3.4 TRANSFORMAÇÕES A PARTIR DO CRESCIMENTO DA CIDADE
3.4.1 Enchente de 1974
Na sucessão dos vários acontecimentos que marcaram o município de Tubarão, no século XX, um em especial guarda pesadas lembranças e ocorreu no ano de 1974: a grande enchente que gerou inúmeras vítimas e muitos prejuízos ao município. Vettoretti, (1992) narra o fato principiado no dia 22 de março de 1974, sexta-feira, quando intensas chuvas nos costões da Serra fizeram com que o rio Tubarão aumentasse seu volume significativamente, alagando as áreas baixas de suas margens. A vila Presidente Médici foi a primeira a ser atingida, e no dia 23, sábado, as águas já haviam avançado sobre a cidade de forma desastrosa, mobilizando a Prefeitura e o Corpo de Bombeiros no socorro à população dos bairros mais alagados. O município entrou em estado de alerta, anunciado pela rádio Tubá que prestava os serviços de informações à população, as escolas dispensavam os alunos e parte da cidade já estava submersa.
Na tarde de sábado, segundo Vettoretti (1992), a chuva caía forte e densa, e muitas pessoas, já desabrigadas, foram forçadas a abandonar suas casas à procura dos lugares mais elevados, entre os quais o morro da Catedral. As águas do rio continuavam a subir. A ponte pênsil foi tragada e o centro comercial do bairro Oficinas e a margem esquerda do rio foram invadidos. A situação era crítica, a população estava desesperada quando o comandante
da 3° Companhia do Exército, sob a alegação de que a Rádio Tubá estaria promovendo sensacionalismo, transmitindo pânico aos munícipes, proibiu a emissora de dar notícias sobre a enchente e a população ficou desorientada. Conforme Vettoretti (1992, p.230),
avisado por telefone, o então Comandante da 3ª Companhia, Major Varela, decidiu não comunicar nada à população para evitar pânico. Esta atitude é muito criticada, e muitos habitantes de Tubarão acreditam que, se o alarme que tivesse sido dado, muitas vezes poderiam ter salvo vidas.
Segundo Machado (2005), no dia 24, domingo, a cidade continuavam alagada e o rio estava estabilizado. Porém, antes do anoitecer as chuvas retornaram com a mesma intensidade do dia anterior e o domingo foi mais um dia de caos e desespero para os moradores de Tubarão, que foram acordados pela água que invadia suas casas, obrigando alguns a subirem nos telhados das residências e aguardarem pelo resgate. Nesse dia, as luzes da cidade apagaram-se, os telefones silenciaram e a cidade ficou sem comunicação, isolada por completo.
Dia 25, segunda-feira, ao clarear do dia, a chuva continuava intensa, águas subindo e destruindo o que encontrava pela frente, um único helicóptero fazia o trabalho de salvamento, sobrevoando as residências, e recolhendo os moradores que agitavam panos, desesperadamente, para chamar a atenção do salvamento (VETTORETTI, 1992). Os desabrigados eram acolhidos nas residências do morro da Catedral, onde encontravam abrigo, porém sofriam pela falta de alimento. O caos, então, tinha se instaurado (MACHADO, 2005). Somente no dia 27 o sol apareceu e as águas começaram a baixar. A partir desta data foi possível dimensionar os estragos causados pela enchente. Uma impressionante camada de lodo que, segundo Vettoretti (1992), variava de 30 centímetros a 1,20 metros cobria as ruas por onde as águas haviam passado; enormes buracos foram abertos pela enchente, e um rastro de entulhos formado por lodo, madeiras e restos de material das casas destruídas foi deixado pelas águas do rio Tubarão (Figuras 42 e 43). Segundo Vettoretti (1992), ―oficialmente‖ foram registradas 199 mortes. Para Machado (2005) esse número alcançou, aproximadamente, trezentas pessoas.
Essa triste etapa da história tubaronense pode ser encontrada nos relatos das pessoas que viveram aqueles momentos de terror; em obras literárias; nos quadros do pintor Willy Zumblick (Figura 44); em monumentos espalhados pela cidade, como a Torre da Gratidão (Figura 45), que fica ao lado da Catedral, e os monumentos Projeto e Controle das
Cheias do Vale do Tubarão (Figura 46), e Vítimas da Enchente (Figura 47), ambos na Praça Orlando Fancalacci.
Figura 42 – Vista aérea da cidade de Tubarão após a enchente de 1974.
Fonte: Arquivo Público e Histórico do município de Tubarão (2014).
Figura 43 – Marcas da destruição, consequência da enchente do rio Tubarão, em 1974.
Figura 44 – Obra: Retirantes da enchente de 1974. Óleo sobre tela, 140x125cm.
Fonte: Acervo Museu Willy Alfredo Zumblick
Figura 45 – Monumento: Torre da Gratidão.
Figura 46 – Monumento: Projeto Controle das Cheias do Vale do Tubarão.
Fonte: HORDEJUK (2014).
Figura 47 – Monumento: Vítima das Cheias.
Fonte: HORDEJUK (2014).
A cidade se transformou, e continua em processo de construção (Figuras 48 a 58). Hoje, Tubarão, segundo os dados do IBGE de 2013, tem uma população de 97.235 habitantes,
seu território dispõe de uma área de 301.755 km² e sua economia tem como principal atividade a prestação de serviços.
A disposição ou configuração espacial da cidade se modificou. Tubarão conta, oficialmente, segundo o site da prefeitura municipal, com 23 bairros, oito deles situados à margem esquerda do rio Tubarão e 15 à margem direita. À margem esquerda: São Bernardo, São João, Humaitá de Cima, Humaitá, Centro, Vila Esperança, Morrotes, Dehon e Revoredo. À margem direita: Cruzeiro, Fábio Silva, Monte Castelo, Oficinas, Centro, Santo Antônio de Pádua, Vila Moema, Recife, Passagem, Passo do Gado, Santa Luzia, Praia Redonda, São Clemente, Campestre e São Cristóvão.
Tubarão conta, ainda, com outras comunidades ou localidades: Caruru, Rio do Pouso, Termas da Guarda, Km 60, Km 63, Jararaca, Sombrio, Bom Pastor, São Martinho, Alto Pedrinhas, Areado, Boa Vista, Congonhas, Morrinhos, Sertão dos Corrêas, Sertão dos Mendes, Morro das Pedras, Sanga do Lajeado, Mato Alto, Madre, Barra do Norte, Alto do Rio Pouso, Sanga da Areia, Santo Anjo da Guarda M.E., Pinheirinho, Santo Anjo da Guarda M.D., Ilhota, Morro do Formigão, Linha Mesquita, Micuim, Campo da Eira, Anita Garibaldi, Morro da Sanga.
Figura 48 - Vista da rua Coronel Colaço, ao fundo antiga Igreja Nossa Senhora da Piedade, em 1900.
Figura 49 - Vista da rua Lauro Muller, centro de Tubarão, em 1950 (data aproximada).
Fonte: Arquivo Público e Histórico do município de Tubarão (2014).
Figura 50 – Vista da rua Coronel Colaço a partir da ponte Nereu Ramos. Ao fundo antiga Igreja Nossa Senhora da Piedade, anterior à década de 1970.
Figura 51 – Desfile de máquinas agrícolas no centro da cidade de Tubarão. Anterior à década de 1970.
Fonte: Arquivo Público e Histórico do município de Tubarão (2014).
Figura 52 – Vista aérea do bairro de Oficinas, em 1965.
Figura 53 – Vista geral da rua Pe. Geraldo Espetmann, margem esquerda da cidade de Tubarão (s/d)
Fonte: Arquivo Público e Histórico do município de Tubarão (2014).
Figura 54 – Vista aérea da cidade na década de 1960.
Figura 55 - Vista aérea da cidade de Tubarão na década de 1970.
Fonte: Arquivo Público e Histórico do município de Tubarão (2014).
Figura 56 - Vista aérea da cidade na década de 1980.
Figura 57 - Vista aérea da cidade na década de 1990.
Fonte: Arquivo Público e Histórico do município de Tubarão (2014).
Figura 58 - Vista aérea da cidade nos anos 2000.