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Encontro com a Pesquisa e a Teoria da Interdisciplinaridade

quando não perguntei: Por quê?

1.2 Encontro com a Pesquisa e a Teoria da Interdisciplinaridade

Toda a verdadeira vida é encontro Martin Buber (2001)16 O segundo grande encontro gerador deste estudo foi com a pesquisa e com a teoria da Interdisciplinaridade. Um levou ao outro.

Ao longo do processo de formação inicial17, fui construindo meu ideário pedagógico, com aquilo que eu acreditava ser imprescindível na trajetória de uma educadora. Deparei-me com perplexidades e possibilidades de mudanças.

Durante o período da Graduação, em Pedagogia, muitas eram as inquietações, frutos das lacunas da própria formação, bem como, do meu sempre novo e alterado olhar perante o mundo e, para isso, dediquei-me a desenvolver projetos de Iniciação Científica tendo em vista a possibilidade de dialogar com diferentes autores, para ser capaz de ousar na busca por respostas.

Para Fazenda,

A interdisciplinaridade consolida-se na ousadia da busca, de uma busca que é sempre pergunta, ou melhor, pesquisa. [...] Explicitar o movimento a partir das ações conduziu-nos a uma nova construção, não diria epistemológica, pois não parte do logos, do apenas refletido, mas, do ontológico que atinge o ethos da ação. Compreender os motivos que me conduzem à valorização de uma ação permitiu-me intuí-la, revelá-la e talvez superá-la (1995, p. 9-10).

16

BUBER, Martin. Eu e Tu. Tradução e introdução de Newton Aquiles Von Zuben. 5.ed. São Paulo: Centauro, 2001.

Assim, as emergentes lacunas e os sempre novos olhares para o mundo tomaram forma de perguntas. Nasceu, assim, uma pesquisadora.

A Coordenadora do curso de Pedagogia fomentava ações com o grupo de professores para que os alunos e alunas participassem dos projetos de Iniciação Científica. Quando, ainda no primeiro semestre do curso, minha professora de Língua Portuguesa falou a respeito da seleção de projetos e, o que de fato era uma Iniciação Científica, convidei-a para ser minha orientadora.

A Instituição prezava pela pesquisa, incentivava o aluno e ganhamos reconhecimento no Vale do Paraíba.

A Iniciação Científica deu um salto grande, com vários projetos

desenvolvidos e reconhecimento externo – apresentações em

Encontros de Iniciação Científica, interno e externo (NOGUEIRA, In TAINO, 2008, p. 79)18.

O primeiro objeto de pesquisa foi a poesia, pelos ecos que nela encontrei e por acreditar numa Educação que preze sua humanidade. Buscava subsídios teóricos para elaboração de propostas de encaminhamentos do texto poético para professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Os ecos da poesia continuavam ressoando, pois,

Experimentar poesia é permitir que os sonhos, os devaneios, as fantasias venham à tona, via texto e, mesmo diante da estranheza que este possa causar, é preciso assumir os conflitos e sentir o gozo do imaginário, dando vazão ao primeiro fruto da poesia - o prazer (SOUZA, 2007, p. 25).

Com este projeto de Iniciação Científica participei de 01 (um) Fórum Acadêmico19 em 2005, 01 (um) Encontro Nacional de Iniciação Científica20 e 01(um) Fórum Acadêmico21 em 2006, que resultou em meu Trabalho de Conclusão de

18 Relato a respeito do reconhecimento do trabalho de um grupo de professores sob a coordenação de Ana Maria dos Reis Taino nas Faculdades Integradas de Jacareí, extraído de: TAINO, Ana Maria dos Reis. Reconhecimento: movimentos e sentidos de uma trajetória de investigação e formação interdisciplinar. 174 p. Tese (Doutorado) - Prograrma de Pós-graduação em Educação: Currículo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008.

19 II FÓRUM ACADÊMICO DAS FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREÍ. A Poesia: instrumento

de letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Pôster - 2005

20 XI ENCONTRO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ. A Poesia:

instrumento de letramento nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Pôster - 2006

21 III FÓRUM ACADÊMICO DAS FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREÍ. A Poesia:

Curso22 em 2007. Ainda no ano de 2006, participei de outro projeto de Iniciação Científica intitulado: Ler pelo prazer de Saber: uma memória viva23, projeto realizado em parceria com minhas colegas de sala e minha orientadora.

Em 2007 fui convidada a participar novamente do Programa de Iniciação Científica pela coordenadora do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas de Jacareí, desafio assumido, seduzi-me com a pesquisa e com a temática que, após estudos e discussões, ganhou o título de Perspectivas Interdisciplinares em

Educação Ambiental: algumas propostas de implementação e formação para professores da Educação Infantil24.

Aproprio-me das palavras de Fazenda (1999b) quando diz,

...chegamos à conclusão de que não podemos exercitar qualquer tipo de pesquisa sem parar para analisar o tipo de profissional que somos, a forma como nos tornamos assim, as dificuldades transpostas, a luta na busca de maior e melhor competência (p.11).

Nessa trajetória, obtive os primeiros contatos com a teoria da Interdisciplinaridade e, a partir daí, vislumbrei uma teoria capaz de fazer ecos com aquilo que entendo ser, de fato, uma das propriedades da Educação: ―a coerência entre palavras e fatos‖ (FAZENDA, 2003, p.9).

Ainda nesse processo de Iniciação Científica, outra descoberta me despertou encantamento: a possibilidade do inédito viável (FREIRE, 2002, 2005), – aquilo que é sonhado, pelas pessoas que pensam utopicamente, mas possível de ser realizado – esperanças bem postas por Paulo Freire.

Nesse sentido, após o término da minha graduação em 2007, olhava para minha trajetória acadêmica e profissional apenas como iniciada e carente de estudo, pesquisa, de trocas, mas, me sentia ―viva‖ e, nas palavras de Madalena Freire:

Estar vivo é estar em conflito permanentemente, Produzindo dúvidas, certezas sempre questionáveis. Estar vivo é assumir a educação do sonho do cotidiano.

22SOUZA, R. V. P. A.. A poesia: instrumento de letramento nos anos iniciais do Ensino

Fundamental. Trabalho de Conclusão de Curso – Pedagogia, Faculdades Integradas de Jacareí, Jacareí/SP, 2007. Trabalho considerado com nível acima da graduação pela banca examinadora. 23 III FÓRUM ACADÊMICO DAS FACULDADES INTEGRADAS DE JACAREÍ. Ler pelo prazer de

saber: uma memória viva. Pôster e Oficina prática.

24 Trabalho apresentado no VII CONGRESSO NACIONAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA. UNISO Sorocaba/SP. Perspectivas Interdisciplinares em Educação Ambiental: Algumas propostas de

Para permanecer vivo, educando a paixão, desejos de vida e de morte, é preciso educar o medo e a coragem. Medo e coragem em ousar.

Medo e coragem em assumir a solidão de ser diferente. Medo e coragem em romper com velho.

Medo e coragem em construir o novo.

Medo e coragem em assumir a educação desse drama, cujos personagens são nossos desejos de vida e morte. Educar a paixão (de morte e vida) é lidar com esses dois ingredientes cotidianamente, através da nossa

capacidade, força vital (que todo ser humano possui uns mais, outros menos, em outros anestesiada) e DESEJAR, SONHAR, IMAGINAR e CRIAR. Somos sujeitos porque desejamos, sonhamos, imaginamos e criamos; na busca permanente da alegria, da esperança, do fortalecimento, da liberdade, de uma sociedade mais justa, da felicidade a que todos temos direito.

Este é o drama de permanecer VIVO... fazendo educação! 25

Dessa forma, viva, ousei. Em 2008, a convite de uma professora da graduação, tive meu primeiro contato com o GEPI26. Comparecia esporadicamente, tive de negociar muito nos meus dois empregos para conseguir dispensa para frequentar este grupo.

Confesso que, mesmo com a acolhida da Professora Coordenadora do grupo, Ivani Fazenda, me sentia fora do contexto; nova demais, inexperiente demais. Mas eu me sentia tão feliz naquele círculo (de trocas de conhecimentos, de olhares) que insisti em continuar.

No começo de 2009, participei da seleção para o Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, mas não fui selecionada. Continuei fazendo parte do GEPI, amadureci meu projeto de pesquisa e tentei novamente no final do ano; fui aceita.

Meu encontro com a pesquisa ganhava um novo cenário, meu encontro com a Interdisciplinaridade deixou de ser apenas pelos livros e passou a ser com a autora, ao vivo; tratava-se de um encontro mais consistente. Demandaria mais esforço e mais maturidade de minha parte, mas eu desejei estar ali.