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3.2 Tríade da Persona Virtual

3.2.1 Emoção e Sentimento

Embora existam várias teorias sobre as emoções (JAMES, 1884; CANNON, 1927; DAMASIO,

2003; DAMASIO, 2006; DARWIN, EKMAN e PRODGER., 1998; LEDOUX, 1998), há um

consenso sobre sua natureza fisiológica que proporciona aos organismos comportamentos

rápi-dos e eficazes orientarápi-dos a sua sobrevivência. A emoção é vista como uma resposta química do

cérebro à medida que este se depara com uma situação diferente do habitual. Quando o cérebro

em estado normal rompe o equilíbrio essa resposta é desencadeada (DAMASIO, 2003;

SCHERER, 2005; STETS, 2006).

A emoção reflete uma resposta discreta, por tempo limitado, a um evento interno ou

externo que acarreta características sincronizadas, incluindo, experiência subjetiva, expressão,

resposta corporal e tendência a ações. A expressão se refere a respostas motoras no rosto, voz

ou corpo, que retrata a emoção para os outros no ambiente social. A resposta corporal envolve

padrões hormonais e respostas autônomas através de neuromoduladores que se caracterizam

por uma excitação ou estresse no cérebro. Em contraste com a expressão emocional, reações

corporais são reflexões adaptáveis na preparação para responder ao evento que o estimulou.

Um exemplo clássico é a resposta “fugir ou lutar”, em que em face da ameaça o ramo simpático

do sistema nervoso prepara o organismo para uma ação rápida pela mudança do estado

fisioló-gico, como aumento da frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e transpiração

(PHELPS, 2009).

Definição 3.5 (Emoção): Emoção é uma resposta discreta, por tempo limitado, a um

evento interno ou externo que acarreta características sincronizadas, incluindo

experi-ência subjetiva, expressão, resposta corporal e tendexperi-ência a ações (PHELPS, 2009).

A emoção funciona como um sistema regulatório sobre a capacidade de cada indivíduo ver,

entender e se portar no mundo. São essencialmente respostas químicas do cérebro as diversas

situações do dia a dia. Para uma emoção acontecer é necessário que haja uma avaliação da

relevância da emoção. Dois fatores são importantes: avaliação e apreciação. A avaliação da

relevância ou significado de um evento pode ocorrer rapidamente e sem uma consciência ou

significado cognitivo. Por outro lado, a consciência, o monitoramento cognitivo e a

interpreta-ção da significância do evento se referem a apreciainterpreta-ção (PHELPS, 2009).

O estudo das emoções é um dos capítulos mais confusos (e ainda abertos) na história da

psicologia, devido, principalmente, à ambiguidade da linguagem natural, o que não permite

descrever emoções misturadas de forma inequívoca. Palavras emocionais como amor, raiva e

medo, podem apresentar diferentes significados de pessoa para pessoa. Além das várias teorias

sobre as emoções, existe um complexo conjunto de sobreposição de palavras para descrevê-las

(CAMBRIA, LIVINGSTONE e HUSSAIN, 2012). Curiosamente há mais emoções negativas

devido a sua ligação com o instinto de alerta e defesa.

Ekman et al. (1982), após análises fotográficas de expressões faciais observadas em

diferentes culturas, propuseram um modelo de seis emoções básicas: raiva; desgosto; medo;

alegria; supresa; e tristeza. Quatro dessas emoções são negativas, sugerindo que os humanos

podem ser mais atentos aos sinais negativos do que aos positivos, pois os sinais negativos

de-notam perigo e nos impelem a responder (efeito positivo e negativo).

Plutchik (1980; 2003) defende um conjunto de oito emoções bipolares. Seria um

super-conjunto do modelo de Ekman et al. (1982) com duas emoções a mais: confiança e antecipação.

Assim, tem-se alegria, confiança, antecipação, raiva, tristeza, desgosto, surpresa e medo. O

au-tor desenvolveu a roda das emoções (Figura 3.4) para ilustrar suas formulações sobre a

bipola-ridade das emoções. Organizou essas emoções em quatro conjuntos bipolares: alegria (joy)

ver-sus tristeza (sadness); raiva (anger) versus medo (fear); confiança (trust) versus desgosto (

Figura 3.4 - Modelo das emoções proposto por Plutchik, conhecido como Rodas das Emoções (Fonte: extraído

de (PLUTCHIK, 2003)).

Russell (1980) sugere um modelo de circunflexo denominado Rusell’s Circumplex Model of

Affect (Figura 3.5), em que as emoções estão distribuídas em duas dimensões, valência

(prazer-desprazer) e excitação (ativado-desativado), em um espaço circular. A dimensão valência indica

que o prazer está presente na emoção, enquanto a dimensão de excitação faz referência a um

estado de ativação (excitação vs. sonolência).

Para Kemper (1987) nossas emoções primárias são: raiva, medo, depressão e satisfação; e a

combinação dessas leva a emoções secundárias como, por exemplo, medo e raiva podem levar

a ódio, inveja e ciúme. Turner (2002), por sua vez, apresentou as seguintes emoções primárias:

afirmação-raiva, aversão-medo, desapontamento-tristeza, satisfação-felicidade. Para cada uma

dessas emoções Turner identificou uma lista de emoções adicionais que estão ligadas às

emo-ções primárias por uma dimensão de intensidade (STETS, 2006).

A experiência subjetiva da emoção é chamada sentimento. Sentimentos são

consciente-mente acessíveis e, portanto, características mais proeminentes da emoção (PHELPS, 2009). O

sentimento seria parte de um processo que envolve cognição e comportamento (CAMBRIA,

LIVINGSTONE e HUSSAIN, 2012). O sentimento é visto como o juízo sobre o próprio corpo,

acompanhado pela percepção dos pensamentos. Na sua essência, os sentimentos são ideias

for-madas enquanto o organismo é perturbado. O sentimento funciona como uma percepção da

emoção, por exemplo, quando diante de um perigo surge a ideia “tenho medo” (DAMASIO,

2003; SCHERER, 2005; STETS, 2006). Assim, pode-se definir sentimento da seguinte forma:

Definição 3.6 (Sentimento): O sentimento é a experiência subjetiva da emoção. É visto

como o juízo sobre o próprio corpo, acompanhado pela percepção dos pensamentos

(PHELPS, 2009).

Por exemplo, supondo que certo objeto foi repetidamente percebido ou pensado por uma

pes-soa, ela percebeu esse objeto em diferentes contextos e ocasiões. Agora supondo que nas várias

ocasiões em que este objeto foi percebido, várias emoções surgiram, assim, a pessoa passa a ter

conhecimento do tom emocional sobre aquele objeto. O resultado dessa experiência mental

forma o sentimento sobre aquele objeto, as emoções passam a ser conhecidas na forma de

sen-timento. O entendimento sobre as emoções também pode ser vinculado a uma dimensão

posi-tiva ou negaposi-tiva, isto é, se a emoção é, em grande parte, prazerosa ou carregada de sofrimento

(BROAD, 1954).

As emoções são uma parte essencial da adaptação e sobrevivência, têm uma

complexi-dade nascida de uma longa história evolutiva associada a reações físicas influenciando

direta-mente o pensamento e o comportamento. É a partir de como cada indivíduo lida com essas

reações físicas e de autopercepção (sentimento) que se entenderá o temperamento e se formará

a personalidade.