Nº antigo: 0010.14.005241-5 Autor: Maria Augusta Vieira Camelo Réu: Iradilson Sampaio de Souza DESPACHO
Em que pese a Ação de Embargos de Terceiros ter sido protocolizada na forma física, entretanto, entendo que no caso em apreço deveria ter sido feito via sistema digital do PRODUJI, por prevenção a este Juízo. Assim, visando garantir maior celeridade processual, determino o desentranhamento das peças processuais que compõe o processo de embargos de terceiros, devolvendo-o ao seu subscritor para, querendo, ingressar via sistema PROJUDI;
Expedientes necessários; Cumpra-se.
Boa Vista/RR, 10 de junho de 2014.
Jarbas Lacerda de Miranda Juiz de Direito
Titular da 4ª Vara Cível de Competência Residual Advogado(a): Francisco José Pinto de Mecêdo
Monitória
118 - 0112481-84.2005.8.23.0010 Nº antigo: 0010.05.112481-5 Autor: Iradilson Sampaio de Souza Réu: Renan Prates Porto
DESPACHO
Aguardar em cartório decisão dos autos em apenso de n.º 010.14.005241-5.
Expedientes necessários; Cumpra-se.
Boa Vista/RR, 04 de junho de 2014.
Jarbas Lacerda de Miranda Juiz de Direito
Titular da 4ª Vara Cível de Competência Residual
Advogados: Brunnashoussens Silveira de Lima Monteiro, Ellen Euridice C. de Araújo, Fabiana Rodrigues Martins, Francisco José Pinto de Mecêdo, Johnson Araújo Pereira
Petição
119 - 0160307-38.2007.8.23.0010 Nº antigo: 0010.07.160307-9 Autor: Francisco das Chagas Pontes Réu: Astrid Barbosa Marques DECISÃO INTERLOCUTÓRIA
(Artigo 162, § 2º do Código de Processo Civil)
Com razão a i. Defensora Pública em seu arrazoado de fls. 352/355, que adoto como razões de decidir, considerando que a parte requerida não conseguiu comprovar que os valores bloqueados às fls. 349/350 se trata de verba salarial.
Em vista disso, indefiro o pedido da parte requerida constante às fls. 342 dos autos.
Com relação ao requerimento do autor para que seja descontado em folha de pagamento da requerida, o valor total da execução até o limite mensal de 30% (trinta por cento) dos rendimentos brutos.
Da Possibilidade de penhora do Salário
Muito embora haja previsão normativa da impenhorabilidade dos salários, no entanto, como toda regra, seja constitucional ou infraconstitucional, comporta exceção. Portanto, não existe no nosso regramento jurídico princípios absolutos.
Em relação ao tema, destaco a lição do eminente processualista civil, Professor Luiz Guilherme da Costa Wagner Junior. Vejamos: ''(...)
Discussão 5 - O salário é totalmente impenhorável ?
O artigo 649 do CPC, que recebeu nova redação com a edição da Lei 11.382/06, passou a dispor que são absolutamente impenhoráveis ''IV ? os vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, observado o disposto no § 3º deste artigo''. O Presidente da República entendeu por bem vetar o parágrafo 3º. deste artigo 649 do CPC que admitia a penhora no percentual de 40% a incidir nos recebimentos mensais acima de 20 salários mínimos, calculados após efetuados os descontos de imposto de renda retido na fonte, contribuição previdenciária oficial e outros descontos compulsórios. Com o veto presidencial, que coloca o Brasil na contramão da história, na medida em que diversoss outros países admitem a penhora de parte do salário (v. detalhes adiante), restou sem sentido a parte final do mencionado inciso IV desse artigo 649, que diz, ''observado o disposto no § 3º deste artigo'', na medida em que, repete-se, o § 3º não vigora entre nós. De toda forma, ainda que lamentando o despropositado veto presidencial, o § 2º do dispositivo legal em comento declara expressamente que a restrição à penhora dos salários não valerá quando se estiver diante de dívida alimentícia. Há que se discutir, também, o grau de impenhorabilidade do salário. Entendemos que a regra da impenhorabilidade absoluta dos salários deve ser repensada e vista com algumas reservas. Ora, de onde vem o patrimônio do cidadão? Regra geral, de seu salário. Heranças, prêmios, doações, são situações efêmeras e que acontecem de vez em quando e, mesmo assim, para pequena parcela da população. O que se vê é que, na grande e maciça maioria das vezes, o patrimônio de uma pessoa é composto quase que exclusivamente por seu salário. Assim, pensar que o salário será sempre
impenhorável é admitir que o cidadão não poderá ser compelido a pagar qualquer dívida. Sustentamos, então, que valores que de um mês para outro sobrem na conta do devedor, perdem a natureza de salário e por conta disso poderão ser normalmente penhorados. Da mesma forma resíduos salariais que foram aplicados ou poupados pelo devedor (desde que acima de 40 salários mínimos) poderá ser livremente penhorados, ainda que se demonstre que tais valores, um dia, foram salários. Igualmente, quantias salariais que se mostrarem acima das necessidades de subsistência de seu titular e sua família, poderiam também ser penhoradas (observar, adiante, jurisprudências que encampam essa tese).
Para o Professor Sérgio Cruz Arenhart ''é evidentemente inconstitucional o veto aposto, merecendo ser desconsiderado. Diante disso, prevalece a possibilidade da penhora de parcela de altos salários e de imóveis de elevado valor. Aliás, essa conclusão vem avalizada pelo próprio teor do veto presidencial, que aponta a razoabilidade dos preceitos indicados, assinalando, quanto à penhora de parcela de salários, que ?é difícil defender que um rendimento líquido de vinte vezes o salário mínimo vigente no País seja considerado como integralmente de natureza alimentar''.5 No mesmo sentido sustenta José Miguel Garcia Medina afirmando que, na discussão quanto à impenhorabilidade absoluta dos salários, ''não se deve optar por interpretação literal, que não esteja em consonância com a finalidade do inciso IV do art. 649''. Assim, ''não tendo sido localizados outros bens penhoráveis, pensamos que deve ser admitida a penhora de parte da remuneração recebida pelo executado, em percentual razoável, que não prejudique seu acesso aos bens necessários à sua subsistência e à de sua família''.6 Prof. Luiz Guilherme da Costa Wagner Junior1 Rede LFG - Aula 29/01/09 ? Súmulas e Jurisprudências ? Tema: Impenhorabilidade de bens (...)''
Nesse sentido convém colacionar o entendimento da Jurisprudência. Vejamos:
''4ª Turma Cível do TJDFT manteve decisão de 1ª instância que autorizou a penhora de 30% dos proventos de aposentadoria de um militar reformado. Não valeu a insurgência do devedor em afirmar que a verba de natureza alimentar não poderia ser penhorada. Para a maioria dos desembargadores, a garantia da impenhorabilidade não pode servir de impedimento para cumprir responsabilidades assumidas e não pagas. A dívida objeto da controvérsia data de 2004. Nunca houve pagamento. De acordo com a Turma, a penhora de apenas uma porcentagem da verba de natureza alimentar não fere o espírito do artigo 649 do Código de Processo Civil. O objetivo da proteção legislativa, no entendimento dos julgadores, é evitar que o pagamento de determinada dívida torne inviável a subsistência do devedor.
Pelas conclusões do julgamento, o artigo que veda a penhora sobre os salários, soldos e proventos deve ser interpretado levando-se em conta as outras regras processuais civis. Assim, devem ser respeitados os princípios da própria execução. Um deles, dos mais importantes, afirma que os bens do devedor serão revertidos em favor do credor, a fim de pagar os débitos assumidos.
Para a maioria dos desembargadores da Quarta Turma, até mesmo as verbas de natureza alimentar são livremente negociáveis, disponíveis. Um dos exemplos apresentados durante as discussões do caso foi a consignação em folha de pagamento, prática cada vez mais comum entre servidores públicos, em que se destina previamente parte do salário para o pagamento de determinadas dívidas.
O bloqueio incidirá sobre 30% das verbas recebidas mensalmente, até ser alcançado o valor total do débito. A sentença é de novembro de 2004 e já transitou em julgado, ou seja, não há mais possibilidade de recurso quanto à condenação.
A origem desse recurso é uma ação de cobrança. Segundo informações dos autos, o devedor celebrou contrato com a credora para a produção de leitões. Não cumpriu suas obrigações no pacto sucessivas vezes, causando um prejuízo material à outra parte que ultrapassa os R$ 63 mil.
Fonte: TJDFT a responsabilidade subjetiva (grifei)
Diante do exposto, DEFIRO O PEDIDO DO AUTOR, para que o Cartório promova a expedição de Ofício a SEGAD, para que, proceda com o desconto mensal em folha de pagamento da requerida ASTRID BARBOSA MARQUES, no limite de 30% (trinta por cento) de seu salário bruto, abatidos os descontos de imposto de renda e previdência social.
Esses valores deverão ser mensalmente descontados da folha da requerida, e transferido para a Conta Judicial, até o limite total da execução na quantia de R$ 15.122,41 (quinze mil cento e vinte e dois reais e quarenta e um centavos), devendo a Autoridade Pública daquele Órgão comunicar este Juízo no prazo de 05 (cinco) dias, com as advertências legais.
Por outro lado, determino ainda que seja renovada a ordem de Bloqueio Online, via Sistema BACENJUD em desfavor da requerida.
Sobre a ordem de preferência da penhora, dispõe com propriedade o Artigo 655 do Código de Processo Civil que:
"(...)
Art. 655. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira;
( R e d a ç ã o d a d a p e l a L e i n º 1 1 . 3 8 2 , d e 2 0 0 6 ) . < h t t p : / / w w w . p l a n a l t o . g o v . b r / c c i v i l _ 0 3 / _ A t o 2 0 0 4 - 2 0 0 6 / 2 0 0 6 / L e i / L 1 1 3 8 2 . h t m >
(...)"
No mesmo sentido, quanto às diligências que deverão ser adotadas pelo juiz, dispõe o novo Artigo 655-A do CPC, in verbis:
"(...)
Art. 655-A. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exeqüente, requisitará à autoridade supervisora do sistema bancário, preferencialmente por meio eletrônico, informações sobre a existência de ativos em nome do executado, podendo no mesmo ato determinar sua indisponibilidade, até o valor indicado na execução. (Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006). < h t t p : / / w w w . p l a n a l t o . g o v . b r / c c i v i l _ 0 3 / _ A t o 2 0 0 4 - 2 0 0 6 / 2 0 0 6 / L e i / L 1 1 3 8 2 . h t m >
§ 1o As informações limitar-se-ão à existência ou não de depósito ou aplicação até o valor indicado na execução. (Incluído pela Lei nº 11.382, d e 2 0 0 6 ) . < h t t p : / / w w w . p l a n a l t o . g o v . b r / c c i v i l _ 0 3 / _ A t o 2 0 0 4 - 2 0 0 6 / 2 0 0 6 / L e i / L 1 1 3 8 2 . h t m >
(...)"
Em face do exposto, determino o seguinte:
a) Acolho o pedido do(a) autor(a)/exequente, para com base nos artigos acima mencionados, determinar o bloqueio de valores, até o limite da execução, junto ao Sistema BACENJUD.
b) Efetivado o bloqueio de valores, determino a lavratura de termo de penhora, com a intimação do executado(a), através de seu(s) advogado(s), nos termos e no prazo do § 1º do Artigo 475-J do Código de Processo Civil;
Segue anexo, comprovante da minuta de requisição de bloqueio on-line. Por fim, expeça-se Alvará de Levantamento dos valores de fls. 306 em favor do autor.
Intimem-se. Cumpra-se.
Expedientes necessários. Cumpra-se, com a necessária urgência. Boa Vista/RR, 30 de julho de 2014.
Jarbas Lacerda de Miranda
Juiz de Direito Titular da 4ª Vara Cível de Competência Residual (antiga 6ª Vara Cível)
Advogados: Marco Antônio da Silva Pinheiro, Scyla Maria de Paiva Oliveira