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1.4 Turismo e Atualidade

1.4.3 Embasamento teórico

Como se vê o Brasil através das políticas públicas está colocando na pauta do dia a urgente necessidade de expandir aqueles setores mais empregadores de mão-de-obra. O turismo é um deles, já que, além dos empregos diretos, estimula a criação de empregos indiretos, através da indispensável melhoria da infra-estrutura urbana, dos transportes, das estradas etc. Nesse caso, aumentam as necessidades coletivas em matéria de habitação, de transportes, de serviços, eleva-se a renda, surgem empreendedores, trabalhadores qualificados, formam-se quadros de alto nível, esses empregos surgem com novos hotéis, motéis, campings, linhas aéreas, aluguel de carros, ônibus de turismo, restaurantes, agências de viagens, empresas de tours, lembranças, souvenirs, entretenimentos, museus, artesanato e toda uma enorme e variada gama de outras atividades.

Realmente, o turismo tornou-se fato social e econômico reconhecido a demandar atenção de amplos segmentos sociais e econômicos. Neste sentido, pode ser visto também como uma ferramenta ímpar numa perspectiva econômica de desenvolvimento para as comunidades e países em desenvolvimento.

Nesse caminho entende Oliveira (2002, p.59), que o turismo está inserido cada vez mais num cenário globalizado, constituindo um dos segmentos essenciais de uma estratégia bem sucedida de desenvolvimento, produzindo efeitos positivos sobre a economia, por apresentar um potencial de geração de emprego e renda, o que se torna mais relevante para as regiões mais pobres; pelo benefício na balança de pagamentos, à medida que gera ingresso de divisas trazidas pelos turistas estrangeiros e, principalmente, pelos investimentos externos, no setor de construção de hotéis e parques temáticos e na infra-estrutura de recepção e por último deve-se considerar o turismo como um espaço privilegiado de marketing para o país e de seus produtos. É oportuno salientar que o turismo de estrangeiros ao país tem a singularidade de exportar inclusive impostos e contribuições sociais diretas ou indiretas, o que seria impensável para a competitividade dos outros bens e serviços constantes da nossa pauta de exportações.

De acordo com Kotler (1991, p. 37), “o marketing tem como função identificar necessidades e desejos não satisfeitos, definir e medir sua magnitude, determinar a que mercados alvo a organização pode atender melhor, lançar produtos, serviços e programas apropriados para atender à estes mercados, e treinar talentos nas empresas para que pensem de forma criativa objetivando cada vez melhores serviços aos clientes”.

Nesta mesma linha de pensamento Dias (2002, p.171) comenta que, “O turismo, por meio da difusão cultural promovida pelos meios de comunicação, realiza o papel de interação social, fundamental no processo de socialização do qual depende o ser humano para a construção de suas identidades individuais e coletivas.

Enfim, o turismo é capaz de movimentar mais de cinqüenta setores da economia, uma entre inúmeras formas de lazer, tem uma questionável competência no sentido de promover o desenvolvimento. Daí o crescente interesse dos planejadores territoriais (poderes públicos, principalmente municipais) pelo desenvolvimento do turismo em seus territórios. (CRUZ, 2001, p.24),

Ruschmann (1995, p 13), também afirma que

[...] A expansão do turismo moderno está ligada de forma indubitável ao progresso econômico, à concentração urbana, às facilidades de circulação e ao desenvolvimento dos transportes, contribuindo para o redimensionamento do fenômeno, que passou a ser objeto de atenção dos governos diante de sua importância.

É dentro deste contexto que a atividade turística transforma-se num dos setores mais importantes da economia, é uma combinação complexa de inter-relacionamentos entre indústria e comércio, já que está intimamente ligada ao setor terciário ou de serviços, e com participação marcante no Produto Interno Brasileiro do país.

Neste contexto, o turismo torna-se uma importante forma de desenvolvimento

“limpo” de regiões, quando bem planejado, demonstrando que pode fomentar,

aumentar a renda, gerar divisas e beneficiar as localidades envolvidas, como emissoras e receptoras desse fenômeno, envolvendo o movimento de pessoas.

É uma atividade que congrega condições de obter resultado no desenvolvimento e planejamento regional ou territorial. O efeito da oferta turística (alojamentos, estabelecimentos de alimentação, indústrias complementares e outros), eleva a demanda de emprego, repercutindo no desemprego das regiões (CASTELLI, 1994).

Na região da Quarta Colônia, como localidade receptora, o turismo se desenvolve de forma gradual. Tem proporcionado um expressivo fluxo de turistas, de várias cidades do Rio Grande do Sul, assim como de outros estados brasileiros e, também, do exterior como Itália, Alemanha e da região do Rio da Prata. Para os objetivos dessa pesquisa, entende-se turismo como sendo, conforme (DE LA TORRE, 1994) cita:

[...] um fenômeno social, que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupo de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura e saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural.

Mais simples e esclarecedora define a Organização Mundial de Turismo em 1963:

[...] tempo fora do domicílio superior a 24 horas e no máximo 90 dias para haver pernoites e registros, ausência de lucro, por isso devem ser viagens sem interesse econômico ou sem execução de trabalho remunerado no lugar visitado; e que as relações decorrentes das viagens tais como resolver negócios, tenham previsão de retorno e sejam sem propósito de migração definitiva. (OMT, 2002, p.18)

Estas características geram necessidades de organização de produtos turísticos que contenham uma base cultural ecologicamente correta, onde através de uma estrutura atenda e proporcione hospitalidade, acomodações, boa culinária e informações qualificadas, além de segurança aos indivíduos visitantes.

Para De Masi (1999, p.12), tendo em vista que um número sempre maior de pessoas irá usufruir dos bens e serviços sem envolver-se em sua produção, serão

necessárias novas maneiras de bem-estar (wellfare), para suprir às necessidades daqueles que não trabalham, e novas formas de gratificação, para atender às necessidades daqueles que trabalham.

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