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Empregos em Emergência e em Transformação

No documento Tese_FINAL_M.pdf (páginas 133-138)

CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS Contextualização

1. Caracterização dos Empregos

1.3. Empregos em Emergência e em Transformação

Na opinião de Vairinhos (2010), as profissões específicas que irão sofrer alterações no futuro próximo, e sobre as quais serão necessárias novas competências profissionais para dar resposta a estas novas necessidades de mercado, serão as relacionadas com o Golfe e o Desporto Aventura. Refere contudo que, estas estão condicionadas pela falta de subsídios para promover acções de formação e que não estão previstas quaisquer formações, uma vez que não foram atribuídos fundos para esse efeito, à região do Algarve, já que no último quadro comunitário, deixou de ser considerada zona prioritária de intervenção.

Quanto a profissões ou áreas transversais ao sector do Desporto e Turismo, indica as TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), Línguas, Desenvolvimento Pessoal, Relações Públicas e Marketing como áreas de estudo a aprofundar. Destaca a importância da ―disponibilidade mental‖ para estabelecer uma relação de confiança com o cliente, para que possa sugerir locais de interesse e prestar informações relevantes sobre o destino turístico, para que o turista fique satisfeito com os serviços prestados e tenha intenção de voltar.

1.3.1. Técnicos de Desportos de Natureza (emprego em emergência)

A actual tendência na procura de práticas físicas e desportivas alternativas a um desporto mais convencional pode contemplar diferentes objectivos associados ao próprio indivíduo, tais como, o prazer, a satisfação, o bem-estar e a saúde. Nesta situação, surgem portanto, as actividades de contacto com a natureza como necessidade de compensação de um sistema de vida sedentário centrado na vida urbana e como procura de novos desafios, normalmente privilegiando o contexto dos espaços naturais.

No entanto, a proliferação desordenada de promotores de serviços e produtos turísticos, bem como a implementação de processos de formação desportiva e profissional desajustada à realidade portuguesa, podem colocar em causa o desenvolvimento efectivo e sustentado deste subsector em ascensão.

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A dinâmica da sociedade em que vivemos exige crescentemente uma adequação profissional em todos os domínios e sectores de actividade, nomeadamente dos seus agentes. Uma sociedade em desenvolvimento como a nossa é passível de alguma desorganização social, desportiva, e por consequência, de alguma insegurança em relação aos seus objectivos, nem sempre claros.

Neste contexto, a relação entre confiança e segurança, poderá ser muito complexa, pois o desconhecimento dos praticantes acerca deste tipo de actividades, por vezes é total, sendo então necessário recorrer a especialistas, que tenham a competência de acompanhar, enquadrar e controlar toda a actividade, garantindo níveis elevados de qualidade, segurança e ao mesmo tempo de satisfação para com os praticantes.

Na realidade, os profissionais desta área são um grupo muito heterogéneo com passados desportivos diversificados, com níveis de experiência e formação diferentes, com expectativas e desempenhos profissionais também diferenciados. Se por um lado podemos encontrar técnicos qualificados com competências ideiais para desempenhar as suas funções, por outro, é normal que encontremos técnicos que revelem grandes lacunas ao nível da sua formação.

Consideramos portanto, que os Técnicos de Desportos de Natureza, são decisivos no desenvolvimento desta área, e que a qualidade e a adequação dos processos de formação irão reflectir-se na emergência, na expressão e no reconhecimento deste ―novo‖ sector desportivo. Assim, aos modelos de formação de qualidade, deverão corresponder profissionais mais competentes, e por consequência, melhor oferta de serviços deste sector desportivo.

Será necessário definir e construir modelos de formação adequados a cada actividade de Desporto de Natureza, respeitar as suas especificidades contextuais e culturais, promover o seu desenvolvimento e garantir uma oferta de qualidade.

De facto, apesar de aparentemente se poder julgar que a maioria das actividades são semelhantes, e que um técnico de Desporto de Natureza poderá ser responsável por todos os níveis de prática, através de uma formação alargada dessas actividades, um técnico sem formação própria e adequada, poderá revelar algum facilitismo e mesmo alguma ignorância perante os múltiplos factores de risco existentes. Por outro lado, cada modalidade possui uma cultura própria e especificidades que as distingue das restantes.

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Em relação ao Turismo de Desportos de Natureza, numa perspectiva de curto – médio

prazo, a Região do Algarve, deve concentrar os esforços na criação e melhoria das condições gerais (acessibilidade, informação) e específicas (actividades, experiências) para consumidores de Turismo Natureza soft, tanto para a procura interna como para a procura estrangeira que, visita Portugal tendo como primeira motivação os Desportos na Natureza ou outras motivações.

A longo prazo, Portugal deve avançar na estruturação de uma oferta mais especializada para os segmentos com motivações mais específicas, pois são os que contribuem em grande medida para a criação de imagem e posicionamento internacional como destino de Turismo de Natureza.

Segundo a opção estratégica de Portugal de centralizar, a curto/médio prazo, os esforços na estruturação de produtos para o mercado de Turismo de Natureza soft, as experiências deverão ter um alto conteúdo de entretenimento, aprendizagem e de prazer estético, conteúdo que é perfeitamente compatível com o tipo de actividades que mais frequentemente realizam os consumidores/praticantes de Turismo de Natureza nas suas modalidades menos especializadas.

Julgamos que as instituições de formação deverão trabalhar em estreita ligação com as várias organizações profissionais, sendo importante também, a articulação entre a formação inicial e a formação contínua.

O mercado de trabalho apresenta algumas características que deverão ser alvo de ajustamentos e alterações, entre as quais: a ausência de regulamentação específica da profissão, nomeadamente quando se actua no campo desportivo e recreativo; a sazonalidade; a saturação de profissionais (principalmente no campo educativo); e a invasão constante de leigos e outros profissionais não habilitados. Não devemos esquecer que a excelência de uma organização é a excelência dos seus membros.

Considerando a área do Desporto, a formação profissional tem como principais organismos intervenientes, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), a Direcção Geral do Emprego e das Relações no Trabalho (DGERT) e o Instituto do Desporto de Portugal (IDP). Esta parceria representa o Estado português para os assuntos relacionados com a formação profissional na área do Desporto.

Contudo, no caso concreto da formação profissional em actividades de Desporto de Natureza, podemos constatar que não existe trabalho relevante efectuado até ao momento, o que se tem reflectido nas expectativas dos muitos interessados que

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desenvolvem as suas actividades profissionais neste ―novo‖ sector, não têm sido correspondidas como seria desejável.

Será necessário definir e construir modelos de formação adequados a cada actividade de Desporto de Natureza, respeitar as suas especificidades contextuais e culturais, promover o seu desenvolvimento e garantir uma oferta de qualidade, quer na perspectiva dos eventos para os praticantes quer na perspectiva da formação para os técnicos desportivos.

Neste sentido, para promover o desenvolvimento e a qualidade da formação neste sector desportivo, será necessário conjugar esforços, para analisar e compreender a procura/oferta do mercado, conhecer a opinião dos técnicos de desporto de natureza e adequar os modelos e os programas de formação a uma nova realidade nacional.

Nota: Guias de Natureza 41 são profissionais com formação específica cuja prestação

de serviços tem como função proporcionar aos visitantes, de forma adequada, o conhecimento e fruição da área protegida.

Actualmente, e porque o programa de formação específica para estes profissionais ainda não está em vigor, o ICN licencia, a título transitório, Guias de Natureza, com base nos conhecimentos técnicos e experiência demonstrados. Cada Guia é credenciado para determinado(s) percurso(s).

1.3.2. Monitores/Professores de Fitness/aulas de grupo (emprego em transformação)

As actividades físicas correctamente prescritas e orientadas, estão cientificamente comprovadas como tendo influência em diversos indicadores de saúde, podendo trazer efeitos benéficos, mesmo que de forma indirecta, na obtenção de saúde.

E os mesmos princípios funcionais e anatómicos utilizados na prática de actividades físicas que normalmente são realizadas numa sala de qualquer ginásio, se forem adaptados e aplicados na praia, no campo, no jardim – em contacto com a Natureza – poderão assumir outras percepções e benefícios irrefutáveis traduzidos em mais valias para o cliente que delas usufrui.

Seja, numa perspectiva mais de Natureza Soft através do Personal Trainer, caminhadas, corridas, passeios de bicicleta; ou numa perspectiva mais de Natureza

137 Hard, pela prática de escalada, rapel, canoagem, ou vela, as preocupações em assegurar a harmonia Homem-Natureza, há algumas décadas têm vindo a ser vilipendiada. Porém nos dias de hoje assiste-se a uma tentativa de o Homem reencontrar o seu equilíbrio em contacto e preservando a Natureza que nos rodeia, contribuindo activamente para a sua preservação.

A actual definição de Saúde defendido pela OMS, inclui como condição essencial para além da ausência de doença, o Bem-estar físico, psíquico, emocional e um estado de felicidade.

Neste contexto, consideramos que será pertinente, em estudos futuros, investigar sobre as oportunidades de utilização da prática de actividade física desportiva como meio de promover o Turismo, e vice-versa, preferencialmente, em contacto com a Natureza e/ou com vista à obtenção de uma melhoria dos indicadores de saúde, tais como: aumento da tonicidade muscular, aumento da capacidade respiratória ou diminuição da frequência cardíaca.

A possibilidade de realizar actividade física orientada cientificamente, com metodologias de prescrição de exercício semelhantes às utilizadas em Ginásios/Health Clubs, quando adaptadas ao contexto do Turismo, deverão ter como factor de diferenciação estratégica face à Concorrência, o seu enquadramento físico em locais ao ar livre, de características únicas e paradisícas em termos de paisagens naturais e harmonia pelo contacto com a Natureza.

A proposta de programas de Animação Desportiva exclusivos em cada unidade hoteleira, promovendo actividades diversas de forma a satisfazer o perfil de clientes a que se destinam, consubstancia uma das estratégias mais frequentes e eficazes, utilizada durante a época alta.

Estes programas, de forma genérica, irão tendencialmente se subdividir em três públicos-alvo: crianças, jovens/ adultos activos; idosos/adultos sedentários.

Para dar resposta em termos de oferta de profissionais especializados para actuar de forma reflexiva e proactiva neste contexto, teremos que definir diversos perfis profissionais específicos do sector em análise, bem como considerar outros já existentes em áreas de estudo limítrofes do Desporto e do Turismo (ver V parte – Construção de Perfis Profissionais).

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1.4. Empregos em Crescimento, Empregos Agregados e Empregos

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