2 EMPREENDEDORISMO: BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA
2.3 O EMPREENDEDOR INDIVIDUAL NO BRASIL NO ANO DE 2015
Após a aprovação da Lei no ano de 2008 onde surgiu a possibilidade de formalização de milhares de microempreendedores que antes exerciam suas atividades de maneira informal, ou seja, sem a legalidade prevista na legislação, e consequentemente sem os benefícios ofertados pela mesma. Apesar de a lei ter sido sancionada em 2008 foi somente no ano seguinte que houve início no processo de formalização do MEI e segundo dados disponibilizados no SEBRAE no ano de 2015 existiam 5.680.614 registradas no país.
Gráfico 1: Total de microempreendedores formais no ano de 2015
Fonte: SEBRAE2 (2017)
Ao se observar esse gráfico verifica-se que o crescimento anual da forma significativa, o que mais se tem de informação neste gráfico é a questão do impacto desta formalização na economia brasileira. Outra percepção é o fato de que se existe o crescimento significativo podemos chegar à conclusão de que a falência desse tipo de empreendimento seria uma das preocupações com a necessidade de formalização das microempresas, pois de acordo com Dornelas (2005, p. 93,94),
“[...] o índice de mortalidade das micro e pequenas empresas (MPE) brasileiras, nos primeiros anos de existência, atinge percentuais próximos aos 70% ou mais [...].” A
2 Disponível em: http://www.sebrae.com.br/
formalização possibilita um tempo de vida maior, ou seja, a permanência dessas no mercado de atuação.
A seguir serão apresentados dados do SEBRAE relacionado ao crescimento do MEI por unidade federativa, com demonstrativo de dois anos (2013 a 2015).
Tabela 2: Dados de MEI por Estados – Anos de 2013 a 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
Conforme é possível observar os estados que possuem maior índice populacional são os que apresentam o maior número de contribuintes do MEI, onde este percentual poderá ser observado a seguir ao se realizar o demonstrativo por região.
Gráfico 2: MEI por região
Fonte: SEBRAE (2015)
Observa-se que a região sudeste é a que mais apresenta microempreendedores individuais cadastrados, sendo seguido pelo nordeste, sul.
Centro-oeste e norte respectivamente. A concentração maior de MEI é maior nas regiões metropolitanas e nas grandes capitais do país. É possível visualizar o crescimento do MEI por unidade federativa desde o ano de 2013 até o ano de 2015.
Figura 1: Percentual de crescimento por unidade federativa desde 2013 a 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
Ainda complementando as informações descritas na imagem acima, é possível classificar os 20 municípios que mais ocorreram crescimentos de MEI no país, sendo estes pautados em dados do ano de 2015.
Tabela 3: Estados com maior crescimento no ano de 2015.
Fonte: SEBRAE (2015).
Atrelado a estes crescimentos estão os setores que se desenvolvem neste universo. O setor que mais cresce é o de comércio, vindo a ser seguido pelo de serviços, a indústria se encontra em terceiro lugar no ranking de crescimento, seguido da construção civil e da agropecuária.
É possível observar que o comércio vem liderando o ranking de crescimento do MEI, seguido dos serviços, é possível ser verificado que no decorrer dos anos
analisados esta realidade se mantém. Verifica-se que praticamente todos os setores cresceram ao longo desses cinco anos, seja pouco ou significativamente, exceto o setor de agropecuária que tem se mantido estável conforme demonstração acima.
A seguir veremos dentro de cada setor qual a área que mais apresentou crescimento, para tanto utilizaremos os dados disponibilizados pelo SEBRAE, referente ao ano de 2015.
Tabela 4: Atividades mais frequentes no MEI - 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
Nesta tabela é possível observar quais as atividades que mais cresceram no ano de 2015, isto relacionado ao MEI, a maioria delas tem relação com o setor de serviços, seguidas do setor de comércio, sendo destas as com maiores percentuais a atividade de comércio varejista de vestuários e acessórios, seguidos de cabeleireiro, dentre outras atividades conforme descritos na tabela acima.
Destas atividades a maioria é desenvolvida por pessoas do sexo masculino, isto de acordo com os dados de registro do SEBRAE.
Gráfico 3: Distribuição do MEI por gênero – 2010 a 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
É possível observar que o maior percentual é de pessoas do sexo masculino, e os setores de atividades ao qual estão inseridos é variado. Um dado a ser verificado de forma mais cautelosa é a diminuição percentual de homens na distribuição do MEI anualmente, enquanto que as mulheres crescem a cada ano que passa, demonstrando que essa percepção é variável.
Gráfico 4: Distribuição por setores e por sexo - 2015
Fonte: SEBRAE, 2015.
Ao observar o gráfico acima é possível perceber que tanto os homens quanto as mulheres inseridas no MEI atuam no setor de comércio, seguido pelo de serviços, apresentando diferença somente na questão do setor de construção civil, pois neste os homens abrem vantagem sobre as mulheres, mas na indústria as mulheres possuem mais atuação que os homens, isto de acordo com os dados do SEBRAE (2015).
Em relação à faixa etária das pessoas que se enquadram no perfil do MEI, temos os seguintes dados.
Gráfico 5: Idade dos MEI – 2013 e 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
Observando os dados de 2013 com os de 2015 verificamos que no ano de 2015 houve certo “envelhecimento” no perfil das pessoas que compunham o MEI.
No ano de 2013 tinha-se a idade média destes de 37,3 anos enquanto que no ano de 2015 essa média subiu para 38,2 anos.
A seguir veremos dados relacionados ao perfil do MEI pautado em dados extraídos do SEBRAE. Na tabela a ser apresentada a seguir é possível ter o panorama atual do MEI no país, pois traz dados relacionados ao percentual dos que estão em atividade, dos que por algum motivo encerraram suas atividades, daqueles que ainda não deram início as suas atividades e dos que mudaram de categoria, viraram ME.
Tabela 5: MEI por unidade e com declaração de atividade
Fonte: SEBRAE (2015).
Outro dado a ser observado ao se tratar sobre o perfil do MEI é a questão da escolaridade, pois nos dias atuais observa-se que isto é bem variante, não existe nenhuma prerrogativa que institua o nível mínimo de educação formal para se tornar MEI.
Gráfico 6: Perfil de formação do MEI - 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
Os dados demonstram que a maioria possui nível médio ou técnico completo, seguido do fundamental incompleto, depois do fundamental completo, mais adiante do superior completo, passando pelo nível médio incompleto e finalizando essa abordagem com o superior incompleto.
A seguir será apresentado um Gráfico em que visa comparar a escolaridade da população ativa com a que compõe o MEI, e veremos que os dados são interessantes, pois é possível observar que com o passar dos anos vão se equiparando os percentuais.
Gráfico 7: Classificação do MEI por classe socioeconômica - 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
O percentual apresentado acima reflete diretamente nos dados a serem apresentados a seguir, onde se trata da classificação do MEI por classe socioeconômica, conforme veremos a seguir:
Gráfico 8: Classificação socioeconômica do MEI
Fonte: SEBRAE (2015).
A maioria dos MEI se enquadra no que chamamos de alta classe média, seguido pela baixa classe alta, vindo para a média classe média, baixa classe média, depois entra no que se chama de vulnerável (renda per capita de 199,01), passando para alta classe alta e por fim o pobre, mas que não se enquadra em extrema pobreza.
De acordo com dados do SEBRAE (2015) é possível observar e desenhar todo o perfil do MEI através das discussões ora apresentada neste trabalho, pois a seguir traremos dados de onde funciona a atividade empresarial dos MEI, e veremos que desde 2012 até o ano de 2015 a maioria deles atua em casa mesmo, seja para evitar o aluguel de um ponto ou mesmo pela comodidade de associar o trabalho com a casa.
Gráfico 9: Local de atuação da atividade desenvolvida pelo MEI – 2012 a 2015
Fonte: SEBRAE (2015).
De acordo com o gráfico acima é possível perceber que a maioria das pessoas inseridas no MEI atua em suas próprias residências, correspondendo
inclusive a mais da metade no ano de 2015, sendo seguidos de pessoas que atuam em estabelecimentos comerciais, os ambulantes vem em terceiro nessa classificação, seguidos dos que optam por ir à casa dos clientes ou mesmo em seus locais e trabalho, são uma espécie de ambulantes, mas com direcionamento certo e a minoria opta por trabalharem em feiras ou shopping popular.
Dos dados extraídos do Sebrae (2015) tem-se também a questão da profissão exercida pelo MEI antes deste tornar-se microempreendedor individual, e a maioria era empregado formal, seguido daqueles que optavam pela empreendedorismo informal. Os resultados demonstrados pelo SEBRAE encontram-se abaixo descriminados por meio do gráfico.
Gráfico 10: Ocupação das pessoas antes de se tornarem MEI
Fonte: SEBRAE (2015).
É possível observar que a maioria das pessoas antes de se tornarem MEI trabalhavam de carteira assinada, seguidas das que desenvolviam a atividade de empreendedor informal. O empregado informal fica em terceiro lugar, seguido das donas de casa, o menor percentual é o de aposentado.