CAPÍTULO 2 ATÉ OS CONFINS DA TERRA: A MISSÃO BATISTA E
6. Em qualquer lugar: divisões, missões e fronteiras
Em qualquer lugar Em qualquer lugar Em qualquer lugar
Onde houver alguém precisando de paz Ali estarei pra falar de Jesus
Seja no extremo norte Seja no extremo sul
Seja na hora morte Na terra, no mar ou no céu azul!98
97Traduçãolivre do original: ―To missionary eyes, Brazil must have shown tremendous potential. Modernization
promised news levels of connection with the rest of the world, while city life brought new amenities to a rising tide of middle classes and skilled factory workers. Things looked promising in religious terms as well: urban growth created opportunities for proselytism and church planting, missionary schools were crowed and peasant migration allowed missionaries to tap into the new converts' communal networks to establish beachheads in the other Brazilian regions.‖
98 O conjunto Novo Alvorecer foi criado em 1969 e sua carreira musical estendeu-se até 1981. Segundo breve
histórico, foi o predecessor de vários outros grupos musicais dos anos 1970 e 1980, como Vencedores Por Cristo, Som Maior, Elo, Logos, Vozes de Cristal, dentre outros. A música citada na epígrafe deste capítulo é uma dentre as muitas escritas pelos cantores do Novo Alvorecer que enfatizava a Missão anunciadora do Evangelho cristão. A hinologia batista tem sua origem na coletânea de hinos cantados nas igrejas dos Estados Unidos da América e foram trazidas para o Brasil pelos imigrantes e missionários, que traduziram e publicaram em língua
132 Os versos do grupo Novo Alvorecer anunciam fronteiras a serem alcançadas pelos ―fiéis‖, independentemente de serem batistas ou não. Nos anos que se seguiram ao golpe militar, a juventude mais do que nunca se tornou um alvo dos batistas. Há uma preocupação com os jovens e isto se expressa de diversas maneiras, inclusive, no âmbito da Missão, no incentivo àparticipação da mocidade batista nas campanhas evangelísticas urbanas e nos avanços missionários para o interior.
A linguagem destes hinos ainda não foi estudada suficientemente, embora haja consenso de que as músicas, tanto quanto a poesia, os jograis, as biografias, os livros devocionais e demais literatura, estão a serviço da formação de um tipo particular de indivíduo – o crente em Jesus. Esta tipologia, embora não tenha muito bem definida sua filiação religiosa nos dias atuais, no passado, nos anos de 1968 a 1978, por exemplo, relacionava-se aos confessos de um credo religioso com o traço marcante da Missãoevangelizadora. De modo geral, naquele tempo a principal tarefa de uma pessoa convertida ao Evangelho nos moldes batistas era a pregação da palavra. A pregação consistia em dar testemunho a respeito da experiência pessoal de salvação edemonstrar na prática que o indivíduo havia mudado de vida e de comportamento depois do encontro com Deus. No verso do certificado de batismo, as Igrejas Batistas apresentam o compromisso do fiel diante da congregação e da sociedade em que ele vive.
No plano pessoal, cada crente, portanto, era uma testemunha e era autorizado a falar de sua experiência pessoal a quem quer que fosse. Esta atitude era bem vista e comprovava que de fato o crente havia compreendido a Missão da Igreja e, por conseguinte, a sua própria Missão. Assim, as letras dos hinos e dos cânticos congregacionais estimulavam a Missão, o testemunho e a pregação do Evangelho.
Os grupos musicais surgidos no final de 1969, como o Novo Alvorecer, formados por jovens músicos batistas, é um exemplo dessa era. Um dado importante sobre isto é que a letra de muitas músicas destes conjuntos enfatizava sempre a Missão. As letras eram simples, portuguesa ao longo de suas jornadas no Brasil. A Convenção da Igreja Batista Brasileira reconheceu o valor cultural dos hinos e publicou uma seleção temática no livro de cânticos, denominada O cantor cristão. O C.C. se tornou o hinário oficial dos batistas brasileiros. Dentre as temáticas, estão os hinos de Missões. Os hinos têm um valor didático. São ensinados para a congregação local e durante muito tempo foram cantados nos cultos realizados, primeiramente em língua inglesa e depois em português. Sobre o processo de seleção, de tradução e de publicação destes hinos no Brasil há poucos relatos. Mas os estudos sobre as músicas religiosas e o valor delas no culto têm-se destacado, entre eles os de Magali Do Nascimento Cunha (2004:23-39; 2002:21-48; 2004:53-80). É preciso uma pesquisa a respeito da hinologia batista, considerada tradicional. O hinário O cantor
cristão é uma coletânea de antigos hinos, com letra, música e arranjo feitos, na sua maioria, por estrangeiros
residentes no Brasil e também por traduções dos hinos americanos e ingleses. Os hinos têm caráter devocional dentro do ritual batista e servem também para informar acerca das concepções sobre a Missão e outros temas da doutrina batista.
133 o ritmo pouco elaborado, mas o entusiasmo destes grupos e a introdução de instrumentos de percussão e elétricos nos arranjos musicais era a novidade em relação aos hinos de O cantor cristão, por exemplo, cantados nos cultos congregacionais ou pelos corais, à capela ou acompanhados única e exclusivamente pelo piano ou órgão.
A inovação musical introduzida na rede de socialização dos jovens das Igrejas Batistas é apenas um dos primeiros exemplos da mobilidade das fronteiras no campo religioso brasileirodurante o regime militar. Era uma subversão permitida. A introdução de instrumentos novos no culto incomodava um pouco a velha e tradicional ala conservadora das igrejas. Defensora de padrões rígidos para o culto a Deus, esta ala se sentia herdeira de uma tradição disciplinar, doutrinária e teológica que não podia mudar, que rejeitava inovações e não via necessidade de modismos e de renovação dentro do culto, muito menos na Igreja.
―Aguardava o bem e eis que me veio o mal, esperava a luz e eis que me veio a escuridão‖ Jó 30:2699.
Este foi o texto bíblico utilizado por Enéas Tognini para se expressar quanto às expectativas que ele tinha em relação a decisão da Convenção Batista Brasileira após o julgamento da participação de alguns pastores e igrejas batistas no movimento carismático e naaceitaçãoda interpretação nova que ele e mais um grupo de pastores vinha aplicando à doutrina do Espírito Santo. O texto coloca o bem e o mal separados como luz e trevas. Metáforas muito comuns quando se trata da ética e da moral religiosa no ocidente.
Em 30 de janeiro de 1962, em Curitiba-PR, na 14ª sessão da Assembleia Anual da Convenção Batista Brasileira – CBB, o pastor Murilo Cassete fez uma proposta especial que foi aprovada por 311 votos favoráveis e apenas cinco contrários. Uma comissão foi eleita para estudar a doutrina do Espírito Santo à luz da doutrina batista. Esta comissão deveria fazer um relatório deste estudo e apresentar na próxima AGO. A comissão foi composta por treze pastores, Rubens Lopes (presidente), Achilles Barbosa, Enéas Tognini e José Rego do Nascimento, ambos a favor da chamada renovação espiritual; Delcyr de Souza Lima, Harald Schaly e Reinaldo Purim, contrários;e José dos Reis Pereira, João Filson Soren, Werner Kaschel, Thurman Bryant, David Gomes, David Mein. A proposta era que eles se reunissem ao longo do ano, debatessem o tema e no final elaborassem um relatório, o qual seria apresentado em Vitória, em janeiro de 1963 na 45ª AGO.
As reuniões da comissão não seguiram a agenda proposta e, segundo Enéas Tognini, membro da comissão, o presidente da mesma realizou apenas 14 reuniões em São Paulo e no
134 Rio de Janeiro durante o mês de setembro de 1962, e finalizou o relatório em Vitória. Tognini lamentou em 1963 lamentou que os critérios da proposta votada nemna Assembleia em Curitiba também não foram respeitados. Ele disse que sempre os que estavam a favor da renovação espiritual eram a minoria e, na ausência do pastor Thurman Bryant, que estava de férias nos Estados Unidos da América, os demais comissionados eram contra o movimento. O relatório foi concluído em Vitória, em janeiro de 1963, e foi apresentado ao plenário para apreciação e votação na 8ª sessão da 45ª Assembleia.
No parecer da comissão, estava escrito entre outros pontos o seguinte:
I - Dada a natureza da matéria, a comissão não apresenta parecer final [...]. IV - Achamos que se deve reafirmar direito inerente a cada batista, pronunciar livremente sobre a matéria, mas em linguagem cristã em que perceba preeminência do amor e o sincero desejo de um fortalecimento espiritual que se torna cada vez mais necessário em nossas igrejas e em nosso povo. V – Mas achamos também que a ênfase dada à determinada interpretação da doutrina do batismo no Espírito Santo tem gerado os seguintes abusos que, sinceramente deploramos: 1. Realização de reuniões em que se notam os mesmos vícios de reuniões pentecostais, isto é, a confusão no ambiente, a gritaria, os descontroles físicos, o falar de línguas e outros excessos de emocionalismos. [...] VI – Achamos conveniente que esta Convenção advirta aos que assim se portarem que estão saindo da linha apostólica da ordem e decência e que prejudicam com tal comportamento as relações entre as igrejas. VII – Sugerimos finalmente: 1. Que haja por parte dos pastores e dos crentes em geral um estudo mais objetivo da obra e, principalmente do método do Espírito Santo [...]. 2. Que os crentes se abstenham de atitudes precipitadas e hostis [...]. 3. Que, aprovado este parecer, a Comissão continue suas reuniões e observações, examinando, inclusive, experiências espirituais de diversos irmãos e obreiros [...], apresentando um parecer final na próxima assembleia.100
O parecer da comissão foi aprovado pelo plenário com 477 votos favoráveis e 11 contrários. Foi aprovado também que o documento fosse impresso e amplamente divulgado. A partir daí, o pastor Enéas Tognini, um dos membros da comissão e favorável à renovação espiritual, considerou sua participação desnecessária e retirou-se da referida comissão. Ele, 20 anos depois, escreveu:
No meu modo de ver, deveríamos parar por aí, por um ponto final. Continuar seria interferir em questão de consciência e tocar em pontos secundários de doutrinas, nas quais os batistas não são unânimes. Percebi que o pastor Rubens almejava definir determinados pontos doutrinários sobre o Espírito Santo, uma espécie de parede, para declarar: ―isto é doutrina batista. Se você
100 Relatório da Comissão sobre o problema denominacional relacionado com a doutrina do Espírito Santo.
Relator: José dos Reis Pereira. Vitória, 25 de janeiro de 1963. Ata da 45ª Assembleia Geral Ordinária da Convenção Batista Brasileira.
135 concordar, é batista, se discorda, não é batista‖. Ora isso nunca foi espírito batista, antes é uma coerção descabida e imperialista.(TOGNINI, 1993, p.50)
Na segunda quinzena de janeiro de 1964, na Igreja Batista da Capunga, em Recife, Pernambuco, reuniu-se a 46ª Assembleia Anual da CBB e na sexta sessão a Comissão dos Treze, como ficou conhecida, embora já não mais contasse com 13comissionados, apresentou o relatório final quanto à doutrina do Espírito Santo. A declaração final da Comissão dos Treze reiterou os pontos principais que já haviam sido divulgados no parecer parcial de 1963 e introduziu outros que destacaremos aqui por serempertinentes para a discussão acerca da Missão Batista e de fronteira, pois no texto estão colocadas o que a ortodoxia batista considerava ―verdade bíblica‖ e como ela ―julgava‖ os outros, em especial os de orientação pentecostal. Ora, se considerarmos que nos anos que se seguiram aos estudos desta comissãoo modelo de Missão Batista se reestruturou, é importante verificar os pontos deste parecer nos quais a secretária-executiva da Junta de Missões se apegou para redefinir as fronteiras entre eles e os batistas renovados, entre eles e os pentecostais, entre eles e os demais grupos que também estavam em expansão na Rodovia Transamazônica à época dos projetos do Incra– Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de colonização da Amazônia e do Proime –Projeto de Interiorização Missionária e Evangelização.
O texto final teve sua redação concluída em São Paulo, no dia 10 de outubro de 1963 e, quando foi apresentado na Assembleia em Recife o plenário aprovou por 459 votos a favor e 67 contrários. No texto os destaques foram feitos para reafirmar a doutrina do Espírito Santo enfatizando o ponto de vista da CBB e descredenciando a experiência dos que se envolveram com o movimento de renovação carismática:
[...] 1. A crença no batismo no Espírito Santo como uma segunda bênção, ou seja, com uma segunda etapa na vida cristã, ou seja, como uma nova experiência posterior a conversão não encontra base nas Escrituras. 2. ―Plenitude do Espírito Santo‖ não é o mesmo que ―batismo no Espírito Santo‖, é antes um estado espiritual [...] que se caracteriza por inteira dependência e obediência de Deus [...] e pela capacitação para a realização de sua obra. [...] 4. Experiência emotiva ou sensível de cunho pessoal que algum crente ou grupo de crente tenha tido e atribua ao Espírito Santo, por mais genuína que seja para o indivíduo, para o grupo, de modo algum pode constituir exemplo ou padrão a ser imitado por outros crentes, nem tampouco pode constituir base para doutrinamento de outros ou para campanhas de avivamento. 5. [...] à luz das Escrituras e da História do Cristianismo, essas capacitações não se restringem a determinado número de dons [...] não encontramos bases bíblicas para crer que sejam manifestações do Espírito Santo as ocorrências que alguns grupos têm apresentado [...]. 7. Embora devamos tratar com caridade cristã os pentecostais, não podemos
136 esquecer as diferenças que deles nos separam, consequentes da ênfase excessiva dada por esses irmãos em Cristo a manifestações emocionais, discrepantes da boa ordem cristã. [...].101
Nesta declaração final, as assinaturas de Enéas Tognini, então pastor da Igreja Batista de Perdizes, e de José Rego do Nascimento, então pastor da Igreja Batista da Lagoinha, já não constavam dentre os signatários do documento. A aprovação do plenário à declaração não foi unânime e gerou reações por parte de muitos pastores e de mensageiros que representavam igrejas distantes do eixo do Centro-sul do país. Houve uma proposta para se esperar um pouco mais para definir os rumos da controvérsia doutrinária, mas a proposta assinada por nove delegados foi rejeitada. Eles pediam que fossem consideradas as liberdades de expressão e o direito de defesa e de réplica dos pastores que acreditavam na renovação espiritual, contudo não houve jeito. Com 456 votos a proposta especial encaminhada ao plenário da convenção foi vencida.
O pastor Enéas Tognini declarou que a atitude do plenário foi articulada pelo presidente da Convenção. Após os acontecimentos que culminaram com a vitória dos pareceristas, ele concluiu que se tratava de uma atitude ortodoxa, que não havia outra razão para apressar aquela decisão a não ser que o motivo fosse ―afastar o estorvo da renovação‖ no cenário convencional. Em 1964, havia 250 mil batistas afiliados em igrejas da CBB – Convenção Batista Brasileira. A Missão nacional pretendia chegar aos 500.000 através de uma campanha cujo slogan era ―1 mais 1 igual a 500.000‖. Porém, este alvo não foi alcançado. A saída de missionários e de pastores da CBB após aquela reunião deve ter comprometido os resultados da campanha. No Rio de Janeiro e em Niterói, o ambiente era hostil e algumas igrejas como a de Fonseca, liderada pelo pastor Samuel Chagas, foi excluída do rol dos afiliados (TOGNINI, 1993, p.53). O pastor José dos Reis Pereira faz um balanço da campanha e aponta as razões do fracasso, mas não relaciona a nenhum dos casos o problema da exclusão (PEREIRA, 1984, p.3).
A divisão da Convenção Batista Brasileira é silenciada pela historiografia dos batistas brasileiros. Depois da Assembleia Geral Ordinária da CBB em Recife, exclusões semelhantes às feitas na Assembleia Geral foram aos poucos se repetindo nas convenções
101 Declaração Final da Comissão dos Treze. Anais da Convenção Batista Brasileira. Anexo n.6. Igreja Batista da
137 locais, como no caso do Estado do Rio de Janeiro, onde o ano de 1964 foi especialmente agitado102.
Em 1965, a emenda Delcyr de Souza Lima foi aprovada103. O texto final concluiu:
Que esta Convenção desligue do seu rol de igrejas cooperantes todas as que foram excluídas das Convenções Estaduais, por motivo de sua identificação doutrinário-prática com o movimento Renovacionista-pentecostal ora em curso no Brasil, e que, doravante passe a considerar para desligamento, todos os casos que venham a ser solicitados por Convenções Estaduais.104
Até o final do ano de 1965, a Convenção Batista Brasileira havia desligado do rol de cooperadas 52 Igrejas Batistas, 32 da Estadual Mineira. A exclusão foi feita com base em justificativas doutrinárias. A comissão nomeada para estudar os casos de ―desvios doutrinários‖ sustentou o parecer favorável à exclusão apoiando-se em monografias elaboradas pelos próprios membros da Comissão. Estes estudos mais tarde seriam publicados na revista das Escolas Bíblicas Dominicais. O que havia sido recomendado no final do trabalho da Comissãodos Treze,em 26 de janeiro de 1963, na cidade Vitória, Espírito Santo, não foi cumprido.
Que as igrejas e os pastores que se tenham afastado das doutrinas batistas e se aproximado das doutrinas pentecostais sejam convidados com todo amor a um reestudo de sua posição à luz do parecer ora apresentado. Caso persistam em manter pontos de vista contrários à posição doutrinária sustentada pela Convenção Batista Brasileira, sintam-se à vontade para uma retirada pacífica e honrosa, em benefício da paz da causa de Deus. Tal recomendação se limita àqueles que fazem de suas convicções divergentes motivo de atividade ostensiva, provocando inquietação, confusão e desvios.105
102 Anais da CBB, reunida no templo da Igreja Batista de Niterói, em 1965, no Estado do Rio de Janeiro, pp.
170-175 apud TOGNINI, 2003, p.57.
103 A emenda propunha que ―doravante, passe a considerar desligamento todos os casos que venham a ser
solicitados por convenções estaduais‖. De fato, ela era um adendo à proposta de Isaías Barcelos de Oliveira. O texto final foi aprovado pelo plenário da 47ª AGO da CBB, numa votação de 912 votos contra 60, realizada no Rio de Janeiro, na Primeira Igreja Batista de Niterói, em 1965. Anais da CBB, pp. 33-35 apud TOGNINI, 2003, pp. 63 e 65.
104 Ata da CBB-1965, PIB de Niterói, Rio de Janeiro, p. 175 apud TOGNINI, 2003, p. 65.
105 A recomendação consta no parecer da Comissão dos Treze que foi aprovado na 8ª sessão da 45ª AGO,
realizada em 26 de janeiro de 1963, na cidade Vitória, Espírito Santo, por 422 a 14 votos. Os membros destacomissão eram Rubens Lopes (presidente), Werner Kaschel (secretário),Achilles Barbosa, David Gomes, David Mein, Delcyr de Souza Lima, Harald Schaly, José dos Reis Pereira, Reinaldo Purim, João FilsonSoren, Enéas Tognini, José Rego do Nascimento e Thurman Bryant. No ato da assinatura do parecer, a comissão estava desfalcada porque Enéas Tognini e José Rego do Nascimento já estavam fora, pois haviam assumido suas posições quanto ao que eles chamaram de movimento de renovação espiritual, e Thurman Bryant encontrava-se nos Estados Unidos da América. A redação final do texto da comissão foi apresentada e aprovada na Assembleia Geral Ordinária da Convenção Batista Brasileira, em janeiro de 1964, em Recife.
138 O parecer da Comissão dos Treze, como ela ficou conhecida, deliberava a exclusão de um grupo expressivo dos quadros da Igreja Batista e deu margem para que pensemos na criação de mais uma fronteira no campo religioso brasileiro. Uma fronteira criada que ajudou a redefinir o mapa da Missão Batista no Brasil. O modelo da Missão Batista identificado na recomendação dos pareceristas como a causa de Deus enfrentou este corte em seus quadros administrativos eclesiásticos, educacionais e pastorais justamente sem mencionar este impacto em sua história.
Na Assembleia de 1965, uma nova comissão foi nomeada para estudar estes impactos, mas nenhuma mudança radical foi feita na CBB. No momento em que crescia nas capitais brasileiras o número de Missão religiosa de orientação pentecostal, a rupturada CBB foi sem dúvida um impacto sobre as igrejas locais. O contexto no qual a Missão Batista cria os projetos de expansão missionária, incluindo os que tinham como objetivo as áreas das rodovias no Pará, está marcada por esta ruptura.
Os pastores excluídos, José Rego do Nascimento, da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte; Rosivaldo de Araújo, da Igreja Batista de Salvador; e Enéas Tognini da Igreja