão corporal (66%).299

Perceberam também certa inconsistência na expectativa de delitos mais graves conforme a quantidade de crimes praticados pelo sujeito, o que demandava prognósticos de risco mais dinâmicos do que os disponíveis e a necessidade de cautela em relação a todos os reincidentes – e não apenas os classificados como de alto risco. Em sua parte prescritiva, recrudesceram o discurso ao recomendar o fim de critérios de justiça específicos para adolescentes – isto é, de um sistema normativo exclusivo para infância e juventude – e a mudança do paradigma da não-intervenção, aconselhando a internação como regra após o terceiro registro de crime mais grave.300 À luz desta afirmação, as conclusões dos dois estudos provavelmente constituem o precedente teórico para fundamentação das futuras propostas legislativas de segregação pela quantidade – e não qualidade – de crimes praticados, que depois se popularizaram nos Estados Unidos e foram devidamente estereotipadas pela lei dos “Three strikes”.

O êxito dessa empreitada foi estrondoso. A metodologia do “birth cohort”

foi aclamada em todos os grandes centros de Criminologia e a existência da suposta parcela de reincidentes crônicos entre os adolescentes americanos foi rapidamente naturalizada pela comunidade acadêmica adepta ao punitivismo, como bem ilustra o relatório de Donald J. WEST e David P. FARRINGTON ao

299 Paul TRACY substituiu Thorsten SELLIN nesta obra. O crescimento populacional aumentou a amostra para 13160 (treze mil cento e sessenta) indivíduos, que passaram o período entre os 10 (dez) e 17 (dezessete) nos conturbados anos de 1968 a 1975. FIGLIO, Robert M., TRACY, Paul E. e WOLFGANG, Marvin E. Delinquency Careers in Two Birth Cohorts, p. 1-4.

300 Síntese dos resultados em FIGLIO, Robert M., TRACY, Paul E. e WOLFGANG, Marvin E.

Delinquency Careers in Two Birth Cohorts, p. 273-298.

anunciar a vingança do conceito de caráter delinquente, agora estatisticamente demonstrado.301

E como contra fatos estatísticos não se admitiam argumentos jurídicos, a dupla liderou os esforços na descoberta das causas da delinquência juvenil a partir de uma perspectiva etiológica-individual concentrada sobre o processo de formação da personalidade, tendo comandado uma das mais duradouras pesquisas nesta área, depois publicada na Inglaterra e popularmente conhecida como “CSDD” em referência a “Cambridge Study in Delinquent Development”.302

FARRINGTON, em particular, insistiu em antecipar a caracterização da tendência criminosa, continuamente reduzindo a idade dos pesquisados. No ensaio que resume o desenvolvimento de 40 (quarenta) anos de pesquisa do

“CSDD” publicado em 2003, sustentava que era possível prever com relativa segurança o perfil de risco para carreiras criminosas em crianças entre 8 (oito) e 10 (dez) anos de idade observando-se tão somente 6 (seis) fatores: (a) comportamento antissocial (crianças descritas como agressivas, desonestas ou problemáticas, especialmente na escola), (b) hiperatividade e déficit de atenção, (c) baixa inteligência e rendimento escolar, (d) contato com membros da família ou pessoas muito próximas com histórico de criminalização, (e) família pobre, numerosa ou em condições ruins de moradia e (f) disciplina parental deficiente, por autoritarismo ou negligência (que se constatava objetivamente pela análise da roupas e higiene pessoal dos menores, entre outros indicadores).303

301 FARRINGTON, David P. e WEST, Donald J. The Delinquent Way of Life, p. 160.

302 Ou “Estudos de Cambridge sobre Desenvolvimento Delinquente”. Auxiliado por um grande grupo de assistentes, o “CSDD” foi fundado por WEST, que conduziu as pesquisas para descoberta das causas da delinquência juvenil dirigidas a meninos em idade escolar – em regra, entre 8 (oito) e 10 (dez) anos – de centros urbanos densamente povoados e nos bairros das classes trabalhadoras. Conclusões do primeiro relatório de 1969 em WEST, Donald J. Present Conduct and Future Delinquency, p. 135-149. No segundo relatório consta apenas a colaboração – mas não coautoria – de FARRINGTON. Publicado em 1973, descreveu as causas da “síndrome comportamental” dos delinquentes habituais. Vide WEST, Donald J. Who Becomes Delinquent?, p. 186-208. FARRINGTON já era coautor no relatório seguinte, a partir do qual assumiu a coordenação dos trabalhos do centro de estudos. Vide FARRINGTON, David P.

e WEST, Donald J. The Delinquent Way of Life, p. 140-174.

303 FARRINGTON, David P. Key Results from the First Forty Years of the Cambridge Study in Delinquent Development, p. 148-150.

Estes fatores de risco variavam em relação ao tempo do prognóstico; o cálculo para estimar a probabilidade de atos infracionais até os 16 (dezesseis) anos, por exemplo, não deveria privilegiar o baixo rendimento escolar, embora este fosse um critério decisivo na antecipação de crimes entre os 21 (vinte e um) e 40 (quarenta) anos. Sua pesquisa – que redundou na esquemática explicação para o comportamento criminoso conhecida como “teoria Farrington” ou

“ICAP”304 – ajudou a compor instrumentos atuariais para identificação de potenciais criminosos de alto risco a partir de exames dirigidos a crianças.305

Um dos mais importantes é o guia prática desenvolvido no Canadá e publicado em 2001, aplicável a meninos com idade superior a 6 (seis) e inferior a 12 (doze) anos. O “Early assessment risk list for boys”, conhecido pela sigla

“EARL-20B”,306 utiliza 20 (vinte) variáveis distribuídas em três campos, relativos à criança, família e ao grau de reação a determinados estímulos.307 A pontuação pode chegar aos 40 (quarenta) pontos, a indicar altíssimo risco de conduta antissocial futura. O teste inclui uma coluna adicional com fatores isolados indicativos de risco crítico, capazes de revelar alto risco mesmo em casos de baixa pontuação geral. Na forma de manual, o “EARL-20B” é dirigido principalmente para psicólogos e comercializado por cerca de US$35,00 (trinta e cinco dólares),308 mesmo preço que o instrumento dedicado às meninas, o “Early Assessment Risk List for Girls” ou “EARL-21G”.309

Estudos nessa mesma linha continuam até os dias de hoje, procurando futuros reincidentes entre os alunos das primeiras séries e estão na vanguarda das

304 A sigla sintetiza “Integrated Cognitive Antisocial Potential Theory”, algo como “Teoria cognitiva integrada de potencial antissocial”, que se apresenta em forma de diagrama. Em sua mais recente versão, ver FARRINGTON, David P. Childhood Risk Factors and Risk-Focused Prevention, p. 620.

305 FARRINGTON, David P. Key Results from the First Forty Years of the Cambridge Study in Delinquent Development, p. 153-154 e 170.

306 Algo como “Fatores para definição precoce do risco em meninos”, que basicamente sintetiza em tabela atuarial os fatores de risco propostos por FARRINGTON. Ver AUGIMERI, Leena K., KOEGEL, Christopher. J., LEVENE, Kathryn S. e WEBSTER, Christopher D. Early assessment risk list for boys, p. 1-20.

307 O termo utilizado é “responsivity”, de difícil tradução, a indicar a faculdade de reagir de forma rápida ou positiva – com interesse ou entusiasmo – a determinados estímulos objetivos ou subjetivos.

308 Disponível para compra, junto com pequeno resumo de seus atributos, em http://www.specializedtraining.com/p-5-early-assessment-risk-list-for-boys-earl-20b-version-2.aspx

309 AUGIMERI, Leena K., KOEGEL, Christopher. J., LEVENE, K. S., PEPLER, Debra J., WALSH, Margaret M. e WEBSTER, Christopher D. Early Assessment Risk List for Girls.

pesquisas de centros criminológicos mundo afora. Neles, e como se verá adiante com mais detalhe, há sempre uma frequente aproximação com as ciências cognitivas: a premissa fundamental é de que aqueles que demonstrarem contínuo desprezo ou incapacidade de ajuste às regras da disciplina escolar tendem a se transformar em autores de condutas antissociais. Assim, o desajuste no início da vida é visto como sintoma de um defeito psicológico originário, que fatalmente irá se reproduzir na idade adulta. Logo, também lá poderia ser verificado.

Evidentemente, a extensão da validade desses estudos para a criminalidade adulta foi apenas uma questão de tempo.

No documento Maurício Stegemann Dieter (páginas 103-110)