Durante as operações, os policiais devem ter cuidados especiais com o uso diferenciado de força, principalmente no que se refere à utilização de armas
de fogo (dissuasivo e disparo), quando o emprego dos demais níveis de força não forem sufi ciente para solucionar a intervenção. Observando preceitos legais e técnicos (ver MTP 1), a utilização de armas de fogo durante a blitz deverá seguir as seguintes orientações:
a) situação de normalidade (abordado cooperativo):
A pessoa abordada acata todas as determinações do policial durante a intervenção, sem apresentar resistência (Classifi cação de risco nível I).
Os policiais com armamento de porte deverão manter suas armas nos coldres, em condições de serem sacadas quando necessário. Somente o PM Segurança manterá o seu armamento em posição de arma localizada ou guarda baixa, conforme a categoria da blitz e as características do local,
quando não dispuser de armamento portátil.
ATENÇÂO: Veículos que passam repetidamente ou
que estacionam voluntariamente nas proximidades do local da blitz devem gerar suspeição. Os infratores podem utilizar carros “escolta” para protegerem-se da ação da polícia. considere que o perigo também pode vir de outro veículo diferente daquele dque esta sendo parado na pista pelo selecionador.
PRÁTICA POLICIAL BÁSICA
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O PM responsável pela resposta imediata nos casos em que a situação se agrave deverá ser qualquer membro da equipe que estiver em melhor posicionamento tático e em condição de agir prontamente. É importante, portanto, que o PM Segurança, considerando sua função específica, procure
sempre a melhor posição para prover a proteção da equipe.
b) situação de resistência passiva
A pessoa abordada não acata, de imediato, as determinações do policial, ou o abordado opõe-se a ordens, reagindo com o objetivo de impedir a ação legal. Contudo, não agride o policial nem lhe direciona ameaças (classificação de risco nível II).
Caso seja necessário empregar controle de contato, essa reação deverá ser do policial que estiver melhor posicionado e que possua maior domínio das técnicas de defesa pessoal policial. Assim como na situação de normalidade, somente o PM Segurança manterá o seu armamento em posição de arma localizada, guarda baixa ou guarda alta, conforme avaliação de risco. Os demais deverão estar com as mãos livres para emprego de outros níveis de força e algemação, se a situação se agravar.
c) situação de resistência ativa
Apresenta-se nas seguintes modalidades (ver Classificação de risco nível III, Manual Técnico-Profissional 3.04.01):
t$PNBHSFTTÍPOÍPMFUBM
O abordado opõe-se à ordem agredindo os policiais ou pessoas envolvidas na intervenção, contudo, tais agressões, aparentemente, não representam risco de morte.
Exemplo: o agressor que desfere chutes contra o policial quando este tenta aproximar-se para efetuar a busca pessoal.
Em caso de reação do abordado que, em princípio, não coloca em risco a vida dos policiais, a resposta imediata será do PM que estiver mais próximo, ou
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Manual Técnico-Profissional 3.04.03
em melhor posicionamento tático. Apenas o PM Segurança estará com a arma de fogo empunhada em condições de uso. Desta forma, os demais policiais
permanecerão com as mãos livres para efetuarem a imobilização e algemação do agressor.
t$PNBHSFTTÍPMFUBM
O abordado utiliza de agressão que põe em perigo de morte o policial ou pessoas envolvidas na intervenção. Exemplo: o agressor, empunhando uma faca, desloca- se em direção do policial e tenta atacá-lo.
Neste caso, a resposta imediata será do PM Segurança, que estará com a arma em pronta resposta. A primeira reação dos policiais deve ser voltada para a preservação de suas vidas e dos cidadãos, por isso, deverão procurar abrigo e somente disparar quando presentes as condições elencadas na seção 6 sobre uso de armas de fogo do Manual Técnico-Profissional 3.04.01.
Essas orientações são fundamentais para:
t FWJUBS B EFNPOTUSBÎÍP EFTOFDFTTÈSJB EF GPSÎB F B consequente vulgarização do impacto desejado quando todos os policiais retiram as armas do coldre e as empunham, ou quando as apontam para o abordado;
t QSPQJDJBS BP QPMJDJBM PQÎÜFT EF VTP EJGFSFODJBEP desse nível de força aplicado a cada situação (arma na posição 1, 2, 3 ou 4) (ver Manual Técnico-Profissional 3.04.01);
t QSPQPSDJPOBS B QSFTFOÎB EF QPMJDJBJT DPN BT NÍPT livres para ações (revistar, algemar, imobilizar, entre outros) necessárias aos trabalhos da equipe;
t FWJUBS P SJTDP EF EJTQBSP BDJEFOUBM RVBOEP FYJTUFN várias armas apontadas em um determinado local de abordagem;
PRÁTICA POLICIAL BÁSICA
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t FWJUBS B QPTTJCJMJEBEF EF GPHP DSV[BEP FOUSF PT componentes da equipe quando da eventual ação dos policiais, disparando suas armas para se defenderem. Especial atenção deve ser dada quanto à direção dos disparos realizados contra o agressor, bem como quanto às características técnicas do armamento e da munição (calibre, potência e alcance) que é utilizado pelo PM.
O PM Segurança da blitz, caso seja necessário, poderá estar equipado com
uma arma portátil, dotada de bandoleira. Terá como benefício da utilização desse armamento, o seu aspecto de impacto psicológico, inibindo uma possível reação. A escolha desse armamento deve ser baseada nas suas características técnicas de emprego, alcance útil e calibre da munição, obedecendo às restrições de disparos principalmente no ambiente urbano. Em relação às posições das armas 1, 2, 3 e 4, descritas na seção 7.2.3 sobre o uso de arma de fogo, descritas no Manual Técnico-Profi ssional 3.04.01:
Em caráter complementar, proceder, conforme letra “e” da Seção 7.2.7 do Manual Técnico-Profi ssional 3.04.01, no que for pertinente, como se segue:
Disparos de dentro da viatura policial em movimento ou contra veículos em fuga: a regra é não atirar. Todavia, existem algumas circunstâncias
em que a vida do policial militar ou a de terceiros se encontra em grave e iminente risco, como nos casos de atropelamentos ou acidentes intencionais provocados pelo veículo em fuga (o motorista utiliza o veículo como “arma”).
ATENÇÃO! Em relação às posições das armas 1, 2, 3 e 4, descritas
no (MTP 1), na seção 7.2.3 sobre o uso de arma de fogo, LEMBRE- SE SEMPRE:
ARMA LOCALIZADA: possibilidade de ruptura da normalidade,
sensação que a situação pode agravar-se – RISCO NIVEL II;
ARMA EM GUARDA BAIXA OU ALTA: possibilidade de risco
à segurança do policial e terceiros (análise subjetiva) – RISCO NIVEL II;
ARMA EM PRONTA RESPOSTA: está ocorrendo ameaça real à
segurança do policial e terceiros (percepção objetiva) – RISCO NÍVEL III.
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Manual Técnico-Profi ssional 3.04.03
Estes disparos repre-sentam a única opção do policial para detê-lo. Nestas situações, ele deve considerar as possíveis consequências (riscos) de disparar, e sua responsabilidade na proteção da vida de outras pessoas, para isto observará:
t FTUFTEJTQBSPTUÐNQPVDBFöDÈDJBQBSBGB[FSQBSBSVN veículo e os projéteis podem ricochetear (no motor ou nos pneus) ou atravessar o veículo ou, até mesmo, não atingi-lo, convertendo-se em “balas perdidas”;
t TFPDPOEVUPSGPSBUJOHJEP FYJTUFVNSJTDPFMFWBEPEF que ele perca o controle do veículo e cause acidentes graves;
t FTUFT EJTQBSPT UÐN QPVDB QSFDJTÍP B QPOUBSJB öDB prejudicada pelo movimento do veículo e pelo balanço provocado por ele, inclusive quando efetuados por atiradores experientes;
t FYJTUFBQPTTJCJMJEBEFEFRVFWÓUJNBT SFGÏOTFTUFKBN no interior do veículo perseguido, inclusive dentro do porta-malas;
t PT EJTQBSPT FGFUVBEPT QFMPT QPMJDJBJT QPEFN provocar um revide por parte dos abordados, incrementando ainda mais o risco para outras pessoas, principalmente em áreas urbanas (balas perdidas). O mais recomendável é distanciar-se do veículo em fuga e, sem perdê-lo de vista, adotar medidas operacionais para efetuar o cerco e o bloqueio. Recomenda-se, ainda, solicitar reforço policial para que a intervenção possa ser realizada com mais segurança.
ATENÇÃO! Policiais militares não deverão diparar
contra veículos que desrespeitem um bloqueio de via pública, a não ser que ele represente um risco imediato à vida ou à integridade dos policiais ou de terceiros, por meio de atropelamentos ou acidentes intencionais (o motorista utiliza o veículo como “arma”).
REFERÊNCIAS
SEÇÃO 4
PROCESSO DE
COMUNICAÇÃO
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Manual Técnico-Profissional 3.04.03
4 PROCESSO DE COMUNICAÇÃO
O processo de comunicação é um dos fatores mais importantes nas intervenções policiais. Se bem realizado, constitui um importante facilitador do sucesso da abordagem e evita o emprego de níveis de força superiores, facilitando o desempenho operacional.
A comunicação entre as pessoas é expressa por meio da linguagem falada ou escrita (verbal) e por meio de gestos, sinais, expressões faciais, postura,
dentre outros (não verbal).
Ao policial militar cabe estar sempre atento à sua forma de se comunicar, preocupar-se com as palavras utilizadas para que possa transmitir suas intenções, e com sua postura na condução das ocorrências. Cabe também se lembrar que o conjunto de condutas coerentes aos preceitos doutrinários (Polícia Comunitária, Direitos Humanos e valores institucionais elencados na Identidade Organizacional) traduz profissionalismo e transmitem segurança ao abordado. A boa comunicação favorece a interação entre a polícia e a comunidade e auxilia na condução das ocorrências policiais.
Por outro lado, posturas mais agressivas, como apontar o dedo indicador, manter olhar sisudo, sustentar o bastão tonfa nas mãos de forma ameaçadora, apontar ou empunhar a arma de fogo, desnecessariamente, causam uma sensação de medo, ideia de brutalidade, falta de profissionalismo, arbitrariedade, abuso, além de serem incoerentes com os princípios doutrinários da PMMG.