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ANEXO 25 – Portfolio da empresa Embraed

3. O MÉTODO NA PRÁTICA: A ANÁLISE DA BEIRA MAR

3.2. Do particular para o geral: a Avenida Atlântica como ponto de partida e

3.2.1.5. Empresa Brasileira de Edificações (Embraed)

A empresa foi fundada em 1984, totalizando desde então quase 200.000 m² de área construída, sendo 21 edifícios residenciais (3 em Itajaí, 17 em Balneário Camboriú) e 1 exclusivamente comercial (em Itajaí), além de 8 empreendimentos atualmente em construção (todos em Balneário Camboriú) [EMBRAED, 2008].

Desde o início construindo em Balneário Camboriú, a primeira obra foi entregue em 1985, mantendo uma média de 1 edifício entregue por ano até meados da década de 2000, quando esta foi incrementada. No início as obras tinham área total construída pouco expressiva, notadamente direcionadas a um público alvo que não é o mesmo da década de 2000. Assim, foi somente no ano de 2005 que a empresa alcançou a Avenida Atlântica, exatamente no ano em que a média de edifícios entregues extrapolou 1 unidade por ano (ANEXO 25).

Apesar do know how de 11 empreendimentos de médio-alto padrão em Balneário Camboriú (alguns deles na quadra do mar), a empresa apenas direcionou suas obras para um público-alvo de alto poder aquisitivo quando alcançou

verdadeiramente a beira mar. Ou seja, desde o primeiro empreendimento entregue na Avenida Atlântica (Edifício Don Alvarez, em 2005) o padrão tem se mantido constante, atendendo sempre o mesmo público-alvo. Enquanto a empresa Procave começou o processo de acumulação econômica em Blumenau, a Embraed o fez em Balneário Camboriú, iniciando suas atividades nas proximidades do mar, mas não na beira mar em si (Avenida Atlântica). Deste modo, sua ação foi do “interior” para a “beira mar” (similar à ação da empresa R. Teixeira), apesar deste limite representar, quantitativamente, cerca de 100 m (cem metros) de distância. A distância pode ser pequena e o mar pode estar próximo, mas a relação entre o espaço público e o espaço privado é diferenciada. Enquanto o espaço público na Avenida Atlântica é dominado pela paisagem natural (mar e faixa de areia), o espaço público do “além mar” é dominado pela paisagem artificial, pelo ambiente antropocêntrico. Ou seja, é nesta linha entre a paisagem natural e a paisagem construída que fica estabelecido o ideário da moradia de frente para o mar. Enquanto o meio urbano tende a ser agressivo e hostil, muitas vezes ligado à necessidade de trabalho (jornada diária de 8 horas), o meio natural tende a ser local de prazer e satisfação, evidenciado pelo ideário de liberdade à beira mar. Isto é conseqüência, em parte, da imensidão do espelho d’água e de seus reflexos no campo da psicosfera do indivíduo, e de outra, de um processo histórico iniciado desde a colonização do Brasil, em que a beira mar não estava inserida no processo produtivo e os portos eram apenas meios de comunicação e de transporte com o resto do mundo.

Dentre as 5 empresas líderes de mercado na Avenida Atlântica, a Embraed é a empresa que mais constrói. São 4 obras em andamento na Avenida Atlântica e mais 5 na quadra do mar (entre a Avenida Atlântica e a Avenida Brasil). Além disto, lembra-se que a Embraed já possui, pelo menos, mais 2 terrenos devidamente reservados para futuros empreendimentos, conforme evidenciam os tapumes com o logotipo da empresa. Um deles está situado na Avenida Atlântica, esquina com Rua 4.600, e o outro na Avenida Brasil, esquina com a Rua 3.240. Este último, inclusive, com uma edificação de 2 pavimentos em processo de demolição (setembro de 2008). Estes dados evidenciam o alto grau de capitalização da empresa, que a partir de meados da década de 2000 viu suas entregas (e lançamentos) extrapolar a média da década anterior (1 entrega por ano). Sem confirmação por parte da empresa, tudo leva a crer que este aumento na média foi proporcionado por

investimentos no seu capital de giro, notadamente de um investidor externo. Conforme o ANEXO 25, 9 empreendimentos de alto luxo estão sendo desenvolvidos simultaneamente.

Além de evidenciar, a partir da entrega do Edifício Alvarez (2005), áreas de uso coletivo para lazer e convivência, “herança” esta da concorrente Procave, a Embraed foi a primeira empresa de Santa Catarina a oferecer um edifício onde todos os apartamentos possuem pé-direito duplo na sala de estar (mezanino), de frente para o mar, evidenciando um novo diferencial em busca dos clientes com alto poder aquisitivo. Atualmente, a Embraed está construindo o 4º empreendimento – Edifício Renaissance – com este tipo de diferencial (o primeiro foi o Edifício San Giorgio, em 2006, seguidos pelo Vermont e Porto Vita, ambos em 2007). Assim, observa-se que este artifício evidencia elementos de uma cobertura duplex ao longo de todo o corpo do edifício, não apenas no seu topo, no seu coroamento. Por já estar no 4º empreendimento com esta tipologia, supõe-se que a aceitabilidade dos clientes tenha ido ao encontro da proposta da empresa, tanto é que a concorrente FG Procave já “adotou” nuances desta tipologia em parte do edifício Le Majestic, atualmente em construção. Do mesmo modo como a área de lazer (clube) no térreo foi um diferencial lançado pela Procave, em 1993, os apartamentos com pé-direito duplo tendem a assumir esta posição a partir da década de 2000.

Outro diferencial, independente do questionável valor estético, diz respeito ao “estilo” adotado pela Embraed no desenvolvimento dos seus projetos: o neoclássico, que “nunca envelhece”. A partir da década de 2000, começaram a ser inseridas molduras salientes (elementos decorativos) nos arremates inferiores, intermediários e superiores das fachadas, colunas e mudanças de planos, numa alusão às ordens clássicas da arquitetura grega (dórica, jônica e coríntia). Este “ecletismo” evidencia, em alguns casos, composições de grandes panos de vidro (às vezes refletivo, referente à modernidade) com molduras salientes (referente às ordens clássicas). Além do exterior, este “estilo” também pode ser visto em áreas de uso comum das edificações, principalmente no seu hall (entrada social) e no interior dos apartamentos, em um claro processo de sobreposição de diferenciais. Estes diferenciais avançam, inclusive, nos anúncios publicitários vinculados aos novos lançamentos e ao processo de venda de apartamentos, como do Residencial

Renaissance: “Faça como os Renascentistas, viva à frente de seu tempo!” (EMBRAED, 2008).

Julgamentos de valores estéticos à parte, o fato é que este artifício não encontra similares nas empresas concorrentes, sendo um diferencial. Diferencial este que vai ao encontro da noção de “paródia do passado” (BERMAN, 1986, p.22), já que a sensibilidade do homem moderno está apta ao apego por tudo, ao gosto por tudo, às imagens marcantes e extravagantes, ao consumo de espetáculos (DEBORD, 1997). Para que criar novos valores se o homem pode se refugiar no passado e buscar na história uma válvula de escape às angústias e perturbações da modernidade (a atualidade), que por si só já é uma interrogação? Este diferencial ultrapassa os limites da aparência, agregando a conotação de marketing ao arcabouço formal do edifício, já que o “estilo” neoclássico é um “porto seguro” para os clientes indecisos diante da grande oferta de apartamentos à beira mar.

Para uma melhor compreensão da trajetória da Embraed em Balneário Camboriú, o ANEXO 26 evidencia a evolução do padrão construtivo desde a década de 1990. A partir da entrega do primeiro edifício (Don Alvarez) na Avenida Atlântica, grandes panos de vidro começaram a ser inseridos nas fachadas frontais (vista para o mar), além da evidência cada vez maior da base do edifício (destinada às vagas de garagem e áreas de lazer de uso coletivo), seja pela volumetria saliente, seja pelo uso de elementos que evidenciem o “estilo” neoclássico (molduras, colunas, arcos, etc.). Também contabiliza obras entregues e em construção, além de informações adicionais sobre as áreas privativas (os apartamentos em si, com suas respectivas vagas de garagem) e as áreas de uso comum ou coletivas, como as áreas de lazer, convivência e circulação (acesso aos apartamentos).