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EM DEFESA DO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA

Não devemos dizer que argumentar o princípio da justiça como idéia fundamental do direito, atribuindo-se, em decorrência dele, uma relativização da

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José Augusto Delgado (2003) diz que: “A segurança jurídica da coisa julgada impõe certeza, esta não se apresenta devidamente caracterizada no mundo jurídico quando não ostentar, na mensagem sentencial, a qualidade do que é certo, o conhecimento verdadeiro das coisas, uma convicção sem qualquer dúvida.”.

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Cândido Rangel Dinamarco (2001, 36) ressalta que não está “a postular a sistemática desvalorização da auctorias rei judicate mas apenas o cuidado para situações extraordinárias e raras, a serem tratadas mediante critérios extraodrinários. Cabe aos juízes de todos os graus jurisdicionais a tarefa de descoberta das extraordinariedades que devem conduzir a flexibilizar a garantia da coisa

coisa julgada, seja deposto de racionalidade, em oposto, esse intenso argumento estabelece aos que defendem a intangibilidade da coisa julgada material uma maior fundamentação de suas razoes, especialmente no que dizer respeito à natureza de garantia fundamental que é.

Gonçalves afirma que:

“A coisa julgada situa-se no plano da garantia essencial à jurisdição eficaz e do perfazimento da noção de Processo Justo. Ora, se o acesso à jurisdição é um direito constitucional do cidaddão; se o processo judicial é um instrumento garantidor do exercício desse direito; a coisa julgada é, por seu turno, garantia essencial de que esse direito exercitado no processo se fará eficaz fora dele. Tal não se dando tem-se uma anomalia que resulta na insegurança jurídica.”. (GONÇALVES, 2004, p. 163)

Morello (MORELLO, Apud, GONÇALVES, 2004, p. 72.) enxerga a segurança jurídica como sendo um dos principais fundamentais do ordenamento jurídico.

O professor Fredie (DIDIER JR., 2007, p. 509), assim fundamenta o seu ponto de vista:

“Não se pode teorizar o absurdo casuístico e pontual. Explico: o movimento da relativização da coisa julgada surgiu da necessidade de revisão de algumas sentenças, que revelam situações específicas marcadas pela desproporcionalidade. Situações particulares absurdas não podem gerar teorizações, que são sempre abstratas, exatamente porque são excepcionais. Pergunto: vale a pena, por que o absurdo pode acontecer, criar, abstratamente, a possibilidade de revisão atípica da coisa julgada? Não é correto criar uma regra geral por indução, partindo-se de uma situação absurda. Admitimos a criação de regras gerais por indução (a partir do caso concreto), o que, aliás, está ratificado pela previsão constitucional da "súmula vinculante" (art. 103-A, CF/88) e pela força normativa que se vem emprestando aos precedentes judiciais. Mas a regra geral induzida parte de uma situação-tipo, padrão, comum, trivial, prosaica; não de uma situação excepcional. A coisa julgada é instituto construído ao longo dos séculos e reflete a necessidade humana de segurança. Ruim com ela, muito pior sem ela. Relativizar a coisa julgada por critério atípico é exterminá-la. Não se discute, porém, a necessidade de repensar o instituto, notadamente em razão das inovações científicas, de que serve de exemplo o exame genético para a identificação da filiação biológica. Esse "repensar", todavia, tem de ser feito com bastante cuidado - passe o truísmo -, e com base em critérios racionais e objetivos, de preferência previstos em texto legal expresso. De um modo geral, concordamos com o pensamento de Marinoni, Ovídio e Nelson Nery.: a) as hipóteses de ação rescisória devem ser revistas, tanto aquelas relacionadas a errores in procedendo como aquelas que objetivam corrigir injustiças (p. ex.: inciso IX do art. 485 do CPC); b) a querela nuilitatis (ação imprescritível de nulidade da sentença) deve ser mais bem sistematizada, para que se admita a impugnação de

decisões judiciais com gravíssimos vícios formais; c) não se pode permitir a revisão atípica dos julgados por critérios de justiça, o que levaria a um problema sem solução: quem garantiria a justiça da segunda decisão, que reviu a primeira? Sempre que uma idéia possa servir para diminuir os direitos do cidadão e dar ensejo ao cometimento de arbitrariedades, é preciso estar atento, para estudá-la profundamente.” (DIDIER JR., 2007, p. 509)

Leonardo Greco ampara a natureza de garantia constitucional da coisa julgada e, como tal, o entende como “verdadeiro direito fundamental”, imprescindível à concreta eficácia do direito de segurança6, expressamente antevisto no prefácio e no caput do art. 5º de nosso texto constitucional em vigência. Aquiescemos com o ilustre professor quando afiança que como direito fundamental, “sua preservação é um valor humanitário que mereça ser preservado em igualdade de condições com todos os demais constitucionalmente assegurados”. A coisa julgada trata-se, portanto, de “uma garantia essencial do direito fundamental à segurança jurídica”. (GRECO, 2002, p. 5)

Prosseguindo em sua explanação, Greco, fazendo citação, até mesmo, à jurisprudência da Corte Européia de Direitos Humanos que adotou a coisa julgada como imprescindível à tutela jurisdicional concreta, articulou, em sua palavras:

“Àquele a quem a Justiça reconheceu a existência de um direito, por decisão não mais sujeita a qualquer recurso no processo em que foi proferia, o Estado deve assegurar a sua plena e definitiva fruição, sem mais poder ser molestado pelo adversário. Se o estado não oferecer essa garantia, a jurisdição nunca assegurará em definitivo a eficácia concreta dos direitos dos cidadãos.” (GRECO, 2002, p. 5)

A coisa julgada é garantia constitucional ao direito fundamental de segurança jurídica, segurança essa imperiosa à calmaria social, dado que permite o planejamento futuro de acordo com os efeitos da sentença e dá certeza do passado. A coisa julgada material não só afiança a segurança nas relações jurídicas como também se compõe um instrumento fundamental para a eficaz tutela jurisdicional, haja vista que garante constância aos efeitos da sentença fora do processo.

O ilustre doutor Paulo de Barros Carvalho, que entende o princípio da segurança justiça como uma diretriz soberana, apreende que este primado só se

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Já na epígrafe do presente trabalho de conclusão do curso trouxemos o entendimento de Leonardo Greco a respeito do que seja o direto de segurança, entendimentos esse que pedimos vênia para

concretiza se implementados outros princípios, ou seja, trata-se de um “sobreprincípio” (CARVALHO, 2002, p. 144). Em meio aos princípios que comporiam um todo competente de concretizar o primado da justiça, Carvalho abaliza o da segurança jurídica, de acordo a fiel transcrição que se sucede: “Desnecessário encarecer que a segurança das relações jurídicas é indissociável do valor justiça, e sua realização concreta se traduz numa conquista paulatinamente perseguida pelo povos cultos”. (CARVALHO, 2002, p. 144).

Como é possível notar, a coisa julgada não se constitui um mero instrumento jurídico processual de origem infraconstitucional, como afirma Delgado (trecho supracitado), mas uma garantia constitucional do direito de segurança jurídica afiançado pela carta magna; não é por menos que o constituinte de 1998 introduziu a coisa julgada no ementário de direito e garantias fundamentais da nova ordem democrática constitucional (art. 5º, inc. XXXVI da CRFB/88). Muito aquém de estar abaixo do valor de justiça, é um dos pré-requisitos imperativos, como asseverado por Carvalho, à implementação desse primado.

Tal é a seriedade de se reverenciar situações jurídicas já solidificadas, que o ordenamento positivo brasileiro7 possibilita ao Supremo Tribunal Federal, ao declarar a inconstitucionalidade de uma norma, “e tendo em vistas as razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público”, estabelecer a ocasião a partir da qual essa nova afirmação passará a emanar seus efeitos.

O professor Greco apresenta, além disso, o arquétipo de outros países (Estados Unidos Itália, Alemanha, Portugal e Espanha), em que são seguidas advertências aos efeitos ex tunc da declaração de inconstitucionalidade de suas respectivas cortes constitucionais (Greco, 2002. p.8)

Uma declaração não específica de inconstitucionalidade não possui força de molestar a coisa julgada material auferida em caso concreto.

A coisa julgada material trata-se de uma garantia do direito fundamental de segurança atinente às relações jurídicas, necessitando ser observado e resguardado como tal.

7BRASIL, Lei 9.868, de 10 de novembro de 1999. Dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de

inconstitucionalidade e da ação declaratória de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. Art. 27, in verbis: “Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista as razões de

segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois

terços de seus membros, restringir os efeito daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir

De outra forma, se, em certos casos, a coisa julgada material constitui a perpetuação de injustiças, como se referem os defensores da relativização, o que seria capaz de afiançar que uma revisão do julgado ocasionaria uma decisão justa mais justa que a anterior?

Como assevera Greco (GRECO, 2002, p.1), motivados por um sublime anseio por justiça, os intérpretes poderiam ser impelidos a afrontar o problema emocionalmente, entusiasmados por uma antecedente e particular valoração do que seria justo ou injusto.

Machado botou em discussão a justiça de uma futura decisão, conforme transcrição que se segue:

“Embora se admita que a coisa julgada preserve a segurança, não se pode dizer que o faz em detrimento da justiça, [...], é certo que não se pode dizer, em princípio, afirmar que o julgado proferido em reexame da questão seria mais justo que o anterior. Poderia até, em certos casos, ser menos justo”. (MACHADO apud TESHEINER, 2001, p. 239)

“Flexibilizar” a garantia fundamental da coisa julgada material para alem dos casos já elencados pelo legislador (situações resguardadas no ordenamento pátrio para ação rescisória e a querela nulitatis) não é capaz de trazer a certeza de que uma nova decisão retificará a suposta injustiça ou aberração da decisão anterior, pelo contrário, poderá trazer um mal ainda maior, que se trata da incerteza do futuro e do passado daquela relação jurídica.

Não seria coerente deixar de mencionar algumas decorrências prejudiciais que provavelmente sobreviriam da relativização da coisa julgada material: insegurança jurídica que viria a causar intranqüilidade social e angústia das partes processuais; a ampliação da demanda processual equivaleria a um efeito de curto prazo, ocasionando uma elevação da demora da prestação jurisdicional; o aumento da procrastinação ao cumprimento de decisões judiciais; a anuência da relativização para uns e para outros não8·; etc.

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Essa é uma preocupação trazida pelo próprio Cândido Dinamarco (2001, p. 41-42), defensor de uma relativização para excepcionalidade, mais especificamente em relação ao Estado, citando como exemplos casos reais analisados pelo Superior Tribunal de Justiça, em que uma turma relativizou a

4.3 TENSÃO ENTRE SEGURANÇA E JUSTIÇA e QUAL DEVE PREVALECER PARA O SISTEMA

A discussão que se sucede no âmbito da Filosofia do direito é ponderada em Habermas – é o exemplar de conflito vivente entre a facticidade e validade. A segurança concebe a validade e a facticidade representa a justiça. (HABERMAS, 2003).

No Direito, a lei do caso concreto emanada pelo Poder Judiciário é legitima, por que é justa ou porque é afirmada pelo soberano? Tem validade porque é procedente do Estado-Juiz.

O justo integral, como apetecem aos relativistas, pode ser considerado como o justo quimérico ou utópico - a justiça do caso real deve sobrepor-se à insegurança geral? Até mesmo colocando em perigo o próprio Estado Democrático de Direito? (CLÉVE, 2000, p. 163).

A justiça é considerada um valor para os não relativistas, pois o Estado Democrático de Direito brasileiro optou por ele, mas sim pelo justo plausível, como base de segurança jurídica com a coisa julgada. Conforme o art. 5º, caput da constituição prevê, o direito a segurança é inviolável e, portanto vislumbra-se como direito fundamental. (HABERMAS, 2003).

Essa é, por conseguinte, a tal justiça realizável. A justiça que se concretiza não é a abstrata do justo do ideal, sem qualquer plataforma de indicação que ela representa.

O conceito de relativização obtempera a coisa julgada ao valor da justiça, mas não determina o que é justiça. A justiça pelo senso comum, como lecionava Calamandrei9, não possui consistência.

O professor Marinoni (2004, p.182) enfatiza que a relativização peca pela falta de concepção pertinente de justiça.

Achamos melhor ter a justiça possível da coisa julgada, nosso patamar de segurança jurídica, que impulsiona o Estado Democrático de Direto.

Relacionado a essas compreensões temos a capacidade de assegurar que a injustiça só pode ser tolerável se for para obstar a propagação de uma injustiça ainda maior.

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Calamandrei afirmava a justiça conceituada pelo uomo della strada. Direito Processual Civil. Vol. I. Campinas: Bookseller, 1999.

Entre o valor abstrato e o valor que se concretiza em princípios e regras, permanece-se com o segundo e foi que o legislador brasileiro fez. O justo utópico está desacompanhado, o Brasil ficou com o justo viável, que se distende no Estado Democrático de Direito, por meio da segurança jurídica concernente ao instituto da coisa julgada, com as suas regras traças pelo sistema processual. Nos deparamos com o modelo de Estado Kelseniano,onde as exceções são legisladas, como a prevista nos embargos à execução do parágrafo único do art. 741 do Código de Processo Civil e ação rescisória (capítulo dos arts. 485 a 495 do CPC) e a revisão criminal (artigo 622 do CPP)

4.4 COMENTÁRIO À RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA,

INSEGURANÇA JURÍDICA E PRINCÍPIO DA RAZOAVEL DURAÇAO DO

PROCESSO

A coisa julgada tem previsão constitucional no art. 5º, XXXVI e nada mais é do que uma das vigas mestras do Estado Democrático de Direito, conforme já explanado anteriormente.

Em que pese exista inteligências discrepantes, prevalece o entendimento na concepção de ser a coisa julgada uma garantia constitucional e tendo como instrumento principal de ataque, se a sentença for inconstitucional, a Ação Rescisória, nos moldes do art. 485 do CPC, ação responsável por boa parte das coisas julgadas relativizadas.

A relativização da coisa julgada é questão que vem sendo muito controvertida na esfera do Direito e tem proporcionado diversas opiniões conflitantes de diversos renomados autores. Recentemente, tem-se observado discussões sobre a possibilidade de relativização da coisa julgada material, isoladamente do uso da ação rescisória e prazo estabelecido legalmente, o que está diretamente conectado ao princípio da segurança dos atos jurisdicionais.

Para Nery Jr., Porto e outros, a coisa julgada tem embasamento constitucional (art. 5.º, XXXVI, e art. 1.º, CF), é cláusula pétrea, e, portanto, não

e IV, CF). Já para Theodoro Jr., Wambier, Medina e outros, ela tem alicerce infraconstitucional, é elemento processual e a Constituição Federal só estabelece a inteligência de irretroatividade de lei.

Nesse sentindo recentemente o STJ proferiu acórdão em favor da coisa julgada sob o baldrame que sua relativização seria ofensa ao direito vigente (REsp 432.108-MG, DJ 19/12/2002. REsp 435.102-MG).

Os doutrinadores que se posicionam favoráveis à revitalização da coisa julgada, defendem sua não constituição em caso de vícios graves, ou nos casos de coisa julgada inconstitucional, acolhendo sua desconstituição a qualquer tempo, grau de jurisdição e por qualquer via, com ampla interpretação, ou nova redação ao art. 485 do CPC. Já a inteligência contrária dissente da submissão da coisa julgada, amparando a decisão justa "provável" com advertência ao atual momento histórico- processual (celeridade, instrumentalidade, efetividade). (DINAMARCO, 2001, p. 154) Toda via, o intérprete do direito não pode amparar uma relativização da coisa julgada de qualquer modo ou a qualquer custo, tendo em vista que se dessa forma agir, poderá fissurar e banalizar o instituto da coisa julgada, insultando o princípio da segurança jurídica, fundamentado na Constituição Federal como cláusula pétrea. Parece que mais apropriado é o entendimento daquela doutrina que ambiciona por alterações legislativas, no viés de admitir mais uma hipótese de coisa julgada secundum eventum probationis, situação em que não se estaria aventando de relativizar o instituto da coisa julgada de lege lata, mas, de lege ferenda, de maneira a legalizar o instituto. (BATISTA, 2004, p. 62)

Desta forma, pode-se assegurar que nem todas as decisões transitadas em julgado possuem a possibilidade ser relativizadas, sob risco de incorrer sob sua desconsideração, como recomenda Marinoni:

“(...) a falta de critérios seguros e racionais para a relativização da coisa julgada material pode, na verdade, conduzir à sua desconsideração, estabelecendo um estado de grande incerteza e injustiça. Essa desconsideração geraria uma situação insustentável”. (MARINONI, 2004, p. 21).

São sólidos os argumentos de Ovídio Baptista (BATISTA, 2004, p. 34), pois, tem-se conhecimento de que a coisa julgada é um instituto ligado ao Estado de Direito e não possui ligação nenhuma com a justiça da decisão aguardada pelos jurisdicionados. A justiça que se procura no judiciário é passível de falha uma vez

que é humana. A posição que prevalece é ligada ao conceito de que o Direito e a norma do caso concreto dita pelo Judiciário são apropriados porque foram emanados pelo Estado Soberano e, não simplesmente porque é justo. Óbvio é que se avaliam os ideais de segurança e justiça, de modo a conciliá-los e evidenciar sua importância no alcance das metas constitucionais.

Em sentido semelhante é a inteligência da jurisprudência estrangeira, pela segurança da coisa julgada como uma determinação do direito à efetiva tutela jurisdicional.

Diante dos argumentos expostos, o entendimento é de que a relativização da coisa julgada faz germinar insegurança jurídica não exclusivamente no sistema como um todo, mas no coração dos seres humanos com a possibilidade de eternização das lides.

Necessita-se analisar, no entanto, que não se adere às perpetuações de injustiças e sim, que a relativização não pode ser feita de qualquer maneira, pois se assim fosse restaria atingida a composição da coisa julgada, patrocinadora do princípio da segurança jurídica que dá manutenção ao Estado Democrático de Direito.

Para tanto, há de se ser feito avaliação de interesses com fulcro na proporcionalidade, tendo que a coisa julgada não modula o sistema, entretanto as vias para ocorrer sua desconsideração necessitam estar introduzidas expressamente e não na esfera subjetiva, abstrata, ou seja, existe a obrigação de legislar sobre o tema no sistema para que ocorra pauta de motivação, com o intuito de se impedir a insegurança jurídica.

No entanto, não é de bom alvitre esquecer, que a coisa julgada material é qualidade imprescindível ao Estado Democrático de Direito e à efetividade do direito de acesso ao Poder Judiciário. (MARINONI, 2004, p. 29)

Não faz sentido, ter o direito de acesso a justiça sem que seja possibilitado ao cidadão o direto de ver seu conflito solucionado categoricamente. Em virtude disso, se a característica de definitividade que reveste a coisa julgada pode, em certos momentos, acarretar circunstâncias não desejadas ao próprio sistema, não é certo conceber que, desta forma, ele possa ser relativizada facilmente.

capacidade de comparar um direito com a coisa julgada material suprime a essência da coisa julgada como princípio assegurador da segurança jurídica, passando a estabelecer um sistema aberto.

Além disso, a probabilidade de desconsideração da coisa julgada perante determinado caso concreto tranqüilamente instigará a eternização dos conflitos e contribuirá para o agravamento, morosidade judiciária, percorrendo assim, caminho antagônico ao cobiçado pela doutrina processual hodierna.

A sociedade brasileira almejou por transformações, contudo necessita-se impedir de abrir exceções e, por conseguinte precedentes, com o escopo de relativizar a coisa julgada a todo custo. Neste entendimento, mesmo que se faça uma análise empírica da jurisdição, parece que não será apropriado aplacar a coisa julgada sem que haja previsão legal que socorra essa teoria, pois se abraçarmos essa Inteligência ficaremos vulneráveis à rediscussão eterna do processo, o que fere diametralmente o princípio constitucional da razoável duração do processo e a insegurança das relações jurídico-sociais.

Provavelmente, ao se abraçar a tese da relativização, a morosidade já afeta a justiça piorará, já que se admitirá a reabertura de diversos litígios finalizados, o que poderá ocasionar desordem no judiciário e consequentemente nos cartórios de registro.

O princípio da duração razoável do processo não se conforma com a relativização da coisa julgada, eis que em tais eventos o processo ficará resolvido sem prazo; disseminando assim, dúvidas, disparidades e desequilíbrio social, constituindo aos litigantes e aos seus sucessores um estado de absoluta incerteza e injustiça.

5 CONCLUSÃO

Está evidente que as teorias que vem se disseminando a favor da relativização da coisa julgada não podem ser aceitas em sua totalidade. As soluções que são trazidas são superficiais para merecerem guarida extensa, especialmente no atual estágio em que se encontra a ciência do Direito e na absoluta ausência de fórmula racionalmente justificável que faça prevalecer, em todos os casos, determinada teoria da justiça.

Com uma conjectura quase que sensacionalista, almeja-se fazer entender que os juristas jamais se incomodaram com a justiça das decisões jurisdicionais, ao mesmo tempo em que se busca encobrir que o problema sempre foi alvo de reflexão.

A tese da “relativização” obtempera a coisa julgada material ao valor justiça, mas admiravelmente não articula o que se entende por “justiça” e sequer procura asilo em uma das contemporâneas contribuições da filosofia do direito sobre o tema. Visivelmente inicia-se de uma noção de justiça como senso comum, capaz

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