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168 em 15/03/1990 e convertida em Lei N o 8.024 em 12/04/1990 (Banco

Com a retenção dos recursos da poupança e do descrédito da população, o ano de 1990, apresentou-se como um momento de ruptura no ritmo da economia, ou seja, a economia que já estava em crise, piorou ainda mais e atingiu uma taxa de inflação de 1.620,96%.

O Plano Collor teve grandes repercussões no início deste período, como demonstrado acima, ele realizou o confisco da poupança, decretou abertura do mercado interno para produtos estrangeiros, iniciou o processo de privatizações das estatais dentre outras medidas.

Segundo Delfim Netto (1998, p. 145) a abertura de mercado que ocorreu durante o governo Collor, foi o fato mais importante para a economia brasileira em relação às década de 1980 e 1990. No entanto, tal abertura foi conduzida por imensos erros.

[...] Em 1990, as alíquotas de importação foram dramaticamente rebaixadas, expondo a economia à competição. A abertura foi essencial para o aumento da produtividade, embora viesse combinada com sobrevalorização do câmbio e com atos de loucura em matéria de tarifas. Os erros foram imensos. As tarifas não foram usadas como instrumentos de política industrial, mas como instrumentos de vingança contra os produtores brasileiros. Abrimos nosso mercado no momento em que praticávamos taxas de juros absurdas. Passamos a importar produtos que seriam pagos em 18 a 24 meses com taxas de juros de 6% a 7% ao ano, quando o produtor brasileiro tinha de enfrentar juros de 30% e só podia dar prazo de um mês (DELFIM NETTO, 1998, p.145).

Para o autor supracitado, a abertura econômica é positiva, desde que se apresentem condições isonômicas para o empresariado e trabalhadores brasileiros suportarem a competição. Porém, o agravante em tudo isso, foi que o governo nacional não forneceu tais condições. Deste modo, os pedidos de falência das empresas brasileiras não foram motivados por questões de produtividade, mas sim por enormes erros de política econômica, que segundo Delfim Netto (1998, p. 146) “[...] levaram meses para serem corrigidos [...]”. Essa demora na correção dos rumos da política econômica brasileira é mencionada ironicamente por Delfim Netto (1998), quando nos diz que,

[...] nosso Estado é um dinossauro, dotado de um rabo longo e um cérebro pequeno. Você põe fogo

no rabo dele e a informação leva quinze minutos para chegar ao cérebro. Quando ele reage, mexe o rabo para o lugar errado (DELFIM NETTO, 1998, p.146).

Os anos de 1994-95 apresentaram os efeitos imediatos do Plano Real, que com sua pseudo-estabilização monetária, realizou na verdade um forte controle redutor da atividade econômica, aliada às altas taxas de juros reais que visavam reter os recursos nas aplicações financeiras, proclamando desta forma, a recessão do mercado, a diminuição do consumo e do crescimento econômico. Destacando ainda que, no governo FHC – Fernando Henrique Cardoso foi vendida (entregada) grande parte das estatais33, onde o capital internacional adquiriu ampla parte das mesmas, devido à paridade monetária do real com o dólar e da abertura do mercado brasileiro, ocorreu grande aumento de importações, o que prejudicou as indústrias nacionais, pois criou dificuldades para competir no mercado, levando inúmeras indústrias a falência, a perda de controle acionário, a processos de fusões e aquisições.

O PSDB acabou por não se parecer em nada no seu governo de oito anos com a Social Democracia que leva, em seu nome. Pois, na realidade seu governo deu sequência às reformas neoliberais que tinham sido abordadas no Consenso de Washington e que o ex-presidente Fernando Collor já havia dado o pontapé inicial.

Torna-se claro que os anos de 1994-1995, bem como os demais anos até o final do governo FHC, foram afetados diretamente pela política econômica instalada. A desaceleração econômica no governo supracitado engendrou tensões sobre o mercado de trabalho. “[...] Ora, a ‘globalização’ (termo imposto pelo neoliberalismo para caracterizar a atual fase da economia mundial) tem sua consequência mais perversa no mundo do trabalho, ou seja, o denominado desemprego estrutural [...]” (ESPÍNDOLA; BASTOS, 2005, p.58, grifo nosso).

Neoliberalismo e globalização34 são segundo Mamigonian (2005)

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Para maiores informações sobre este processo de “entreguismo” das riquezas nacionais veja: BIONDI, Aloysio. O Brasil Privatizado: um balanço do desmonte do Estado. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000.

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Segundo Mamigonian (2003) foram os economistas de direita das universidades estadunidenses que produziram a ideia de globalização, produção que estimulou os cientistas políticos da mesma posição ideológica a fabricar “teorias” que ao mesmo tempo fossem úteis aos seus patrões e também rendessem alguns dólares para suas pesquisas, especialmente após a queda da URSS (MAMIGONIAN, 2003, p. s/n.).

[...] duas idéias-força mais importantes impostas ao mundo pelo imperialismo norte-americano desde 1980, aproximadamente. Quando se iniciou o período depressivo atual no centro do sistema capitalista (ciclo Kondratieff), o capitalismo americano estava atordoado pelas derrotas militares na Ásia (Vietnã), pela expansão geopolítica da URSS, pela crescente concorrência japonesa e pela sua própria perda de dinamismo econômico (MAMIGONIAN, 2005, p. 150).

A eclosão da recessão, culminada com os choques do petróleo de 1973 e 1979, ascenderam um sinal de alerta na política economia estadunidense, lembrando que já “[...] em 1971, sob pressão da concorrência do Japão e da Alemanha, Nixon [...] havia desvinculado o dólar do seu lastro em ouro. [...]”. Porém, os EUA só conseguiram emergir da propalada ruptura a partir do “[...] governo Reagan (1980- 1988), que iniciou uma agressiva política de recuperação das posições perdidas35” (MAMIGONIAN, 2005, p.150).

Em resumo, os EUA puseram em prática, na década de 80 e na década atual (Clinton), uma política econômica combinando medidas keynesianas e neoliberais em doses planejadas pelo Estado, incluindo além do que já foi exposto: [...] medidas neoliberais para uso no exterior; cobranças de juros dos devedores, aberturas dos mercados financeiros e de mercadorias na América Latina e em inúmeros tigres asiáticos, incluindo dolarização cambial, como na Argentina, e absorção do movimento das bolsas, como no caso das ações brasileiras hoje mais transnacionalizadas em Nova York do que em São Paulo [...] (MAMIGONIAN, 2005, p. 151). Mamigonian (2005) nos ensina ainda que, o governo americano modificou sua postura de defensiva nos anos 1970 para agressiva nos anos 1980, para tanto, não é difícil entendermos que esta mudança demandasse a concepção da ideia de “globalização” como a nova “realidade” mundial, uma espécie de campanha de marketing mundial, acenando “[...] a algum tipo de matriz organizacional de empresas ou

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I. Rangel: A recuperação americana (1 e 2). Folha de São Paulo, 21.04 e 06.07 de 1983, N. Spulber: The american economy: The struggle for supremacy in the 21st century, Cambridge Univ. Press, 1995.

então à irrelevância das fronteiras nacionais. [...]”, sendo que, o sentido de fim das fronteiras o que se tornou mandamento de exportação estadunidense, “[...] visando forçar a abertura dos mercados financeiros e de mercadorias no exterior, quando as revistas de administração de Harvard, Yale e outras universidades ‘sérias’ foram estimuladas a produzir enxurradas de artigos ‘científicos’ como ‘The Globalization of Markets’ de T. Levitt, na Harvard Business Review”36

(MAMIGONIAN, 2005, p. 151).

A taxa de desemprego durante o governo FHC saiu de 6,1% em 1995 e chegou a um teto de 9,6% em 2000 (veja gráfico 1 e tabela 3 abaixo) e, entregou um governo quebrado em 2003 para o presidente Lula, que em seu primeiro ano de mandato não conseguiu derrubar as taxas nacionais de desemprego que atingiram 9,7%, porém para o ano de 2012, após 10 anos de “governo petista”, a taxa chegou a 6,1% e para 2013 ao que tudo indica ficará abaixo dos 5,5% (taxa considerada pelos economistas como pleno emprego). Sabemos que falta muito para o Brasil, mas não precisamos nem comparar os governos do PSDB e do PT (seria ridículo para uma destas entidades).

Gráfico 1 – Taxa Nacional de Desemprego (PNAD) 1992 – 2012 Fonte: IBGE, 2012.

Org.: http://blog.estadaodados.com/

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No Brasil poucos intelectuais perceberam o caráter neocolonial da chamada “globalização”, merecendo destaque P. Nogueira Batista Jr.: Mitos da “globalização”, IEA - USP, 1997, N. Werneck Sodré: Imperialismo e neoliberalismo. Revista Princípios, São Paulo, 1997. Ver também Micklethwait e A. Wooldridge: Os bruxos da administração, cap. 10, Ed. Campus, 1998.

Após verificarmos o gráfico 1, constatamos que a taxa de desemprego se encontra em seu menor índice para um período de 20 anos de observação. Aproveitamos para apresentar a tabela 3 abaixo, pois com ela podemos observar os dados em seus números concretos e derradeiros. Interessante observar que, no que se refere às taxas de desemprego por regiões, o Sudeste, nossa principal área industrial, é a região que concentra as maiores taxas, o que por sua vez, forma um expressivo exército industrial de reserva.

Tabela 3 - Taxa Nacional de Desemprego (PNAD) 1992-2012

Ano Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

1992 6,5 7,9 6,2 7,5 4,6 6,1 1993 6,2 8,7 6,2 6,9 4,1 5,7 1995 6,1 8,6 5,3 6,8 4,9 6,5 1996 7 7,8 6 7,8 5,4 8,3 1997 7,8 9,8 6,7 9 6,5 7,3 1998 9 9,8 7,1 10,8 7,4 8,8 1999 9,6 11,1 8 11,2 8 9,6 2001 9,4 9,6 8,7 10,9 6,5 8,9 2002 9,2 10 8,3 10,8 6,3 8,2 2003 9,7 10,5 8,7 11,5 6,8 9 2004 8,9 7,1 8,9 10,5 5,7 8,1 2005 9,3 7,9 9 10,9 6,1 9,6 2006 8,4 7,1 8,3 9,6 6 8,4 2007 8,1 7,8 8,3 9 5,8 8,1 2008 7,1 6,5 7,5 7,8 4,9 7,5 2009 8,3 8,2 8,8 8,9 6 7,9 2011 6,7 6,9 7,9 7 4,4 5,9 2012 6,1 6,3 7,6 6,1 4,1 5,2

Fonte: IBGE, vários anos.

Importante destacar também, sobre o número de empregos gerados. O governo FHC em oito anos gerou um saldo de 796.967 empregos formais. No período Lula, de 2003 a 2010, o saldo acumulado foi de 11,3 milhões de empregos formais e, nos dois primeiros anos (2011/2012) da gestão Dilma, foram geradas 3,2 milhões de vagas (Os dados analisados são da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS37), do Ministério do Trabalho e Emprego).

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A base de dados da RAIS é formada a partir dos dados sobre algumas características básicas dos empregados que as empresas e empregadores de mão-de-obra são obrigados a informar, anualmente, ao Ministério do Trabalho e

Outra problemática do governo FHC foi a dita “estabilização da economia” que aos poucos o consagrava como presidente que derrubou a inflação e criou o Real, por outro lado, endividava cada vez mais o Brasil. Nosso país não sofria um aumento de sua dívida tão significativo desde os anos do dito “milagre brasileiro”, a dívida externa brasileira passou de U$ 159.256 bilhões em 1995 para U$ 210.711 bilhões em 2002.

[...] diante da referida conjuntura, o Estado nacional perde aceleradamente sua capacidade de intervenção nas políticas econômicas nos países em desenvolvimento. O caso brasileiro é didaticamente revelador, pois, após sua captura pelas forças políticas imperialistas, o Estado realizou, esforço extraordinário, tanto para ‘vendas’ de ativos nacionais (público e privado) praticamente sem alteração do capital líquido, como também a implementou: 1) políticas de câmbio sobrevalorizado, 2) desregulamentação das importações, 3) política de juros elevados (agiotagem) e 4) desindexação da economia (sobretudo dos salários) (ESPÍNDOLA & BASTOS, 2005, p.58).

Com tais medidas o governou FHC, produziu uma dívida externa média de U$ 5,4 bi por ano. Contudo, aqui é importante mencionar as privatizações que foram realizadas no governo FHC, estas somaram 68 empresas federais, o que proporcionou um caixa de somente U$ 70.855 milhões de dólares.

O importante a destacar aqui é que, mesmo com o aporte financeiro proveniente das privatizações, do estrangulamento dos gastos públicos e das somas de capital estrangeiro que adentravam no país, a dívida pública não cessava de aumentar. Isto devido aos juros altos pagos aos investidores estrangeiros para que estes aportassem em nosso país seus recursos, o dinheiro proveniente de todo o esforço brasileiro deslocava-se, portanto para o pagamento dos juros.

Apesar de toda dificuldade econômica exposta durante a década de 1990, novas desconcentrações regionais38 foram estimuladas a partir

Emprego. Portanto, a RAIS é em tese um censo administrativo sobre o mercado de trabalho formal.

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Em relação ao processo de urbanização, dos anos 1990 e 2000, não podemos esquecer-nos de mencionar que, os tradicionais fluxos migratórios do tipo

de localizações industriais distantes das grandes centralidades possibilitadas pelo aporte das redes geográficas de informações, logística de transportes, financeiras (dispersão bancárias), ampliação dos setores atacadistas e varejistas por intermédio de múltiplas filiais de vendas e representações (proliferação de cadeias lojistas, dentre elas, redes supermercadistas e shoppings centers).

Destacando que, nas décadas de 1990 e de 2000 inúmeros empreendimentos passaram a ser inaugurados em todas as regiões nacionais, com grande destaque para a região Nordeste. Empreendimentos estes conhecidos como shoppings centers, condomínios/loteamentos exclusivo-fechados, distribuídos, sobretudo nas capitais regionais e cidades intermediárias.

Nos anos 2000, especialmente após o segundo governo Lula (2006-2010), verificou-se uma ampliação importante do Estado na intervenção da dinâmica econômica, um exemplo foi o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, que distribuiu pelo território nacional “projetos” de infraestrutura, o que trouxe uma expectativa importante para o empresariado (nacional e estrangeiro) que passou a “confiar” no governo e visualizou uma grande oportunidade de lucratividade, através de parcerias com o governo para a construção desta infraestrutura. Outro quesito importante a ser mencionado foi o Programa Minha Casa Minha Vida (um programa do PAC), que diz respeito a um “programa de desenvolvimento econômico” como todos aqueles que foram formulados no PAC, pois estávamos em um período de início de crise (centro do sistema) e estes programas foram formulados como tentativa de minimizar a crise que a priori atingiria nosso país. O Minha Casa Minha Vida trouxe enorme estimulo para o empresariado do setor, destacando que estes foram consultados no momento da estruturação deste projeto e atualmente, podemos verificar desde metrópoles até cidades locais uma dinamização na indústria da construção civil, gerando expansão urbana horizontal e vertical, com ampliação da empregabilidade e, por que não valorização imobiliária, trazendo para a população uma confiança e aprovação acima dos 70% no governo Federal39.