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E SEUS REFLEXOS NA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

Capítulo 3 ASPECTOS ECONÔMICOS E GESTÃO

3.4 EMPREGOS VERDES

Consideram-se como Empregos Verdes os postos de trabalho decentes11, em atividades econômicas, que contribuem significativamente para reduzir emissões de carbono e/ou para melhorar/conservar a qualidade ambiental. Esses postos de trabalho estão inseridos em determinadas atividades econômicas e não se referem a ocupações específicas. É importante esclarecer que o rótulo de “verde” atribuído a esses postos de trabalho está relacionado aos impactos ambientais concretos das atividades econômicas que lhes dão origem, e não as funções exercidas ou ao perfil profissional dos trabalhadores (MOÇOUÇAH, 2009).

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Postos de “trabalho decente” são os regidos por um contrato formal devidamente registrado e cobertos pelos diversos dispositivos de proteção do trabalho assalariado, contidos na legislação trabalhista brasileira (MOÇOUÇAH, 2009).

Empregos verdes podem ser definidos como trabalhos na agricultura, manufatura, pesquisa e desenvolvimento, administração e atividades de serviço que contribuem substancialmente para a preservação e restauração da qualidade ambiental. Especificamente, mas não exclusivamente, isso inclui empregos que ajudam na proteção dos ecossistemas e da biodiversidade; redução no consumo de energia, materiais e água através de estratégias ultra-eficientes; economia de carbono; e minimização da geração de todas as formas de resíduos e poluição (RENNER et al., 2008).

As atividades econômicas geradoras de empregos verdes podem ser agrupadas em seis grandes eixos (MOÇOUÇAH, op.cit.):

· Maximização da eficiência energética e substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis.

· Valorização, racionalização do uso e preservação dos recursos naturais e dos ativos ambientais.

· Aumento da durabilidade e reparabilidade dos produtos e instrumentos de produção.

· Redução da geração, recuperação e reciclagem de resíduos e materiais de todos os tipos.

· Prevenção e controle de riscos ambientais e da poluição visual, sonora, do ar, da água e do solo.

· Diminuição e encurtamento dos deslocamentos espaciais de pessoas e cargas. O processo de criação de empregos verdes deve ser acelerado nos próximos anos. A transição global para uma economia de baixa geração de carbono pode criar um grande número de empregos verdes através de diversos setores da economia, podendo tornar-se uma alavanca para o desenvolvimento. A criação dos considerados empregos verdes vêm ocorrendo tanto nos países ricos como na maioria dos países com economias em desenvolvimento, nos setores chave como: energias renováveis, construção civil, indústria de base, agricultura e reflorestamento (RENNER et al., op.cit.).

Hoje os “Green-collar workers” – trabalhadores de colarinho verde – estão instalando painéis solares, reformando prédios de modo a torná-los mais eficientes, refinando resíduos de óleo para transformá-los em biodiesel, construindo usinas eólicas, reparando carros híbridos, construindo tetos verdes, plantando árvores e muito mais (JONES, 2008).

Vale ressaltar que as atividades econômicas geradoras dos empregos verdes caracterizados aqui, dificilmente chegarão a se converter, ou podem ser consideradas como atividades totalmente “verdes”, na medida em que a maioria dos seus produtos finais e/ou processos de produção impactam negativamente, de alguma forma, o meio ambiente. Como a construção, comercialização, manutenção e uso de edifícios que abrange um conjunto de atividades ligadas à cadeia produtiva da construção, começando pela extração de materiais, tais como pedra, areia e argila, e chegando até o uso dos edifícios. Segundo o IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change, cerca de 75% dos diversos tipos de materiais extraídos da natureza em todo o planeta destinam- se à cadeia da construção, que é responsável também por um terço das emissões globais de gases que provocam o efeito estufa (IPCC, 2010).

Tais números atribuem a este setor o maior potencial de redução das emissões de carbono a curto prazo e a baixo custo, o que o transforma também no maior gerador virtual de empregos verdes em escala planetária. É bem provável que isso se aplique também ao Brasil, já que a contenção do desmatamento e o setor de transportes - que aparecem respectivamente em primeiro e segundo lugares no nosso "ranking" de emissões - não apresentam a mesma capacidade de criação de postos de trabalho.

Na verdade, as transformações em curso são bem mais visíveis no terreno do “o que produzir” – ou seja, no que diz respeito às características dos bens e serviços fornecidos pelas diversas atividades econômicas – do que propriamente no campo de “como produzir” – isto é, no que se refere às tecnologias nos seus processos de produção. (MOÇOUÇAH , 2009). A utilização dessas tecnologias, porém, acaba ficando confinada ao interior dos laboratórios e dos centros de pesquisa das nossas universidades, não chegando a se disseminar para o conjunto das atividades econômicas exercidas em larga escala no setor.

Um campo de geração de empregos verdes está na desconstrução, prática em que materiais são recuperados no processo de demolição, de forma a serem reutilizados, evitando que sejam desperdiçados como resíduo de construção (JONES, 2008). Um processo que reduz a necessidade de novos materiais, além de reutilizar os insumos locais evitando o transporte e gerando emprego e renda para as pessoas da região.

3.5 CONTRIBUIÇÕES DO CAPÍTULO PARA O DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO

Neste capítulo, o Desenvolvimento Sustentável foi apresentado não como um empecilho, mas como uma oportunidade de negócio para as empresas que tenham uma visão futurista do mercado, uma vez que um dos obstáculos à implantação de sistemas de gestão mais sustentáveis é o fato da sustentabilidade ainda ser encarada, por muitos empresários, como um ônus e não como uma nova oportunidade de negócio.

Como um dos objetivos desta tese é promover a sustentabilidade como um diferencial gerencial e uma vantagem competitiva, as fundamentações, dentro do arcabouço teórico, estão centradas principalmente neste capítulo, através da análise do conceito de negócios sustentáveis e como aplicar na gestão da empresa; na discussão sobre os problemas para sustentar o desenvolvimento nos países emergentes (caso do Brasil); nas formas de desenvolvimento que agregam valor econômico, melhoria social e respeito pelo meio ambiente e que resultam na criação dos chamados “empregos verdes”.

Uma das grandes contribuições apresentadas no capítulo é a visão de que a sustentabilidade não pode ser restrita a um conceito apenas aplicável às nações desenvolvidas. As mudanças que estão ocorrendo no mundo, impulsionadas pelo desenvolvimento dos chamados países emergentes como China, Índia e Brasil, são significativas e vão, sem dúvida, contribuir de forma decisiva para traçar os rumos do desenvolvimento sustentável em nível global. E a construção civil, sendo um dos motores desse desenvolvimento, não pode ficar à parte do processo sustentável.

No Brasil, programas econômicos fincados na construção civil, como o “Minha Casa Minha Vida”, encontram cenários bastante promissores na RMR, onde existe uma grande carência por moradias, principalmente para a população de baixa renda. Fato esse que está sendo agravado pela migração de mão de obra, atraída pela instalação de grandes empreendimentos estruturadores no Estado, uma vez que Pernambuco tem apresentado, na atual conjuntura econômica, taxas anuais de crescimento acima da média nacional, contribuindo para tornar o mercado pernambucano – até hoje dominado por empresas locais e na sua grande maioria familiares – atraente para empresas construtoras de outras regiões do país.

Analisando a conjuntura econômica local – através do axioma de que uma oportunidade pode se converter em desafio –, a chegada de empresas de outros estados, muitas delas vindas de regiões mais desenvolvidas, onde o dinamismo econômico –

motivado por um mercado extremamente competitivo – impulsionou as empresas da construção civil no rumo da inovação tecnológica e implantação de novos modelos de gestão, pode estimular a modernização do setor na região. Fato que pode ser evidenciado através dos consórcios firmados por grandes construtoras, de outros estados, com empresas pernambucanas, com o objetivo de edificarem conjuntamente projetos residenciais na RMR. Acredita-se que estas futuras parcerias influenciarão na forma de gestão das empresas de construção locais que, visando preservar a vantagem competitiva, possivelmente passarão a adotar modelos administrativos e de produção empregados pelas concorrentes do Sudeste. No entanto, seria relevante o questionamento acerca dos exemplos utilizados e sua eficácia frente à realidade local.

Assim, pode-se cogitar que essas parcerias constituirão uma tendência geral na gestão de obras, no futuro. Entretanto, para que esta situação se concretize, especialmente no estado de Pernambuco, serão necessários investimentos, de modo que elas agreguem valores sustentáveis, tais como: aumento da qualidade e produtividade, desenvolvimento de novas tecnologias, uso racional dos insumos (incluindo energia e água), redução da geração e gestão de resíduos, uso e conservação de equipamentos, capacitação dos funcionários, segurança e qualidade de vida no trabalho.

No próximo capítulo, a teoria será afunilada e direcionada para o setor estudado, a indústria da construção civil, enfocando o objeto de estudo empírico que, nesse caso, se concentra no canteiro de obras.

Capítulo 4

A RESPONSABILIDADE

SOCIOAMBIENTAL CORPORATIVA NA

CONSTRUÇÃO CIVIL

Este capítulo apresenta a construção civil e sua relação com a responsabilidade socioambiental corporativa, enfocando objetivamente a organização dos canteiros de obra e seus reflexos na construção mais sustentável. Com esse propósito, o capítulo foi estruturado em três itens: no primeiro, está exposta uma rápida caracterização da construção civil através do processo construtivo, em seguida, aborda os canteiros de obra, na forma como são comumente estruturados na região pesquisada, e seus reflexos da qualidade de vida no trabalho. Por fim, o último item evidencia a forma como é praticada e entendida a responsabilidade socioambiental, pelas construtoras, através de duas pesquisas realizadas em empresas da região.