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2.2 EMPREENDEDORISMO SOCIAL

2.2.2 Empreendedorismo Social – Âmbito Nacional

No Brasil, de acordo com Oliveira (2004b), os autores que conceituam o tema Empreendedorismo Social são: Leite (2002), Ashoka Empreendedores Sociais e Mckisey (2001), Melo Neto e Froes (2001), Rao (2002) e Rouere e Pádua (2001), conforme Quadro 9:

QUADRO 9 - CONCEITOS SOBRE EMPREENDEDORISMO SOCIAL – VISÃO NACIONAL

ORGANIZAÇÃO ORGANIZAÇÃO ENTENDIMENTO

Leite (2002) “O empreendedor social é uma das espécies do gênero dos empreendedores.

[...] São empreendedores com uma missão social, que é sempre central e

“Os empreendedores sociais possuem características distintas dos empreendedores de negócios. Eles criam valores sociais pela inovação, pela força de recursos financeiros em prol do desenvolvimento social, econômico e comunitário. Alguns dos fundamentos básicos do empreendedorismo social estão diretamente ligados ao empreendedor social, destacando-se a sinceridade, paixão pelo que faz, clareza, confiança pessoal, valores centralizados, boa vontade de planejamento, capacidade de sonhar e uma habilidade para o improviso.”

Melo Neto e

Froes (2001) “Quando falamos de empreendedorismo social, estamos buscando um novo paradigma. O objetivo não é mais o negócio do negócio [...] trata-se, sim, do negócio do social, que tem na sociedade civil o seu principal foco de atuação e na parceria envolvendo comunidade, governo e setor privado, a sua estratégia.”

Rao (2002) “Empreendedores sociais, indivíduos que desejam colocar suas experiências organizacionais e empresariais mais para ajudar os outros do que para ganhar dinheiro.”

Rouere e Pádua

(2001) “Constituem a contribuição efetiva de empreendedores sociais inovadores cujo protagonismo na área social produz desenvolvimento sustentável, qualidade de vida e mudança de paradigma de atuação em benefício de comunidades menos privilegiadas.”

Fonte: Oliveira (2004a, 2004b).

A conceituação do tema no Brasil, destaca aspectos como: o empreendedorismo social enquanto categoria do empreendedorismo empresarial (LEITE, 2002); a distinção entre as características do empreendedor social e o empreendedor tradicional (ASHOKA; MCKINSEY, 2001); o tema referindo-se a um novo paradigma (MELO NETO; FROES, 2001); o objetivo da organização focado no benefício social gerado (RAO, 2002); e na produção de desenvolvimento sustentável e qualidade de vida (ROUERE; PÁDUA, 2001).

De acordo com Limeira (2015), estudos e pesquisas, envolvendo a produção científica, programas, cursos e disciplinas no tema são registrados desde 1960 em países como Estados Unidos, Europa (Quadro 10), e Brasil (Quadro 11).

QUADRO 10 - EVOLUÇÃO DO EMPREENDEDORISMO SOCIAL – ESTADOS UNIDOS E EUROPA (continua)

Ano País Eventos

1960 EUA e

Europa Surgem as iniciativas nas organizações da sociedade civil.

1980 EUA e Reino Unido

Com a redução dos investimentos governamentais na área social, há uma expansão do movimento e a busca pela geração de receita própria por parte das organizações.

1982 EUA Primeiro livro é lançado "Successful Business Ventures for Non-Profit Organizations" (Charles Cagnon).

QUADRO 10 - EVOLUÇÃO DO EMPREENDEDORISMO SOCIAL – ESTADOS UNIDOS E EUROPA (conclusão)

Ano País Eventos

1993 EUA Primeiro Programa e curso voltado para Empreendedorismo Social, em uma instituição de Ensino Superior (Harvard Business School).

1983 EUA Primeiro artigo publicado "Should Not-for-Profits Go into Business?" (Harvard Business Review).

1990 Inglaterra Tema difundido por acadêmicos: Charles Leadbeater, autor do artigo "The Rise of the Social Entrepreneur" e Michael Young, fundador da School for Social Entrepreneurs.

1997 EUA Surge organizações de apoio ao Empreendedorismo Social como, Nonprofit Enterprise Self-Sustainabily Team (NESsT) e a Social Enterprise Alliance.

1998 EUA Gregory Dees publicou o artigo "The Meaning of Social Entrepreneurship".

1999 EUA Surge o Institute for Social Entrepreneurs.

[199?] EUA Na década de 90, a Fuqua School Business da Duke University criou um centro de pesquisa para o tema; e publicações debatem o tema: "Journal of Social Entrepreneurship; Internacional Journal of Social Entrepreneurship and Innovation; Social Enterprise Journal; e Stanford Social Innovation.

[199?] Inglaterra Inauguração de centros de pesquisa nas universidades, como: Skoll Centre for Social Entrepreneurship da Saidd Business School.

Atualmente Inglaterra Organizações independentes (Social Enterprise UK) que buscam intervir em políticas públicas para o setor.

Fonte: Adaptado de Limeira (2015).

Os Estados Unidos e a Europa, registram as primeiras produções acadêmicas em 1982, seguido da criação de programas e cursos em 1993, bem como a fundação de organizações de apoio a Empreendedores Sociais, a partir de 1997. No Brasil, embora as iniciativas de empreendedorismo Social estejam registradas a partir de 1980, somente em 1998, foi criado o primeiro centro de estudos no tema (Quadro 11).

QUADRO 11 - EVOLUÇÃO DO EMPREENDEDORISMO SOCIAL – BRASIL

(continua)

Ano Pais Eventos

1980 Brasil Surgimento das iniciativas no campo de Empreendedorismo Social.

1998 Brasil Na área acadêmica: constituição do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (CEATS) - Universidade de São Paulo.

1994 Brasil Na área acadêmica: constituição Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS) - Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

2001 Brasil Primeiras publicações de livros e artigos: Ashoka e McKinsey (2001); Rouere e Pádua (2001); Melo Neto e Froes (2002); e Oliveira (2004).

2001 América

Latina Fundação da rede Social Enterprise Knowledge Network (SEKN), com pesquisadores das faculdades.

2004 Brasil Na área acadêmica: constituição do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios (Gvcenn).

QUADRO 11 - EVOLUÇÃO DO EMPREENDEDORISMO SOCIAL – BRASIL

(conclusão)

Ano Pais Eventos

2009 Brasil Na área acadêmica: constituição do Centro de Empreendedorismo (CEMP) – INSPER.

[200-] Brasil Organizações que apoiam empreendedores sociais se estabeleceram no Brasil: Ashoka; Artemísia; a Fundación Avina e a NEEsT.

Fonte: Adaptado de Limeira (2015).

No Brasil, segundo Limeira (2015), identifica-se desde 1998, a constituição de apenas quatro centros de pesquisa no tema: Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor (CEATS) - Universidade de São Paulo; Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS) - Fundação Getúlio Vargas de São Paulo; Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios (Gvcenn); e o Centro de Empreendedorismo (CEMP) – INSPER. A Rede Social Enterprise Knowledge Network (SEKN) envolve universidades da América Latina que desenvolvem pesquisas no tema e no Brasil, sua parceria é estabelecida com Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo – FEAUSP (SEKN, 2017).

Para Martin e Osberg (2007, tradução nossa, não paginado), o empreendedorismo social “é tão vital para o progresso das sociedades quanto o empreendedorismo para o progresso das economias, e merece atenção mais rigorosa e séria do que tem atraído até agora”. Conforme Oliveira (2004b), dentre as formas de disseminar o empreendedorismo social, apontam-se as ações: (i) incluir o tema na formação dos indivíduos, tanto no ensino médio, quanto no ensino superior; (ii) desenvolver o tema por meio de projetos de extensão, nas universidades; e (iii) promover espaços para o "apoio, incentivo, pesquisa e disseminação dos fundamentos e das estratégias do empreendedorismo social no Brasil, como uma política nacional de estímulo à inovação de novas tecnologias sociais empreendedoras" (OLIVEIRA, 2004b, p. 470).

Diante desse cenário, conforme pontuado por Martin e Osberg (2007) e por Oliveira (2004b), o desenvolvimento do tema e das práticas de Empreendedorismo Social, pode considerar nas relações com a educação, uma forma de impulsionar a difusão do conhecimento e as Universidades podem promover o espaço necessário para que o conhecimento produzido, retorne e contribua com a sociedade na forma de projetos e negócios de natureza social.