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4.3. Eixos transversais e de especialização

4.3.1. Emprego e competitividade

A competitividade exprime-se através de um conjunto alargado de domínios complementares, destacando-se o domínio territorial, o conhecimento e inovação e a economia como alavancas chave. No que diz respeito à competitividade da economia local, esta encontra-se dependente da capacidade de renovação do tecido económico e do fomento de atividades geradoras progressivamente mais inovadoras e diferenciadoras, sendo para tal essencial a disponibilidade de recursos humanos qualificados e de fortes ligações ao sistema científico e tecnológico, com especial foco nas áreas de especialização económica do concelho. A disponibilidade de espaços de diferentes tipologias que possam responder a necessidades distintas é também uma preocupação a ter em consideração, sendo essencial a complementaridade entre áreas tradicionais de acolhimento empresarial com outras tipologias, orientadas para negócios nascentes e empresas de serviços que possam beneficiar de ambientes colaborativos de trabalho, usualmente associados a espaços de incubação ou centros de negócios.

Atualmente, o tecido empresarial de Carregal do Sal é composto essencialmente por microempresas (96% das empresas têm menos de 10 trabalhadores) e por empresas individuais (70,3%), sendo o “comércio por grosso e a retalho, reparação de veículos automóveis e motociclos” (G – 185 empresas) a atividade económica que mais se destaca., seguido da “agricultura” (A – 143 empresas) e “indústrias transformadoras” (C – 85 empresas. Embora tenha havido um ligeiro aumento no número de empresas, entre 2010 e 2014, o volume de negócios diminuiu. Verifica-se ainda um baixo número médio de pessoas ao serviço das empresas (cerca de 3 pessoas, em média), capacidade exportadora pouco significativa (representa apenas cerca de 4,5% do total da região Dão Lafões) e pouco investimento em atividades de I&D e Inovação, apesar da proximidade a importantes atores do SCT regional, constrangimentos semelhantes ao que se passa a nível nacional.

“O tecido empresarial português é constituído por uma grande percentagem de microempresas e PME, com uma carteira de bens e serviços pouco intensivos em tecnologia e conhecimento, que enfrentam uma procura pouco dinâmica e uma forte concorrência assente no fator custo, estando sobretudo orientadas para o mercado interno e para a produção não transacionável. (….).Os esforços realizados nos últimos anos, tendo em vista o aumento da capacidade exportadora das PME, têm revelado dificuldades em consolidar os progressos alcançados (dificuldade de penetração no mercado internacional), enfrentando uma estreiteza de banda na extensão dos mercados externos (forte concentração no mercado europeu), dos produtos, dos serviços e dos modelos de negócio.

Para este efeito contribuiu, por um lado, uma dinâmica de investimento empresarial ainda centrada no capital físico (equipamentos) em detrimento do investimento em domínios

52 imateriais (organização, marketing, TIC, eco-eficiência, qualidade, formação, organização logística, etc.), bem como deficiências organizativas e de gestão, a par de uma insuficiente inserção em redes de cooperação e de conhecimento. Por outro lado, a insuficiente capacidade de gerar empreendedorismo de qualidade e de potenciar as oportunidades de negócio mais dinâmicas e em domínios de inovação, limita também o ritmo de elevação da competitividade das PME.“ (Acordo de Parceria Portugal 2020, pág. 122).

Em termos de espaços municipais de apoio ao tecido empresarial, o concelho de Carregal do Sal dispõe de três espaços industriais, onde existem lotes disponíveis - parque industrial de Sampaio, na freguesia de Oliveira do Conde, e os parques industriais da Gândara e de São Domingos, ambos localizados na freguesia de Carregal do Sal. À exceção dos espaços industriais, verifica-se a inexistência de outros espaços construídos capazes de dar resposta à potencial procura por parte de empresas de pequena dimensão e com necessidades de pequenas áreas de escritórios e cowork. No que diz respeito a serviços e entidades locais de apoio à atividade económica, a autarquia presta apoio às empresas com sede no concelho através do Gabinete de Apoio ao Empresário (GAE), uma estrutura da Câmara Municipal de Carregal do Sal, que apresenta como principal missão assumir a função de “estrutura de consultoria e gestão ativa de apoio aos empresários, empreendedores e potenciais investidores”, prestando apoio e informações sobre sistemas de incentivos, prazos e procedimentos legais para a submissão de candidaturas de âmbito comunitário, nacional e intermunicipal.

Assume-se como fragilidade a ligação do tecido empresarial ao sistema científico e tecnológico (SCT), assim como a sua organização numa lógica de capitalização de oportunidades de qualificação e valorização conjunta. Não existe uma associação empresarial que represente as empresas do concelho e que, porventura possa ter também um papel preponderante na promoção dos vínculos a projetos de investigação em de ensino especializado com ganhos para as empresas do concelho. Sendo a cooperação entre empresas e entre estas e o SCT, considera-se que esta organização cooperativa seria uma mais-valia para a a ampliação da competitividade empresarial sendo a criação de uma associação empresarial ou outra organização similar um passo relevante.

Complementarmente ao exposto, tendo em conta as características do tecido empresarial do concelho de Carregal do Sal e da ocupação atual dos espaços de acolhimento empresarial, a autarquia deve dispor de instrumentos adequados de suporte às atividades económicas e de fomento ao empreendedorismo, sendo estas questões o foco do presente eixo transversal.

Neste contexto, o presente eixo relaciona-se com a necessidade de fortalecer o tecido económico e reforçar a competitividade local, com enfoque nas suas potencialidades, dinamizando e potenciando uma rede de espaços de acolhimento empresarial capaz de

53 potenciar o surgimento e instalação no concelho de empresas com necessidades diferentes dos lotes industriais, por exemplo de caráter tecnológico, ligadas aos eixos de especialização.

Este eixo alinha-se com o domínio da Competitividade e Internacionalização definido no Acordo de Parceria - Portugal 2020, e contribui de modo direto para a prioridade do

“crescimento inteligente”, da Estratégia Europa 2020, na medida em que tem como objetivo geral fortalecer o tecido económico e aumentar a competitividade de vários setores (tendo presente as prioridades da RIS3 do Centro de Portugal, nomeadamente os domínios diferenciadores temáticos Agricultura, Floresta e Turismo, bem como os domínios estratégicos e as atividades diferenciadoras destacadas na EIDT VDL). Simultaneamente, contribui para o “crescimento sustentável”, ou seja, para uma economia mais eficiente em termos de recursos, mais ecológica e mais competitiva, uma vez que as intervenções previstas assentam em lógicas de sustentabilidade e de eficiência da utilização dos recursos. No que diz respeito ao “crescimento inclusivo”, o seu impacto é relevante através do expectável aumento dos níveis de emprego.

Em suma, o eixo “emprego e competitividade” tem como objetivo geral: Afirmar o concelho como território de excelência no suporte ao investimento, através da oferta de espaços e serviços adequados às necessidades das empresas e de uma rede forte de parcerias estratégicas.

Para a concretização deste objetivo geral consideram-se relevantes os seguintes objetivos específicos (OE):

: Disponibilizar serviços e espaços adequados às necessidades das empresas do concelho e promover iniciativas de estímulo à criatividade e empreendedorismo capazes de gerar mais empresas e emprego

: Reforçar a ligação entre o tecido económico, a administração local e o sistema de ensino e formação adequando a oferta e a procura de recursos humanos qualificados

: Desenvolver parcerias com o Sistema Científico e Tecnológico e redes de cooperação empresarial capazes de apoiar o crescimento sustentado do tecido económico local

: Reforçar a estratégia de comunicação e promoção do concelho como espaço de acolhimento e apoio empresarial (transversal com os dois eixos de especialização)

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