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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 APRESENTAÇÃO DO MODELO E FUNCIONAMENTO DO PROGRAMA REC

4.1.4 Cenário atual do Programa REC Brazil

4.1.4.2 Empreendimentos certificados

As figuras 26 apresenta a capacidade elétrica de empreendimentos geradores de RECs por estado e fontes de energia, associando os dados ao número de empreendimentos ativos no programa.

Figura 26 – Capacidade elétrica (MW) de empreendimentos geradores de RECs no Brasil por estado e fonte

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do I-REC, 2018.

Ao todo o Brasil possui uma capacidade elétrica derivada das usinas geradoras de certificados de energia renovável de 2.188.366,83 megawatts (MW). O Estado de menor capacidade elétrica é Pernambuco, com 5.000 MW gerados a partir de fonte solar fotovoltaica. O estado de São Paulo possui a maior capacidade elétrica do Brasil, com 1.396.200 (MW) produzidos de 2 usinas de fontes hídricas e 221.000 (MW) de duas usinas de fonte de biomassa, com total de 1.617.200 de MW produzidos que representa 48 % do volume total.

No ranking nacional de estados que possuem empreendimentos geradores de RECs, o estado do Rio Grande do Sul aparece em 1º lugar, conforme apresentado na tabela 14.

Tabela 14 - Empreendimentos geradores de RECs por estado, fonte e capacidade elétrica

Lugar Estado % Nº de empreendimentos

por fonte

Capacidade elétrica (MW)

1º Rio Grande do Sul 34% 16 eólicas 423.200

2º Bahia 17% 8 eólicas 245.070

3º Rio Grande do Norte 13% 6 eólicas 180.550

4º Mato Grosso 11% 5 hídricas 91.400

5º São Paulo 9% 2 hídricas +

2 biomassa

1.617.200

6º Paraíba 6% 3 eólicas 94.500

7º Ceará 4% 2 eólicas 50.000

8º Goiás 2% 1 hídrica 658.000

8º Mato Grosso do Sul 2% 1 hídrica 28.030

8º Pernambuco 2% 1 solar FVT 5.000

Total 100 47 3.392.950

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do I-REC, 2018.

No estado do Rio Grande do Sul estão concentrados 34% do total de empreendimentos. Sendo todos derivados de usinas eólicas. Em seguida está o estado da Bahia, com 17%, Rio Grande do Norte (13%), Mato Grosso (11%), São Paulo (9%), Paraíba (6%), Ceará (4%) e Goiás, Mato Grosso do Sul, e Pernambuco, com 2% cada. Ao todo foram produzidos um total de 3.392.950 MW, distribuídos entre os empreendimentos geradores de RECs que utilizam fontes de biomassa, eólica, hídrica e solar fotovoltaica. Estas foram áreas que receberam grandes investimentos nos últimos anos, para produção de energia elétrica.

Segundo Neto (2012), para que o Brasil possa atingir uma situação de confiabilidade e segurança energética é necessário que sejam realizados novos investimentos na geração e transmissão de energia, tanto para construção de novas usinas, quanto para o desenvolvimento de fontes alternativas e renováveis de energia.

Segundo dados de MME (2017), no ano de 2016 o Brasil apresentou uma oferta interna de energia elétrica de 619,7 GWh. Realizando uma comparação entre a capacidade elétrica total produzida pelos empreendimentos geradores de Certificados de energias renováveis, 3.392.950 MW, este valor ainda é considerado pequeno, tendo em vista o potencial existente. Pereira (2012) afirma que apesar da carência e da necessidade de investimentos considerados altos, é importante levar em consideração que os custos com energia tradicional tendem a aumentar, em um futuro próximo, o que consequentemente fará as tecnologias renováveis mais competitivas. É decisivo investir nas áreas de energias renováveis, como a eólica e solar, para

que o Brasil se aproxime do nível dos países desenvolvidos.

A figura 27 demonstra de forma consolidada por fonte o atual volume de empreendimentos e a capacidade elétrica de cada um.

Figura 27 - Capacidade elétrica de empreendimentos geradores de RECs por fontes e número de empreendimentos

Fonte: Elaboração própria a partir de dados do I-REC, 2018.

Com um total de 221.000 MW para a fonte de biomassa, derivado de duas usinas; 993.320 MW para eólica, de 35 usinas; 2.173.630 MW para hídrica, derivada de nove usinas; e 5.000 MW derivado de uma usina solar. Observa-se que, apesar de haver um maior número de empreendimentos de fontes eólicas (35), o total da capacidade elétrica da fonte hídrica é maior do que as demais fontes. Segundo Rondineli e Silva (2015), ao contrário de outras fontes renováveis, a energia hidráulica, representa uma parcela significativa da produção de energia elétrica global. É considerada atualmente, como a principal fonte de energia para muitos países, respondendo por cerca de 17% de toda a eletricidade gerada no mundo. E de acordo com dados do MME (2017), entre as fontes envolvidas na produção de energia elétrica de 2016 no Brasil, a hidrelétrica foi a mais predominante, com 61,5% da participação total. Seguidas pelo bagaço de cana (5,7%), eólica (5,4%), solar (0,014%) e outras renováveis (2,6%).

De acordo com a ANEEL, apesar da predominância existente, esse quadro vem sendo modificado aos poucos, com a inserção das fontes renováveis de energia, que crescem cada vez mais, por motivos relacionados à necessidade de preservação ambiental e ao encarecimento das fontes tradicionais, que estão cada vez mais escassas, em contradição ao

aumento da população e do consumo, o que demanda uma produção maior de energia para suprir as necessidades existentes no país.

Segundo dados da ABEEólica, levando-se em consideração todas as fontes de geração de energia elétrica do país, em 2016 foram instaladas 9,43 GW de potência, cujo crescimento foi liderado, principalmente, pelas fontes hidrelétrica e eólica, que representaram 60,15% e 21,35%. O total eólico permitiu para a fonte, uma participação de 7,10% da matriz elétrica brasileira, o que se deu pelo acréscimo de 2,01 GW de nova capacidade instalada em 2016. Com as novas tecnologias e políticas de uso das energias renováveis, associadas a conceitos de gestão de sucesso já conhecidos em outros países, é possível obter resultados positivos, envolvendo mudanças de uso, redução de impactos ambientais e diversificação da matriz elétrica. Na comparação entre os anos de 2015 e 2016, registrou-se o aumento da participação das fontes de energias renováveis. O aumento na oferta da fonte hídrica, em conjunto com a expansão da geração de energia eólica, são os principais fatores que contribuíram para este fenômeno.