• Nenhum resultado encontrado

4.2.4. Trabalhos em modelos animais

4.2.4.2. Em Primatas

Poucos estudos das projeções neuronais vinculadas ao mPFC têm sido feitos em

primatas, apenas três (Aggleton et al., 2015 -macacos do Velho mundo; Chiba et al., 2001 -

macaco Japonês; Roberts et al., 2007 -Sagui) foram publicados. Outros estudos clássicos

(Barbas & Blatt, 1995; Carmichael & Price, 1995a-b; Morecraft et al., 1992) chegaram a

descrever generalidades da conectividade do mPFC em primatas quando o interesse de estudo

foi em geral o PFC. E, entre esses que tiveram como foco de interesse principal o mPFC, a

descrição dos resultados é pouco detalhada e os sítios de injeção não foram direcionados

especificamente aos córtices PL e IL, porém, foram atingidos em alguma medida, sem que fosse

possível apontar a injeção a cada córtex, pelo que, pouca informação se tem atualmente sobre

os circuitos que envolvem o mPFC e suas projeções e convergências com regiões subcorticais

do encéfalo.

4.2.4.2.1. Interações mPFC-Complexo Diencefálico

Injeções de BDA no mPFC deram como resultado uma abundante marcação de

terminais axonais em todo o hipotálamo e alguns núcleos talâmicos e limitantes do tálamo (na

pesquisa de Roberts et al., 2007), com uma clara distinção entre as fibras terminais dos locais

da injeção. A injeção medial do PFC evidenciou a marcação densa de axônios em grande parte

do hipotálamo em toda a extensão rostro-caudal. Lateralmente, o final das fibras era visível na

área pré-óptica lateral (LPO) rostral, e em toda a área LH terminavam mais caudalmente. No

nível medial, os autores do trabalho encontraram muitos axônios e terminais marcados na área

pré-óptica medial (MPA), área hipotalâmica anterior (AHA) e o núcleo DM. Também, um

plexo de fibras e terminais axonais rodeava a face dorsal do 3V mais caudalmente, e ramificava-

supraquiasmático (SCh), Pa, VMH, nem nos núcleos mamilares, embora tenha sido observado

que os axônios estavam adjacentes ao seu limite citoarquitetônico.

Por sua vez, e diferente das terminações marcadas com BDA, os neurônios

hipotalâmicos positivos à CTb foram muito mais restritos (segundo os resultados de Roberts et

al., 2007). A marcação mais evidente esteve presente na divisão tuberal de LH que se estende

à porção rostral da divisão posterior. Estes grandes grupos de neurônios marcados com a CTb

foram identificados partindo das injeções nas divisões lateral, orbital e medial do PFC. Porém,

os autores do trabalho não identificaram separadamente o trajeto completo das fibras neuronais

dentro cada uma destas regiões.

Em outro estudo (Chiba et al., 2001) se identificou que, particularmente, IL e PL

projetam densamente ao núcleo VMH e que, escasas projeções foram dirigidas aos núcleos DM,

laterais e PH do hipotálamo. Estes autores também observaram algumas terminações dispersas

no núcleo perifornical do hipotálamo.

Por sua vez, no que se refere ao tálamo e seus núcleos limitantes, no estudo

desenvolvido por Roberts et al. (2007) com Saguis, se observou-se que, o mPFC (sem

especificar subdivisões) projeta suas fibras principalmente para os núcleos MD, ventral,

anterior (núcleos AM e anteroventral -AV), para os intralaminares, linha média, medial, e o

núcleo pulvinar medial (MPul). Especificamente destacam que, as projeções foram mais densas

e recíprocas com o núcleo MD.

Em relação com esse núcleo (MD) e à distribuição das fibras dentro dele, os autores

(Roberts et al., 2007) detalharam que, o mPFC projetou abundantemente para sua porção

magnocelular (rostral e medialmente -MDM), e moderadamente para sua parte dorsal (MDC).

Demonstraram também que, as fibras observadas dentro do núcleo VA estão presentes em toda

topográfico distinto de terminais foi encontrado no MPul, com projeções desde o mPFC que

terminam na área dorsomedial do núcleo.

A pesquisa de Chiba et al. (2001), também descreveu quais núcleos talâmicos do

macaco Japonês recebem eferências desde o mPFC, porém, detalhando se as fibras provinham

do córtex PL ou IL. Esse estudo identificou que o núcleo VA, na sua porção magnocelular,

recebe projeções exclusivas desde o córtex PL e que o córtex IL direciona exclusivamente suas

fibras para os núcleos IAM, centromedial (CM) (moderadamente), parafascicular (PaF), e MD

(densamente para sua porção parvocelular -MDL). Em conjunto, o estudo também achou que

ambos córtices projetam densamente para a porção medial da parte magnocelular e a porção

dorsal da parte parvocelular dos núcleos talâmicos MD, e para o núcleo Re e a porção medial

do núcleo MPul.

Por outro lado, Chiba et al. (2001), também descreveram que, tanto o córtex PL como

o IL projetam moderadamente e fracamente suas fibras para os núcleos paratenial (PT), PV,

TRN, e núcleos limitantes do tálamo, destacando que o córtex IL projetou com mais

intensamente do que o PL para o núcleo PV. Como dado particular, o trabalho desses autores

refere que, dentro do epitálamo, os córtices PL e IL projetaram moderadamente para o núcleo

LHb. Cabe destacar aqui que, nenhum dos estudos feitos em primatas indicam a região

subtalâmica do diencéfalo como receptora de projeções originadas no mPFC.

4.2.4.2.2. Interações mPFC-Complexo Amigdaloide

Em relação à amígdala, se identificou que, a região medial do PFC, mas não a dorsal,

tinha extensas conexões recíprocas com o núcleo magnocelular basal da amígdala [BMC]

(Roberts et al., 2007), facilmente reconhecível por suas grandes células hipercromáticas

formando um território de forma triangular na parte central do complexo amigdaloide. Embora

BMC. Também observaram que, as fibras emergiam da substância branca da cápsula externa,

descendo medialmente para o polo temporal e posteriormente ramificavam-se para as partes

adjacentes desse núcleo.

Além do núcleo BMC, as injeções no mPFC (Roberts et al., 2007) deram lugar a fibras

e terminações marcadas no núcleo lateral (La), embora estas fossem muito menores em número.

As terminações no núcleo CeA foram identificadas apenas desde a região medial, mas não

desde outras regiões do PFC. Em contraste com o padrão generalizado das fibras originárias

desde o PFC, os neurônios marcados com CTb foram visualizadas principalmente no BMC e,

diferente da marcação terminal, os neurônios não mostraram nenhuma preferência topográfica

aparente dentro desse núcleo.

Assim, a maioria dos neurônios marcados ventralmente, desde locais de injeção medial

(PFC), se encontraram no setor médio da amígdala, dentro do grupo de neurônios

magnocelulares que integram a forma triangular distintiva. Só após as injeções de CTb no

mPFC os neurônios também foram marcados mais rostralmente na região medial do núcleo, e

alguns dos neurônios marcados dispersos foram visíveis no núcleo cortical.

Só aquelas injeções colocadas nas regiões intermedias e magnocelulares no núcleo basal

(o BL) deram como resultado uma marcação pré-frontal estendida (Aggleton et al., 2015), que

se projetam à região medial; as aferências à área IL pareciam restritas à camada I na parte

ventral-posterior do IL, ainda quando muitas fibras marcadas estavam localizadas lateralmente

nesse córtex. No que respeita à área PL a marcação foi mais densa nas camadas II, V e VI, com

uma marcação mais clara na camada III.

Quanto às projeções provenientes tanto do córtex IL como do PL, ambos projetam

2001). Nesse estudo, as áreas que receberam projeções fracas foram os núcleos La e BL

magnocelular.

4.2.4.2.3. Interações mPFC-Complexo Hipocampal

Ao injetar CTb no mPFC (Roberts et al., 2007), foram encontrados alguns corpos

neuronais marcados nas regiões Ent e PER do córtex PHC anterior, assim como no PrS e o PaS.

Porém, só após as injeções no PFC medial e lateral, se observaram neurônios na região PHC

posterior. Também, foram poucas as fibras marcadas com BDA que tinham terminações na

região PHA anterior, mas só aquelas projetadas desde o oPFC. Assim, a marcação retrógrada

no complexo do hipocampo se encontrou só após injeções orbitais e mediais. Nesse estudo,

após a injeção medial, os autores identificaram neurônios nos campos CA1, o S e na área de

transição entre os dois (o núcleo ProS), a localização das fibras se limitou às porções mais

rostrais dessas áreas. Por outro lado, não foi observada marcação de neurônios no território do

complexo hipocampal após a injeção do traçador anterógrado -BDA- feita em qualquer região

pré-frontal, segundo os autores do trabalho.

Em outro estudo (Aggleton et al., 2015), as projeções do hipocampo atingiram a maior

parte da superfície do córtex IL, com exceção da camada molecular, e esta marcação pareceu

consistir tanto na terminação das fibras como nas fibras de passagem. Os autores sugeriram

que, todas as projeções do hipocampo ao PFC parecem totalmente dependentes do fórnix,

ressaltando como característica significativa a superposição limitada das fibras entre a amígdala

o os locais de terminação do hipocampo. Adicionalmente quando as duas estruturas se

projetaram à mesma região, suas projeções tipicamente ocuparam diferentes camadas.

Assim mesmo, Aggleton et al. (2015) consideraram principalmente as projeções do

hipocampo porque seus locais de terminação são ainda pouco conhecidos. Nesse mesmo estudo,

do hipocampo para a região IL foram projetadas uniformemente para outras camadas, incluindo

a III. Porém, o córtex IL também continha uma concentração pouco usual de fibras de passagem

especialmente em suas porções mais caudais.

Por outro lado, o estudo desenvolvido por Chiba et al. (2001), apenas revela que o córtex

PL e o ACd se caracterizam por receber projeções do córtex Ent e Pir, e que dentro do complexo

hipocampal o PL projeta de maneira recíproca, e principalmente, para os córtices Ent e Pir. Por

outro lado, e como fato particular, uma pesquisa que tinha como propósito injetar um traçador

retrógrado na área A10 (PFC) do sagui (Buckner & Margulies, 2019) detectou um “vazamento”

da injeção para a região PL, reportando que a porção ventral deste córtex recebe projeções do

córtex PHC.