CONCLUSÔES E PROPOSTA DE DECISÃO
10. EMISSÕES POLUENTES
Um dos descritores ambientais afetados para os quais temos alertado, são as emissões poluentes, que são cumulativas nestas zonas urbanas, face ao elevado tráfico rodoviário, e existência de complexos químicos, temos também informado o tipo de poluentes que as aeronaves produzem e como podem afetar a saúde das comunidades locais.
Os concelhos da Margem Sul, nomeadamente Moita, Barreiro, Seixal, Alcochete e Montijo.
Após a construção do aeroporto complementar do Montijo ficarão sujeitos a poluentes atmosféricos, poluentes gasosos e partículas, provenientes das atividades aeroportuárias que têm impacto no ambiente e na saúde das populações mais próximas do aeroporto. Os poluentes mais relevantes a serem considerados no inventário de emissões de um aeroporto são os seguintes (ICAO, 2007):
SO2 – Dióxido de Enxofre;
O3 – Ozono;
COV – Compostos Orgânicos Voláteis, incluindo hidrocarbonetos (HC);
54 PM - Partículas em suspensão (PM2.5 e PM10);
NOx – Óxidos de Azoto, incluindo o dióxido de Azoto (NO2) e o óxido de Azoto (NO);
CO - Monóxido de Carbono;
CO2 – Dióxido de Carbono5;
BTX - Benzeno, Tolueno e Xilenos
É falaciosa a opinião que as aeronaves no futuro serão menos poluidoras, não obstante o Clean Sky, visto que a tendência também poderá ser a existência de cada vez mais wide bodys aircrafts.
O EIA fundamenta-se na utilização do modelo mesometeorológico utilizado para determinação da estrutura vertical da atmosfera que se designa por TAPM – The Air Pollution Model. Modelo desenvolvido pela CSIRO – Marine and Atmospheric Research, comparam-se os resultados das simulações com a legislação portuguesa e dizem não se verificar, em algum recetor (área), que haja ultrapassagem do limite legal para a qualidade do ar. Contudo existem estudos
independentes que preconizam o contrário, nomeadamente:
https://graduatedegrees.online.njit.edu/blog/deadly-airport-toxins/
55 11. SOCIOECONOMIA
Diz o EIA:
“Ao nível da Socio economia são previstos impactes positivos bastantes significativos, decorrentes da implantação do novo Aeroporto do Montijo, maioritariamente associados ao fluxo financeiro gerado pela sua exploração, pela indução de emprego direto e indireto, pela dinamização da economia local e valorização das potencialidades turísticas locais e Península de Setúbal.”
Não acontecerão impactos positivos no Montijo nem em Alcochete e muito menos, em outros concelhos da margem Sul.
56 O aeroporto complementar do Montijo, será para viagens ponto por ponto e companhias low cost, por isso não apresenta perfil para constituir e trazer desenvolvimento económico aos concelhos da margem sul, como aconteceria com o NAL em Canha que constituiria uma cidade-Aeroporto. Existem diferentes classificações para os impactos que os aeroportos têm numa região.
Estes impactos são classificados segundo o ACI (comité internacional de aeroportos), em impactes diretos, indiretos, induzidos e catalisadores. No aeroporto complementar do Montijo tratando-se de um Terminal complementar Low Cost, complementar de Lisboa, não implicará na margem Sul, “novos serviços”, associados, nem ocorrerão novas atividades, que produzam efeitos catalíticos, em nenhum concelho do Distrito de Setúbal, nem existirão infraestruturas de apoio de conexão a este aeroporto low cost, fora do perímetro, da BA6, porque não carece destas.
A operação e gestão de atividades deste aeroporto, inclui poucas atividades do operador do aeroporto, pouco apoio a aeronaves, Controlo de tráfego aéreo do aeroporto, aviação low cost, com rotações muito rápidas, o handling (material de apoio praticamente inexistente, as bagagens são transportadas á mão pelos passageiros), a segurança aeroportuária realizada por empresa privada, presume-se que a Imigração e alfândega, sejam realizadas em Lisboa, e em algumas poucas atividades comerciais. No Montijo, todas as funções diretas ou são do Estado e da NAV-Navegação Aérea, ou são da ANA/VINCI/Lusoponte. Portanto não irão produzir novos empregos.
Também não ocorre um impacto económico indireto, porque o emprego, receita gerados por indústrias a jusante que fornecem e apoiam as atividades no aeroporto, que por exemplo, poderiam incluir: fornecedores de comida para voos, Catering, atividades, balcões de reservas de voos, ou não existe no modelo de negócio das Low Cost, que utilizarão o Montijo, porque estas não incluem alimentação a bordo, ou são limitados como o fornecimento de combustível (devido ao peso máximo á descolagem MTOW, em alguns casos as aeronaves não abastecem, devido á limitação da pista), poucas empresas rent-a-car e agências de viagens sendo as reservas do voo, no caso da Ryanair efetuadas na internet, gerando assim poucos empregos indiretos.
Também o Impacto económico induzido, sendo a atividade económica gerada, pelos funcionários de empresas direta ou indiretamente ligadas ao aeroporto, nomeadamente gastos dos empregados em restaurantes, e que, geram empregos em outros aeroportos HUBS em uma ampla gama de setores da economia aqui não tem lugar.
Se tem poucos funcionários também pouco impacto induzido produz num ou noutro restaurante e muito menos em outros estabelecimentos. Os Impactos catalíticos. Também conhecidos como
57 Wider Economic Benefits, que são a forma como o aeroporto facilita o negócio de outros setores da economia, serão reduzidos. As receitas provenientes de atividades conexas são as portagens da Lusoponte e os hotéis em Lisboa. Que de resto já está a ser disputada pelos concessionários.
A concessionária ANA/VINCI/Lusoponte terá de retirar o maior lucro possível a partir de outras atividades comerciais e nomeadamente das portagens da Ponte Vasco da Gama da qual também possui a concessão. A atividade comercial geralmente mais usual e rentável nos aeroportos passa pelos concessionários de restauração, pois os passageiros de companhias Low-Cost devido a não terem um serviço gratuito de catering a bordo, fazem um extensivo uso destas atividades comerciais, gastando grandes receitas no restaurante e bar caso exista no aeroporto.
Isto condicionará, portanto, qualquer pretensão de empregos diretos, indiretos, induzidos e catalisadores no Montijo e Alcochete ou nas restantes cidades da margem Sul.
Estas soluções “dual” de aeroportos Complementares têm falhado totalmente ou em parte, um pouco por toda a Europa. Algumas vezes por desinteresse das companhias Low Cost na sua utilização quando deixam de receber subsídios. Com aconteceu com o caso paradigmático do:
- Aeroporto de Frankfurt Hahn. O mesmo poderá acontecer no Montijo.