MATERNO
... o modo certo de equilibrar trabalho e vida familiar é a questão que atormenta as mulheres desde que elas começaram a disputar bons empregos, há pouco mais de duas décadas – e ainda não se encontrou a resposta. É uma maldade da natureza com as mulheres que os melhores anos para a construção de uma carreira coincidam com os melhores anos para ter filhos. (STROBINO E TEIXEIRA, 2010, p. 15 apud CARELLI, 2003).
Figura 1 - A mulher, mãe e suas multitarefas
Fonte: @juliadoulaenfermeira6.
Há pouco tempo começou a crescer, em especial nas mídias sociais como blogs, Instagram e Facebook, um movimento denominado de “Empreendedorismo Materno”. Trata- se de uma variação do Empreendedorismo Feminino, mas com o diferencial de ter como principal protagonista aquelas mulheres que decidiram empreender após a maternidade. A pesquisa recente promovida pela Rede Mulher Empreendedora (2016) apresenta um dado importante que, até então, não era comprovado. 75% das empreendedoras decidem empreender após a maternidade e na classe C essa porcentagem aumenta para 83%. Isso evidencia que este é um movimento liderado pelas mulheres de classe média, uma vez que esta classe configura renda familiar de 4 a 10 salários mínimos (IBGE, 2013).
A dupla jornada de trabalho que as profissionais enfrentam ao lidar com as obrigações do emprego e das tarefas domésticas as colocam em situação de cansaço físico e mental, de cobranças múltiplas e de pressões externas e internas. Somado ao fato das mulheres enxergarem o ambiente de trabalho em grandes organizações como hostil (STROBINO E TEIXEIRA, 2010), elas veem no empreendedorismo o caminho para ter flexibilidade de
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Ilustração publicada no perfil do Instagram de Júlia Falcão Torres, @juliadoulaenfermeira, em 20 jan. 2016. É uma alusão e adaptação ao cartaz “We can do it”, no qual foi retratado Rosie, uma rebitadeira. Este cartaz foi utilizado pelo governo norte-americano não anos 80 do século passado com o intuito de convocar mulheres pa- ra exercer atividades que exigiam força de trabalho pesada.Essa figura ilustra as mulheres pós modernas que têm diversas atribuições e procura desempenhá-las todas com amor e dedicação. “Sou forte, trabalhadora, vali- osa e sou mãe”.
horários, acreditando que sendo donas dos próprios negócios, conseguirão equilibrar trabalho e família.
Por terem um horário flexível de trabalho, essas mulheres ‘misturaram’ horários de atividades domésticas com profissionais; por serem donas de seus próprios negócios, se envolveram intensamente com o trabalho, dedicando-lhe muitas horas, pois se sentiam responsáveis pelo sucesso ou fracasso do empreendimento. (STROBINO e TEIXEIRA, 2010, p.4).
A interface trabalho-família sempre estará em pauta na vida de qualquer pessoa, seja ela homem ou mulher. Contudo, para a mulher esse sentimento fica mais exacerbado quando a ela se vê grávida e imagina como será conciliar o trabalho de, no mínimo, 40 horas semanais fora de casa com a dedicação necessária para o marido e um infante que demanda atenção, amor, paciência e aprendizados complexos, que vão desde a amamentação, passando pela fala, coordenação motora, o andar e apoio psicológico. Strobino e Teixeira (2010) revelam, porém, que são raras as empreendedoras que conseguem aliar de forma bem definida o seu trabalho da sua vida pessoal. Isso leva as pequenas empresárias a lidarem com conflitos entre o trabalho e família.
O conflito trabalho-família é especialmente vivenciado por mulheres casadas. Strobino e Teixeira (2010) apresentam esse conflito em três dimensões: a) tempo, que está relacionado ao tempo excessivo gasto no trabalho e a consequente falta de tempo para se dedicar aos filhos, na relação com o cônjuge e o compartilhamento de tarefas domésticas; b) tensão, que leva em consideração fatores de estresse como ansiedade, fadiga, depressão e irritabilidade causadas pelo trabalho, a rotina, a baixa valorização das atividades desempenhadas tanto no trabalho quanto em casa; c) comportamento, que está diretamente ligado a autoconfiança, a estabilidade emocional, a agressividade e a objetividade tanto no trabalho quanto na família. O quadro abaixo representa a sobreposição dessas três dimensões, evidenciando a incompatibilidade de pressões entre trabalho e família, como as cobranças do cônjuge para que as mulheres estejam mais presentes e participativas nas atividades familiares; os conflitos entre os papeis de casa e do trabalho que tornam-se mais intensos quando marido e mulher exercem profissões diferentes; e as tensões familiares que aumentam quando há desentendimento na relação conjugal sobre as funções do homem e da mulher no seio familiar.
Figura 2 - Incompatibilidade de Pressões entre o Trabalho e a Família
Fonte: Strobino e Teixeira, 2010 apud Greenhaus e Beutell, 1985, p. 78
Segundo pesquisa realizada pela Robert Half (2016), a cada dez mães em licença maternidade, quatro não voltam para o mercado de trabalho. Dentro os motivos apontados:
• Julgamento – Existe um “consenso” nas organizações que as mulheres diminuem a sua produtividade após a maternidade, uma vez que normalmente estão exaustas das noites perdidas, da rotina da dupla jornada de trabalho, sem mencionar as ausências que são esperadas quando os filhos se acometem adoentados.
• Teoria do segundo filho – Quando a profissional engravida do primeiro filho na faixa dos 30 anos de idade, estima-se que logo em breve ela planejará o segundo filho, por questões de “prazo de validade” da fertilidade feminina e dos riscos mais elevados envolvidos nas más formações fetais em gestações de mulheres que se aproximam dos 40 anos de idade.
• Salário X Rede de Apoio – Para retornar ao trabalho após a licença, a mulher precisa deixar seu filho com uma pessoa de confiança. Quando não contam com a rede de apoio (avós, tias) para cuidar do bebê, elas têm a necessidade de recorrer às profissionais em creches ou babás. Tais contratações normalmente têm valores Pressões do Trabalho Tempo Horas trabalhadas Inflexibilidade de escala Escalas alternadas Tensão Conflito no trabalho Ambiguidade de papeis Atividades extras Comportamento Expectativas de discri- ção e Atividades extras Incompatibilidade Tempo O tempo dedicado ao trabalho dificulta satisfa- zer as exigências da famí- lia e vice-versa
Tensão
A tensão produzida pelo trabalho dificulta satisfa- zer as exigências da famí- lia e vice-versa
Comportamento O comportamento ambí- guo não satisfaz nem as exigências do trabalho, nem as exigências da família Pressões da Família Tempo Crianças pequenas Trabalho do cônjuge Famílias grandes Tensão Conflito familiar Pouco apoio do cônjuge Comportamento Expectativas de honesti- dade e calor humano
elevados e, em alguns casos, os salários não compensam a troca, levando essa nova mãe a abdicar do emprego.
• Retorno após longa parada – Não são todas as mulheres que são bem recepcionadas após a licença maternidade. Alguns trabalhos têm ritmo de trabalho dinâmico, deixando a pessoa que ficou alguns meses fora do ambiente profissional deslocada das notas tarefas. Outros casos faz-se necessária o remanejamento das atividades prestadas, porque seu posto anterior foi ocupado por outro colega. A mulher, portanto, precisa se adequar a novas atividades.
• Home Office e Flexibilidade – Conforme verificado na pesquisa Robert Half, essa ainda não é uma realidade praticada pelas empresas brasileiras por conta dos entraves da legislação trabalhista.
A saída que muitas mulheres têm encontrado para enfrentar esse conflito é abrir o próprio negócio como uma opção de carreira que pode contribuir para um maior equilíbrio na administração dos papeis de família e de trabalho. O empreendedorismo apresenta certas características de trabalho que na percepção feminina as conduzem a esse equilíbrio, como autonomia e horário flexível. Por outro lado, Zampier e Takahashi (2010) revelam que há aumento significativo de conflitos trabalho-família pelas empreendedoras que contam com a tão sonhada liberdade e flexibilidade de horários, mas se desorganizam ao misturar os afazeres domésticos com as atividades profissionais, embora essas mulheres estejam satisfeitas com seu trabalho, ainda que a recompensa financeira não seja a esperada ou compatível com o trabalho desempenhado antes de empreender. O grande desafio das mulheres pós-modernas é encontrar o equilíbrio entre a carreira profissional e pessoal. Por isso, é primordial que elas aprendam a gerenciar a sua família e o seu negócio ao mesmo tempo (BRANCALIONE; WERLANG; BRACHT, 2015), sob pena de se frustrar na nova atividade profissional. O empreendedorismo apresenta-se, portanto, como uma alternativa concreta de geração de emprego e renda para as mulheres, visto que as organizações e o mercado de trabalho convencional não oferecem oportunidade de trabalho que garantam a elas estabilidade e flexibilidade (GOMES, GUERRA e VIEIRA, 2011).
Os estudos de Gomes, Santana e Araújo (2009) revelaram que o tema Relação entre Trabalho e Família ainda é pouco abordado nas pesquisas acadêmicas nacionais, mas as poucas existentes revelam que as mulheres analisadas entendem que “sair da condição de empregada para dedicar-se a uma atividade empresarial tem gerado mais ganhos do que
perdas, principalmente no que diz respeito à satisfação pessoal”. Verificou-se, adicionalmente, que o chamado conflito trabalho/família poderia ser minimizado caso existisse uma divisão mais igualitária das tarefas domésticas, entre homens e mulheres. Por outro lado, estes autores revelam que o tema Redes tem sido amplamente na área de Administração e, mesmo havendo consenso de que este tema contribui de modo positivo para a criação e desenvolvimento de novos negócios, há poucos estudos que unem os constructos redes ao empreendedorismo feminino. Alguns estudos evidenciam que as mulheres que se associam em rede, na maioria dos casos, são beneficiadas. Segundo pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora (2016), a maioria das empreendedoras contam com uma rede de apoio que na hora da divisão das tarefas domésticas e no cuidado dos filhos, mas na classe C, tais redes de apoio são menores.
3 MARKETING DIGITAL E COMÉRCIO ELETRÔNICO
Este capítulo busca apresentar uma abordagem sobre o marketing digital, ressaltando breves conceitos de marketing na subseção 2.1. Na subseção 2.2 busca-se tratar das ferramentas de marketing digital, suas ramificações e os recursos necessários para uma boa estratégia de marketing digital. Em seguida é apresentada a diferenciação entre varejo na internet e comércio eletrônico. Mostra-se o que é e-commerce, suas características e os principais canais de venda utilizados nesse meio de comercialização.