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A EMERGÊNCIA DO PROFESSOR DE APOIO NO CENÁRIO INCLUSIVO

No documento rosanepimentafargnoli (páginas 34-37)

Compreende-se que a presença do Professor de Apoio na escola regular, bem como sua função, respalda-se na lógica da inclusão e materializa ações e estratégias desenvolvidas para proporcionar ao aluno de AEE um atendimento educacional inclusivo. A partir do momento em que a escola assume seu propósito inclusivo, o professor de apoio torna-se um importante aliado nesta empreitada, principalmente, se é capaz de discernir qual o papel a ser desempenhado no projeto inclusivo assumido pela escola. A este repeito e com o objetivo de delinear o desenvolvimento pedagógico do aluno de AEE e acompanhar a evolução de seu processo de aprendizagem, em Minas Gerais, o GOEE (MINAS GERAIS, 2013d) define as atribuições do Professor de Apoio, como sendo:

a. atuar de forma colaborativa com os professores da classe comum para a definição de estratégias pedagógicas que favoreçam o acesso dos alunos com necessidades educacionais especiais ao currículo e a sua interação no grupo;

b. adaptar/flexibilizar material pedagógico relativo ao conteúdo estudado em sala de aula (atividades, exercícios, provas, avaliações, jogos, livros de histórias, dentre outros) com o uso de material concreto, figuras e simbologia gráfica e construir pranchas de comunicação temáticas para cada atividade, com o objetivo de proporcionar a apropriação e o aprendizado do uso do recurso de comunicação e ampliação de vocabulário de símbolos gráficos;

c. preparar material específico para uso dos alunos na sala de aula; d. desenvolver formas de comunicação simbólica, estimulando o aprendizado da linguagem expressiva;

e. prover recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa;

f. garantir a utilização de material específico de Comunicação Aumentativa e Alternativa (pranchas, cartões de comunicação e outros), que atendam à necessidade comunicativa do aluno no espaço escolar;

g. identificar o melhor recurso de tecnologia assistiva que atenda às necessidades dos alunos de acordo com sua habilidade física e sensorial atual e promova sua aprendizagem por meio da informática acessível;

h. ampliar o repertório comunicativo do aluno por meio das atividades curriculares e de vida diária;

i. orientar a elaboração de materiais didático-pedagógicos que possam ser utilizados pelos alunos na sala de aula;

j. promover as condições para a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais em todas as atividades da escola;

k. orientar as famílias para o seu envolvimento e a sua participação no processo educacional;

l. indicar e orientar o uso de equipamentos e materiais específicos e de outros recursos existentes na família e na comunidade (MINAS GERAIS, 2013d, p. 15-16).

A demanda para Professor de Apoio, segundo o referido Guia, se justifica quando:

O aluno a ser atendido tiver necessidades de suporte na comunicação alternativa com o uso de recursos de tecnologia assistiva e na ambientação escolar de alunos com quadros psiquiátricos que apresentam alto nível de auto e heteroagressividade (MINAS GERAIS, 2013d, p.13).

Ao pensar sobre o papel do Professor de Apoio, o GOEE define sua função como essencialmente pedagógica e ressalta que deve atuar de forma colaborativa com os professores da classe comum na definição de estratégias pedagógicas que favoreçam a inclusão do aluno do AEE:

O Professor de Apoio à Comunicação, Linguagem e Tecnologias Assistivas – oferece o apoio pedagógico ao processo de escolarização do aluno com disfunção neuromotora grave, deficiência múltipla e (ou) transtornos globais do desenvolvimento. Esse apoio pressupõe uma ação integrada com o(s) professor (es) regente(s), visando a favorecer o acesso do aluno à comunicação, ao currículo, por meio de adequação de material didático- pedagógico, utilização de estratégias e recursos tecnológicos (MINAS GERAIS, 2013d, p.14).

As ideias de Pereira Neto (2009) a respeito da função do Professor de Apoio condizem com a proposta do GOEE, no qual cabe ao profissional oferecer suporte ao aluno deficiente, inserido em salas regulares que demonstrem tal necessidade. Já Silva e Maciel (2005) ampliam ainda mais o entendimento a respeito da função do Professor de Apoio ao afirmar que ele é designado para a classe na qual há a presença de aluno(s) com deficiência (ou com dificuldades de aprendizagem), sendo um suporte para o grupo e não apenas para o aluno que desencadeou a sua presença. Nessa perspectiva, ele se torna um auxílio educativo para professores de diferentes disciplinas em que sua intervenção deve ser incluída no planejamento global da aula e não se reduzir a uma atenção individualizada.

A definição da função de Apoio utilizada por Silva e Maciel (2005), na qual o profissional atua na perspectiva de suporte para o grupo, parece bastante razoável e interessante. Embora o documento norteador das políticas públicas inclusivas em Minas Gerais, o GOEE, não contemple a perspectiva apontada por Silva e Maciel (2005), há uma compreensão e uma expectativa dos sistemas escolares, baseada no senso comum, de que o Professor de Apoio colabore com a inclusão do aluno. O profissional deve estabelecer um diálogo entre o nível micro, o universo das dificuldades, potencialidades e desafios do aluno e o nível macro, sua relação e inserção na sala de aula como um todo.

A este respeito, Rodrigues (2007) observa que, em Portugal, a existência e presença do Professor de Apoio nas escolas é algo bastante comum. Embora no referido país, a colocação desse profissional seja algo consensual, apenas garantir sua presença em sala de aula é desnecessário. Nessa perspectiva, “a atuação de professores de apoio só é relevante quando traduz em mudanças profundas nas condições de atendimento aos alunos (RODRIGUES, 2007)”.

A literatura sobre Educação Especial Inclusiva faz notar que o papel desempenhado pelo Professor de Apoio no contexto escolar é considerado fundamental para viabilizar a permanência e participação em sala de aula do aluno com deficiência e/ ou TGD. Nesse sentido, Silva e Maciel (2005) defendem que a presença do Professor de Apoio na sala de aula cria oportunidade para os alunos deficientes e/ ou TGD aprenderem os conteúdos com os demais discentes, a partir da possibilidade dos Professores de Apoio oferecerem uma resposta educativa mais diversificada e individualizada, que beneficia não somente as crianças com necessidades educacionais especiais, mas todas. Assim, obstante a todas as

limitações e desafios escolares, com os quais se depara o Professor de Apoio, este emerge no contexto educativo, como uma dentre as muitas respostas possíveis que os sistemas educacionais podem dar ao desafio da inclusão.

No documento rosanepimentafargnoli (páginas 34-37)